{"id":48786,"date":"2014-12-27T12:53:32","date_gmt":"2014-12-27T15:53:32","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=48786"},"modified":"2014-12-27T12:54:58","modified_gmt":"2014-12-27T15:54:58","slug":"exposicao-de-moringas-do-vale-do-jequitinhonha-conta-um-pouco-da-saga-de-artesaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=48786","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o de moringas do Vale do Jequitinhonha conta um pouco da saga de artes\u00e3os"},"content":{"rendered":"<h4><strong><em>Artistas se tornaram refer\u00eancia da cultura popular da regi\u00e3o e conquistaram fama mundial<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>H\u00e1 aquelas que remetem a galinhas, outras que chamam a aten\u00e7\u00e3o por lembrar bonecas. Existem tamb\u00e9m as simples, mais pr\u00e1ticas, como tamb\u00e9m algumas que t\u00eam v\u00e1rias cabe\u00e7as, cada uma delas parecendo um animal. Em cartaz no Museu de Hist\u00f3ria Natural e Jardim Bot\u00e2nico da UFMG, a exposi\u00e7\u00e3o Moringas do Vale do Jequitinhonha: Mem\u00f3ria preservada, re\u00fane 39 pe\u00e7as feitas na d\u00e9cada de 1970 principalmente em Cara\u00ed, munic\u00edpio do Vale reconhecido por sua produ\u00e7\u00e3o artesanal em barro. O conjunto, que vem a p\u00fablico pela primeira vez e \u00e9 o \u00fanico do g\u00eanero numa institui\u00e7\u00e3o brasileira, integra o acervo de arte popular do museu, que agrega um n\u00famero de 600 objetos de v\u00e1rios g\u00eaneros.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/moringas_do_vale.jpg\" alt=\"\" \/><em>Criatividade, cor e desenhos est\u00e3o presentes nas pe\u00e7as expostas &#8211; Foto: Ramon Lisboa\/Estado de Minas<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Moringa \u00e9 um termo ind\u00edgena; em portugu\u00eas, \u00e9 a boa e velha bilha. Sua exist\u00eancia remonta a milhares de anos e diferentes culturas. No Brasil, foram as moringas produzidas pelos artes\u00e3os do Vale do Jequitinhonha que ultrapassaram a fun\u00e7\u00e3o inicial, que \u00e9 a de transportar \u00e1gua. Na exposi\u00e7\u00e3o, com curadoria de Cl\u00e1udia Cristina Cardoso e consultoria de Joubert C\u00e2ndido Rodrigues, s\u00e3o destacados exemplares que acabam contando tamb\u00e9m um pouco da hist\u00f3ria daquela regi\u00e3o. \u201cA cer\u00e2mica mais criativa do Vale est\u00e1 em Cara\u00ed porque os artes\u00e3os n\u00e3o aceitaram trabalhos governamentais\u201d, comenta Joubert.<\/p>\n<p>A partir da d\u00e9cada de 1970, quando h\u00e1 o boom da produ\u00e7\u00e3o artesanal da regi\u00e3o, os nomes mais representativos do local se recusaram a trabalhar em novos fornos. \u201cSeu Ulisses (Ulisses Pereira Chaves, considerado por muitos o maior escultor ceramista do Vale), disse que n\u00e3o queria. Dessa maneira, a parte criativa foi beneficiada, pois n\u00e3o tem afeta\u00e7\u00e3o nem influ\u00eancia de encomendas\u201d, continua Joubert. A mostra re\u00fane trabalhos de Ulisses e de outros artes\u00e3os de reconhecida import\u00e2ncia, como a fam\u00edlia Batista, entre elas Noemisa Batista dos Santos.<\/p>\n<p>Moringas s\u00e3o encontradas em toda a era pr\u00e9-colombiana \u2013 \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de Cuba e Terra do Fogo, a cer\u00e2mica foi produzida em todos os pa\u00edses a partir do M\u00e9xico. \u201cNa \u00e9poca, era uma cer\u00e2mica tosca, feita por pura necessidade\u201d, continua Joubert. Tanto moringas quanto vasilhames e at\u00e9 urnas funer\u00e1rias. A produ\u00e7\u00e3o poderia ser a partir da t\u00e9cnica do levante \u2013 em que se amassa o barro que vai sendo levantado por camadas \u2013 ou atrav\u00e9s do torno, trazido pelos europeus. A t\u00e9cnica do levante \u00e9 utilizada at\u00e9 hoje no Vale do Jequitinhonha.<\/p>\n<h4>De pai para filho<\/h4>\n<p>As moringas decoradas, uma tradi\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o, t\u00eam seus ensinamentos passados de pai para filho \u201cdesde tanto tempo que nem mesmo eles sabem quando come\u00e7ou. O que d\u00e1 para sentir \u00e9 que os negros que foram para l\u00e1 j\u00e1 sabiam fazer cer\u00e2mica. A jun\u00e7\u00e3o do negro com o ind\u00edgena resultou na cer\u00e2mica do Vale\u201d, continua Joubert. Nos exemplares expostos, a riqueza de modelos e estilos \u00e9 grande. H\u00e1 exemplares da moringa tr\u00edpode, que tem tr\u00eas grandes bolas que fazem a sustenta\u00e7\u00e3o do objeto. \u201cEssas come\u00e7aram a ser documentadas a partir do s\u00e9culo 18. H\u00e1 alguns autores que se referem ao culto da fertilidade.\u201d<\/p>\n<p>Existem exemplares das chamadas moringas zoomorfas (que representam animais), antropomorfa (que se assemelha \u00e0 forma humana) e at\u00e9 mesmo uma moringa antropozoomorfa (de um lado a cabe\u00e7a de um homem; do outro, a de um sapo). \u201cO grande pontap\u00e9 para que o trabalho ficasse conhecido foi dado por Burle Marx, que nos anos 1970 passou a comprar muitas pe\u00e7as de seu Ulisses\u201d, diz o pesquisador. Tamb\u00e9m no per\u00edodo, com a Comiss\u00e3o de Desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha (Codevale) em atividade, os artes\u00e3os foram estimulados a criar. Como j\u00e1 dominavam a t\u00e9cnica, puderam dar asas \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 quando vem o apogeu da arte, que rompe com o utilit\u00e1rio e passa para o lado art\u00edstico\u201d, diz Joubert. \u201cDona Izabel (Izabel Mendes da Cunha) contava que fazia moringas e colocava cabe\u00e7a de bonecas\u201d, acrescenta. A partir dessa experi\u00eancia ela vai desenvolvendo seu trabalho at\u00e9 criar as famosas bonecas do Vale, hoje refer\u00eancia internacional no artesanato brasileiro.<\/p>\n<p><strong>Moringas do Vale do Jequitinhonha: Mem\u00f3ria preservada<\/strong><br \/>\nMostra na Sala de Exposi\u00e7\u00e3o Tempor\u00e1ria 3<br \/>\n\u00bb No Museu de Hist\u00f3ria Natural e Jardim Bot\u00e2nico da UFMG, Rua Gustavo da Silveira, 1.035, Santa In\u00eas, (31) 3409-7650.<br \/>\n\u00bb Visita\u00e7\u00e3o de ter\u00e7a a sexta, das 9h \u00e0s 16h; s\u00e1bados e domingos, das 10h \u00e0s 17h.<br \/>\n\u00bb Entrada: R$ 4 (menores de 5 anos e maiores de 60 n\u00e3o pagam).<br \/>\n\u00bb Informa\u00e7\u00f5es: <a href=\"http:\/\/www.mhnjb.ufmg.br\" target=\"_blank\">www.mhnjb.ufmg.br<\/a><\/p>\n<p><strong>Conserva\u00e7\u00e3o e restauro<\/strong><\/p>\n<p><em>A exposi\u00e7\u00e3o Moringas do Jequitinhonha ocupa uma das quatro salas de exposi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1rias do Museu de Hist\u00f3ria Natural. No espa\u00e7o, at\u00e9 ent\u00e3o havia uma exposi\u00e7\u00e3o de f\u00edsica e qu\u00edmica, que foi desativada. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 a partir de agora dedicar a \u00e1rea para o acervo art\u00edstico da institui\u00e7\u00e3o. Para 2015, est\u00e1 prevista a instala\u00e7\u00e3o do laborat\u00f3rio de conserva\u00e7\u00e3o e restauro, que vai funcionar numa sala cont\u00edgua \u00e0 de exposi\u00e7\u00e3o. \u201cO visitante vai ter a oportunidade de ver o acervo e tamb\u00e9m o trabalho dos restauradores junto \u00e0 cer\u00e2mica\u201d, afirma a curadora Cl\u00e1udia Cristina Cardoso. De acordo com ela, a perspectiva \u00e9 que a cole\u00e7\u00e3o de arte popular \u2013 que inclui ainda pe\u00e7as utilit\u00e1rias como bules, x\u00edcaras, jarros, e decorativas, como bonecas e animais \u2013 seja apresentada aos poucos ao p\u00fablico. <\/em><\/p>\n<p><strong><em>(Fonte: Jornal Estado de Minas)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artistas se tornaram refer\u00eancia da cultura popular da regi\u00e3o e conquistaram fama mundial H\u00e1 aquelas que remetem a galinhas, outras que chamam a aten\u00e7\u00e3o por lembrar bonecas. Existem tamb\u00e9m as simples, mais pr\u00e1ticas, como tamb\u00e9m algumas que t\u00eam v\u00e1rias cabe\u00e7as, cada uma delas parecendo um animal. 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