{"id":47892,"date":"2014-12-14T12:19:02","date_gmt":"2014-12-14T15:19:02","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=47892"},"modified":"2014-12-14T12:19:02","modified_gmt":"2014-12-14T15:19:02","slug":"produtores-e-ambientalistas-reforcam-necessidade-de-revitalizacao-do-velho-chico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=47892","title":{"rendered":"Produtores e ambientalistas refor\u00e7am necessidade de revitaliza\u00e7\u00e3o do Velho Chico"},"content":{"rendered":"<h4><strong><em>Aumento no volume do Rio S\u00e3o Francisco anima especialistas, mas desassoreamento \u00e9 necess\u00e1rio.<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>Devido \u00e0s \u00faltimas chuvas, o aspecto do Rio S\u00e3o Francisco mudou. Visto de cima, o Velho Chico se apresenta cheio, bem diferente do que se verificou no fim de setembro, quando, como consequ\u00eancia da longa estiagem, o manancial teve o seu n\u00edvel muito reduzido e sua nascente principal, localizada na Serra da Canastra (no munic\u00edpio de S\u00e3o Roque de Minas, Regi\u00e3o Centro-Oeste do estado) secou. A \u00e1gua da nascente j\u00e1 voltou a brotar. <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/velho_chico_cheio.jpg\" alt=\"\" \/><em>O Rio S\u00e3o Francisco agora: bem mais cheio do que nos \u00faltimos meses &#8211; Foto: Frederico Assis<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Mas, ao mesmo tempo em que comemoram o \u201cretorno\u201d do volume normal do Rio S\u00e3o Francisco, ambientalistas e produtores alertam que o assoreamento elevado entupiu o leito principal do Velho Chico em v\u00e1rios locais e isso acabou criando o fen\u00f4meno da \u201cfalsa enchente\u201d, dando a impress\u00e3o de que ele est\u00e1 muito cheio, quando, na verdade, continua raso, por causa do grande volume de areia no canal principal. <\/p>\n<p>A regulariza\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco \u00e9 bem recebida no Projeto de Irriga\u00e7\u00e3o do Ja\u00edba, no munic\u00edpio hom\u00f4nimo, no Norte de Minas, onde o n\u00edvel do manancial subiu cerca de 2,5 metros do fim de novembro pr\u00e1 c\u00e1. Isso permitiu o retorno de novos plantios no per\u00edmetro irrigado, que estavam suspensos desde junho, por causa do baixo n\u00edvel do rio, situa\u00e7\u00e3o agravada pela redu\u00e7\u00e3o do volume de \u00e1gua liberado pela Usina Hidrel\u00e9trica de Tr\u00eas Marias, na Regi\u00e3o Central do estado. <\/p>\n<p>Atualmente, o reservat\u00f3rio da represa de Tr\u00eas Marias est\u00e1 com 7,25% de sua capacidade. Mesmo com as \u00faltimas chuvas, continuam sendo liberados pela represa somente 120 metros c\u00fabicos por segundo, visando aumentar o n\u00edvel do reservat\u00f3rio. Assim, o aumento do n\u00edvel do Rio S\u00e3o Francisco na regi\u00e3o do Projeto Ja\u00edba foi provocado pela \u00e1gua de afluentes que desembocam nele depois da represa de Tr\u00eas Marias: o Rio das Velhas, cuja bacia surge na Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte; e os rios Abaet\u00e9, Jequita\u00ed, Urucuia e Paracatu. <\/p>\n<p>Diretor da Associa\u00e7\u00e3o dos Fruticultores do Norte de Minas (Abanorte), o produtor Saulo Bresinski Lage afirma que a \u201ccheia\u201d do S\u00e3o Francisco trouxe um al\u00edvio para os irrigantes do Projeto Ja\u00edba, que enfrentavam preju\u00edzos com a interrup\u00e7\u00e3o de novos plantios nas \u00e1reas irrigadas, por causa da escassez de \u00e1gua. Por outro lado, ele ressalta que, por conta do assoreamento, logo nas primeiras chuvas da esta\u00e7\u00e3o, criou-se a impress\u00e3o de que o Velho Chico j\u00e1 teve o seu volume muito elevado, o que n\u00e3o corresponde \u00e0 verdade. \u201cComo tem muita areia dentro do rio, com qualquer chuvinha, cria-se aquela apar\u00eancia de que ele est\u00e1 cheio. \u00c9 uma enchente falsa\u201d, observa Lage.<\/p>\n<p>Ele salienta que \u00e9 necess\u00e1rio realizar um trabalho de desassoreamento, com a retirada de areia do leito principal e o replantio de matas ciliares. \u201c\u00c9 preciso tamb\u00e9m fazer um trabalho de recupera\u00e7\u00e3o das nascentes dos afluentes e rios que fazem parte da Bacia do S\u00e3o Francisco, como os rios Arrudas, das Velhas e o Verde Grande\u201d, sugere o produtor. <\/p>\n<h4>Desmatamento<\/h4>\n<p>A secret\u00e1ria da C\u00e2mara Consultiva do Alto S\u00e3o Francisco, Silvia Freedman, que integra o Comit\u00ea da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio S\u00e3o Francisco (CBHSF), salienta que o problema do assoreamento do Velho Chico ocorre h\u00e1 d\u00e9cadas, sendo uma consequ\u00eancia direta do desmatamento e, principalmente, da retirada das matas ciliares. Os efeitos da derrubada das \u00e1rvores s\u00e3o percebidos durante o per\u00edodo chuvoso. \u201cSem a vegeta\u00e7\u00e3o, o solo fica descoberto. Assim, todo lixo e sedimentos s\u00e3o levados pela enxurrada para dentro do rio. Por isso que, logo depois das primeiras chuvas, a \u00e1gua do rio fica barrenta, como estamos verificando no atual per\u00edodo\u201d, assegura Silvia, que tamb\u00e9m \u00e9 presidente do Comit\u00ea de Bacia do Entorno do Lago da Usina de Tr\u00eas Marias. \u201cInfelizmente, por conta do desmatamento, o lago de Tr\u00eas Marias tamb\u00e9m est\u00e1 assoreado. Mas o lago tem a represa, que a segura \u00e1gua\u201d, completa ela. Como solu\u00e7\u00e3o, Silvia sugere o plantio de mudas em \u00e1reas de matas ciliares, a prote\u00e7\u00e3o do cerrado e a recupera\u00e7\u00e3o das veredas, onde se situa a maioria das nascentes. A sugest\u00e3o \u00e9 compartilhada por Leandro Gabriel da Costa, do Comit\u00ea da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Alto S\u00e3o Francisco. <\/p>\n<p>O ambientalista Ivan Chagas Campos, que mora em Belo Horizonte, conta que, h\u00e1 uma d\u00e9cada, percorre o Velho Chico anualmente, em uma expedi\u00e7\u00e3o que viaja de Tr\u00eas Marias a Pirapora. Em agosto deste ano, ele voltou a participar da expedi\u00e7\u00e3o e teve dificuldades para fazer a viagem, pois o caiaque dele encalhou tr\u00eas vezes nos bancos de areia no meio do rio. Ele salienta que o aumento do volume de \u00e1gua em fun\u00e7\u00e3o das \u00faltimas chuvas n\u00e3o significa que os problemas do Rio da Unidade Nacional foram resolvidos. \u201cAs chuvas recentes serviram para acalentar um pouco o rio, n\u00e3o foi a \u201csalva\u00e7\u00e3o da lavoura\u201d, pois o problema n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel. O S\u00e3o Francisco est\u00e1 demasiadamente raso e s\u00f3 quem conhece o rio mais a fundo, como eu, consegue perceber o quanto ele perde f\u00f4lego\u201d, relata.<\/p>\n<p><strong><em>(Fonte: Jornal Estado de Minas)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aumento no volume do Rio S\u00e3o Francisco anima especialistas, mas desassoreamento \u00e9 necess\u00e1rio. Devido \u00e0s \u00faltimas chuvas, o aspecto do Rio S\u00e3o Francisco mudou. 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