{"id":46771,"date":"2014-11-29T19:22:19","date_gmt":"2014-11-29T22:22:19","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=46771"},"modified":"2014-11-29T19:22:19","modified_gmt":"2014-11-29T22:22:19","slug":"embarcacoes-centenarias-valorizam-patrimonio-arqueologico-em-minas-gerais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=46771","title":{"rendered":"Embarca\u00e7\u00f5es centen\u00e1rias valorizam patrim\u00f4nio arqueol\u00f3gico em Minas Gerais"},"content":{"rendered":"<p>O passeio de canoa pelo Rio Grande, no Sul de Minas, do pescador Pedro Fonseca e o filho, Douglas, de 9 anos, foi divertido e resultou em descoberta surpreendente. Enquanto a dupla remava sob sol forte, o menino teve a feliz ideia de mergulhar e se refrescar um pouco, pois a longa estiagem deixara o leito com pouca profundidade. No entanto, mal entrou na \u00e1gua o garoto encostou a m\u00e3o num peda\u00e7o de madeira e voltou \u00e0 tona para comunicar o achado ao pai. Naquele exato local, estava enfiada na areia uma embarca\u00e7\u00e3o de madeira ind\u00edgena ou usada pelos bandeirantes que desbravaram as Gerais dos prim\u00f3rdios. Nos \u00faltimos 17 anos, seis pe\u00e7as de tamanhos variados, achadas em rios diferentes, vieram \u00e0 tona para valorizar mais o patrim\u00f4nio arqueol\u00f3gico do estado.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/embarcacoes_minas_1.jpg\" alt=\"\" \/><em>Foram quatro dias de esfor\u00e7o para transportar a canoa achada em Andrel\u00e2ndia, no Sul de Minas, at\u00e9 um local seguro &#8211; Foto: Jos\u00e9 Marcos Alves Salgado\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Retirar das \u00e1guas a velha canoa de 9,10m e 70cm de largura n\u00e3o foi f\u00e1cil, diz o arquiteto Jos\u00e9 Marcos Alves Salgado, conselheiro do N\u00facleo de Pesquisas Arqueol\u00f3gicas (NPA) do Alto Rio Grande, associa\u00e7\u00e3o que completa 30 anos e se dedica \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cultural de Andrel\u00e2ndia, no Sul de Minas. Ele explica que foram necess\u00e1rios quatro dias para levar a embarca\u00e7\u00e3o at\u00e9 uma trilha no mato e proteg\u00ea-la. Na sequ\u00eancia, a pe\u00e7a seguiu de caminh\u00e3o at\u00e9 o Parque Arqueol\u00f3gico da Serra de Santo Ant\u00f4nio, unidade pertencente ao NPA.<\/p>\n<p>Quanto mais o epis\u00f3dio se tornava conhecido, mais gente aparecia para ajudar na empreitada, conta Jos\u00e9 Marcos, que, ao ser procurado pelo pescador, comunicou de imediato o achado ao Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais (MPMG), via Coordenadoria das Promotorias de Justi\u00e7a do Patrim\u00f4nio Cultural e Tur\u00edstico (CPPC). No primeiro dia, incluindo Pedro Fonseca, foram seis homens, n\u00famero que chegou a 15 na hora de levantar a canoa e coloc\u00e1-la no caminh\u00e3o \u2013 para adiantar o expediente, a embarca\u00e7\u00e3o deslizou sobre roletes. \u201cA madeira, ainda encharcada, estava muito pesada. Trata-se de um tronco inteiri\u00e7o, possivelmente de cedro ou vinh\u00e1tico\u201d, conta o conselheiro, lembrando que a embarca\u00e7\u00e3o foi localizada entre Andrel\u00e2ndia e Santana do Garamb\u00e9u.<\/p>\n<p>Certo de que ser\u00e3o necess\u00e1rios estudos para determinar a proced\u00eancia, \u00e9poca e tipo de ferramenta usada, Jos\u00e9 Marcos acredita que a pe\u00e7a tem origem ind\u00edgena, talvez anterior \u00e0 chegada dos portugueses. \u201cJ\u00e1 achamos na regi\u00e3o muitos artefatos do povo tupi-guarani, como pontas de flechas e urnas de barro para funerais. Agora, vamos construir um abrigo espec\u00edfico para receber a canoa e mostr\u00e1-la aos visitantes. O local ter\u00e1 cobertura em cer\u00e2mica e paredes decoradas com pain\u00e9is do Rio Grande.\u201d Nos \u00faltimos dias, a equipe do NPA verificou os detalhes da canoa, incluindo os furos para amarrar o cip\u00f3 numa \u00e1rvore e um corte, na proa, em forma de \u201cv\u201d, chamado quebra-\u00e1gua\u201d. \u201cO fundo est\u00e1 perfeito, s\u00f3 a borda ficou meio podre. Mas podemos dizer que a canoa \u00e9 muito bem trabalhada\u201d, afirma o arquiteto. <\/p>\n<p>O arque\u00f3logo Alexandre Delforge, da superintend\u00eancia em BH do Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan), explica que esse meio de transporte era usado pelos povos canoeiros, com destaque para os tupis-guaranis que habitavam a Zona da Mata, a \u00e1rea central de Minas e a regi\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco. \u201cEles moravam sempre perto dos grandes rios e tinham t\u00e9cnica pr\u00f3pria de construir as canoas, usando um tronco \u00fanico\u201d, diz Delforge, explicando que os colonizadores portugueses adotaram o sistema para fazer embarca\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 muito raro encontrar esse tipo de canoa, pois a madeira de lei n\u00e3o boia por ser mais densa que a \u00e1gua. Os \u00edndios do litoral viajavam nessas embarca\u00e7\u00f5es pelo mar e depois chegavam ao interior pelos grandes rios\u201d, diz o arque\u00f3logo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/embarcacoes_minas_2.jpg\" alt=\"\" \/><em>Canoa achada \u00e0s margens do Rio das Velhas est\u00e1 em exposi\u00e7\u00e3o na Casa Fern\u00e3o Dias, em Quinta do Sumidouro, no munic\u00edpio de Pedro Leopoldo &#8211; Foto: Euler J\u00fanior\/Estado de Minas<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<h4>Carbono<\/h4>\n<p>O desenho feito pelo alem\u00e3o Johann Moritz Rugendas (1802-1858), em viagem pelo pa\u00eds entre 1821 e 1825, mostra \u00edndios numa canoa, pescando em \u00e1guas caudalosas. A canoa de 10,6m de comprimento e 70cm de largura \u2013 encontrada em 1999 no Rio Aiuruoca, integrante da Bacia do Rio Grande, em S\u00e3o Vicente de Minas, na Regi\u00e3o Sul \u2013 \u00e9 exemplo de se faziam embarca\u00e7\u00f5es que comportavam grupos de pessoas. Na \u00e9poca, essa canoa despertou o interesse da Marinha e recebeu laudo t\u00e9cnico do MPMG. Conforme an\u00e1lise pelo m\u00e9todo Carbono 14, feita nos Estados Unidos, a data\u00e7\u00e3o \u00e9 do per\u00edodo de 1480 a 1660. A prefeitura local vai reformar um casar\u00e3o recentemente adquirido pela municipalidade e expor a pe\u00e7a.<\/p>\n<p>Se no Sul de Minas as canoas apareceram no per\u00edodo da seca, em Pedro Leopoldo, na Grande BH, duas surgiram depois de uma enchente violenta no Rio das Velhas, que causou assoreamento. A maior, de 14m e escavada num tronco de vinh\u00e1tico, est\u00e1 em exposi\u00e7\u00e3o na Casa Fern\u00e3o Dias, em Quinta do Sumidouro, informa a secret\u00e1ria municipal de Cultura, Esporte, Lazer, Juventude e Turismo, Patr\u00edcia Rafael. J\u00e1 o pescador Jo\u00e3o Batista, de Brumadinho, conseguiu uma proeza nas \u00e1guas do Rio Paraopeba. No ano passado, ele \u201cfisgou\u201d uma canoa de 3m, amarrou, mas ela desceu o rio. Tempos depois, ela voltou \u00e0 tona e ele a levou para o s\u00edtio. Certo de que se trata de pe\u00e7a de valor arqueol\u00f3gico, ele vai comunicar o fato ao Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/embarcacoes_minas_3.jpg\" alt=\"\" \/><em>Detalhe de grande canoa ind\u00edgena, com mais de 10m de comprimento, encontrada no Rio Aiuruoca. An\u00e1lise mostra que \u00e9 do per\u00edodo 1480-1660 &#8211; Foto: Beto Novaes\/Estado de Minas<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong><em>(Fonte: Estado de Minas)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O passeio de canoa pelo Rio Grande, no Sul de Minas, do pescador Pedro Fonseca e o filho, Douglas, de 9 anos, foi divertido e resultou em descoberta surpreendente. 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