{"id":46207,"date":"2014-11-23T21:36:00","date_gmt":"2014-11-24T00:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=46207"},"modified":"2014-11-23T21:37:38","modified_gmt":"2014-11-24T00:37:38","slug":"acucar-e-um-dos-ingredientes-mais-questionados-da-alimentacao-diaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=46207","title":{"rendered":"A\u00e7\u00facar \u00e9 um dos ingredientes mais questionados da alimenta\u00e7\u00e3o di\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<h4><strong><em>H\u00e1 quem o aponte o doce como eterno vil\u00e3o, mas outros apenas condenam o excesso do consumo. A\u00e7\u00facar s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 mais questionado do que o s\u00f3dio e a gordura<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>Vil\u00e3o ou mocinho? O a\u00e7\u00facar, colocado em xeque assim como o s\u00f3dio e a gordura, \u00e9 salvo por uns e apontado como \u201cdo mal\u201d por outros. No entanto, profissionais da sa\u00fade concordam que o perigo est\u00e1 no excesso. Nina Rosa de Castro Musolino, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), confirma que, h\u00e1 um ano, a entidade, ao lado da ind\u00fastria e com o conhecimento do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, tem feito palestras e conversado a respeito de um poss\u00edvel acordo sobre a redu\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar nos alimentos industrializados. \u201c\u00c9 o primeiro passo para, futuramente, numa a\u00e7\u00e3o progressiva, conseguir o mesmo que ocorreu com o s\u00f3dio.\u201d N\u00e3o existe um cronograma para redu\u00e7\u00e3o do ingrediente nos alimentos industrializados. \u201cPedimos, neste momento, uma colabora\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria, mesmo porque a popula\u00e7\u00e3o ter\u00e1 dificuldade de aceita\u00e7\u00e3o. Reduzir o a\u00e7\u00facar \u00e9 um aprendizado.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/doces_questionado_1.jpg\" alt=\"\" \/><em>Bancas de balas e outras guloseimas em mercado p\u00fablico: olhos s\u00e3o atra\u00eddos pelas cores e cheiros, mas na hora de comer, o primeiro mandamento \u00e9 a modera\u00e7\u00e3o &#8211; Foto: Khaled Al-Hariri<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Segundo Nina, \u201co a\u00e7\u00facar est\u00e1 presente nos alimentos, no leite, frutas, carboidratos, que na digest\u00e3o libera a glicose, e \u00e9 fonte de energia. Mesmo o a\u00e7\u00facar refinado \u00e9 aceit\u00e1vel, desde que dentro de quantidade razo\u00e1vel. O problema \u00e9 o abuso do fast food, carboidratos, sucos industrializados, refrigerantes, guloseimas\u2026 O ideal \u00e9 que a conscientiza\u00e7\u00e3o comece na inf\u00e2ncia. Prefira sempre fontes de nutri\u00e7\u00e3o como as frutas que, al\u00e9m da sacarose, t\u00eam fibras e vitaminas. \u00c9 melhor fonte de a\u00e7\u00facar do que o refinado, j\u00e1 que no processo de refinamento s\u00e3o adicionados produtos qu\u00edmicos.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m da obesidade, diabetes, dislipidemia (n\u00edveis elevados de lip\u00eddios no sangue), doen\u00e7as mais comuns ligadas ao a\u00e7\u00facar, a presidente da SBEM cita como riscos aumentados pelo seu consumo o da acidez g\u00e1strica (\u00falcera), a hipertens\u00e3o e o desequil\u00edbrio de um grupo de bact\u00e9rias, que pode desenvolver doen\u00e7as. \u201cPor outro lado, estudos provam que um pouco de a\u00e7\u00facar ajuda a manter a flora intestinal normal.\u201d O problema, alerta Nina Musolino, \u00e9 que vivemos a \u201ctend\u00eancia do radicalizar, uma onda de tirar o gl\u00faten, a lactose, o a\u00e7\u00facar, o sal&#8230; A verdade \u00e9 que todos os alimentos fazem parte e t\u00eam papel na nossa nutri\u00e7\u00e3o. E todos devem ser usados com modera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<h4>For\u00e7a na dan\u00e7a <\/h4>\n<p>A designer e analista de comunica\u00e7\u00e3o da Vallourec D\u00e9bora Nunes Vera, de 40 anos, teve de aprender a limitar o a\u00e7\u00facar para n\u00e3o adoecer. Ela conta que \u201cnasceu gordinha\u201d e com 8 meses seu pediatra j\u00e1 recomendava \u00e0 sua m\u00e3e cortar o a\u00e7\u00facar da sua alimenta\u00e7\u00e3o. \u201cEra leite puro e nada de mingau.\u201d Mas na escola&#8230; \u201cN\u00e3o teve jeito e, como sempre gostei demais de doce, foi dif\u00edcil me controlar. Balas, chocolates e sorvetes s\u00e3o perdi\u00e7\u00f5es. Adulta, al\u00e9m de continuar a comer, aprendeu a cozinhar doces, torta holandesa, pav\u00ea, trufa&#8230; Com 7 anos j\u00e1 fazia brigadeiro e com 15 para 16 anos pesava 120kg. O doce passou a ser uma necessidade f\u00edsica. Tratei com psic\u00f3loga, endocrinologista e a grande preocupa\u00e7\u00e3o da minha m\u00e3e era n\u00e3o tomar rem\u00e9dio. Ela me exigiu a dieta da boca e com 20 e poucos anos meu peso caiu para 98kg.\u201d<\/p>\n<p>No entanto, lembra D\u00e9bora, o a\u00e7\u00facar sempre a rondava. \u201cNunca consegui largar o doce. \u00c9 aquela hist\u00f3ria: nervosa, feliz, triste, merecimento, sempre arrumava desculpa para um chocolate. H\u00e1 tr\u00eas anos, num exame peri\u00f3dico, minha glicose deu bem alta, um pr\u00e9-diabetes, e o triglic\u00e9rides tamb\u00e9m, mesmo com o peso regular. Encontrei o endocrinologista Geraldo Santana, passei a fazer uma dieta seletiva e restritiva de carboidratos. Foi um desafio. Agora, cheguei aos 76kg, minha meta \u00e9 73kg, e os exames est\u00e3o normais. Percebi minha rela\u00e7\u00e3o estreita com o a\u00e7\u00facar, j\u00e1 que se relaxar, a glicose sobe\u201d.<\/p>\n<p>Ela aconselha todos a terem modera\u00e7\u00e3o. \u201cO a\u00e7\u00facar d\u00e1 uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de anima\u00e7\u00e3o e felicidade. Quanto cortei, fiquei de baixo astral, mas com o tempo a anima\u00e7\u00e3o foi maior e tenho mais energia. Agora, meu a\u00e7\u00facar vem dos carboidratos, legumes, frutas, da alimenta\u00e7\u00e3o balanceada. E chocolate s\u00f3 o amargo, 80% de cacau. Reeduquei meu paladar, acordo melhor e mais disposta, trabalho com tranquilidade e desde 2012 passei a dan\u00e7ar flamenco, minha atividade f\u00edsica. Sei que preciso viver com muito menos a\u00e7\u00facar e tudo bem. \u00c9 poss\u00edvel.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/doces_questionado_2.jpg\" alt=\"\" \/><em>A designer D\u00e9bora Nunes, que chegou a pesar 120kg aos 16 anos e sempre teve que lutar contra a balan\u00e7a, tem na dan\u00e7a flamenca importante aliada para manter a forma &#8211; Foto: Marcos Vieira\/Estado de Minas<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<h4>Na medida certa<\/h4>\n<p>O nutr\u00f3logo Enio Cardillo explica que \u201co a\u00e7\u00facar \u00e9 novo na civiliza\u00e7\u00e3o. Antes era uma especiaria s\u00f3 consumida por quem podia pagar. Com o caminho das \u00cdndias, ele foi disseminado na alimenta\u00e7\u00e3o, nos \u00faltimos 500 anos\u201d. Cientista, professor de bioqu\u00edmica por anos na UFMG e membro da Academia Mineira de Medicina, ele ressalta que \u201co a\u00e7\u00facar \u00e9 uma fonte de energia e de prazer. O excesso \u00e9 prejudicial porque aumenta a glicemia e leva \u00e0 supersecre\u00e7\u00e3o de insulina pelo p\u00e2ncreas, com consequ\u00eancias ruins a m\u00e9dio e longo prazo. A decis\u00e3o correta n\u00e3o \u00e9 proibir, mas n\u00e3o abusar.\u201d<\/p>\n<p>Cardillo desmistifica a ideia de que o a\u00e7\u00facar branco refinado \u00e9 o terror se comparado ao mascavo, demerara ou mesmo ao mel. \u201cA \u00fanica diferen\u00e7a entre o branco e o mascavo \u00e9 que o segundo tem mais minerais. \u00c9 uma op\u00e7\u00e3o, mas em termos de sa\u00fade \u00e9 tudo igual. E a qualidade do mel \u00e9 s\u00f3 ser gostoso. Nada medicinal. Ali\u00e1s, tem muita frutose, que \u00e9 tr\u00eas vezes mais doce do que o a\u00e7\u00facar.\u201d<\/p>\n<p>Quanto aos ado\u00e7ante, qual seria o mais indicado &#8211; aspartame ou sacarina? Sucralose ou st\u00e9via? Cardillo \u00e9 taxativo: \u201cA popula\u00e7\u00e3o precisa ter consci\u00eancia de que h\u00e1 uma guerra entre a ind\u00fastria do a\u00e7\u00facar e a do ado\u00e7ante. N\u00e3o existe nada comprovado de que o ado\u00e7ante provocaria c\u00e2ncer, por exemplo. Sem abuso, o ado\u00e7ante \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o. H\u00e1 restri\u00e7\u00e3o para gr\u00e1vidas, j\u00e1 que ele poderia ter efeito sobre o feto\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a b\u00e1sica entre os ado\u00e7antes \u00e9 que a sucralose n\u00e3o \u00e9 absorvida. A st\u00e9via \u00e9 uma planta, natural. O gosto deforma o paladar, mas n\u00e3o tem nada de errado. O ideal \u00e9 consumi-la ap\u00f3s refei\u00e7\u00f5es ricas em fibras, j\u00e1 que elas retardam a absor\u00e7\u00e3o da glicose.\u201d<\/p>\n<h4>Compuls\u00e3o<\/h4>\n<p>O diretor cl\u00ednico do Instituto Mineiro de Endocrinologia, Geraldo Santana, refor\u00e7a que o a\u00e7\u00facar \u201cn\u00e3o \u00e9 diferente de outros carboidratos de absor\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, como os farin\u00e1ceos, arroz e batata cozida. Nosso organismo est\u00e1 preparado para lidar com quantidades moderadas. \u00c9 um alimento que praticamente s\u00f3 cont\u00e9m energia, sem nutrientes como vitaminas, minerais ou amino\u00e1cidos. N\u00e3o h\u00e1 nada de errado no seu consumo por crian\u00e7as e adultos de peso normal, que praticam exerc\u00edcios e t\u00eam bom gasto de energia. Para a popula\u00e7\u00e3o carente, \u00e9 fonte de energia e alimento barato. N\u00e3o teria justificativa tir\u00e1-lo da alimenta\u00e7\u00e3o. A\u00e7\u00facar n\u00e3o \u00e9 veneno, mas o fato \u00e9 que 50% da popula\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e1 acima do peso, esse, sim, um problema de sa\u00fade p\u00fablica.\u201d<\/p>\n<p>O endocrinologista lembra que \u201cno c\u00e9rebro o a\u00e7\u00facar estimula neurotransmissores que ativam os centros cerebrais de recompensa, detonando necessidade de quantidades cada vez maiores. \u00c9 o caminho para que algumas pessoas mais predispostas se sintam dependentes. A\u00ed j\u00e1 \u00e9 preocupante, pois torna-se uma compuls\u00e3o alimentar por alimentos doces\u201d.<\/p>\n<p><em><strong>(Fonte: Sa\u00fade Plena)<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quem o aponte o doce como eterno vil\u00e3o, mas outros apenas condenam o excesso do consumo. A\u00e7\u00facar s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 mais questionado do que o s\u00f3dio e a gordura Vil\u00e3o ou mocinho? 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