{"id":46142,"date":"2014-11-23T11:05:06","date_gmt":"2014-11-23T14:05:06","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=46142"},"modified":"2014-11-23T11:05:06","modified_gmt":"2014-11-23T14:05:06","slug":"mulher-e-a-memoria-viva-de-vilarejo-no-municipio-de-conceicao-do-mato-dentro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=46142","title":{"rendered":"Mulher \u00e9 a mem\u00f3ria viva de vilarejo no munic\u00edpio de Concei\u00e7\u00e3o do Mato Dentro"},"content":{"rendered":"<h4><em><strong>Dona Lotinha e os dois filhos s\u00e3o os \u00fanicos no vilarejo de Concei\u00e7\u00e3o do Mato Dentro<\/strong><\/em><\/h4>\n<p>H\u00e1, em meio \u00e0s montanhas do munic\u00edpio de Concei\u00e7\u00e3o do Mato Dentro, um vilarejo quase esquecido pelo tempo, que se torna encantado aos olhos de quem conhece. Mas, mesmo longe da \u201cciviliza\u00e7\u00e3o\u201d, a hist\u00f3ria ali n\u00e3o morre, e, de ano em ano, devotos das almas do Cemit\u00e9rio do Peixe retornam para celebrar o que h\u00e1 de mais rico ali: a tradi\u00e7\u00e3o. Assim como a pacata e buc\u00f3lica aldeia que ambienta o romance \u201cCem Anos de Solid\u00e3o\u201d, do escritor colombiano Gabriel Garcia M\u00e1rquez, o Peixe \u00e9 uma esp\u00e9cie de Macondo mineira e abriga vasta genealogia de fam\u00edlias que ali se formaram. A solid\u00e3o, no entanto, n\u00e3o reina. Mesmo vivendo apenas com os dois filhos no local, dona Lotinha \u00e9 conhecida em todos os povoados vizinhos e tem nas almas, nas \u00e1guas e nos animais a companhia di\u00e1ria.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/cemiterio_do_peixe_1.jpg\" alt=\"\" \/><em>Carlota Brand\u00e3o conta que local tem um segredo &#8211; Foto: Mariela Guimar\u00e3es\/O Tempo<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Carlota Oliveira Brand\u00e3o, 64, a dona Lotinha, \u00e9 a for\u00e7a dessa resist\u00eancia e tem orgulho de viver ali. \u201cFui nascida e criada nas terras do Peixe e, quando morrer, \u00e9 ali no cemit\u00e9rio que quero ficar\u201d. Foi no vilarejo, distrito de Concei\u00e7\u00e3o do Mato Dentro, onde ela nasceu, se casou, viu os sete filhos crescerem e ainda vive. Aos poucos, os familiares foram saindo de l\u00e1 \u2013 uns para estudar, outros para trabalhar, e o marido, a vida levou. Mesmo assim, Lotinha permaneceu. Com linguajar peculiar, ela se descreve como a \u00fanica \u201cmoradeira\u201d. Os outros v\u00e3o e voltam. Ela fica sempre.<\/p>\n<p>O povoado sobrevive devido ao seu forte apelo religioso, marcado pelo Jubileu das Almas, celebra\u00e7\u00e3o que acontece sempre em agosto. \u00c9 durante a festa que as pessoas retornam para esse lugar e trazem novamente vida e agita\u00e7\u00e3o ao pacato templo de dona Lotinha. O ano todo, ela se prepara para receber os romeiros, que a tiram da rotina do campo e a levam para a cerim\u00f4nia em homenagem aos que ali est\u00e3o enterrados.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/cemiterio_do_peixe_2.jpg\" alt=\"\" \/><em>Dona Lotinha \u00e9 quem cuida da igreja &#8211; Foto: Mariela Guimar\u00e3es\/O Tempo<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Os dias de dona Lotinha n\u00e3o s\u00e3o muito diferentes uns dos outros. Ela se levanta bem cedinho, \u00e0s vezes antes mesmo de o sol nascer, coa o caf\u00e9 \u2013 sempre no pano \u2013 e o serve aos filhos. Ol\u00edmpio Ant\u00f4nio Brand\u00e3o, 27, sai cedo para trabalhar em uma fazenda vizinha e deixa a m\u00e3e e o irm\u00e3o, Jos\u00e9 Aparecido de Oliveira, 29, no Peixe. Mas ele retorna \u00e0 casa todos os dias para o almo\u00e7o e para o caf\u00e9 da tarde.<\/p>\n<p>Enquanto o filho sai, a m\u00e3e e o irm\u00e3o \u2013 que tem sequelas de um problema de sa\u00fade quando nasceu e at\u00e9 hoje requer aten\u00e7\u00e3o especial de dona Lotinha \u2013 terminam o servi\u00e7o da casa. Cuidar das galinhas e dos oito cachorros da fam\u00edlia \u00e9 a primeira miss\u00e3o, e, ao longo do dia, a matriarca consegue fazer comida, arrumar a casa e circular por todo o vilarejo. \u201cAndo isso tudo aqui e conhe\u00e7o cada peda\u00e7o.\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/XhZowOCtft0\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h4>Recursos limitados<\/h4>\n<p>O lugar faz parte do distrito de Capit\u00e3o Filizardo, que fica a cerca de 12 quil\u00f4metros do Peixe. Al\u00e9m da escola e de pequena vendinha, os recursos no distrito s\u00e3o limitados. Para fazer compras, ir ao m\u00e9dico e resolver a maioria das pend\u00eancias burocr\u00e1ticas que a vida exige, a moradora ilustre do Peixe tem que ir \u00e0 pequena Gouveia ou a Diamantina, cidades do Alto Jequitinhonha.<\/p>\n<p>\u201cM\u00e9dico \u00e9 uma coisa mais f\u00e1cil, principalmente hoje em dia. Tem uma equipe que vem sempre a Capit\u00e3o Filizardo, e conseguimos ser atendidos e receber medicamentos. J\u00e1 as compras, eu prefiro fazer apenas uma vez por m\u00eas. Compro tudo o que preciso e n\u00e3o tenho que ficar saindo daqui (do Peixe)\u201d, explica. Ela conta que, para as compras do m\u00eas, acorda antes de o sol raiar e anda por uma hora e meia at\u00e9 o ponto para embarcar para Gouveia. Na volta, ela consegue desembarcar mais perto de casa, e os filhos a esperam no ponto para ajudar a carregar as compras.<\/p>\n<p>O resto \u00e9 tudo plantado ou cultivado ali mesmo. Presen\u00e7a marcante, as galinhas j\u00e1 chegaram \u00e0 casa das dezenas na casa de dona Lotinha. Atualmente, ela n\u00e3o trabalha fora e vive da pens\u00e3o do marido e com a ajuda dos filhos. Mas, at\u00e9 um ano atr\u00e1s, al\u00e9m de cuidar da casa e do vilarejo e de ajudar na igreja, ela tamb\u00e9m trabalhava em uma fazenda vizinha.<\/p>\n<p>Segundo a idosa, h\u00e1 um segredo sobre o Peixe, nunca revelado, como ela prefere. \u201cH\u00e1 sensa\u00e7\u00e3o boa aqui, e n\u00e3o \u00e9 algo de material nem anda. Aqui n\u00e3o somos muito apegados a essas coisas\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/cemiterio_do_peixe_3.jpg\" alt=\"\" \/><em>Local ainda abriga corpos de diversos moradores da regi\u00e3o &#8211; Foto: Mariela Guimar\u00e3es\/O Tempo<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong><em>(Fonte: Portal O Tempo Online)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dona Lotinha e os dois filhos s\u00e3o os \u00fanicos no vilarejo de Concei\u00e7\u00e3o do Mato Dentro H\u00e1, em meio \u00e0s montanhas do munic\u00edpio de Concei\u00e7\u00e3o do Mato Dentro, um vilarejo quase esquecido pelo tempo, que se torna encantado aos olhos de quem conhece. 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