{"id":43088,"date":"2014-10-24T11:02:44","date_gmt":"2014-10-24T14:02:44","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=43088"},"modified":"2014-10-24T11:03:43","modified_gmt":"2014-10-24T14:03:43","slug":"policia-federal-indicia-dezessete-pessoas-por-venda-de-gabaritos-do-enem-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=43088","title":{"rendered":"Pol\u00edcia Federal indicia dezessete pessoas por venda de gabaritos do Enem 2013"},"content":{"rendered":"<h4><strong><em>A duas semanas da nova edi\u00e7\u00e3o do exame, federais indiciam envolvidos em fraude. Quatorze s\u00e3o alunos que podem estar cursando universidades p\u00fablicas<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>Dezessete pessoas foram indiciadas pela Pol\u00edcia Federal por fraude no Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) de 2013. Tr\u00eas s\u00e3o acusados de integrar a quadrilha que vendia respostas para os candidatos e 14 s\u00e3o alunos que fizeram os testes, segundo a PF de Minas Gerais, e podem ter usado a artimanha para ingressar em universidades p\u00fablicas. A duas semanas das provas de 2014, \u00e9 a primeira vez que a corpora\u00e7\u00e3o admite a fraude, com base em um inqu\u00e9rito aberto em dezembro do ano passado para apurar os fortes ind\u00edcios de venda de gabaritos, descobertos pela Pol\u00edcia Civil mineira. Na ocasi\u00e3o, equipe de policiais de Caratinga, no Vale do Rio Doce, desbaratou uma quadrilha que comercializava respostas de vestibulares de faculdades particulares de medicina de Minas e do Rio de Janeiro. Em escutas telef\u00f4nicas, investigadores descobriram que, dos 21 presos na \u00e9poca, pelo menos dois tamb\u00e9m operavam com respostas do Enem. <\/p>\n<p>Como o trabalho da Pol\u00edcia Civil esbarrou em um exame nacional, coube \u00e0 PF detalhar as investiga\u00e7\u00f5es sobre a fraude. Al\u00e9m de Jos\u00e9 Cl\u00e1udio de Oliveira, de 42 anos, e Quintino Ribeiro Neto, de 67, os agentes federais identificaram mais um integrante da quadrilha. As fun\u00e7\u00f5es de cada um n\u00e3o foram informadas pela PF, mas a Pol\u00edcia Civil, na \u00e9poca, indicou que Jos\u00e9 Cl\u00e1udio era o l\u00edder do esquema. Ele teria desembolsado R$ 10 mil pelas provas de s\u00e1bado e domingo do ano passado, que foram apreendidas em seu carro quando ele foi preso. No verso de um dos cadernos, havia cerca de 40 n\u00fameros de celular anotados \u00e0 m\u00e3o. Segundo as investiga\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Civil mineira, seriam telefones de clientes que deveriam receber o gabarito via mensagem de celular ou ponto eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/fraude_enem_1.jpg\" alt=\"\" \/><em>Investiga\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a ser feitas pela Pol\u00edcia Civil, que desvendou esquema de venda de gabaritos, e passaram \u00e0 pol\u00edcia federal, por envolverem concurso nacional &#8211; Foto: Beto Novaes \/ Estado de Minas<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Com acesso privilegiado \u00e0s provas, apontaram os investigadores, Cl\u00e1udio mandava as quest\u00f5es a uma equipe de \u201cpilotos\u201d, pessoas de alto n\u00edvel intelectual, respons\u00e1veis por responder cada item. De posse das respostas, ele as disparava aos clientes, que pagavam entre R$ 70 mil e R$ 100 mil pelo gabarito. Quintino foi apontado pela Pol\u00edcia Civil como o principal agenciador de candidatos. As investiga\u00e7\u00f5es encontraram em um endere\u00e7o de e-mail operado por ele v\u00e1rias fichas e senhas de inscri\u00e7\u00e3o no Enem. Essa seria a forma de checar quem tinha se beneficiado, para cobrar o pagamento. <\/p>\n<p>As conversas captadas pela pol\u00edcia indicaram que Jos\u00e9 Cl\u00e1udio ridicularizava a seguran\u00e7a do Enem, apontada por ele como muito mais fr\u00e1gil do que a das faculdades particulares. Em uma das conversas, ele \u00e9 questionado por um interlocutor. \u201cO Enem \u00e9 mais f\u00e1cil?\u201d, pergunta o homem. \u201c\u00c9 mais f\u00e1cil, \u2018n\u00e9\u2019? Bagun\u00e7ado, \u2018n\u00e9\u2019? \u00c9 tudo escolinha p\u00fablica que aplica\u201d, comentou Cl\u00e1udio. \u201c\u00c9 esse povinho de col\u00e9gio que toma conta. N\u00e3o tem detector de metal, n\u00e3o tem nada no banheiro, \u00e9 tudo uma zona\u201d, completou.<\/p>\n<h4>Seguran\u00e7a<\/h4>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o deste ano do Enem ter\u00e1 8,7 milh\u00f5es de participantes, 21,6% a mais que em 2013, quando houve 7,17 milh\u00f5es. Pela primeira vez, candidatos poder\u00e3o ser revistados com detector de metal, eliminando uma brecha que no ano passado garantiu a entrada de estudantes com celulares, segundo a pol\u00edcia. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep), vinculado ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), n\u00e3o informou se todos os candidatos ser\u00e3o revistados ou apenas aqueles sob suspeita, alegando raz\u00f5es de seguran\u00e7a do exame. O n\u00famero de equipamentos para revista eletr\u00f4nica tamb\u00e9m n\u00e3o foi informado.<\/p>\n<p>Em nota, o Inep afirmou que t\u00e3o logo tomou conhecimento das supostas irregularidades, solicitou abertura de investiga\u00e7\u00e3o pela Pol\u00edcia Federal. A institui\u00e7\u00e3o informou que tem colaborado com as investiga\u00e7\u00f5es, mas que ainda n\u00e3o recebeu o relat\u00f3rio da PF. Segundo o texto, se comprovado que qualquer participante teve acesso a vaga no ensino superior em decorr\u00eancia de fraude, o estudante ser\u00e1 punido com exclus\u00e3o do curso. \u201cEsclarecemos ainda que o Inep trabalha continuamente com a Pol\u00edcia Federal no sentido de garantir a seguran\u00e7a do Enem\u201d, informou o texto.<\/p>\n<p>Segundo a PF, ao serem indiciados, os envolvidos v\u00e3o responder por fraudes em certames de interesse p\u00fablico, corrup\u00e7\u00e3o ativa e passiva e organiza\u00e7\u00e3o criminosa. Somadas, as penas podem variar de nove a 38 anos de reclus\u00e3o. <\/p>\n<p>O advogado Alexsandro Victor de Almeida, que representa Jos\u00e9 Cl\u00e1udio de Oliveira, negou participa\u00e7\u00e3o de seu cliente no esquema do Enem investigado pela PF. \u201cAs grava\u00e7\u00f5es sozinhas n\u00e3o provam nada. Ele s\u00f3 foi envolvido no caso das faculdades de medicina porque \u00e9 parente de um dos alunos apontados pela pol\u00edcia como participantes da fraude\u201d, sustenta. J\u00e1 Ant\u00f4nio Hermelindo Ribeiro Neto, que representa Quintino Ribeiro Neto, disse que n\u00e3o tem informa\u00e7\u00f5es para comentar o inqu\u00e9rito da PF. \u201cNem comigo ele comenta sobre o caso. Mas nega veementemente todas as acusa\u00e7\u00f5es\u201d, diz. Ambos j\u00e1 respondem a processo na Comarca de Caratinga, relativo ao golpe nas faculdades particulares investigado pela Pol\u00edcia Civil. Eles ficaram seis meses presos, mas foram soltos em maio e aguardam a instru\u00e7\u00e3o do processo em liberdade.<\/p>\n<p><strong><em>(Fonte: Estado de Minas)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A duas semanas da nova edi\u00e7\u00e3o do exame, federais indiciam envolvidos em fraude. Quatorze s\u00e3o alunos que podem estar cursando universidades p\u00fablicas Dezessete pessoas foram indiciadas pela Pol\u00edcia Federal por fraude no Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) de 2013. 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