{"id":40872,"date":"2014-09-29T12:36:07","date_gmt":"2014-09-29T15:36:07","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=40872"},"modified":"2014-09-29T12:36:54","modified_gmt":"2014-09-29T15:36:54","slug":"estado-de-minas-mostra-o-sofrimento-de-quem-viagem-da-capital-para-o-vale-do-jequitinhonha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=40872","title":{"rendered":"Estado de Minas mostra o sofrimento de quem viagem da Capital para o Vale do Jequitinhonha"},"content":{"rendered":"<h4><strong><em>Veja como foi a saga do longo caminho, o mais distante que se pode ir de \u00f4nibus em Minas Gerais<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>As curvas de asfalto e terra que seguem o contorno do Rio Jequitinhonha, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sua foz, na Bahia, formam um caminho sofrido e longo, o mais distante que se pode ir de \u00f4nibus em Minas Gerais, saindo do Terminal Rodovi\u00e1rio Governador Israel Pinheiro (Tergip), em Belo Horizonte. S\u00e3o 865 quil\u00f4metros cumpridos em praticamente 16 horas, entre BH e Salto da Divisa, no transporte de cada vez menos pessoas para os munic\u00edpios da regi\u00e3o do vale conhecido por sua pobreza e cultura tradicional. O Estado de Minas embarcou nesta viagem para mostrar o percurso e os passageiros dessa jornada desgastante. Gente que traz, al\u00e9m da bagagem, a saudade de parentes que h\u00e1 muito n\u00e3o veem e as mem\u00f3rias de tempos deixados para tr\u00e1s em busca de sorte melhor na capital. Sentimento que d\u00e1 coragem para enfrentar o desconforto dos solavancos, a poeira que invade o \u00f4nibus, os enxames de pernilongos e a precariedade das paradas.<\/p>\n<p>As estradas desse trajeto, as BRs 381, 116 e 367, foram estigmatizadas pela viol\u00eancia de acidentes. Mas, para muitos que evitam a BR-381, que foi apelidada de Rodovia da Morte por causa do alto \u00edndice de desastres vi\u00e1rios, e que consideram ser inc\u00f4modo rodar pela estreita e movimentada BR-116, ingressar na BR-367, que vai de Almenara para Salto da Divisa, pode ser uma experi\u00eancia ainda pior e mais perigosa. S\u00e3o praticamente 40 quil\u00f4metros de pavimento deteriorado, com buracos profundos, animais na pista e 60 quil\u00f4metros de terra batida. Para se ter uma ideia da dificuldade desse deslocamento, at\u00e9 Almenara a velocidade m\u00e9dia do \u00f4nibus \u00e9 de cerca de 60km\/h. No trecho final, de l\u00e1 at\u00e9 Salto da Divisa, o \u00f4nibus n\u00e3o consegue desenvolver mais do que 33km\/h, um rendimento 45% pior.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/viagem_almenara.jpg\" alt=\"\" \/><em>Entre Almenara e Salto da Divisa, o calor e a poeira incomodam os viajantes &#8211; Foto: Beto Novaes\/EM<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>O descaso vem de muitos anos. \u201cLembro-me de quando Juscelino Kubistchek inaugurou a rodovia h\u00e1 60 anos, montado num trator. De l\u00e1 para c\u00e1 houve v\u00e1rias promessas de asfaltamento que nunca se concretizaram\u201d, afirma um dos mais idosos moradores de Salto da Divisa \u2013 cidade de 7 mil habitantes, o m\u00e9dico Bolivar Oliveira, de 82 anos.<\/p>\n<p>E o que deixa irritados o m\u00e9dico e outros moradores de munic\u00edpios que dessa via dependem, como Jequitinhonha, Jacinto e Santa Maria do Salto, \u00e9 que em vez de pavimenta\u00e7\u00e3o as m\u00e1quinas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) t\u00eam apenas espalhado cascalho e nivelado a estrada de terra, numa forma de paliativo. Segundo a assessoria do departamento, os projetos executivos de pavimenta\u00e7\u00e3o da rodovia est\u00e3o em fase de conclus\u00e3o, sendo que o primeiro lote, entre Salto da Divisa e Almenara, dever\u00e1 ficar pronto em outubro. \u201cPortanto, no in\u00edcio de 2015 os projetos j\u00e1 estar\u00e3o aptos a ter editais publicados para contrata\u00e7\u00e3o das obras\u201d, espera o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, cada vez menos gente encara o trecho que vai al\u00e9m de Almenara. \u201cA maioria dos passageiros dessa linha s\u00f3 segue at\u00e9 Jequitinhonha e Almenara. Poucos seguem at\u00e9 Salto da Divisa\u201d, afirma o cobrador Joilson Pereira de Oliveira, de 25 anos. \u201cMuitos preferem ir a Porto Seguro (173 quil\u00f4metros) e de l\u00e1 embarcar num avi\u00e3o para Belo Horizonte (1hora e 30 minutos de voo). \u00c9 mais r\u00e1pido, menos sofrido e a passagem pode custar apenas R$ 90 se for comprada com anteced\u00eancia, enquanto a de \u00f4nibus custa R$ 216\u201d, compara o motorista Rodiney Pinheiro de Oliveira, de 63. Apenas ele e o tamb\u00e9m motorista Louzinho Floriano, de 68, enfrentaram as 16 horas de BH a Salto da Divisa, na viagem acompanhada pela reportagem, no \u00faltimo domingo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/yJc3Bhf9hjM\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h4><strong>Trecho entre Almenara a Salto da Divisa tem sol forte e poeira<\/strong><\/h4>\n<p>A imagem do \u00f4nibus antigo, de pintura encardida de poeira, bancos desbotados, com peda\u00e7os do acabamento se desprendendo do piso e dos encostos das janelas, invoca a sensa\u00e7\u00e3o de que o desconforto das 14 horas de viagem entre Belo Horizonte e Almenara era s\u00f3 o come\u00e7o. Para encarar os 100 quil\u00f4metros restantes, at\u00e9 Salto da Divisa, as malas dos passageiros s\u00e3o levadas do \u00f4nibus executivo para esse modelo mais antigo e resistente. Segundo os motoristas, as suspens\u00f5es modernas, de bolsas de ar, n\u00e3o resistem aos buracos e \u00e0 poeira, necessitando de um sistema de molas de metal.<\/p>\n<p>Logo na sa\u00edda, o calor intenso, de cerca de 36 graus, obriga os passageiros a abrir todas as janelas do \u00f4nibus e at\u00e9 os dois al\u00e7ap\u00f5es do teto. Com isso, a ventania da viagem faz as cortinas tremularem bruscamente, num ru\u00eddo forte e cont\u00ednuo, acompanhada pelo bater de pe\u00e7as e das janelas causado pela trepida\u00e7\u00e3o. Ao sair da cidade e entrar novamente na BR-367, a paisagem come\u00e7a a mudar para cenas t\u00edpicas do interior pobre do Vale do Jequitinhonha. Do lado esquerdo, a estrada esburacada acompanha o rio que d\u00e1 nome \u00e0 regi\u00e3o e suas \u00e1guas barrentas, muito rasas por causa da seca. Do lado direito aparecem pastos secos salpicados pelo gado branco que se alimenta. Manchas negras de queimadas intercalam a vegeta\u00e7\u00e3o e os casebres feitos de pau a pique e de telhas r\u00fasticas de barro de coxa \u2013 assim chamadas por serem confeccionadas usando as pernas como forma. Em alguns vilarejos ainda se veem vendas de beira de estrada expondo em varas grandes peda\u00e7os de carne seca coberta de mosquitos e da poeira da estrada.<\/p>\n<p>Um dos motoristas que faz o trajeto, Anagildo de Oliveira, de 52 anos, conta que os buracos no asfalto e as outras irregularidades do pavimento n\u00e3o s\u00e3o o maior perigo que os passageiros correm nesse trajeto. \u201c\u00c0s vezes, quem est\u00e1 nas poltronas n\u00e3o v\u00ea, mas a gente passa por muitas situa\u00e7\u00f5es que poderiam acabar num acidente\u201d, afirma. Em oito anos fazendo o trecho, ele conta que \u00e9 comum encontrar animais soltos na pista, pastando o mato dos acostamentos e atravessando de um lado para o outro da pista. \u201cA gente precisa reduzir e sinaliza para os outros motoristas. J\u00e1 aconteceu de um dos bichos desembestar e eu ter de desviar. Mas, com tanto solavanco, o passageiro mal percebe a manobra mais brusca\u201d, conta.<\/p>\n<p>Acidentes tamb\u00e9m s\u00e3o frequentes, principalmente devido \u00e0 estrada ser estreita e ainda cruzar c\u00f3rregos e rios secos nesse per\u00edodo, por tr\u00eas pontes de madeira que permitem a passagem de um ve\u00edculo por vez. \u201cJ\u00e1 ajudei muita gente que se acidentou. N\u00e3o me sai da cabe\u00e7a um casal que bateu num caminh\u00e3o. A passageira morreu e n\u00f3s ajudamos o motorista, sinalizamos a estrada, mas foi s\u00f3 o que pudemos fazer\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Cada caminh\u00e3o que passa pela parte de terra da estrada lan\u00e7a nuvens de poeira para dentro do \u00f4nibus. Os olhos dos passageiros ardem. Muita gente tosse sem parar. Mas ningu\u00e9m se arrisca a fechar as janelas, j\u00e1 que mesmo com a ventania o calor ainda \u00e9 muito forte. Ao final da jornada, ao descer na rodovi\u00e1ria de Salto da Divisa, o suor e a poeira vermelha se transformam em manchas de barro nas roupas das pessoas.<\/p>\n<p><strong><em>(Fonte: Estado de Minas)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Veja como foi a saga do longo caminho, o mais distante que se pode ir de \u00f4nibus em Minas Gerais As curvas de asfalto e terra que seguem o contorno do Rio Jequitinhonha, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sua foz, na Bahia, formam um caminho sofrido e longo, o mais distante que se pode ir de \u00f4nibus [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":40873,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"amp_status":"","footnotes":""},"categories":[120],"tags":[142,194,1018,16994,408,232,409,699,16995,206030],"class_list":["post-40872","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-jequi","tag-almenara","tag-belo-horizonte","tag-destaque","tag-estado-de-minas-mostra-o-sofrimento-de-quem-viagem-da-capital-para-o-vale-do-jequitinhonha","tag-jacinto","tag-rio-jequitinhonha","tag-salto-da-divisa","tag-santa-maria-do-salto","tag-trecho-entre-almenara-a-salto-da-divisa-tem-sol-forte-e-poeira","tag-jequi"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/40872","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=40872"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/40872\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/40873"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=40872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=40872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=40872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}