{"id":36661,"date":"2014-08-06T17:10:17","date_gmt":"2014-08-06T20:10:17","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=36661"},"modified":"2014-08-06T17:10:17","modified_gmt":"2014-08-06T20:10:17","slug":"depois-de-amputacao-de-bracos-e-pernas-filho-de-capelinhense-lanca-livro-de-superacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=36661","title":{"rendered":"Depois de amputa\u00e7\u00e3o de bra\u00e7os e pernas, filho de capelinhense lan\u00e7a livro de supera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Pedro Pimenta, filho do capelinhense Bernardo Pimenta (Irm\u00e3o do popular Sardinha), era saud\u00e1vel, estudioso, esportista e baladeiro, como todo adolescente de 18 anos. Em 2009 ele foi internado e diagnosticado com meningococcemia &#8211; infec\u00e7\u00e3o generalizada causada por uma bact\u00e9ria. Os m\u00e9dicos deram 1% de chance de sobreviver. Pedro conseguiu, mas amputou os quatro membros &#8211; os bra\u00e7os, acima do cotovelo, e as pernas acima do joelho. Dez meses depois nunca mais sentou numa cadeira de rodas, mora sozinho na Fl\u00f3rida, Estados Unidos, onde faz faculdade de economia, e acaba de lan\u00e7ar o livro Superar \u00e9 Viver (Leya). &#8220;Essa bact\u00e9ria n\u00e3o \u00e9 rara e nosso corpo a elimina, mas o meu sistema imunol\u00f3gico estava muito baixo&#8221;, explica Pedro. No hospital, ele ficou em coma induzido por uma semana e, quando acordou ouviu e viu a not\u00edcia. &#8220;Quando abri os olhos meus bra\u00e7os e pernas estavam gangrenados. Num dia sou um cara de 1,80 metros, no outro meus membros estavam apodrecidos. Foi um choque&#8221;, afirma ele, que teve que fazer enxertos tirando pele da barriga e colocando nas pernas. Mas nada desanimou o rapaz. &#8220;Quando acordei do segundo coma perguntei sobre o show do AC\/DC que teria em S\u00e3o Paulo. Minha fam\u00edlia j\u00e1 tinha comprado ingressos duas semanas antes. Consegui a libera\u00e7\u00e3o do meu m\u00e9dico para ir de ambul\u00e2ncia e voltar imediatamente &#8211; isso dois meses depois da cirurgia. Isso me deu mais energia para suportar o resto&#8221;, diz Pedro.<\/p>\n<p>[image src=&#8221;http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/pedro_pimenta_1.jpg&#8221; width=&#8221;310&#8243; height=&#8221;450&#8243; lightbox=&#8221;no&#8221; frame=&#8221;light&#8221; align=&#8221;left&#8221; float=&#8221;right&#8221;]&#8221;Fui condenado a uma vida na cadeira de rodas, sem ter independ\u00eancia. Uma das coisas que me ajudou muito foi estudar m\u00fasica eletr\u00f4nica no hospital no computador &#8211; eu conseguia mexer com os restos dos bra\u00e7os. At\u00e9 ganhei um concurso internacional de remixes. Por isso n\u00e3o tive depress\u00e3o, porque tracei metas para manter minha cabe\u00e7a distra\u00edda&#8221;. Sua &#8216;nova vida&#8217; com pr\u00f3teses come\u00e7ou em 2010, seis meses depois de sair da interna\u00e7\u00e3o. &#8220;Comecei a assistir \u00e0 v\u00eddeos de amputados que andavam uma barbaridade. No fim, sempre via a logotipo de uma empresa &#8211; poxa, eu sou um baita cliente para uma empresa de pr\u00f3teses. Conheci o vice-presidente da empresa e comecei a fazer um tratamento em Oklahoma (EUA), para ex-soldados feridos do Iraque e Afeganist\u00e3o que viviam sem cadeira de rodas. Ele me disse: &#8216;voc\u00ea tem que se adaptar o mundo e n\u00e3o o contr\u00e1rio&#8217;. Isso mudou minha vida. Foi um treinamento bruto e sa\u00ed de l\u00e1 muito mais forte. Desde dezembro de 2010 n\u00e3o uso mais cadeira de rodas. Se voc\u00ea quer chegar a esse n\u00edvel tem que ser uma pessoa regrada, porque gastamos cinco vezes mais energia do que uma pessoa normal para andar&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Quando entrava num restaurante ou lugares p\u00fablicos fazendo tudo sozinho, as pessoas olhavam para Pedro com ar de admira\u00e7\u00e3o e foi assim que come\u00e7ou a receber convites para dar palestras. Em 2012 se mudou para a Fl\u00f3rida para fazer faculdade de economia, conseguiu uma namorada, dirige carro sem adapta\u00e7\u00e3o, escova os dentes, faz sua pr\u00f3pria comida, enfim, vive uma vida normal. &#8220;No in\u00edcio eu colocava minhas pr\u00f3teses em 40 minutos, hoje consigo em cinco minutos. Cheguei num n\u00edvel de independ\u00eancia que n\u00e3o poderia imaginar&#8221;, diz ele, que v\u00ea mais problema em subir escadas e n\u00e3o em encontrar namoradas. &#8220;Arrumei uma namorada muito r\u00e1pido e isso \u00e9 como voc\u00ea se enxerga, tendo ou n\u00e3o m\u00e3os e pernas&#8221;, afirma. O que mais mudou dentro de voc\u00ea? &#8220;Hoje sou um cara mais atento \u00e0s dificuldades alheias, ao sofrimento do outro. Quero fazer algo filantr\u00f3pico porque tenho muito prazer quando sirvo de mentor a outro amputado. Isso para mim \u00e9 uma miss\u00e3o de vida, servir de exemplo positivo para as pessoas. Na minha casa n\u00e3o tem nada adaptado, lavo, cozinho, limpo a casa e, em vez de ficar desesperado e mandar tudo para o inferno, quebrei tudo em desafios pequenos. Uso a mentalidade para me considerar um cara normal e dizer n\u00e3o \u00e0s adapta\u00e7\u00f5es. Nunca fiz terapia na vida. Sou muito teimoso, mas acredito que quem resolve meus problemas sou eu mesmo&#8221;, diz.<\/p>\n<h4>Trechos do livro:<\/h4>\n<p>\u201cNeste livro vou contar minha hist\u00f3ria de vida: como um garoto paulista de classe m\u00e9dia, que como tantos outros ainda n\u00e3o tinha definido que carreira seguir, sofreu uma terr\u00edvel fatalidade, aprendeu a encarar as consequ\u00eancias e se tornou um homem que supera suas dificuldades com determina\u00e7\u00e3o e trabalho duro. Mas n\u00e3o se engane: apesar do curto espa\u00e7o de tempo \u2014 pouco mais de quatro anos \u2014 esse foi um processo \u00e1rduo repleto de momentos de medo, inseguran\u00e7a e muita dor. Encaro meus bra\u00e7os e pernas como ferramentas que perdi. Elas foram substitu\u00eddas por outras que n\u00e3o funcionam t\u00e3o bem, mas que me possibilitam fazer quase tudo que fazia antes. De modo diferente, mas que de forma alguma condicionam a minha felicidade\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 nada mais compensador que testemunhar a transforma\u00e7\u00e3o das personalidades ao fim do trabalho, saber como fui importante para mudar suas mentalidades. Minha vida \u00e9 uma luta di\u00e1ria, acompanhada sempre pela dor. N\u00e3o mato um le\u00e3o, mas um zool\u00f3gico por dia. Em vez de me entregar \u00e0 tristeza, penso em como posso dedicar ainda mais tempo e esfor\u00e7o para avan\u00e7ar com meus projetos e planos\u201d. (Globo)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedro Pimenta, filho do capelinhense Bernardo Pimenta (Irm\u00e3o do popular Sardinha), era saud\u00e1vel, estudioso, esportista e baladeiro, como todo adolescente de 18 anos. Em 2009 ele foi internado e diagnosticado com meningococcemia &#8211; infec\u00e7\u00e3o generalizada causada por uma bact\u00e9ria. Os m\u00e9dicos deram 1% de chance de sobreviver. 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