{"id":35805,"date":"2014-07-25T13:07:59","date_gmt":"2014-07-25T16:07:59","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=35805"},"modified":"2014-07-25T13:07:59","modified_gmt":"2014-07-25T16:07:59","slug":"falta-agua-para-a-populacao-do-vale-do-jequitinhonha-e-norte-de-minas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=35805","title":{"rendered":"Falta \u00e1gua para a popula\u00e7\u00e3o do Vale do Jequitinhonha e Norte de Minas"},"content":{"rendered":"<h4><em><strong>No Norte de Minas e no Vale do Jequitinhonha, a seca que dizima o gado expulsa as fam\u00edlias do campo. Per\u00edodo cr\u00edtico chegou mais cedo e lavouras da regi\u00e3o j\u00e1 t\u00eam perdas de at\u00e9 70%<\/strong><\/em><\/h4>\n<p>Nas regi\u00f5es que, historicamente, foram castigadas pela m\u00e1 vontade dos c\u00e9us, neste ano, as agruras da seca est\u00e3o mais severas e chegaram mais cedo. No Norte de Minas, a cada dia agrava-se o quadro de perdas das lavouras, rios completamente esturricados e milhares de fam\u00edlias padecendo da falta de \u00e1gua, impulsionando o \u00eaxodo rural. A regi\u00e3o sofre as consequ\u00eancias diretas da baixa do n\u00edvel do Rio S\u00e3o Francisco, agravada por conta da dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o do volume de \u00e1gua liberado pelo reservat\u00f3rio da Usina Hidrel\u00e9trica de Tr\u00eas Marias. E a situa\u00e7\u00e3opiora com a situa\u00e7\u00e3o de outros afluentes. No Noroeste do estado, em \u00e1rea assistida pelas \u00e1guas do Rio Paracatu, maior afluente do S\u00e3o Francisco, contribuindo com 26% de suas \u00e1guas, o volume \u00e9 30% inferior ao padr\u00e3o mensal.<\/p>\n<p>\u201cO panorama que estamos antevendo \u00e9 que, em setembro ou outubro, quando chegar o pico da seca, a situa\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser pior mais ainda\u201d, alerta o secret\u00e1rio-executivo da Associa\u00e7\u00e3o dos Munic\u00edpios da \u00c1rea Mineira da Sudene (Amams), Luiz Lobo.<\/p>\n<p>Mesmo faltando mais de 100 dias para o chamado per\u00edodo seco acabar, 136 munic\u00edpios j\u00e1 decretaram estado de emerg\u00eancia em Minas por causa da seca, quase a totalidade deles situada no Norte de Minas e no Vale do Jequitinhonha. A tend\u00eancia desse n\u00famero \u00e9 subir. \u201cNormalmente, a situa\u00e7\u00e3o piorava mesmo em setembro. Mas, neste ano, no in\u00edcio de julho o quadro j\u00e1 est\u00e1 dr\u00e1stico, com os munic\u00edpios reivindicando caminh\u00f5es-pipas e cestas b\u00e1sicas. At\u00e9 agora, no entanto, n\u00e3o foi adotado um plano de emerg\u00eancia, pelo governo federal, para socorrer os munic\u00edpios atingidos\u201d, relata Lobo.<\/p>\n<p>O t\u00e9cnico Reinaldo Nunes de Oliveira, da Empresa de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural (Emater) em Montes Claros, salienta que as consequ\u00eancias est\u00e3o sendo piores porque a regi\u00e3o acumula tr\u00eas anos seguidos de estiagens prolongadas. Um dos setores mais afetados \u00e9 a pecu\u00e1ria, um dos suportes da economia regional. De acordo com os dados da Emater, nos \u00faltimos quatro anos, al\u00e9m das perdas de milhares de reses, que morreram de fome e sede, mais de 600 mil cabe\u00e7as de gado sa\u00edram da regi\u00e3o. Neste ano, as perdas nas lavouras foram superiores a 70%, atingindo em cheio os pequenos produtores, sustentados pela agricultura familiar.<\/p>\n<h4><strong>\u00caxodo<\/strong><\/h4>\n<p>A sa\u00edda de moradores dos pequenos munic\u00edpios, devido \u00e0 falta de emprego e renda nos locais de origem, \u00e9 outro problema. Uma das cidades mais castigadas pela seca no Norte de Minas \u00e9 Espinosa, de 31,1 mil habitantes, na divisa com Bahia. No munic\u00edpio, sofrem com a escassez de \u00e1gua em torno de 1 mil fam\u00edlias, moradoras de 84 comunidades, segundo o presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustent\u00e1vel de Espinosa, Jos\u00e9 Maria Fran\u00e7a Alkimin. \u201cMuitas pessoas j\u00e1 deixaram o munic\u00edpio por causa da escassez de \u00e1gua. Falta \u00e1gua at\u00e9 para a sobreviv\u00eancia\u201d, revela Jos\u00e9 M\u00e1rcio.<\/p>\n<p>Ele salienta que os caminh\u00f5es-pipas que circulam no munic\u00edpio n\u00e3o d\u00e3o conta de atender a demanda e, em diversas localidades, as pessoas t\u00eam que carregar \u00e1gua na cabe\u00e7a, em carro\u00e7as ou no lombo de animais para encher latas e tambores no reservat\u00f3rio onde chega o caminh\u00e3o.<\/p>\n<p>No munic\u00edpio de Montes Claros, centenas de pequenos produtores sofrem com a estiagem prolongada. \u00c9 o caso do lavrador aposentado Valdomiro Ribeiro de Almeida, de 55 anos, casado e pai de tr\u00eas filhos, da comunidade de Valentina. A \u00e1gua que \u00e9 fornecida pelo caminh\u00e3o-pipa chega a cada 30 dias, n\u00e3o sendo suficiente para abastecer a fam\u00edlia. O lavrador busca \u00e1gua para beber em sua moto em um posto de combust\u00edveis a dois quil\u00f4metros de casa. Por conta da seca, teve de interromper uma pequena cria\u00e7\u00e3o de porcos, o que fez minguar a renda da fam\u00edlia.<\/p>\n<h4><strong>Opostos<\/strong><\/h4>\n<p>Itamarandiba, no Vale do Jequitinhonha, em dezembro passado foi castigada pelo excesso de chuvas, que levou a prefeitura a decretar estado de emerg\u00eancia no munic\u00edpio. Meses depois, a prefeitura voltou a decretar emerg\u00eancia, dessa vez por os danos provocados pela falta de chuvas. O prefeito, Erildo Gomes, afirma que, no final do ano passado, foram registrados no munic\u00edpio 271 mil\u00edmetros de chuva em 24 horas. O \u201cdil\u00favio\u201d danificou 42 pontes e estradas vicinais ficaram intransit\u00e1veis, isolando diversas comunidades rurais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/falta_agua_vale_do_jequi_norte_minas_1.jpg\" alt=\"\" \/><em>Manoel de Lourdes Barros mostra o leito quase seco do C\u00f3rrego do Bonga, em Itamarandiba, no Vale do Jequitinhonha. Estiagem estimula o \u00eaxodo &#8211; Foto: Luiz Ribeiro \/ Estado de Minas<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Neste ano, a regi\u00e3o foi castigada por um veranico, em janeiro e fevereiro, e as \u00faltimas chuvas foram registradas em mar\u00e7o. Segundo o prefeito, muitas comunidades j\u00e1 come\u00e7aram a sofrer com a falta de \u00e1gua, tanto para o consumo dom\u00e9stico quanto para a agricultura familiar.<\/p>\n<p>Morador na localidade de Lagoa do Bonga, situada numa regi\u00e3o isolada, a 33 quilometros da sede do munic\u00edpio, o agricultor Manoel de Lourdes Barroso perde sono com a triste situa\u00e7\u00e3o do c\u00f3rrego do Bonga, que, segundo ele, j\u00e1 correu caudaloso no passado e hoje se resume a um filete. \u201cNunca vi esse c\u00f3rrego secar tanto. Do jeito que est\u00e1 indo, em poucos dias ele e vai secar de vez. E n\u00e3o sei como viver, pois aqui n\u00e3o tem outra fonte de \u00e1gua por perto\u201d, assombra-se Manoel.<\/p>\n<h4><strong>Menos caf\u00e9 e leite no Sul de Minas<\/strong><\/h4>\n<p>Uma das regi\u00f5es mais ricas do pa\u00eds, o Sul de Minas Gerais tamb\u00e9m pena com a estiagem. A falta de chuva reduziu o volume de represas, baixou o leito de rios e prejudicou a agropecu\u00e1ria. A safra de caf\u00e9, principal commodity do setor no estado, despencou quase um ter\u00e7o neste ano. \u201cA (funda\u00e7\u00e3o) Procaf\u00e9 fez um levantamento com previs\u00e3o de queda em torno de 30% em todo o Sul de Minas. Em nossa \u00e1rea, a m\u00e9dia de recuo tamb\u00e9m \u00e9 essa\u201d, calculou Carlos Paulino, presidente da Cooxup\u00e9, a maior cooperativa de cafeicultores do mundo, com sede em Guaxup\u00e9 e que re\u00fane cerca de 12 mil fazendeiros de 200 cidades do Sul do estado, do Alto Parana\u00edba (cerrado mineiro) e do Vale do Rio Pardo (SP).<\/p>\n<p>Em Varginha, a 300 quil\u00f4metros de Belo Horizonte, o volume do Rio Verde recuou tanto que fez reaparecer o pared\u00e3o de uma barragem erguida h\u00e1 mais de 100 anos. A represa fazia parte de uma usina que abastecia 52 cidades daquelas bandas e foi desativada na d\u00e9cada de 1950. \u201cTenho 43 anos e \u00e9 a primeira vez que vejo o pared\u00e3o. D\u00e1 tristeza testemunhar a cena, pois significa que o volume d\u2019\u00e1gua est\u00e1 baixo\u201d, lamentou o carpinteiro Cl\u00e1udio Rog\u00e9rio. Ele foi ao local nesta semana para \u201cver com os pr\u00f3prios olhos\u201d o que os moradores de Varginha comentam: \u201cO leito passava por cima do pared\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O Rio Verde, que nasce na Serra da Mantiqueira e des\u00e1gua no Lago de Furnas, beira diversas fazendas produtoras de caf\u00e9. A estiagem n\u00e3o deixou as lavouras se desenvolverem como em anos anteriores. Resultado: a oferta menor da commodity elevou o pre\u00e7o da saca de 60 quilos. \u201cO valor estava R$ 250 no in\u00edcio do ano. Saltou para R$ 520 h\u00e1 algumas semanas e, depois, caiu para R$ 360. Em seguida, houve uma nova alta. Agora, o pre\u00e7o est\u00e1 entre R$ 400 e R$ 420 (aumento de at\u00e9 68% em rela\u00e7\u00e3o a janeiro)\u201d, disse o presidente da Cooxup\u00e9.<\/p>\n<p>A estiagem atrapalhou os neg\u00f3cios de Jo\u00e3o Ant\u00f4nio, dono de uma pequena propriedade rural em Ribeir\u00e3o Vermelho, a 220 quil\u00f4metros de BH. \u201cEu tirava em torno de 300 litros de leite por dia. Agora consigo metade\u201d. Ribeir\u00e3o Vermelho \u00e9 a primeira cidade banhada pelo Rio Grande depois de o leito descer as comportas da usina hidrel\u00e9trica Funil, inaugurada em janeiro de 2003.<\/p>\n<p>\u201cO volume est\u00e1 baixo\u201d, afirmou Manuel Tadeu de Oliveira, de 61 anos. Ele tamb\u00e9m reclama da paisagem a poucos metros da represa: \u201cO pasto est\u00e1 seco. A estiagem este ano est\u00e1 brava. Eu retirava 50 litros de leite de duas vacas. Atualmente, caiu pela metade\u201d. Manuel mora numa comunidade rural de Lavras, a poucos quil\u00f4metros das comportas da Funil. Apesar da estiagem, a \u00e1gua do local ajuda na sobreviv\u00eancia da horta de v\u00e1rios moradores da regi\u00e3o, como o caseiro Ronaldo Alves, de 40. \u201cN\u00e3o teria como cultivar a hora se n\u00e3o fosse o rio.\u201d<\/p>\n<p><strong><em>(Estado de Minas)<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Norte de Minas e no Vale do Jequitinhonha, a seca que dizima o gado expulsa as fam\u00edlias do campo. 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