{"id":35792,"date":"2014-07-25T11:45:16","date_gmt":"2014-07-25T14:45:16","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=35792"},"modified":"2014-07-25T11:45:16","modified_gmt":"2014-07-25T14:45:16","slug":"comendo-e-morrendo-alexandre-sylvio-vieira-da-costa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=35792","title":{"rendered":"COMENDO E MORRENDO &#8211; Alexandre Sylvio Vieira da Costa"},"content":{"rendered":"<p>Foi comprovado o que j\u00e1 sab\u00edamos h\u00e1 muito tempo: estamos sendo envenenados e morrendo lentamente. Diferente de outras \u00e1reas, a agricultura pode causar a contamina\u00e7\u00e3o e morte de um grande n\u00famero de pessoas. Um m\u00e9dico, por exemplo, quando comete um erro na mesa de cirurgia causa a morte de uma pessoa. Na engenharia, um pr\u00e9dio que cai pode causar a morte de dezenas de pessoas, mas na agricultura, um agrot\u00f3xico pulverizado de forma errada, n\u00e3o respeitando o seu processo de seguran\u00e7a pode causar a morte lenta e dolorosa de milhares de pessoas. Alguns agrot\u00f3xicos quando ingeridos em excesso induzem a forma\u00e7\u00e3o de tumores e c\u00e2nceres ao longo dos anos e quando s\u00e3o detectados nem imaginamos que a sua causa pode ser de origem alimentar, principalmente por n\u00e3o termos base hist\u00f3rica para provar as teorias j\u00e1 que a ingest\u00e3o do veneno foi lenta e gradual. <\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria cita nos seus relat\u00f3rios o estudo de contamina\u00e7\u00e3o dos alimentos por agrot\u00f3xicos. Os produtos foram coletados nos mercados, ou seja, nos pontos de aquisi\u00e7\u00e3o do consumidor.  A primeira parte do estudo mostra que, das vinte culturas analisadas, em quinze foram encontrados agrot\u00f3xicos que est\u00e3o em processo de reavalia\u00e7\u00e3o toxicol\u00f3gica por conta dos seus efeitos negativos para sa\u00fade humana. Muitos agrot\u00f3xicos est\u00e3o sendo reavaliados no Brasil porque em v\u00e1rios pa\u00edses eles j\u00e1 foram banidos h\u00e1 muito tempo. Foram identificados, por exemplo, nos frutos de pepino e piment\u00e3o contamina\u00e7\u00e3o por endossulfan, cebola e cenoura contaminados por acefato e piment\u00e3o, tomate, alface e cebola contaminados por metamidof\u00f3s. O problema aumenta quando verificamos o n\u00famero de amostras com elevada presen\u00e7a de agrot\u00f3xicos: no caso do piment\u00e3o, 80% das amostras coletadas no mercado apresentaram algum tipo de problema com os agrot\u00f3xicos, uva 56,4%, pepino 54,8% e morango 50,8%. O produto que apresentou menor grau de contamina\u00e7\u00e3o foi a batata com 1,2% das amostras. Foram coletadas 3.130 amostras com 29% delas apresentando algum tipo de irregularidade.<\/p>\n<p>O grande problema \u00e9 encontrado nas frutas e produtos hort\u00edcolas onde a apar\u00eancia \u00e9 fundamental e que s\u00e3o consumidos in natura. Para evitar que pragas e doen\u00e7as danifiquem a apar\u00eancia do produto, a carga de agrot\u00f3xicos na lavoura, em muitos casos, \u00e9 muito maior do que a recomendada. O que fazer? Recomenda\u00e7\u00f5es da ANVISA indicam que o consumidor deve optar por produtos com origem conhecida, mas o nosso sistema de rastreabilidade dos produtos praticamente n\u00e3o existe. O estudo incluiu a rastreabilidade dos produtos e em 64,9% das amostras a ag\u00eancia conseguiu rastrear apenas at\u00e9 o distribuidor, ou seja, quem produziu? Como produziu?  Comemos frutas e verduras como se fosse uma loteria, sem saber da sua origem ou se est\u00e1 contaminado. Em alguns casos, at\u00e9 mesmo produtos considerados org\u00e2nicos s\u00e3o suspeitos, pois quem nos garante que ele foi cultivado organicamente? <\/p>\n<p>Infelizmente, a falta de regulamenta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o de alimentos no Brasil nos coloca a merc\u00ea de agricultores que por m\u00e1 f\u00e9 ou ignor\u00e2ncia p\u00f5e em risco a vida de milhares de pessoas, consumidores que, sem saber, pensam estar fornecendo a sua fam\u00edlia uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, mas que na realidade podem estar criando s\u00e9rios problemas de sa\u00fade no futuro.<\/p>\n<h4><strong>Quem \u00e9 Alexandre Sylvio Vieira da Costa?<\/strong><\/h4>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/alexandre_coluna_agro.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>&#8211; Nascido na cidade de Niter\u00f3i, RJ;<br \/>\n&#8211; Engenheiro Agr\u00f4nomo Formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro;<br \/>\n&#8211; Mestre em Produ\u00e7\u00e3o Vegetal pela Embrapa-Agrobiologia\/Universidade Federal Rural do<br \/>\nRio de Janeiro;<br \/>\n&#8211; Doutor em Produ\u00e7\u00e3o Vegetal pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa;<br \/>\n&#8211; P\u00f3s doutorado em Geoci\u00eancias pela Universidade Federal de Minas Gerais;<br \/>\n&#8211; Foi Coordenador Adjunto da C\u00e2mara Especializada de Agronomia e Coordenador da<br \/>\nComiss\u00e3o T\u00e9cnica de Meio Ambiente do CREA\/Minas;<br \/>\n&#8211; Foi Presidente da C\u00e2mara T\u00e9cnica de eventos Cr\u00edticos do Comit\u00ea da Bacia<br \/>\nHidrogr\u00e1fica do Rio Doce;<br \/>\n&#8211; Atualmente, professor Adjunto dos cursos de Engenharia da Universidade Federal dos<br \/>\nVales do Jequitinhonha e Mucuri, Campus Te\u00f3filo Otoni;<\/p>\n<p>&#8211; Blog: <a href=\"http:\/\/asylvio.blogspot.com.br\" target=\"_blank\">asylvio.blogspot.com.br<\/a><br \/>\n&#8211; E-mail: alexandre.costa@ufvjm.edu.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi comprovado o que j\u00e1 sab\u00edamos h\u00e1 muito tempo: estamos sendo envenenados e morrendo lentamente. 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