{"id":31001,"date":"2014-06-04T10:12:29","date_gmt":"2014-06-04T13:12:29","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=31001"},"modified":"2014-06-04T10:12:29","modified_gmt":"2014-06-04T13:12:29","slug":"indios-buscam-formacao-universitaria-para-socorrer-aldeias-no-interior-de-minas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=31001","title":{"rendered":"\u00cdndios buscam forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria para socorrer aldeias no interior de Minas"},"content":{"rendered":"<p>Cansados de esperar pela melhoria do acesso \u00e0 sa\u00fade nas comunidades, seis ind\u00edgenas de Minas, Mato Grosso e Bahia decidiram sair das tribos em busca de solu\u00e7\u00e3o. Prestaram vestibular, dedicam-se a horas de estudo, driblam a saudade da fam\u00edlia e as dificuldades iniciais de conv\u00edvio com os demais estudantes. Tudo para se tornarem os primeiros m\u00e9dicos de origem ind\u00edgena formados pela UFMG.<\/p>\n<p>O seleto grupo de estudantes \u2013 duas mo\u00e7as e quatro rapazes de etnias diferentes \u2013 tem a mesma meta: depois de formados, querem regressar \u00e0s aldeias onde nasceram e aplicar o conhecimento adquirido na comunidade.<\/p>\n<p>Aos 25 anos, o Patax\u00f3 Vazigton, o Zig, nascido em Cumuruxatiba, Sul da Bahia, frisa que \u00e9 grande a demanda por profissionais de sa\u00fade nas tribos. \u201cGente do Rio e S\u00e3o Paulo fica pouco tempo na aldeia e logo vai embora. Quem sofre com isso \u00e9 a comunidade\u201d.<\/p>\n<p>Zig cursa o 8\u00ba per\u00edodo de medicina por influ\u00eancia dos mais velhos de sua etnia, que o convenceram a deixar o curso de Biologia na Universidade Estadual da Bahia, onde era bolsista. Zig prestou vestibular para a UFMG em 2009 e ingressou na Faculdade de Medicina em 2010.<\/p>\n<p>\u201cPor ser um curso elitizado, fiquei surpreso com a maneira como fomos recebidos. As rela\u00e7\u00f5es de amizade dentro da escola minimizam as dificuldades\u201d, conta, referindo-se \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o inicial.<\/p>\n<p>Amaynara, Patax\u00f3 de Carm\u00e9sia, no Vale do Rio Doce, acredita na sa\u00fade preventiva como forma de melhorar o dia a dia nas aldeias. Ela defende o trabalho em equipe, hol\u00edstico, com os demais agentes de sa\u00fade. \u201cSou muito sonhadora. S\u00f3 pelo fato de conhecer a comunidade temos muito a contribuir enquanto profissionais\u201d, diz a aluna do 7\u00ba per\u00edodo.<\/p>\n<p>Provocar o di\u00e1logo entre a medicina ocidental e a medicina tradicional ind\u00edgena \u00e9 uma das metas de Adana Om\u00e1gua-Kambeba, que trocou a aldeia em Manaus por Belo Horizonte. A jovem quer se tornar m\u00e9dica para ajudar na melhoria da sa\u00fade ind\u00edgena da Amaz\u00f4nia, onde, por falta de estrutura e assist\u00eancia, muitas crian\u00e7as morrem.<\/p>\n<p>\u201cQuero contribuir com o meu exemplo e incentivar outros jovens da etnia\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/india_minas_04_06.jpg\" alt=\"\" \/><em>ADANA \u2013 \u201cPerten\u00e7o aos dois mundos. Sento com os velhos e como peixe com farinha, mas sei usar garfo &#8211; Foto: CARLOS RHIENCK<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<h4><strong>M\u00e9dica ser\u00e1 tamb\u00e9m paj\u00e9 da tribo<\/strong><\/h4>\n<p>Cantora, compositora e pesquisadora da cultura Om\u00e1gua-Kambeba, a jovem Adana \u2013 a idade ela n\u00e3o quis revelar \u2013 chegou \u00e0 UFMG em 2012, ap\u00f3s tr\u00eas meses no set de filmagens de Xingu, filme de Cao Hamburguer que narra a hist\u00f3ria dos irm\u00e3os Villas Boas. Popular, com 2.140 amigos no Facebook, ela pretende conciliar as agendas acad\u00eamica e art\u00edstica, mas recusou convite para novos filmes, por causa do curso.<\/p>\n<p>\u201cMeu tatarav\u00f4, bisav\u00f4 e av\u00f4 eram paj\u00e9s que as pessoas procuravam para as curas. Desde crian\u00e7a tive tend\u00eancia para cuidar de pessoas, plantas e animais\u201d, conta Adana, futura paj\u00e9 da aldeia, no Amazonas. O paj\u00e9 \u00e9 uma pessoa de destaque em certas tribos ind\u00edgenas. S\u00e3o curandeiros, tidos como portadores de poderes ocultos ou orientadores espirituais.<\/p>\n<p>\u201cMeu m\u00e9dico j\u00e1 chegou aqui\u201d \u00e9 a frase mais ouvida pelo Patax\u00f3 Vazigton, o Zig, quando ele vai \u00e0 aldeia, duas vezes a cada ano, nas f\u00e9rias escolares. \u201cA gente \u00e9 exemplo e abre as portas para outros\u201d, orgulha-se. <\/p>\n<p>\u201cA comunidade e as lideran\u00e7as ficam orgulhosas de saber que estamos estudando para ser m\u00e9dicos\u201d, emenda Amaynara, da tribo Patax\u00f3 no Vale do Rio Doce. A jovem tamb\u00e9m pretende unir os conhecimentos acad\u00eamico e tradicional para a pr\u00e1tica da medicina preventiva, mas admite que a chamada \u201cmedicina de branco\u201d tem tido mais cartaz. \u201cTemos de valorizar os raizeiros, os s\u00e1bios. Todos t\u00eam conhecimento das plantas medicinais.<\/p>\n<h4><strong>Ao todo, 21 comunidades nos bancos da UFMG<\/strong><\/h4>\n<p>O programa da UFMG de licenciatura para a comunidade ind\u00edgena tem atualmente 140 alunos de 21 aldeias de Minas, Bahia, Mato Grosso e Pernambuco. A cada ano, a institui\u00e7\u00e3o oferece 12 vagas suplementares em seis cursos: medicina, enfermagem, odontologia, ci\u00eancias agr\u00e1rias, ci\u00eancias sociais e ci\u00eancias biol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>A UFMG criou o Conselho Consultivo Ind\u00edgena, composto de professores e membros de comunidades tradicionais, para institucionalizar as pol\u00edticas voltadas \u00e0s comunidades ind\u00edgenas. <\/p>\n<p>\u201cA universidade tem um papel pol\u00edtico de ampliar o di\u00e1logo entre os saberes tradicionais e acad\u00eamicos, para que os povos ind\u00edgenas possam se expressar\u201d, afirma a vice-reitora da UFMG, Sandra Goulart.<\/p>\n<p>Segundo ela, a UFMG pretende trabalhar com outras institui\u00e7\u00f5es para que o programa voltado aos ind\u00edgenas torne-se pol\u00edtica de Estado. \u201cTentamos ampliar o di\u00e1logo para implementar uma pol\u00edtica de inclus\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>(Hoje em Dia)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cansados de esperar pela melhoria do acesso \u00e0 sa\u00fade nas comunidades, seis ind\u00edgenas de Minas, Mato Grosso e Bahia decidiram sair das tribos em busca de solu\u00e7\u00e3o. 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