{"id":29908,"date":"2014-05-23T12:05:32","date_gmt":"2014-05-23T15:05:32","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=29908"},"modified":"2014-05-23T12:34:06","modified_gmt":"2014-05-23T15:34:06","slug":"rosilene-avila-quero-colo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=29908","title":{"rendered":"Rosilene \u00c1vila &#8211; Quero colo!"},"content":{"rendered":"<p>Atendendo \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es dos amigos, mas tamb\u00e9m e principalmente por conta da minha saudade e da minha necessidade de analisar pessoas e circunst\u00e2ncias, tentarei ilustrar alguns temas, contando a voc\u00eas, orgulhosa de meu mineir\u00eas fluente, algumas hist\u00f3rias que se passam ou se passaram, de personagens que vivem e que viveram. Em muitas dessas hist\u00f3rias, minha m\u00e3e estar\u00e1 presente, pois apesar de ter falecido quando eu tinha apenas oito anos de idade, \u00e9 uma presen\u00e7a constante em meu modo de ser, minhas a\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es, meu jeito de viver e conviver, o que comprova para mim, muito do que vamos falar hoje. Espero que possam aproveitar a leitura.<\/p>\n<p>Determinada a tentar ser melhor a cada dia, vejo-me diante de tremendos desafios: quero ser uma boa m\u00e3e, uma boa esposa, uma boa profissional, quero ser uma boa aluna no curso de administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, uma boa escritora nesta coluna&#8230; Parece muito, mas quando digo que estou determinada a tentar, deixo claro que me permito errar, chorar, aprender, ouvir, perdoar, recome\u00e7ar e at\u00e9 mesmo dormir de vez em quando.<\/p>\n<p>Pois bem, nessas minhas tentativas de aprender a ser melhor, ao participar de uma palestra da psicanalista Marli Andrade, cujo tema era educa\u00e7\u00e3o infantil, fui levada a meditar sobre a import\u00e2ncia de estarmos atentos \u00e0s necessidades e possibilidades dos pequenos de zero a oito anos de idade, esta fase t\u00e3o importante, que define tantas coisas na vida da gente. Baseando-se em informa\u00e7\u00f5es dos especialistas na \u00e1rea da psican\u00e1lise, n\u00e3o \u00e9 exagero dizer que tudo ou grande parte do que somos, de como encaramos a vida, como convivemos conosco e com as pessoas ao nosso redor, se deve \u00e0 maneira como vivemos os nossos primeiros oito anos.<\/p>\n<p>Em determinado momento, a palestrante levantou uma quest\u00e3o sobre lembran\u00e7as da inf\u00e2ncia e a primeira imagem que me veio \u00e0 mente, foi: eu no colo da minha m\u00e3e. Lembrei-me que pass\u00e1vamos horas assim. Ela sentada num banco de madeira, sem nenhum conforto, e eu no colo dela. N\u00e3o sei se ela dormia ou pensava, se lembrava ou se preferia n\u00e3o lembrar. Sem televis\u00e3o, sem celular, sem computador, sem conversa, sem temor&#8230; S\u00f3 ela e eu na cozinha escura. E eram horas mesmo. Eu cochilava, acordava, dormia de novo. N\u00e3o sei ao certo quantos anos eu tinha, mas sei que era bem pequena, pois meus pezinhos n\u00e3o tocavam o ch\u00e3o. Ficava com as pernas penduradas e o banco n\u00e3o era alto. \u00c0s vezes eu escorregava e ela me puxava e me colocava de novo em uma posi\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel. E era um sil\u00eancio que nunca mais ouvi, uma paz que nunca mais senti, era uma sensa\u00e7\u00e3o t\u00e3o boa, que s\u00f3 depois de crescida posso entender o quanto me fez bem aqueles momentos.<\/p>\n<p>Minha m\u00e3e era uma pessoa triste e impar! A hist\u00f3ria de vida dela vai muito al\u00e9m do que minhas simples palavras podem expressar. Mas somente depois de muitos anos eu detectei essa tristeza da minha m\u00e3e. At\u00e9 ent\u00e3o, sentada ali naquele colo magro e p\u00e1lido, eu s\u00f3 sentia paz, seguran\u00e7a, amor. Era como se o mundo todo se resumisse ali, naquela cozinha simples, de casa simples, de gente simples, do interior de Minas Gerais: uma *lamparina a querosene que queimava ao longe, o fog\u00e3o a lenha vermelho, j\u00e1 com poucas brasas e uma panela de ferro com \u00e1gua morna em cima, uma prateleira com vasilhas limpinhas, uma *cigana gigante que ficava no canto, o banco de madeira, minha m\u00e3e e eu.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 palestra, n\u00e3o foi falado especificamente sobre colo, mas v\u00e1rias informa\u00e7\u00f5es valiosas foram adquiridas e indico a todas as pessoas que lidam com crian\u00e7as, seja em casa ou na escola (abaixo deixo o link de contato da palestrante). Resumindo, ficou pra mim muito claro, a dica da especialista: \u201cSe queremos que nossos filhos se tornem adultos emocionalmente equilibrados, devemos provocar sorrisos\u201d. \u00c9 claro que a disciplina deve permear equilibradamente esse processo. Sa\u00ed de l\u00e1 com conhecimentos e orienta\u00e7\u00f5es importantes sobre a complexa arte de cuidar e educar crian\u00e7as e com a doce lembran\u00e7a do colo da minha m\u00e3e, que me acompanhou o resto da semana, fazendo com que, passada a sensa\u00e7\u00e3o de nostalgia, me sentisse um pouco mais culpada que habitualmente. A realidade \u00e9 que as m\u00e3es de hoje, mesmo aquelas bem instru\u00eddas e equilibradas n\u00e3o deixam de andar com a \u201cculpa atr\u00e1s da orelha\u201d.<\/p>\n<p>Seguindo o racioc\u00ednio, vamos \u00e0 parte em que nos permitimos errar, aprender e recome\u00e7ar: muitas vezes n\u00e3o temos tempo dispon\u00edvel para colocar nossos filhos no colo. Os pequenos levantam os bracinhos e pedem: _ Colo, colo! Pegamos um pouquinho, e j\u00e1 temos que voltar para o ch\u00e3o ou nem pegamos, provocandos l\u00e1grimas ao inv\u00e9s de sorrisos. Os motivos s\u00e3o variados. Consistentes ou n\u00e3o, cada qual, com o seu cada um:<\/p>\n<p>&#8211; \u201cEst\u00e1 na hora de sair pro meu de trabalho!\u201d &#8211; eu n\u00e3o participei da queima dos suti\u00e3s, meu filho n\u00e3o tem nada com isso, mas eu amo e\/ou preciso do meu trabalho! \u2013 justificado.<\/p>\n<p>&#8211; \u201cEst\u00e1 na hora de ir pra faculdade!\u201d \u2013 eu n\u00e3o estudei na \u00e9poca certa, meu filho n\u00e3o tem nada com isso, mas eu n\u00e3o posso perder a oportunidade de correr atr\u00e1s de meu sonho e\/ou melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida da fam\u00edlia! \u2013 justificado.<\/p>\n<p>_ \u201cEstou conversando no celular!\u201d \u2013 ser\u00e1 mesmo t\u00e3o importante?<\/p>\n<p>_ \u201cEstou vendo TV!\u201d \u2013 definitivamente, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante.<\/p>\n<p>_ \u201cTenho uma festa!\u201d _ deixa eu pensar&#8230; Dessa vez vou fazer a festa com meu filho!<\/p>\n<p>_ \u201cEstou arrumando a casa!\u201d \u2013 este motivo \u00e9 realmente forte, mas&#8230; Amanh\u00e3 tamb\u00e9m tem casa pra arrumar.<\/p>\n<p>_ \u201cEstou cansada!\u201d \u2013 bocejando bem, quero dizer, pensando bem, nada melhor que um abra\u00e7o de m\u00e3e e filho para revigorar as for\u00e7as da m\u00e3e, aumentar a serotonina do filho, o que pode evitar entre outras coisas, a fibromialgia. (aprendi isso na palestra tamb\u00e9m).<\/p>\n<p>Todos temos os nossos motivos. E s\u00e3o reais, s\u00e3o justos e s\u00e3o urgentes. No entanto, a fase de colo das crian\u00e7as vai passar (ou n\u00e3o). Cada crian\u00e7a, na sua individualidade e no seu tempo, vai expressar \u00e0 sua maneira o seu \u201cquero colo\u201d. Vale a pena usar o bom senso para que possamos atender na medida do poss\u00edvel e com equil\u00edbrio a necessidade de colo dos nossos pequenos e at\u00e9 mesmo dos maiores, porque na medida certa, n\u00e3o tem contra indica\u00e7\u00e3o. Quem n\u00e3o gosta de colo de m\u00e3e, independente da idade?<\/p>\n<p>A dica de hoje, referendada por especialistas da \u00e1rea, \u00e9 que colo n\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de quantidade, e sim de intensidade, de qualidade. Carinho, afeto e toque faz toda a diferen\u00e7a na vida de uma crian\u00e7a e no futuro de um adulto.<\/p>\n<p>Vamos utilizar o tempo poss\u00edvel e inventar o tempo que faltar para pegar nosso filho no colo, abra\u00e7ar, acarinhar, afagar. Pode ser a lembran\u00e7a mais valiosa e feliz da vida dele&#8230; Sem contar os efeitos que isso provoca no c\u00e9rebro. Mas sobre isso, vou deixar a fala pra quem entende do assunto.<\/p>\n<p><em>Indica\u00e7\u00e3o da palestra mencionada neste texto: <a href=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?page_id=22910\" target=\"_blank\">Marli Andrade<\/a><\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/coluna_rosilene_avila_24_3.jpg\" \/><br \/>\n<em>(*Cigana \u2013 Panela de ferro redonda e com tr\u00eas p\u00e9s &#8211; Imagem ilustrativa)<\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/coluna_rosilene_avila_24_4.jpg\" \/><br \/>\n<em>(*Cozinha a lenha &#8211; Imagem ilustrativa)<\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/coluna_rosilene_avila_24_5.jpg\" \/><br \/>\n<em>(*lamparina a querosene ou querosene &#8211; Imagem ilustrativa)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atendendo \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es dos amigos, mas tamb\u00e9m e principalmente por conta da minha saudade e da minha necessidade de analisar pessoas e circunst\u00e2ncias, tentarei ilustrar alguns temas, contando a voc\u00eas, orgulhosa de meu mineir\u00eas fluente, algumas hist\u00f3rias que se passam ou se passaram, de personagens que vivem e que viveram. 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