{"id":28028,"date":"2014-05-05T20:48:36","date_gmt":"2014-05-05T23:48:36","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=28028"},"modified":"2014-05-05T20:49:24","modified_gmt":"2014-05-05T23:49:24","slug":"municipios-do-vale-do-mucuri-sao-responsaveis-por-15-do-desmate-irregular-em-minas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=28028","title":{"rendered":"Munic\u00edpios do Vale do Mucuri s\u00e3o respons\u00e1veis por 15% do desmate irregular em Minas"},"content":{"rendered":"<p>Mandioca, abacaxi, caf\u00e9, capim e eucalipto est\u00e3o substituindo a Mata Atl\u00e2ntica em Itaip\u00e9, no Vale do Mucuri. Crime ambiental tamb\u00e9m cometido em outros munic\u00edpios da regi\u00e3o, respons\u00e1vel por 15% do desmate irregular em Minas. Especialistas afirmam que faltam pol\u00edticas sociais e efetivo para a fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante a Opera\u00e7\u00e3o Macaco Muriqui, realizada em conjunto pelo Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos (Sisema) e pol\u00edcias Civil e Militar, semana passada, foram embargados 350 hectares de \u00e1reas onde a Mata Atl\u00e2ntica foi suprimida. Em um dos casos, 2,86 hectares viraram lavouras de mandioca e abacaxi. <\/p>\n<p>\u201cSei que \u00e9 errado, mas preciso trabalhar\u201d, disse Marcos Pereira dos Santos, de 35 anos, gerente de uma das \u00e1reas. Baseado em casos como esse, o pesquisador Alexandre Sylvio, professor na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), afirma que a solu\u00e7\u00e3o para o desmate no Estado s\u00f3 acabar\u00e1 com programas sociais.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma regi\u00e3o muito pobre. \u00c9 preciso criar alternativas de sobreviv\u00eancia para os pequenos produtores\u201d, diz. Ele considera as leis ambientais atuais r\u00edgidas e restritivas, como tamb\u00e9m educativas. \u201cApesar dos altos registros de devasta\u00e7\u00e3o, a fiscaliza\u00e7\u00e3o tem sido efetiva por aqui\u201d. O pesquisador observa que o desmatamento e a explora\u00e7\u00e3o da madeira nativa nos vales do Mucuri e Jequitinhonha reduziram em mais de 85% nos \u00faltimos dez anos, conforme o IBGE.<\/p>\n<p>Para a superintendente executiva da Associa\u00e7\u00e3o Mineira de Defesa do Ambiente (AMDA), Dalce Ricas, \u00e9 preciso gerar renda para os pequenos produtores e combater a cultura enraizada de desmate. \u201cFiscaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 fundamental. Mas ela n\u00e3o tem sido eficaz por falta de contingente e infraestrutura\u201d, denuncia.<\/p>\n<p>Levantamento feito pela AMDA apontou um policial para cada munic\u00edpio da regi\u00e3o. Dalce diz que, atuando sozinho, o policial sente-se intimidado diante do poder de fogo de grandes propriet\u00e1rios que exploram os pequenos, em especial na produ\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o vegetal.<\/p>\n<p>Em abril, a entidade entregou \u00e0 Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (Semad) propostas de a\u00e7\u00f5es, como melhor distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica dos policiais. Segundo a pasta, 68 servidores e 1.200 militares s\u00e3o respons\u00e1veis pela fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O diretor de Fiscaliza\u00e7\u00e3o dos Recursos Florestais e Biodiversidade da Semad, Bruno Janducci, diz que os desafios para coibir a pr\u00e1tica est\u00e3o associados \u00e0s dificuldades para encontrar as \u00e1reas de desmate. A detec\u00e7\u00e3o \u00e9 feita por imagens de sat\u00e9lite, que na maior parte do ano n\u00e3o consegue \u201cenxergar\u201d a superf\u00edcie por causa de nuvens. \u201cA Lei Federal 11.428\/2006 \u00e9 muito boa, pro\u00edbe o desmatamento. Mas os propriet\u00e1rios suprimem sem autoriza\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Janducci ressalta que a Semad realiza opera\u00e7\u00f5es e toma as medidas administrativas cab\u00edveis em caso de constata\u00e7\u00e3o de irregularidade. J\u00e1 as pol\u00edcias cuidam das medidas criminais. Por\u00e9m, a educa\u00e7\u00e3o ambiental tamb\u00e9m \u00e9 fundamental. <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/municipios_do_mucuri_devastam_mata_atlantica.jpg\" alt=\"\" \/><em>For\u00e7a tarefa identificou 350 hectares de propriedades com desmatamento ilegal &#8211; Foto: Leonardo Morais\/HD<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<h4><strong>For\u00e7a tarefa identifica \u00e1reas devastadas<\/strong><\/h4>\n<p>O nome da opera\u00e7\u00e3o \u00e9 Macaco Muriqui, mas nenhum exemplar daquele considerado o maior primata das Am\u00e9ricas foi encontrado pelos integrantes de uma for\u00e7a-tarefa que percorre o Vale do Mucuri desde 23 de abril deste ano. O motivo \u00e9 simples: o habitat deles, a Mata Atl\u00e2ntica, est\u00e1 sendo devastado na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Ladainha, Itaip\u00e9 e Novo Cruzeiro, apontadas como as cidades que mais desmatam em Minas Gerais, outros cinco munic\u00edpios ajudam a engrossar as estat\u00edsticas que tornam a regi\u00e3o respons\u00e1vel por 15% do desmate irregular no Estado.<\/p>\n<p>Os dados da ONG SOS Mata Atl\u00e2ntica, com base em imagens captadas por sat\u00e9lite no per\u00edodo de 2011 e 2012, embora alarmantes, est\u00e3o defasados. Foi o que apurou a for\u00e7a-tarefa formada por 60 pessoas, entre t\u00e9cnicos do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos (Sisema) e integrantes das pol\u00edcias Civil e Militar.<\/p>\n<p>Nos primeiros sete dias de opera\u00e7\u00e3o, os fiscais embargaram 350 hectares de propriedades, prenderam 16 pessoas e geraram cerca de R$ 2 milh\u00f5es em multas. Na lista de apreens\u00f5es est\u00e3o 10 mil metros c\u00fabicos de lenha (1.250 caminh\u00f5es) e 300 metros c\u00fabicos de carv\u00e3o (40 caminh\u00f5es).<\/p>\n<p>\u201cA cobertura de nuvens prejudica a capta\u00e7\u00e3o de imagens via sat\u00e9lite. Por terra \u00e9 diferente, dif\u00edcil escapar\u201d, justifica o diretor de Fiscaliza\u00e7\u00e3o dos Recursos Florestais e Biodiversidade da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (Semad), Bruno Zuffo Janducci, que chefiou uma das equipes. Em apenas um dia de trabalho, esse grupo identificou tr\u00eas propriedades n\u00e3o catalogadas com \u00e1reas de supress\u00e3o vegetal.<\/p>\n<p>Em uma delas, no C\u00f3rrego Boa Sorte, em Itaip\u00e9, o cen\u00e1rio encontrado foi desolador: 26,84 hectares de Mata Atl\u00e2ntica derrubados para o plantio de eucalipto \u2013 30 mil mudas eram cultivadas em um viveiro \u2013 e a madeira que n\u00e3o foi queimada no local, para \u201climpar o pasto\u201d, era estocada para virar carv\u00e3o vegetal. Os fiscais encontraram ainda um forno em constru\u00e7\u00e3o e mata ciliar cortada.<\/p>\n<p>\u201cEncontramos um pouco de tudo, como supress\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica, queimada e o escoamento de material lenhoso\u201d, explica Janducci.<\/p>\n<p><strong>(Hoje em Dia)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mandioca, abacaxi, caf\u00e9, capim e eucalipto est\u00e3o substituindo a Mata Atl\u00e2ntica em Itaip\u00e9, no Vale do Mucuri. 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