{"id":26386,"date":"2014-04-13T12:20:10","date_gmt":"2014-04-13T15:20:10","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=26386"},"modified":"2014-04-13T12:20:10","modified_gmt":"2014-04-13T15:20:10","slug":"relatorio-da-onu-afirma-que-acoes-contra-mudancas-climaticas-sao-insuficientes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=26386","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio da ONU afirma que a\u00e7\u00f5es contra mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o insuficientes"},"content":{"rendered":"<p>A terceira e \u00faltima parte do quinto Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o feita por cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) afirma que s\u00e3o necess\u00e1rias mais a\u00e7\u00f5es para cortar as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa para limitar o aquecimento do planeta a 2\u00baC at\u00e9 2100.<\/p>\n<p>O documento chamado de &#8220;Sum\u00e1rio para os Formuladores de Pol\u00edticas&#8221;, divulgado neste domingo, 13 de abril, em Berlim, apresenta ideias de como limitar o impacto das altera\u00e7\u00f5es do clima a partir da an\u00e1lise de 900 modelos econ\u00f4micos, formulados por governos e pesquisadores, al\u00e9m dos resultados das negocia\u00e7\u00f5es sobre o clima.<\/p>\n<p>Segundo a brasileira Suzana Kahn Ribeiro, vice-presidente do grupo de mitiga\u00e7\u00e3o do IPCC e uma das autoras do novo cap\u00edtulo, o texto quer chamar a aten\u00e7\u00e3o de governantes para a in\u00e9rcia clim\u00e1tica. &#8220;Se n\u00e3o tiver uma atitude dr\u00e1stica, n\u00e3o tem a menor chance de limitar em 2\u00baC at\u00e9 o final do s\u00e9culo&#8221;, disse ela.<\/p>\n<h4><strong>Emiss\u00f5es mais altas<\/strong><\/h4>\n<p>De acordo com o sum\u00e1rio, \u00e9 &#8220;altamente confi\u00e1vel&#8221; que entre 2000 e 2010 houve um crescimento anual de 2,2% das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa no mundo. E isso teria ocorrido mesmo com o conhecimento pr\u00e9vio de que entre 1970 e 2000 as emiss\u00f5es haviam aumentado 1,3% ao ano.<\/p>\n<p>O texto diz ainda que 80% dos lan\u00e7amentos ocorridos entre 2000 e 2010 vieram da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, principalmente da gera\u00e7\u00e3o de energia e ind\u00fastria.<\/p>\n<h4><strong>Principais a\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h4>\n<p>De acordo com as previs\u00f5es do relat\u00f3rio, at\u00e9 2050 o setor de energia deve emitir o dobro ou talvez o triplo da quantidade de gases em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s 14 gigatoneladas de CO2 equivalente lan\u00e7adas em 2010. Por isso, &#8220;descarbonizar&#8221; a gera\u00e7\u00e3o de eletricidade \u00e9 um componente chave para o funcionamento das estrat\u00e9gias de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>O texto afirma que \u00e9 preciso investir em formas alternativas que usem o vento, o sol e a \u00e1gua para gerar energia. H\u00e1 ainda uma discuss\u00e3o em torno da matriz nuclear, considerada pelos cientistas uma tecnologia de baixo carbono, mas com barreiras operacionais e de seguran\u00e7a, necessitando, desta forma, mais progressos em pesquisas.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea de transportes, o relat\u00f3rio sugere a necessidade de diversificar os modais, com maior investimento em meios de massa, como trens e \u00f4nibus, e pede incentivos no desenvolvimento de combust\u00edveis menos poluentes e ve\u00edculos que usem a eletricidade.<\/p>\n<p>No setor de constru\u00e7\u00e3o, o documento menciona avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos para redu\u00e7\u00e3o de gases, principalmente em pa\u00edses em desenvolvimento, que contribu\u00edram para a estabiliza\u00e7\u00e3o ou redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es. No trecho que trata da ind\u00fastria, o IPCC sugere um corte de 25% nas emiss\u00f5es em compara\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis atuais com a implementa\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas.<br \/>\nSobre uso da terra, agricultura e florestas, o relat\u00f3rio indica um decl\u00ednio de emiss\u00f5es nessas \u00e1reas, principalmente pela diminui\u00e7\u00e3o do desmatamento. Os cientistas apontam que boas pr\u00e1ticas na agricultura, a conserva\u00e7\u00e3o de florestas e a recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas s\u00e3o formas efetivas de mitigar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<h4><strong>Brasil na contram\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Apesar dos cientistas apontarem a inova\u00e7\u00e3o no setor de energia como forma de reduzir as emiss\u00f5es de carbono, Suzana comenta que o Brasil segue atualmente na contram\u00e3o ao n\u00e3o aumentar a participa\u00e7\u00e3o de fontes renov\u00e1veis e ainda acionar termel\u00e9tricas para aumentar a oferta de eletricidade do pa\u00eds. &#8220;Se a dire\u00e7\u00e3o \u00e9 descarbonizar, estamos indo ao contr\u00e1rio&#8221;, diz Suzana Kahn, vice-presidente do grupo de mitiga\u00e7\u00e3o do IPCC.<\/p>\n<p>Dados da C\u00e2mara de Comercializa\u00e7\u00e3o de Energia El\u00e9trica (CCEE) divulgados na semana passada apontam que o uso da energia t\u00e9rmica no Brasil aumentou 11% entre fevereiro de 2013 e 2014. O baixo n\u00edvel dos reservat\u00f3rios utilizados pelo sistema hidrel\u00e9trico obrigou o pa\u00eds a acionar as termel\u00e9tricas, que geram energia por meio da queima de combust\u00edveis como \u00f3leo, g\u00e1s, carv\u00e3o e biomassa.<\/p>\n<p>&#8220;Tirando a parte de desmatamento, floresta e agricultura, n\u00e3o temos um programa forte de efici\u00eancia energ\u00e9tica, transporte de massa, com incentivos ao transporte individual&#8221;, disse ela.<\/p>\n<h4><strong>Previs\u00f5es cient\u00edficas<\/strong><\/h4>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o complementares a dois outros cap\u00edtulos do relat\u00f3rio, divulgados em setembro de 2013 e mar\u00e7o de 2014.<\/p>\n<p>O primeiro cap\u00edtulo afirmava que h\u00e1 mais de 95% (extremamente prov\u00e1vel) de chance de que o homem tenha causado mais de metade da eleva\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de temperatura registrada entre 1951 e 2010, que est\u00e1 na faixa entre 0,5 a 1,3 grau.<\/p>\n<p>Sobre as previs\u00f5es, a primeira parte trouxe tamb\u00e9m a informa\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 ao menos 66% de chance de a temperatura global aumentar pelo menos 2\u00baC at\u00e9 2100 em compara\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis pr\u00e9-industriais (1850 a 1900). Isso se a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis continuar no ritmo atual e sem o cumprimento de pol\u00edticas clim\u00e1ticas j\u00e1 existentes.<\/p>\n<p>Os 259 pesquisadores-autores de v\u00e1rias partes do mundo, incluindo o Brasil, estimaram ainda que, no pior cen\u00e1rio poss\u00edvel de emiss\u00f5es, o n\u00edvel do mar pode aumentar 82 cent\u00edmetros, prejudicando regi\u00f5es costeiras do planeta, e que o gelo do \u00c1rtico pode retroceder at\u00e9 94% durante o ver\u00e3o no Hemisf\u00e9rio Norte.<\/p>\n<h4><strong>Impactos e adapta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>J\u00e1 o segundo cap\u00edtulo, lan\u00e7ado no fim de mar\u00e7o, concluiu que s\u00e3o &#8220;altamente confi\u00e1veis&#8221; as previs\u00f5es de que danos residuais ligados a eventos naturais extremos ocorram em diferentes partes do planeta na segunda metade deste s\u00e9culo. E isso deve acontecer mesmo se houver corte substancial de emiss\u00f5es nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>O texto aponta que popula\u00e7\u00f5es pobres de regi\u00f5es costeiras podem sofrer com o aumento do n\u00edvel do mar, altas temperaturas acentuariam o risco de inseguran\u00e7a alimentar e que \u00e1reas tropicais da \u00c1frica, Am\u00e9rica do Sul e da \u00c1sia devem sofrer com inunda\u00e7\u00f5es causadas pelo excesso de tempestades.<\/p>\n<p>O documento afirma tamb\u00e9m que h\u00e1 fortes evid\u00eancias de uma redu\u00e7\u00e3o da oferta de \u00e1gua pot\u00e1vel em territ\u00f3rios subtropicais secos, o que aumentaria disputas pelo uso de bacias hidrogr\u00e1ficas, al\u00e9m de uma poss\u00edvel perda de esp\u00e9cies de plantas e animais pela press\u00e3o humana, como a polui\u00e7\u00e3o e o desmatamento de florestas. <\/p>\n<p>Todo o conte\u00fado vai servir de base para as Confer\u00eancias das Partes, as COPs, que ocorrem todos os anos e re\u00fanem pa\u00edses signat\u00e1rios da Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas Sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (UNFCCC, na sigla em ingl\u00eas). \u00c9 nessa reuni\u00e3o que se desenhar\u00e1 um novo acordo global que vai obrigar todas as na\u00e7\u00f5es a cortar suas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e, com isso, frear o aquecimento global. (G1)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A terceira e \u00faltima parte do quinto Relat\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o feita por cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) afirma que s\u00e3o necess\u00e1rias mais a\u00e7\u00f5es para cortar as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa para limitar o aquecimento do planeta a 2\u00baC at\u00e9 2100. 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