{"id":25872,"date":"2014-04-05T12:26:07","date_gmt":"2014-04-05T15:26:07","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=25872"},"modified":"2014-04-05T12:28:59","modified_gmt":"2014-04-05T15:28:59","slug":"diamantina-foi-influencia-para-que-o-arquiteto-e-urbanista-projetasse-brasilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=25872","title":{"rendered":"Diamantina foi influ\u00eancia para que o arquiteto e urbanista Lucio Costa projetasse Bras\u00edlia"},"content":{"rendered":"<h4><strong>Os tra\u00e7os urbanos s\u00e3o diferentes, mas Diamantina foi influ\u00eancia para que o arquiteto e urbanista Lucio Costa projetasse Bras\u00edlia. Na \u00e9poca, disse que o munic\u00edpio mineiro tinha &#8220;beleza sem esfor\u00e7o&#8221;<\/strong><\/h4>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/especial_dtna_05_04_1.jpg\" alt=\"\" \/><strong>Flores debru\u00e7adas sobre os telhados e port\u00f5es fizeram Lucio Costa sentir pureza na cidade mineira &#8211; Foto: Ramon Lisboa\/EM<\/strong><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>A cosmopolita Bras\u00edlia, com pr\u00e9dios modernos e amplas avenidas asfaltadas, parece bem diferente da despojada Diamantina, com suas ruelas de cal\u00e7amento de pedra e casario colonial. A cidade da Regi\u00e3o Central de Minas, por\u00e9m, foi uma das influ\u00eancias do arquiteto e urbanista Lucio Costa (1902-1998). Ao desenhar o \u201cavi\u00e3o\u201d no solo do Planalto Central, \u00e0 beira do Lago Parano\u00e1, ele estava impregnado pela \u201cpureza\u201d, pela \u201cbeleza sem esfor\u00e7o\u201d, como descreveu o que viu ao visitar, em 1924, a terra natal de Juscelino Kubitschek. \u201cMal sabia que, 30 anos depois, iria projetar nossa capital para um rapaz da minha idade nascido ali\u201d, escreveu, espantado pela coincid\u00eancia.<\/p>\n<p>Filho de diplomata, Lucio Costa nasceu na Fran\u00e7a, em 1902, mesmo ano em que JK veio \u00e0 luz. Graduou-se em arquitetura em 1924, no Rio de Janeiro. No mesmo ano, comissionado pela Sociedade Brasileira de Belas Artes, visitou Diamantina. A viagem foi proposta por um de seus professores, Jos\u00e9 Marianno Filho, um dos principais defensores da arquitetura neocolonial, que louvava a tradi\u00e7\u00e3o brasileira e lutava contra \u201cos estilos de conserva do academismo franc\u00eas\u201d, como escreveu. Acreditando que os rec\u00e9m-formados ignoravam os \u201cfatos elementares da evolu\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica nacional\u201d, decidiu mandar alunos para cidades hist\u00f3ricas de Minas. Os outros destinos foram Ouro Preto, S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei e Congonhas.<\/p>\n<p>No livro Registro de uma viv\u00eancia, de 1995, Costa afirma que chegou a Diamantina depois de \u201c30 e tantas horas de trem, com baldea\u00e7\u00e3o em Corinto\u201d. Na esta\u00e7\u00e3o, percebeu ao seu lado a \u201cfigura empertigada\u201d do poeta parnasiano Alberto de Oliveira, que dizia a uma amigo: \u201cChegar&#8230; partir&#8230; eis a vida\u201d. Ao desembarcar em seu destino, o urbanista se surpreendeu: \u201cCa\u00ed em cheio no passado no seu sentido mais despojado, mais puro; um passado de verdade, que eu ignorava, um passado que era novo em folha para mim. Foi uma revela\u00e7\u00e3o: casas, igrejas, pousada dos tropeiros, era tudo de pau a pique\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/especial_dtna_05_04_2.jpg\" alt=\"\" \/><strong>Da esquerda para a direita, Oscar Niemeyer, Israel Pinheiro, Lucio Costa e JK analisam o projeto de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>FIGUEIRA <\/strong>&#8211; Em passeio pela cidade \u2013 \u201cum piano distante tocava\u201d, recordou \u2013, saiu a caminhar pelas capistranas, \u201ctrilhas de lajes maiores no meio das ruas empedradas\u201d, que ainda hoje ajudam os moradores e turistas a andar com mais conforto. \u201cNo alto de uma ladeira\u201d, avistou os \u201cdois sobrados do col\u00e9gio de freiras, um ainda setecentista, o outro j\u00e1 do Imp\u00e9rio, ligados por um elegante passadi\u00e7o\u201d. Situados na Rua da Gl\u00f3ria, no Centro Hist\u00f3rico, os dois pr\u00e9dios abrigam hoje o Instituto Casa da Gl\u00f3ria, pertencente ao Instituto de Geoci\u00eancia da UFMG.<\/p>\n<p>Mais tarde, Costa viu \u201cno largo fronteiro a uma igreja o t\u00edpico cruzeiro de madeira guarnecido dos s\u00edmbolos do mart\u00edrio, com uma figueira enroscada, nascido do seu p\u00e9\u201d. O templo a que Costa se refere \u00e9 a Igreja Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, do s\u00e9culo 18. Com os anos, a figueira cresceu e se ergueu junto ao cruzeiro, como se ele fizesse parte da planta. Depois, a \u00e1rvore caiu. No mesmo canteiro surgiu nova figueira. Entre suas compridas ramifica\u00e7\u00f5es, est\u00e3o apoiados os restos da \u201cantepassada\u201d, e o cruzeiro, bastante danificado.<\/p>\n<p>Continuando a caminhada, o arquiteto passou diante da vistosa casa de Chica da Silva, \u201ca famosa amante do contratador\u201d, define Costa, em refer\u00eancia ao homem com quem a escrava alforriada manteve uni\u00e3o est\u00e1vel no s\u00e9culo 18, o riqu\u00edssimo explorador de minas de diamante Jo\u00e3o Fernandes de Oliveira. A fachada do museu ainda \u00e9 \u201cresguardada por extenso muxarabi\u201d, um grande balc\u00e3o com treli\u00e7as de madeira. \u201cE, defronte\u201d, prossegue, \u201ca capela do Carmo, cuja chave o sacrist\u00e3o Zacarias \u2013 com sua bonita mulher de p\u00e9s no ch\u00e3o \u2013 me confiara para que ficasse \u00e0 vontade, na solid\u00e3o da igreja fechada, pintando uma aquarela do seu lind\u00edssimo interior\u201d.<\/p>\n<p><strong>ROSEIRAS<\/strong> &#8211; O arquiteto se hospedou no ent\u00e3o Hotel Roberto, desativado h\u00e1 d\u00e9cadas. O lugar era cuidado por Deodoro Augusto de Oliveira e sua esposa, Maria Jos\u00e9 de Oliveira, j\u00e1 falecidos. \u201cO pr\u00e9dio pertencia a um primo quando foi desapropriado pela prefeitura, h\u00e1 uns 10 anos\u201d, relata o joalheiro Ant\u00f4nio de P\u00e1dua Oliveira Neto, de 75 anos, sobrinho do casal. Integrante do conjunto tombado pelo Instituto Nacional do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan), o pr\u00e9dio inutilizado, na esquina da Rua Direita com a Travessa do Carmo, exibe sinais de desgaste e reclama reforma.<\/p>\n<p>Em \u201ccasas mais afastadas do centro urbano\u201d, Costa avistou \u201cconjuntos maci\u00e7os de jabuticabeiras, bem como roseiras debru\u00e7adas sobre a coberta telhada dos port\u00f5es\u201d. Os aglomerados de jabuticaba n\u00e3o s\u00e3o mais t\u00e3o comuns, mas acha-se em terrenos do Bairro Arraial de Baixo, em meio a bananeiras, pitangueiras, mangueiras e outras \u00e1rvores. Na Rua da Caridade, no Centro, copas das jabuticabeiras se mostram entre as casas. No quintal da aposentada Leonice da Concei\u00e7\u00e3o Santos, de 70, h\u00e1 quatro p\u00e9s. \u201cQuando nasci eles j\u00e1 existiam, s\u00e3o centen\u00e1rios.\u201d<\/p>\n<h4><strong>Saiba mais<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Superficialidade<\/strong><\/p>\n<p>Ao listar as refer\u00eancias usadas na concep\u00e7\u00e3o do projeto do plano-piloto de Bras\u00edlia, sob o comando do presidente JK, Costa ressaltou: \u201cA pureza da distante Diamantina dos anos 20 marcou-me para sempre\u201d. A filha dele, a tamb\u00e9m arquiteta Maria Elisa Costa, n\u00e3o sabe quanto tempo o pai ficou na cidade mineira. \u201cAcredito que tenha sido em torno de um m\u00eas, n\u00e3o menos que isso. Ele nunca voltou l\u00e1. A viagem foi determinante no seu rumo profissional\u201d, disse. Ap\u00f3s a passagem por Diamantina, que recebeu da Unesco o t\u00edtulo de Patrim\u00f4nio Cultural da Humanidade \u2013 assim como Bras\u00edlia \u2013, Costa se desencantou com o estilo neocolonial. \u201cA revis\u00e3o no suposto estilo neocolonial\u201d, analisa a pesquisadora Paula Andr\u00e9, em artigo acad\u00eamico, \u201cultrapassaria a superficialidade e a falsidade dos historicismos e construiria os fundamentos da arquitetura moderna como uma arquitetura verdadeira.\u201d<\/p>\n<h4><strong>LINHA DO TEMPO<\/strong><\/h4>\n<p>1902 &#8211; Lucio Costa nasce em Toulon, Fran\u00e7a, mesmo ano em que JK vem \u00e0 luz em Diamantina<\/p>\n<p>1916 &#8211; Chegou ao Brasil ap\u00f3s morar em v\u00e1rios pa\u00edses da Europa<\/p>\n<p>1924 &#8211; Ele forma-se em arquitetura pela Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro<\/p>\n<p>1924 &#8211; Visita Diamantina, bancado pela Sociedade Brasileira de Belas Artes<\/p>\n<p>1927 &#8211; Volta a Minas para recuperar a sa\u00fade. Visita Sabar\u00e1, na Grande BH, e o Santu\u00e1rio do Cara\u00e7a, na Regi\u00e3o Central<\/p>\n<p>1957 &#8211; Inscreve seu projeto do plano-piloto de Bras\u00edlia em concurso promovido pelo governo federal e vence<\/p>\n<p>1960 &#8211; Bras\u00edlia \u00e9 inaugurada<\/p>\n<p>1988 &#8211; Morre no Rio de Janeiro, aos 96 anos<\/p>\n<p>(Fonte: Estado de Minas)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os tra\u00e7os urbanos s\u00e3o diferentes, mas Diamantina foi influ\u00eancia para que o arquiteto e urbanista Lucio Costa projetasse Bras\u00edlia. 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