{"id":25233,"date":"2014-03-31T10:30:09","date_gmt":"2014-03-31T13:30:09","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=25233"},"modified":"2014-03-31T10:30:09","modified_gmt":"2014-03-31T13:30:09","slug":"50-anos-do-golpe-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=25233","title":{"rendered":"50 anos do golpe militar"},"content":{"rendered":"<p>Rememora-se hoje o in\u00edcio do golpe militar que derrubou o governo Jo\u00e3o Goulart, h\u00e1 50 anos. Por causa do n\u00famero redondo, que marca a metade de um s\u00e9culo, a data nunca foi t\u00e3o lembrada. \u00c9 um bom momento para se pensar o passado desta Na\u00e7\u00e3o, com a mente voltada para o futuro.<\/p>\n<p>Do passado, vale reconhecer que a ditadura que se seguiu ao golpe n\u00e3o foi uma exclusividade das For\u00e7as Armadas. Em sua g\u00eanese se encontravam pol\u00edticos, empres\u00e1rios, jornais \u2013 todos civis. Entre os jornais mais influentes na \u00e9poca, apenas \u201c\u00daltima Hora\u201d, que nasceu na d\u00e9cada anterior com apoio do ent\u00e3o presidente Get\u00falio Vargas \u2013 do qual Goulart foi ministro do Trabalho \u2013, se op\u00f4s \u00e0 derrubada do governo. <\/p>\n<p>Somente depois, quando ficou claro que em vez de democracia o pa\u00eds caminhava para uma feroz ditadura, o \u201cCorreio da Manh\u00e3\u201d, que pagou caro pela ousadia, saiu em oposi\u00e7\u00e3o ao novo regime. E o mais importante jornal paulista na \u00e9poca, \u201cO Estado de S. Paulo\u201d, um dos mais influentes na prepara\u00e7\u00e3o do golpe, s\u00f3 passou a atuar em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura na d\u00e9cada de 1970, depois do AI-5. Ele exp\u00f4s a censura \u00e0 imprensa, ao publicar poemas no espa\u00e7o deixado em branco por not\u00edcias censuradas. N\u00e3o foi imitado por nenhum outro.<\/p>\n<p>Entre as muitas entrevistas sobre o assunto, um destaque neste fim de semana foi a do historiador Daniel Aar\u00e3o Reis, professor da Universidade Federal Fluminense, que acaba de lan\u00e7ar o livro \u201cDitadura e Democracia no Brasil\u201d, pela editora Zahar. Em entrevista publicada s\u00e1bado pela \u201cFolha de S. Paulo\u201d, Reis critica: falar em ditadura militar esconde a participa\u00e7\u00e3o de civis no golpe e no regime instalado em 1964. <\/p>\n<p>O historiador integrava, aos 24 anos, o comando da Dissid\u00eancia Universit\u00e1ria da Guanabara. Ele foi preso em1970 e passou 50 dias muito duros no DOI-Codi, onde foi torturado. Em seguida, foi mandado para a Ilha Grande. Tr\u00eas meses e meio depois da pris\u00e3o, foi colocado na lista dos 40 presos trocados pelo embaixador alem\u00e3o Ehrenfried Von Holleben, que fora sequestrado pela luta armada em junho de1970. Os presos libertados foram levados, num avi\u00e3o, para a Arg\u00e9lia.<\/p>\n<p>Aos 68 anos, Reis avalia que a luta armada contra a ditadura foi um equ\u00edvoco, pois esse tipo de resist\u00eancia n\u00e3o contava com o apoio popular. Na \u00e9poca, o pa\u00eds era governado pelo general M\u00e9dici, o mais popular entre os ditadores p\u00f3s 64.<\/p>\n<p>Tampouco acredita que torturadores sejam punidos em consequ\u00eancia do trabalho da Comiss\u00e3o da Verdade institu\u00edda pela presidente Dilma Rousseff \u2013 que tamb\u00e9m foi presa e torturada. Para o historiador, \u201cuma comiss\u00e3o digna desse nome deveria ter o poder para vasculhar os por\u00f5es das For\u00e7as Armadas\u201d. <\/p>\n<p>De olhos no futuro, o historiador defende a abertura de um debate nacional sobre a tortura como m\u00e9todo. Seja de investiga\u00e7\u00e3o, seja de pol\u00edtica de Estado. <em>(Hoje em Dia)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rememora-se hoje o in\u00edcio do golpe militar que derrubou o governo Jo\u00e3o Goulart, h\u00e1 50 anos. Por causa do n\u00famero redondo, que marca a metade de um s\u00e9culo, a data nunca foi t\u00e3o lembrada. \u00c9 um bom momento para se pensar o passado desta Na\u00e7\u00e3o, com a mente voltada para o futuro. 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