{"id":24351,"date":"2014-03-23T11:19:07","date_gmt":"2014-03-23T14:19:07","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=24351"},"modified":"2014-03-23T11:19:07","modified_gmt":"2014-03-23T14:19:07","slug":"sonho-americano-ainda-vive-entre-os-valadarenses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=24351","title":{"rendered":"Sonho americano ainda vive entre os valadarenses"},"content":{"rendered":"<p>A crise econ\u00f4mica internacional e a melhoria na qualidade de vida dos brasileiros n\u00e3o foram suficientes para frear o sonho americano. Em Governador Valadares, cidade que primeiro exportou emigrantes para o exterior, o \u00eaxodo continua alto, em especial para os Estados Unidos, que desde a d\u00e9cada de 60 continua sendo a principal rota dos \u201cbrazucas\u201d. Pelo menos 1.250 passaportes s\u00e3o emitidos por m\u00eas na cidade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/sonho_americano_gv.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\n<em><strong>Setor de atendimento da Pol\u00edcia Federal em Valadares est\u00e1 sempre cheio &#8211; Foto: Leonardo Morais\/HD<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A dona de casa Maria Aparecida Botelho, de 45 anos, buscou o documento na quarta-feira. Ela morou nos EUA ilegalmente por mais de 15 anos e l\u00e1 deixou os tr\u00eas filhos, todos americanos. Disse que voltou para o Brasil porque o marido foi deportado, em 2010. \u201cQuero ir passear, visitar os meninos\u201d, afirmou. J\u00e1 uma vendedora que pediu para n\u00e3o ser identificada n\u00e3o esconde o desejo de ir e ficar. \u201cTenho uma irm\u00e3 nos Estados Unidos. Se der, fico por l\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>Segundo a supervisora do N\u00facleo de Passaportes e Imigra\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal, Concei\u00e7\u00e3o Farias, a procura pelo documento \u00e9 tanta que os agendamentos est\u00e3o esgotados at\u00e9 16 de maio. A maioria diz que tem a inten\u00e7\u00e3o de visitar parentes. No entanto, deixam escapar a inten\u00e7\u00e3o de emigrar e se estabelecer fora do pa\u00eds. \u201cAlguns pegam o passaporte e suspiram alto: \u2018Que bom seria se j\u00e1 viesse com o visto\u201d, contou.<\/p>\n<p>A pesquisadora Sueli Siqueira, especialista em migra\u00e7\u00e3o internacional, concorda. Segundo ela, embora o turismo tamb\u00e9m aconte\u00e7a, a maioria quer o passaporte e o visto para emigrar para o trabalho. E o fen\u00f4meno migrat\u00f3rio que come\u00e7ou na cidade e regi\u00e3o na d\u00e9cada de 60, ganhando for\u00e7a em 1980, continua forte. N\u00e3o existem n\u00fameros oficiais, mas estima-se que cerca de 40 mil dos 260 mil valadarenses estejam no exterior.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o mais de 50 anos de fluxo migrat\u00f3rio. Nesse per\u00edodo, fam\u00edlias se estabeleceram por l\u00e1 mantendo rela\u00e7\u00f5es aqui na cidade. Ent\u00e3o esse movimento de ir e vir vai continuar sempre\u201d, observou Sueli. <\/p>\n<p>Entre os motivadores para a continuidade do fluxo migrat\u00f3rio de brasileiros estariam ainda os mecanismos facilitadores para a obten\u00e7\u00e3o de vistos americanos e as redes sociais formadas ao longo dos anos por familiares e amigos. <\/p>\n<p>A rede \u00e9 alimentada por pessoas que emigraram, se estabeleceram e recebem quem chega.<\/p>\n<p>Sueli lembra que emigrar clandestinamente custava at\u00e9 US$ 9 mil (cerca de R$ 21 mil) em Valadares, mas hoje tem gente mascarando informa\u00e7\u00f5es para obter documentos originais por R$ 1.250. Outra explica\u00e7\u00e3o seria a chamada \u201ccultura da emigra\u00e7\u00e3o\u201d que mant\u00e9m viva a ideia de que fora tudo \u00e9 melhor e mais bonito, realidade que n\u00e3o \u00e9 a mesma para todos. \u201c\u00c9 a ideia de que a grama do vizinho \u00e9 sempre mais verde. Mas l\u00e1 trabalham at\u00e9 18 horas por dia, dormem e se alimentam mal e vivem com medo\u201d, disse.<\/p>\n<p>O desejo de emigrar tamb\u00e9m \u00e9 o mesmo: comprar casa, carro e melhorar a vida da fam\u00edlia. Como atualmente ganha-se menos no exterior, os que continuam fora esperam a economia melhorar. E os que partem acreditam que mesmo em crise, os pa\u00edses do chamado Primeiro Mundo t\u00eam mais a oferecer. \u201cS\u00f3 que mesmo legalizado, vai se sentir sempre um estrangeiro. Quando adoece, volta\u201d, lembrou Sueli. <\/p>\n<h3><strong>Ainda \u00e9 grande a procura por visto<\/strong><\/h3>\n<p>Segundo a pesquisadora Sueli Siqueira, mais que uma flexibiliza\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o aos brasileiros, o que mudou foi a economia do pa\u00eds. \u201cMuitos brasileiros agora t\u00eam dinheiro para ir comprar nos EUA, Europa ou qualquer lugar. A dificuldade do visto faria com que fossem para outro lugar\u201d, explicou, lembrando que os brasileiros est\u00e3o entre os que mais compram nos EUA.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o acredita em discrimina\u00e7\u00e3o contra o valadarense para a obten\u00e7\u00e3o de visto. \u201cJ\u00e1 tive acesso a dados estat\u00edsticos que apontaram o contr\u00e1rio. O n\u00famero de valadarenses com falta de documenta\u00e7\u00e3o correta para conseguir o visto \u00e9 que era muito grande\u201d, observou. Outro fator \u00e9 a grande incid\u00eancia de pessoas da cidade que tentam o visto.<\/p>\n<p>Sueli \u00e9 professora na Universidade Vale do Rio Doce (Univale) e esteve no Itamaraty no \u00faltimo dia 13 para falar sobre a emigra\u00e7\u00e3o de brasileiros. Em abril vai para Londres e Lisboa, ficando fora um m\u00eas, participando de congressos e debates sobre o assunto.<\/p>\n<p>As demandas dos emigrantes nos consulados, aspectos culturais das rela\u00e7\u00f5es nos casamentos entre brasileiros e estrangeiros, an\u00e1lises comparativas do retorno dos EUA e Europa e a cultura da emigra\u00e7\u00e3o dos valadarenses est\u00e3o na pauta. <\/p>\n<h3><strong>Emigrar tornou-se uma quest\u00e3o cultural<\/strong><\/h3>\n<p>Emigrar tornou-se uma quest\u00e3o t\u00e3o cultural em Governador Valadares que s\u00e3o emitidos cerca de 1.250 passaportes por m\u00eas na cidade. S\u00e3o, em m\u00e9dia, 60 por dia. Mas isso representa menos da metade dos 150 a 200 que eram emitidos at\u00e9 2007.<\/p>\n<p>Mas essa redu\u00e7\u00e3o, garante o titular da Pol\u00edcia Federal na cidade, delegado Cristiano Campidelli, n\u00e3o est\u00e1 ligada a uma suposta queda na procura pelo documento, que por aqui tamb\u00e9m \u00e9 usado como comprovante de identidade: falta infraestrutura para atender a demanda.<br \/>\n\u201cA emiss\u00e3o de passaportes na cidade poderia ser maior se tiv\u00e9ssemos capacidade de atendimento, atualmente menor do que a necessidade\u201d, afirmou.<\/p>\n<h3><strong>Mudan\u00e7a<\/strong><\/h3>\n<p>As limita\u00e7\u00f5es surgiram depois que o setor de passaportes saiu da sede da Pol\u00edcia Federal no Distrito Industrial e mudou para a UAI, no Centro, ano passado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de limita\u00e7\u00f5es no sinal de internet, o atendimento passou a ser oferecido em um turno em vez de dois, em tr\u00eas esta\u00e7\u00f5es (cabines).<\/p>\n<p>\u201cCom mais uma esta\u00e7\u00e3o ter\u00edamos condi\u00e7\u00f5es de emitir, em m\u00e9dia, de 1.500 a 1.600 passaportes por m\u00eas\u201d, afirmou o delegado.<\/p>\n<p>Segundo Campidelli, mesmo com as limita\u00e7\u00f5es Valadares \u00e9 a cidade do interior mineiro que mais emite passaportes, ganhando de munic\u00edpios com mais habitantes como Uberl\u00e2ndia, Montes Claros e Juiz de Fora. Perde apenas para Belo Horizonte.<\/p>\n<p>\u201cO sonho americano continua vivo entre os valadarenses, mas \u00e9 preciso ter cuidado para que n\u00e3o se torne um pesadelo\u201d, advertiu Campidelli.<\/p>\n<h3><strong>Ilegais<\/strong><\/h3>\n<p>O delegado lembra que apesar das facilidades para custear uma viagem internacional e a flexibiliza\u00e7\u00e3o na emiss\u00e3o do visto, moradores de Valadares e cidades do Leste de Minas ainda tentam emigrar ilegalmente montando documentos ou fazendo a arriscada travessia pelo deserto do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>\u201cPor mais que exista crise econ\u00f4mica, mesmo nos EUA, que continua sendo a principal rota, emigrar \u00e9 a pretens\u00e3o de muitas pessoas desta cidade, tornou-se uma quest\u00e3o cultural. Em quase todas as casas h\u00e1 pelo menos um integrante no exterior\u201d, lembrou Campidelli. Ele contou que por muitas vezes, durante as opera\u00e7\u00f5es, valadarenses abordados apresentam o passaporte como documento de identidade.<\/p>\n<p>E mesmo que n\u00e3o seja poss\u00edvel saber o destino dos que buscam o documento \u2013 a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria \u2013 a maioria tem mesmo a inten\u00e7\u00e3o de emigrar. A segunda rota na prefer\u00eancia dos valadarenses e moradores da regi\u00e3o \u00e9 a Europa, com destaque para Portugal. <\/p>\n<p><strong>(Hoje em Dia)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise econ\u00f4mica internacional e a melhoria na qualidade de vida dos brasileiros n\u00e3o foram suficientes para frear o sonho americano. Em Governador Valadares, cidade que primeiro exportou emigrantes para o exterior, o \u00eaxodo continua alto, em especial para os Estados Unidos, que desde a d\u00e9cada de 60 continua sendo a principal rota dos \u201cbrazucas\u201d. 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