{"id":189761,"date":"2022-08-14T11:01:29","date_gmt":"2022-08-14T14:01:29","guid":{"rendered":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=189761"},"modified":"2022-08-14T11:01:46","modified_gmt":"2022-08-14T14:01:46","slug":"supremo-derruba-punicao-para-ferias-pagas-em-atraso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=189761","title":{"rendered":"Supremo derruba puni\u00e7\u00e3o para f\u00e9rias pagas em atraso"},"content":{"rendered":"\n<p>O plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou, por 7 votos a 3, uma s\u00famula do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que determinava o pagamento em dobro da remunera\u00e7\u00e3o de f\u00e9rias paga em atraso.<\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00famula 450 do TST previa o pagamento em dobro tamb\u00e9m do ter\u00e7o constitucional. A puni\u00e7\u00e3o deveria ser aplicada sempre que o empregador n\u00e3o respeitasse o prazo de dois dias antes do in\u00edcio do descanso do empregado para pagar a remunera\u00e7\u00e3o de f\u00e9rias. Tal prazo consta no artigo 145 da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para chegar \u00e0 s\u00famula, publicada em 2014, o TST entendeu que, no caso de descumprimento do prazo para pagamento, deveria ser aplicada como puni\u00e7\u00e3o a mesma san\u00e7\u00e3o prevista para o empregador que desrespeitasse o prazo para concess\u00e3o de f\u00e9rias, que \u00e9 de 12 meses a partir da aquisi\u00e7\u00e3o do direito (artigo 137 da CLT).<\/p>\n\n\n\n<p>Para o relator do tema no Supremo, ministro Alexandre de Moraes, ao publicar a s\u00famula, o tribunal trabalhista violou os princ\u00edpios de legalidade e separa\u00e7\u00e3o de Poderes, pois buscou aplicar a puni\u00e7\u00e3o prevista para uma hip\u00f3tese a uma situa\u00e7\u00e3o diversa, em que a legisla\u00e7\u00e3o prev\u00ea outra san\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O entendimento do TST havia sido feito por analogia, pois para a Justi\u00e7a do Trabalho, ao n\u00e3o pagar as f\u00e9rias dentro do prazo legal, o empregador acaba impedindo o gozo pleno do descanso, o que seria o mesmo que n\u00e3o conceder as f\u00e9rias.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Moraes, contudo, mesmo que fosse poss\u00edvel fazer essa analogia, o TST n\u00e3o poderia impor ao empregador uma puni\u00e7\u00e3o diferente da que j\u00e1 \u00e9 estipulada pela legisla\u00e7\u00e3o trabalhista nos casos de atraso do pagamento das f\u00e9rias. Pelo artigo 153 da CLT, a san\u00e7\u00e3o para essa infra\u00e7\u00e3o \u00e9 de multa \u00e0 empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa maneira, \u201cpor mais louv\u00e1vel que seja a preocupa\u00e7\u00e3o em concretizar os direitos fundamentais do trabalhador\u201d, escreveu Moraes, n\u00e3o h\u00e1 \u201cv\u00e1cuo legislativo\u201d pass\u00edvel de ser preenchido pela s\u00famula do TST.<\/p>\n\n\n\n<p>O relator foi acompanhado pelos ministros Dias Toffoli, Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, Lu\u00eds Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Diverg\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p>Ficaram vencidos os ministros Edson Fachin, Rosa Weber, C\u00e1rmen L\u00facia e Ricardo Lewandowski, que divergiram. Para eles, o TST n\u00e3o violou o princ\u00edpio de separa\u00e7\u00e3o de Poderes, pois teria apenas interpretado o texto de uma norma legal (CLT) num ponto em que h\u00e1 mais de uma compreens\u00e3o poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00e9rito, a corrente divergente entendeu ainda que a prote\u00e7\u00e3o aos direitos trabalhistas deve ser integral e efetiva, sob pena da viola\u00e7\u00e3o dos direitos constitucionais \u00e0 uma exist\u00eancia digna, ao bem-estar e \u00e0 justi\u00e7a social. Sob esse entendimento, n\u00e3o pagar as f\u00e9rias no prazo legal esvazio o direito ao descanso, o que seria inconstitucional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO direito fundamental ao trabalho, expressamente reconhecido no texto constitucional de 1988, exige concretiza\u00e7\u00e3o, em sua m\u00e1xima efetividade, no contexto do Estado Social e Democr\u00e1tico de Direito\u201d, escreveu Fachin.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<br><br><strong>Sabia que o Aconteceu no Vale est\u00e1 tamb\u00e9m no Telegram? <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/t.me\/aconteceunovaleoficial\" target=\"_blank\">Inscreva-se no canal<\/a>.<\/strong><br><br><strong>J\u00e1 curtiu ou seguiu nossas p\u00e1ginas nas redes sociais?\u00a0Receba as not\u00edcias em primeira m\u00e3o:<\/strong><br>\u2022 <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAqBwgKMNjklQswi4etAw?hl=pt-BR&amp;gl=BR&amp;ceid=BR%3Apt-419\" target=\"_blank\">Google News<\/a><br>\u2022 <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/aconteceunovale\/\" target=\"_blank\">Facebook<\/a><br>\u2022 <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/twitter.com\/noticiadosvales\" target=\"_blank\">Twitter<\/a><br>\u2022 <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/aconteceunovale\" target=\"_blank\">Instagram<\/a><br>\u2022 <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/AconteceunoValeOficial\" target=\"_blank\">Youtube<\/a><br>\u2022 <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@aconteceunovale\" target=\"_blank\">TikTok<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O plen\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou, por 7 votos a 3, uma s\u00famula do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que determinava o pagamento em dobro da remunera\u00e7\u00e3o de f\u00e9rias paga em atraso. 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