{"id":18883,"date":"2014-01-19T16:47:57","date_gmt":"2014-01-19T18:47:57","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=18883"},"modified":"2014-01-19T16:47:57","modified_gmt":"2014-01-19T18:47:57","slug":"produtor-guilardo-veloso-cobra-incentivo-para-a-rica-e-diversificada-cultura-mineira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=18883","title":{"rendered":"Produtor Guilardo Veloso cobra incentivo para a rica e diversificada cultura mineira"},"content":{"rendered":"<p>\u201cEvento de m\u00fasica com peso na maioria das cidades do interior de Minas s\u00e3o as micaretas. Mas o que fazem as prefeituras? A maioria contrata uma banda baiana. Podiam dar espa\u00e7o para os artistas locais e regionais, mas n\u00e3o o fazem. Quem fez explodir o carnaval em Belo Horizonte foram os artistas locais e as bandas de ax\u00e9.\u201d Reivindica\u00e7\u00e3o e observa\u00e7\u00f5es que v\u00eam do produtor cultural Guilardo Veloso, diretor da ONG ValeMais \u2013 Instituto S\u00f3cio Cultural do Jequitinhonha, entidade que coordenada a edi\u00e7\u00e3o 2014 do M\u00fasica Minas, projeto de descentraliza\u00e7\u00e3o musical desenvolvido em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/guilardo_veloso_produtor_cultural.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Guilardo Veloso tem 50 anos, nasceu em Pedra Azul, Vale do Jequitinhonha, e mora em Belo Horizonte h\u00e1 32 anos. O gosto pelas manifesta\u00e7\u00f5es populares vem da inf\u00e2ncia, convivendo com congados e folias de reis na cidade onde nasceu. \u201cViv\u00eancia que aprofundei quando, como todo adolescente do interior, vim para Belo Horizonte para estudar. E fiquei amigo de Tadeu Martins e Gonzaga Medeiros, poetas com hist\u00f3ria ligada \u00e0 cultura popular. Foram meus primeiros professores\u201d, afirma. O trabalho na Secretaria Municipal de Cultura, nas gest\u00f5es Berenice Menegale e Antonieta Cunha, ensinou a import\u00e2ncia das pol\u00edticas p\u00fablicas de cultura e seu impacto sobre a vida da cidade.<\/p>\n<p>\u00c9 de 1995 a cria\u00e7\u00e3o do selo Lapa Discos, cuja estreia foi com congados da cidade de Oliveira, em \u00e1lbum ainda em vinil, produzido por Titane \u2013 cantora que tamb\u00e9m registraria obras pelo selo. O d\u00e9cimo quinto e \u00faltimo CD da Lapa Discos foi &#8216;Cruzado&#8217;, de Tavinho Moura, lan\u00e7ado em 2001. Entre um e outro, o selo lan\u00e7ou trabalhos antol\u00f3gicos de Z\u00e9 Coco do Riach\u00e3o, Pereira da Viola, Renato Andrade, Rufo Herrera e Coral Trovadores do Vale, al\u00e9m de colet\u00e2nea de etnomusicologia. \u201cTinha cat\u00e1logo pequeno, mas de artistas de qualidade ineg\u00e1vel\u201d, afirma. O projeto foi interrompido pela chegada do digital, \u201cque cobra investimento tecnol\u00f3gico grande\u201d, e levou ao fechamento das lojas de discos.<\/p>\n<p>Sobre a atividade de produtor, Guilardo conta que \u00e9 trabalho ainda visto como bico. \u201cJ\u00e1 existem alguns cursos de p\u00f3s-gradu\u00e7\u00e3o, mas a maioria se forma pegando no pesado da atividade de promover e difundir as artes e a cultura\u201d, afirma. No momento, est\u00e1 organizando semin\u00e1rio que ser\u00e1 realizado em fevereiro, em Ara\u00e7ua\u00ed, quando vai ser criada a Rede Jequitinhonha Cultural. O produtor adora o ber\u00e7o: \u201c\u00c9 o lugar onde a cultura popular \u00e9 mais forte em Minas Gerais\u201d. Compromissos para mar\u00e7o s\u00e3o a grava\u00e7\u00e3o do DVD de Pereira da Viola e espet\u00e1culo comemorativo dos 30 anos do show Onhas do Jequi, que reuniu Saulo Laranjeira, Paulinho Pedro Azul, Tadeu Franco, Rubinho do Vale, Frei Chico e Lira, Gonzaga Medeiros e Tadeu Martins no Pal\u00e1cio das Artes.<\/p>\n<p><strong>MOMENTO RICO <\/strong><\/p>\n<p>Guilardo Veloso foi do popular ao pop. Abriu em 1997, no Bairro Funcion\u00e1rios, a casa noturna Lapa Multshow, que funcionou at\u00e9 2011. \u201cAlugava salas para fazer shows de forr\u00f3 e veio a vontade de ter uma casa de espet\u00e1culos\u201d, recorda. \u201cEra momento rico. Estavam surgindo grupos importantes da m\u00fasica brasileira\u201d, acrescenta. Lembra que passaram pelo local Cordel do Fogo Encantado, Na\u00e7\u00e3o Zumbi, Mestre Ambr\u00f3sio, Lenine e Siba. \u201cComo todos bebiam na fonte da cultura popular, havia afinidade com o que eu fazia\u201d, explica. Seu Jorge, Bezerra da Silva e Jo\u00e3o Nogueira tamb\u00e9m marcaram presen\u00e7a no espa\u00e7o, al\u00e9m de grupos de BH como Z\u00e9 da Guiomar e Copo Lagoinha.<\/p>\n<p>Diversidade de est\u00e9ticas que Guilardo credita a parceiros como o pessoal da 53HC e Jo\u00e3o Eduardo, da Cogumelo Records. Ao \u00faltimo, deve-se o tempo em que a casa foi refer\u00eancia para o metal pesado na cidade. \u201cNo primeiro momento fiquei assustado. N\u00e3o pela m\u00fasica, mas porque os vizinhos olhavam de lado a turma de cabeludos de roupas pretas. Ningu\u00e9m entendia o que era aquilo, aquela m\u00fasica. Convenc\u00ea-los que eram s\u00f3 jovens, que n\u00e3o tinha confus\u00e3o, foi trabalho longo\u201d, recorda. \u201cConvivi com o metal como convivi com a viola. N\u00e3o tenho problema com g\u00eaneros. S\u00f3 existem dois tipos de m\u00fasica: a boa e a ruim\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O Lapa encerrou as atividades em 2011. Volta? \u201cN\u00e3o. Hoje j\u00e1 n\u00e3o se encontram locais pr\u00f3ximos ao Centro para casa de shows\u201d, explica. \u201cAl\u00e9m disso, as exig\u00eancias para se abrir uma casa s\u00e3o muitas, cobram muito investimento e fazer show ficou mais dif\u00edcil. Os cach\u00eas ficaram inflacionados e j\u00e1 n\u00e3o se tem, como em outros tempos, contato direto com o artista. Hoje tem muito atravessador\u201d, lamenta. O produtor torce para que avance o projeto da prefeitura de transformar o ex-Lapa em Casa da M\u00fasica de BH. \u201cN\u00e3o podemos perder um local como aquele. Temos muitos teatros, mas tem shows que s\u00e3o para dan\u00e7ar, se divertir, n\u00e3o s\u00e3o para teatro\u201d, observa.<\/p>\n<p><strong>TR\u00caS PERGUNTAS PARA&#8230; Guilardo Veloso<\/strong><\/p>\n<p><strong>Quando se fala de m\u00fasica em Minas, o que temos e o que falta?<\/strong><\/p>\n<p>Minas Gerais tem uma das mais ecl\u00e9ticas m\u00fasicas do Brasil, novos compositores que andam fazendo coisas maravilhosas. Tem congado, produ\u00e7\u00e3o erudita, pop rock, bandas, MPB, jazz, samba etc. O que falta \u00e9 trabalhar com todos estes g\u00eaneros, reconhecendo e respeitando a diversidade da nossa m\u00fasica. Diferentemente de outra \u00e9pocas, n\u00e3o \u00e9 m\u00fasica que tenha influ\u00eancia de um movimento, como o Clube da Esquina ou o Tropicalismo. Como tudo \u00e9 mais solto, ganhou-se em diversidade, quantidade e qualidade. Mas n\u00e3o temos programas consistentes na \u00e1rea de m\u00fasica. O artista aqui tem de ser compositor, instrumentista, produtor, divulgador e iluminador, pois precisa economizar para ter condi\u00e7\u00f5es de fazer circular o seu produto. Recurso financeiro \u00e9 fundamental, mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso que falta. Quantas r\u00e1dios tocam a m\u00fasica feita em Minas? Poucas. No Rio, na Bahia, em S\u00e3o Paulo e no Par\u00e1 elas s\u00e3o v\u00e1rias, h\u00e1 mais apoio.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o da m\u00fasica no interior do estado?<\/strong><\/p>\n<p>O grande sonho do m\u00fasico do interior \u00e9 vir para a capital, porque a cidade dele n\u00e3o tem espa\u00e7o. A situa\u00e7\u00e3o podia ser diferente. Mas as prefeituras n\u00e3o investem na constru\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os e a\u00e7\u00f5es que priorizem a cultura local. Sabem que na cidade tem artista de qualidade, mas a maioria contrata uma banda baiana. Chico Lobo e Pereira da Viola fizeram em Ouro Preto um carnaval maravilhoso para 10 mil pessoas. O ax\u00e9, o arrocha, tudo isso \u00e9 imposi\u00e7\u00e3o que acaba matando a m\u00fasica local e regional. S\u00e3o raras as prefeituras que, no anivers\u00e1rio das cidades, convidam os artistas locais e regionais para tocar nas comemora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Como v\u00ea as bandas civis e os grupos de folia e congados?<\/strong><\/p>\n<p>Sinto falta de incentivo a composi\u00e7\u00e3o para as bandas civis, que, muitas vezes, s\u00e3o a primeira escola que oferece contato com a m\u00fasica. Existem bandas em todas as cidades mineiras, mas o repert\u00f3rio \u00e9 o mesmo h\u00e1 dezenas de anos. O \u00faltimo compositor que escreveu para elas \u00e9 Bellini de Andrade, de Abaet\u00e9. Com rela\u00e7\u00e3o aos congados, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 outra: falta a eles possibilidade de circula\u00e7\u00e3o. S\u00f3 \u00f4nibus para poder viajar j\u00e1 seria um grande avan\u00e7o. Temos, hoje, inclusive em Belo Horizonte, encontros desses grupos que re\u00fanem milhares de pessoas.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Divirta-se do Portal Uai)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEvento de m\u00fasica com peso na maioria das cidades do interior de Minas s\u00e3o as micaretas. Mas o que fazem as prefeituras? A maioria contrata uma banda baiana. Podiam dar espa\u00e7o para os artistas locais e regionais, mas n\u00e3o o fazem. 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