{"id":18762,"date":"2014-01-17T21:47:38","date_gmt":"2014-01-17T23:47:38","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=18762"},"modified":"2014-01-18T04:40:19","modified_gmt":"2014-01-18T06:40:19","slug":"regiao-de-diamantina-ja-foi-um-grande-deserto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=18762","title":{"rendered":"Regi\u00e3o de Diamantina j\u00e1 foi um grande deserto"},"content":{"rendered":"<p><strong>ERA UMA VEZ UM DESERTO!<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo em um per\u00edodo sem vida inteligente na Terra, a natureza deu um jeito de registrar a hist\u00f3ria por meio das diferentes formas geom\u00e9tricas e minerais das rochas. A partir da an\u00e1lise desses elementos, o ge\u00f3logo F\u00e1bio Simplicio, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), descobriu que Diamantina, em Minas Gerais, j\u00e1 foi um grande deserto h\u00e1 cerca de 1,8 bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/diamantina_ja_foi_um_deserto_1.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\n<em><strong>O verde abundante e as montanhas altas de Minas Gerais teriam sido um grande deserto h\u00e1 1,8 bilh\u00f5es de anos. (Foto: F\u00e1bio Simplicio)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A conclus\u00e3o veio do estudo das forma\u00e7\u00f5es de arenito existentes na \u00e1rea rural da cidade. Ao consultar trabalhos de outros pesquisadores sobre a data\u00e7\u00e3o das rochas, Simplicio verificou que elas se formaram antes de a vegeta\u00e7\u00e3o terrestre surgir no planeta, o que s\u00f3 ocorreu por volta de 440 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>A idade deu pistas sobre o ambiente das rochas. Segundo o pesquisador, na \u00e9poca da forma\u00e7\u00e3o desses sedimentos, no final do per\u00edodo chamado de Paleoproterozoico, existiam basicamente dois cen\u00e1rios na Terra emersa: regi\u00f5es de grandes desertos e\/ou de grandes rios.<\/p>\n<p>Depois de dois anos e meio de an\u00e1lises da composi\u00e7\u00e3o e do formato dos corpos rochosos, Simplicio aposta em uma Diamantina des\u00e9rtica. \u201cAs camadas que comp\u00f5em o arenito ali t\u00eam marcas onduladas t\u00edpicas de grandes \u00e1reas planas constitu\u00eddas por areias depositadas pelo vento, os len\u00e7\u00f3is de areia\u201d, explica. \u201cPara que isso pudesse acontecer, o solo deveria ser arenoso e o vento, n\u00e3o encontrar obst\u00e1culos para o transporte do material.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/diamantina_ja_foi_um_deserto_2.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\n<em><strong>Os arenitos, forma\u00e7\u00f5es rochosas mais abundantes na regi\u00e3o de Diamantina (Minas Gerais), teriam se formado pelo ac\u00famulo de gr\u00e3os de areia transportados pelo vento ao longo de milhares de anos. (Foto: F\u00e1bio Simplicio)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A hip\u00f3tese do ge\u00f3logo \u00e9 que durante muito tempo os ventos juntaram essas por\u00e7\u00f5es de areia e que raros momentos de chuva contribu\u00edram para a cimenta\u00e7\u00e3o dos gr\u00e3os. \u201cSabemos que hoje, quando chove em \u00e1reas des\u00e9rticas, quase sempre s\u00e3o epis\u00f3dios tempestuosos\u201d, diz. \u201c\u00c9 prov\u00e1vel que a areia em contato com \u00e1gua e alguns elementos qu\u00edmicos, como c\u00e1lcio e ferro, tenha levado a combina\u00e7\u00f5es que resultaram na \u2018cimenta\u00e7\u00e3o dos sedimentos no substrato\u2019, registro preservado at\u00e9 hoje.\u201d<\/p>\n<p><strong>ATMOSFERA COM OXIG\u00caNIO<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de analisar os componentes e a idade das rochas, o ge\u00f3logo percebeu a presen\u00e7a de \u00f3xido de ferro (Fe2O3), produto de oxida\u00e7\u00e3o, revestindo os gr\u00e3os de areia. \u201cIsso mostra que essas rochas se formaram em um ambiente em que j\u00e1 existia oxig\u00eanio livre na atmosfera\u201d, comenta.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia considera que a oxigena\u00e7\u00e3o da atmosfera come\u00e7ou h\u00e1 2,4 bilh\u00f5es de anos e, h\u00e1 1,8 bilh\u00f5es de anos, teria havido uma grande expans\u00e3o na concentra\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio. O dado permite correlacionar os eventos atmosf\u00e9ricos ocorridos na regi\u00e3o da atual Minas Gerais aos de outras partes do mundo, onde h\u00e1 rochas de mesma idade que mostram sinais de oxida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, a presen\u00e7a de \u00f3xido de ferro refor\u00e7a a ideia de que a regi\u00e3o seria um deserto, pois o contato com a \u00e1gua em um eventual processo de transporte em um rio, por exemplo, poderia remover esse revestimento dos gr\u00e3os de areia.<\/p>\n<p><strong>POSS\u00cdVEL APLICA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Simplicio destaca que o trabalho pode servir de base para a cria\u00e7\u00e3o de modelos mais completos que reproduzam o ambiente da Terra h\u00e1 1,8 bilh\u00f5es de anos e ajudem a conhecer mais precisamente a distribui\u00e7\u00e3o espacial dos diferentes sistemas.<\/p>\n<p>Esses modelos podem ter diversas aplica\u00e7\u00f5es, inclusive econ\u00f4micas. \u201cProfissionais da \u00e1rea do petr\u00f3leo utilizam-se desse conhecimento para antever os melhores locais de extra\u00e7\u00e3o\u201d, revela o pesquisador.<\/p>\n<p><strong>(Fonte: Ci\u00eancia Hoje On-line, por Camille Dornelles)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ERA UMA VEZ UM DESERTO! 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