{"id":186458,"date":"2022-01-30T16:19:24","date_gmt":"2022-01-30T19:19:24","guid":{"rendered":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=186458"},"modified":"2022-01-30T16:19:48","modified_gmt":"2022-01-30T19:19:48","slug":"doencas-negligenciadas-durante-a-pandemia-tem-aumento-em-taxa-de-mortalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=186458","title":{"rendered":"Doen\u00e7as negligenciadas durante a pandemia t\u00eam\u00a0aumento em taxa de\u00a0mortalidade"},"content":{"rendered":"\n<p>A pandemia de covid-19 trouxe impactos para o atendimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s doen\u00e7as tropicais negligenciadas que passaram\u00a0a registrar aumento da mortalidade, apesar da queda de interna\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, a taxa de mortalidade para mal\u00e1ria subiu 82,55%, apesar da queda de 29,3% nas interna\u00e7\u00f5es. Doen\u00e7as como a leishmaniose visceral e a leptospirose tamb\u00e9m registraram aumento de mortalidade de 32,64% e 38,98%, respectivamente. O n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es por essas doen\u00e7as diminuiu no per\u00edodo, com quedas de 32,87% e 43,59%.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a dengue registrou aumento de 29,51% nas interna\u00e7\u00f5es&nbsp;e de 14,26% na taxa de mortalidade. Os dados fazem parte de um estudo dos pesquisadores Nikolas Lisboa Coda Dias e Stefan Oliveira, da Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia; e \u00c1lvaro A. Faccini-Mart\u00ednez, da Universidade de C\u00f3rdoba.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles compararam os dados do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es Hospitalares do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SIH\/SUS)&nbsp;durante os primeiros oito meses de 2020 com os valores m\u00e9dios do mesmo per\u00edodo dos anos de 2017 a 2019. Segundo os pesquisadores, a queda nas interna\u00e7\u00f5es \u00e9 consequ\u00eancia da pandemia e do medo das pessoas de procurarem assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade nesse per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), houve aumento do n\u00famero de casos dessas enfermidades durante a pandemia. \u201cHouve redu\u00e7\u00e3o dos casos notificados e aumento da letalidade\u201d, disse \u00e0\u00a0Ag\u00eancia Brasil\u00a0o presidente da entidade, J\u00falio Croda.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cHouve uma desassist\u00eancia \u00e0s pessoas que s\u00e3o acometidas por essas doen\u00e7as e que, geralmente, s\u00e3o popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis\u201d, destacou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"retrocesso\">Retrocesso<\/h2>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de J\u00falio Croda, o Brasil retrocedeu de dez a 20&nbsp;anos no combate a essas doen\u00e7as. Segundo ele,&nbsp;ser\u00e1 necess\u00e1rio reconstruir os servi\u00e7os de sa\u00fade j\u00e1 que todos os programas nacionais de controle para essas doen\u00e7as sofreram algum impacto. Ele acredita ainda que a curva de redu\u00e7\u00e3o de incid\u00eancia que o pa\u00eds mantinha e de mortalidade associada a essas doen\u00e7as tende a entrar em estabilidade at\u00e9 2030.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente perdeu uma d\u00e9cada de combate a essas doen\u00e7as, principalmente por conta da pandemia, da desassist\u00eancia, da falta de diagn\u00f3stico e de um tratamento precoce\u201d, avaliou o especialista.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"tuberculose\">Tuberculose<\/h2>\n\n\n\n<p>O presidente da SBMT afirmou que, depois de 15 anos, houve registro de redu\u00e7\u00e3o das notifica\u00e7\u00f5es de tuberculose em todo o mundo e crescimento do n\u00famero de \u00f3bitos. \u201cNo Brasil, n\u00e3o foi diferente\u201d. A tuberculose \u00e9 a doen\u00e7a negligenciada respons\u00e1vel pelo maior n\u00famero de mortes entre as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis, segundo Croda.<\/p>\n\n\n\n<p>Relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade (Opas), divulgado em outubro de 2021, relatou que os servi\u00e7os de tuberculose est\u00e3o entre os interrompidos pela pandemia de covid-19 em 2020. O impacto sobre essa doen\u00e7a foi particularmente grave e, em 2020,&nbsp;1,5 milh\u00e3o de pessoas morreram de tuberculose no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A OMS estima que 4,1 milh\u00f5es de pessoas sofrem atualmente de tuberculose, mas n\u00e3o foram diagnosticadas com a doen\u00e7a ou n\u00e3o notificaram oficialmente \u00e0s autoridades nacionais. Em 2019, o n\u00famero de pessoas afetadas por tuberculose chegava a 2,9 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"doencas-negligenciadas\">Doen\u00e7as Negligenciadas<\/h2>\n\n\n\n<p>Mais de 1,7 bilh\u00e3o de pessoas em todo o planeta sofrem com algum tipo de doen\u00e7a tropical negligenciada.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), elas somam um grupo diversificado de doen\u00e7as transmiss\u00edveis que prevalecem em condi\u00e7\u00f5es tropicais e subtropicais em 149 pa\u00edses, matam milh\u00f5es de seres humanos e custam bilh\u00f5es de d\u00f3lares \u00e0s economias em desenvolvimento a cada ano.<\/p>\n\n\n\n<p>O Dia Mundial das Doen\u00e7as Tropicais Negligenciadas, lembrado hoje (30), foi criado em 2019, por uma resolu\u00e7\u00e3o da Assembleia Mundial da Sa\u00fade. Este \u00e9 o terceiro ano de celebra\u00e7\u00e3o da data, em meio \u00e0 pandemia da covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nota divulgada hoje, o&nbsp;coordenador de Vigil\u00e2ncia de Zoonoses e Doen\u00e7as de Transmiss\u00e3o Vetorial da Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Marcelo Wada, afirma que que a pasta v\u00eam investindo na vigil\u00e2ncia dessas doen\u00e7as e implementando a\u00e7\u00f5es para que se alcance a elimina\u00e7\u00e3o ou controle desse grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExistem muitos desafios para a elimina\u00e7\u00e3o das DTNs, incluindo mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, amea\u00e7as zoon\u00f3ticas e ambientais, emergentes em sa\u00fade p\u00fablica. Vamos avan\u00e7ar nas estrat\u00e9gias para controlar essas doen\u00e7as\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"doencas-esquecidas\">Doen\u00e7as esquecidas<\/h2>\n\n\n\n<p>As chamadas doen\u00e7as negligenciadas, ou esquecidas, s\u00e3o enfermidades infecciosas, muitas delas parasit\u00e1rias, que afetam principalmente as popula\u00e7\u00f5es mais pobres e com acesso limitado aos servi\u00e7os de sa\u00fade, em especial pessoas que vivem em \u00e1reas rurais remotas e favelas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a OMS, elas integram um grupo diversificado de 20 enfermidades priorit\u00e1rias de origem parasit\u00e1ria, bacteriana, viral e f\u00fangica. Causam dor e incapacidade, criando consequ\u00eancias sociais, econ\u00f4micas e para a sa\u00fade duradouras para indiv\u00edduos e sociedades. Impedem as crian\u00e7as de ir \u00e0 escola e os adultos de ir &nbsp;ao trabalho, prendendo as comunidades em ciclos de pobreza e desigualdade. As pessoas afetadas por defici\u00eancias causadas por essas doen\u00e7as, muitas vezes sofrem estigma em suas comunidades, dificultando acesso aos cuidados necess\u00e1rios e levando ao isolamento social.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, leishmaniose, tuberculose, doen\u00e7a de Chagas, mal\u00e1ria, esquistossomose, hepatites, filariose linf\u00e1tica, dengue e\u00a0hansen\u00edase\u00a0est\u00e3o entre as principais doen\u00e7as negligenciadas. Elas ocorrem em quase todo o territ\u00f3rio. Mais de 90% dos casos de mal\u00e1ria ocorrem na Regi\u00e3o Norte e h\u00e1 surtos de filariose linf\u00e1tica e oncocercose. As regi\u00f5es Norte e Nordeste apresentam o menor \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) e concentram o maior n\u00famero das DTNs.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"equidade\">Equidade<\/h2>\n\n\n\n<p>A comemora\u00e7\u00e3o deste ano do Dia Mundial das Doen\u00e7as Tropicais Negligenciadas (DTNs) foi iniciada pela OMS no \u00faltimo dia 26, sob o tema \u201cAlcan\u00e7ar a equidade em sa\u00fade para acabar com a neglig\u00eancia das doen\u00e7as relacionadas \u00e0 pobreza\u201d. A institui\u00e7\u00e3o fez um apelo a seus membros para que se concentrem no fortalecimento das interven\u00e7\u00f5es, visando promover servi\u00e7os de sa\u00fade equitativos para todos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<br><em>Quer receber as not\u00edcias do <strong>Aconteceu no Vale<\/strong> em primeira m\u00e3o? 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