{"id":185044,"date":"2021-12-21T11:59:56","date_gmt":"2021-12-21T14:59:56","guid":{"rendered":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=185044"},"modified":"2021-12-21T12:03:23","modified_gmt":"2021-12-21T15:03:23","slug":"fim-de-ano-e-armadilha-para-compradores-compulsivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=185044","title":{"rendered":"Fim de ano \u00e9 armadilha para compradores compulsivos"},"content":{"rendered":"\n<p>Um arm\u00e1rio cheio de roupas ainda sem usar, pe\u00e7as e produtos comprados sem necessidade e a sensa\u00e7\u00e3o de prazer imediato que desaparece dias ap\u00f3s a compra foram os sinais que fizeram a jornalista Fl\u00e1via Vargas, 44 anos, perceber que estava comprando por compuls\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"678\" height=\"406\" src=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/compras_final_de_ano.jpg\" alt=\"\" data-id=\"185045\" data-full-url=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/compras_final_de_ano.jpg\" data-link=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?attachment_id=185045\" class=\"wp-image-185045\" srcset=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/compras_final_de_ano.jpg 678w, https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/compras_final_de_ano-300x180.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><em>Com\u00e9rcio com decora\u00e7\u00e3o de Natal na rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros (SP) &#8211; Foto: Rovena Rosa\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cComecei a ter compuls\u00e3o por compras durante a pandemia. No in\u00edcio do isolamento social, descobri dois aplicativos de vendas e n\u00e3o parava de comprar. Dava uma sensa\u00e7\u00e3o de prazer, de compensa\u00e7\u00e3o pela ansiedade do momento. As compras se tornaram incontrol\u00e1veis. Meu arm\u00e1rio ficou abarrotado, inclusive com roupas que ainda n\u00e3o usei\u201d, conta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com a flexibiliza\u00e7\u00e3o das medidas de isolamento e a abertura do com\u00e9rcio, ela continuou comprando pelos aplicativos. \u201cEles oferecem tantos atrativos que se tornou um h\u00e1bito entrar neles todos os dias, ainda que fosse apenas para dar uma olhadinha e favoritar as pe\u00e7as que mais gostei. N\u00e3o cheguei a me endividar, mas os gastos prejudicaram muito meu controle or\u00e7ament\u00e1rio e meu fluxo de caixa, sendo que sempre fui bastante regrada com dinheiro.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo estimativas da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), cerca de 8% da popula\u00e7\u00e3o mundial sofre de oniomania, compuls\u00e3o por compras, tamb\u00e9m chamada de consumismo compulsivo e Transtorno do Comprar Compulsivo (TCC).<\/p>\n\n\n\n<p>A patologia \u00e9 respons\u00e1vel pelo giro de mais de US$ 4 bilh\u00f5es na Am\u00e9rica do Norte. Entre 80% e 94% dos compradores compulsivos s\u00e3o mulheres, cujo transtorno costuma surgir por volta dos 18 anos, mostrou pesquisa publicada na&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/rbp\/a\/N5BPgrCT3KyVMf8FLbRWyLd\/?lang=pt%C2%A0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Revista Brasileira de Psiquiatria<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o psiquiatra Adiel Rios, o isolamento social imposto pela pandemia de covid-19 contribuiu para o aumento no n\u00famero de casos desse transtorno.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom as portas fechadas, muitas lojas migraram para o e-commerce e quem j\u00e1 atuava neste modelo, refor\u00e7ou a atua\u00e7\u00e3o nas vendas online. E os aplicativos de redes nacionais e internacionais s\u00e3o uma grande armadilha para os compradores compulsivos: eles disponibilizam cupons de descontos, pontos para cada compra realizada, que s\u00e3o revertidos em desconto para novas compras, entre outros atrativos. Para quem possui o transtorno, acabou sendo uma forma f\u00e1cil de comprar, e de maneira descontrolada\u201d, detalha o m\u00e9dico que atua no Programa de Transtorno Bipolar do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, mesmo com a abertura do com\u00e9rcio, o comprador compulsivo continua utilizando as ferramentas dispon\u00edveis no ambiente online, pois basta pegar o celular, entrar no aplicativo e comprar o que quiser, a qualquer hora e em qualquer lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cA \u00fanica forma de interromper este ciclo vicioso seria uma utiliza\u00e7\u00e3o racional ou at\u00e9 mesmo um distanciamento destes aplicativos. Enquanto eles estiverem dispon\u00edveis no celular, ser\u00e1 muito dif\u00edcil impedir as compras compulsivas, principalmente se a pessoa estiver ansiosa, precisando preencher um vazio ou suprir alguma car\u00eancia\u201d, afirma Rios, pesquisador no Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando percebeu que havia algo por tr\u00e1s da compuls\u00e3o por compras, Fl\u00e1via procurou ajuda m\u00e9dica especializada e, hoje, mant\u00e9m acompanhamento com psiquiatra e psic\u00f3logo. \u201cFui diagnosticada com depress\u00e3o e transtorno bipolar. Estes quadros geraram em mim sintomas como ansiedade e comportamentos impulsivos. Estou me tratando com antidepressivo e l\u00edtio, que ajuda a conter as compuls\u00f5es, al\u00e9m de acompanhamento psicol\u00f3gico.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da medica\u00e7\u00e3o, a jornalista tem procurado seguir as orienta\u00e7\u00f5es dos especialistas em rela\u00e7\u00e3o ao comportamento no dia a dia. \u201cQuando estou no celular, evito acessar os aplicativos [de compras], algo que era imposs\u00edvel antes do tratamento. Na \u00e9poca, eu simplesmente olhava as pe\u00e7as, gostava e comprava. Hoje, nas poucas vezes que entro e gosto de alguma coisa, consigo pensar com mais racionalidade e me questiono: ser\u00e1 que eu realmente preciso disso?\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Compras de fim de ano<\/h2>\n\n\n\n<p>Com a proximidade do fim do ano, quando h\u00e1 um maior apelo por compras devido ao Natal e ao d\u00e9cimo-terceiro sal\u00e1rio, o psiquiatra afirma que h\u00e1 chances de o h\u00e1bito de adquirir compulsivamente se intensificar. Al\u00e9m disso, com o com\u00e9rcio aberto em hor\u00e1rio estendido e sem restri\u00e7\u00f5es, aumentam-se os canais de aquisi\u00e7\u00e3o de produtos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA partir do momento em que o comprador compulsivo mergulhou nas vendas online durante a pandemia, dificilmente ir\u00e1 abandonar o h\u00e1bito que se tornou sua v\u00e1lvula de escape no isolamento. Com a reabertura, a pessoa volta a comprar na rua (quando sair) e tamb\u00e9m pelo celular (quando estiver em casa). Ou seja, nunca houve tempo perdido, pois o compulsivo n\u00e3o deixou de comprar. De certa forma, essa descoberta pelas compras online durante o isolamento intensificou a compuls\u00e3o\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Fl\u00e1via, que est\u00e1 em tratamento, a estrat\u00e9gia para se controlar j\u00e1 foi tra\u00e7ada: ela s\u00f3 comprar\u00e1 presentes para a fam\u00edlia. \u201cN\u00e3o tenho nem mais coragem de comprar nada para mim agora. Tamb\u00e9m n\u00e3o me sinto no direito de gastar comigo mesma, depois de tantas compras desnecess\u00e1rias que fiz. Inclusive, j\u00e1 separei muitas roupas para doar no Natal. O retorno \u00e0 realidade me fez enxergar de novo que h\u00e1 pessoas que realmente precisam muito mais do que eu.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Transtornos associados&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Fam\u00edlias de compradores compulsivos mostram maior tend\u00eancia a desenvolver outros transtornos como do humor, depend\u00eancia qu\u00edmica e transtornos alimentares. \u201cAl\u00e9m disso, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o bastante pr\u00f3xima entre a oniomania com o transtorno obsessivo compulsivo e o transtorno bipolar. A soma destas patologias com as distor\u00e7\u00f5es sobre o ato de consumir motiva o comprador compulsivo a desenvolver uma suposta seguran\u00e7a por meio das compras\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ficar longos per\u00edodos sem consumir, a&nbsp;pessoa que tem compuls\u00e3o por compras tamb\u00e9m pode sofrer de abstin\u00eancia&nbsp;com sintomas similares aos da depend\u00eancia do uso de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas: irritabilidade extrema, perda de autoestima, sintomas de humor deprimido, ansiedade e oscila\u00e7\u00f5es de humor.<\/p>\n\n\n\n<p>O psiquiatra cinta ainda outros sinais da doen\u00e7a:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Descontrole financeiro:&nbsp; Al\u00e9m das \u201carmadilhas virtuais\u201d, o consumo ganhou atratividade por meio de maiores facilidades de pagamento ou diversas ofertas pontuais. \u201cHoje, h\u00e1 v\u00e1rias formas de um comprador compulsivo se enrolar financeiramente, seja pagando o m\u00ednimo do cart\u00e3o de cr\u00e9dito, aderindo ao cheque especial ou contratando credi\u00e1rios\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Compras escondidas:&nbsp; Para o indiv\u00edduo com oniomania, comprar sem ningu\u00e9m saber e esconder os itens em casa j\u00e1 s\u00e3o parte do processo de compra. \u201cPor ser considerada uma postura socialmente reprov\u00e1vel, o medo da censura e do julgamento explicam o comportamento de nutrir a compuls\u00e3o em segredo\u201d, diz Adiel Rios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Pe\u00e7as repetidas, esquecidas ou nunca usadas: a pessoa compra itens sem experimentar ou praticamente iguais, pois nem se lembra do que tem no arm\u00e1rio. \u201cEm um determinado momento, o indiv\u00edduo n\u00e3o tem nem mais espa\u00e7o para guardar tanta coisa e acaba amontoando tudo no fundo do guarda-roupa, ficando esquecido por l\u00e1\u201d, completa o psiquiatra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Sensa\u00e7\u00e3o de culpa ap\u00f3s uma compra: como em outros transtornos, ap\u00f3s efetuar uma compra e vivenciar a sensa\u00e7\u00e3o de prazer, vem depois o sentimento de culpa e sofrimento. \u201cQuando acaba aquele bem-estar, ocorre uma sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia diante do descontrole da compra. Logo, surge o ciclo de prazer-luto, sendo consequ\u00eancia da vis\u00e3o distorcida sobre a finalidade do consumo em nossas vidas\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Origem familiar e gen\u00e9tica: n\u00e3o h\u00e1 estudos definidos que comprovem as causas da doen\u00e7a, mas a literatura m\u00e9dica relaciona o transtorno a alguns fatores. \u201cUm deles est\u00e1 associado com a hist\u00f3ria comportamental da fam\u00edlia do indiv\u00edduo\u201d, diz o especialista.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tratamento<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo o psiquiatra, h\u00e1 in\u00fameras abordagens terap\u00eauticas capazes de auxiliar quem sofre deste transtorno.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs tratamentos incluem o acompanhamento por f\u00e1rmacos, como ansiol\u00edticos e antidepressivos, psicoterapias e at\u00e9 consultoria com um especialista em finan\u00e7as pessoais. Os tratamentos t\u00eam como objetivo atribuir um novo significado \u00e0 rela\u00e7\u00e3o gratifica\u00e7\u00e3o-recompensa, mostrando que h\u00e1 outros caminhos para lidar com as dores e formas muito mais saud\u00e1veis de obter bem-estar e prazer na vida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda grupos de apoio, como o&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.devedoresanonimosonline.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Devedores An\u00f4nimos<\/a>, onde outros compulsivos compartilham suas experi\u00eancias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Controle dos gastos<\/h2>\n\n\n\n<p>Na opini\u00e3o da educadora financeira Lorelay Lopes, para o consumidor sem ou com compuls\u00e3o por compras, a regra \u00e9 simples: um or\u00e7amento bem estruturado. \u201cQuando voc\u00ea tem, na ponta do l\u00e1pis, todas as suas contas, inclusive os pequenos gastos, voc\u00ea passa a ter clareza do quanto ainda pode gastar. O problema n\u00e3o est\u00e1 em comprar aquele sapato que vai combinar apenas com um vestido do seu guarda-roupa. Nem naquele descascador de abacaxi que vai fazer o servi\u00e7o de qualquer outra faca j\u00e1 dispon\u00edvel na gaveta da cozinha. O problema est\u00e1 em gastar sem ter or\u00e7amento livre para pagar.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quem tem compuls\u00e3o por compras convive todos os dias com a culpa. \u201cUm or\u00e7amento bem feito elimina este sentimento a partir do momento que voc\u00ea tem certeza que todas as compras foram feitas de forma consciente. Se o or\u00e7amento permite, tudo bem em gastar. Claro que esse or\u00e7amento tamb\u00e9m tem que incluir seus investimentos a longo prazo, afinal ningu\u00e9m vive somente do presente. N\u00e3o pensar no futuro tamb\u00e9m vai tirar aquela sensa\u00e7\u00e3o de tranquilidade ao deitar a cabe\u00e7a no travesseiro pela noite\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A educadora lista dicas pr\u00e1ticas para correr das compras por impulso:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Fa\u00e7a um or\u00e7amento bem elaborado: entradas, gastos fixos, gastos vari\u00e1veis e investimento;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; A partir do or\u00e7amento, crie teto de gastos em categorias: vestu\u00e1rio, tecnologia,&nbsp; delivery, etc. \u201cSe eu posso gastar R$ 200 com vestu\u00e1rio, vou fazer escolhas melhores\u201d, destaca Lorelay;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; N\u00e3o compre contabilizando as parcelas, mas sim, o total da compra;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Analise se voc\u00ea j\u00e1 tem algo que cumpre a mesma fun\u00e7\u00e3o daquela compra. \u201cPor exemplo, um t\u00eanis branco, se eu j\u00e1 tenho um e estou comprando outro apenas por conta da promo\u00e7\u00e3o ou porque acho mais bonito que o que j\u00e1 possuo. Voc\u00ea vai abandonar o t\u00eanis atual? Ele j\u00e1 merece ser abandonado?. Essas perguntas ajudam na reflex\u00e3o sobre a compra\u201d, diz a educadora.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Pense no impacto ambiental da sua compra: vou jogar algo no lixo a partir desse novo item? Se sim, essa compra \u00e9 realmente necess\u00e1ria?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Equilibre quantidade e qualidade: preciso de quantas cal\u00e7as jeans? De quantos jogos de jantar? Qual ser\u00e1 a frequ\u00eancia de uso?<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEntenda que, quanto mais consumimos, mais nos tornamos ref\u00e9ns da organiza\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de tudo isso. Comprar nos oferece um prazer imediato, mas dizer n\u00e3o ao impulso nos d\u00e1 um prazer ainda maior. Acredite: tudo que envolve disciplina libera uma carga hormonal de felicidade e realiza\u00e7\u00e3o muito mais duradoura que o prazer moment\u00e2neo da compra\u201d, finaliza Lorelay.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<br><em>Quer receber as not\u00edcias do <strong>Aconteceu no Vale<\/strong> em primeira m\u00e3o? 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