{"id":184434,"date":"2021-12-04T21:20:13","date_gmt":"2021-12-05T00:20:13","guid":{"rendered":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=184434"},"modified":"2021-12-04T21:21:45","modified_gmt":"2021-12-05T00:21:45","slug":"numero-de-doacoes-e-transplantes-de-orgaos-segue-em-baixa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=184434","title":{"rendered":"N\u00famero de doa\u00e7\u00f5es e transplantes de \u00f3rg\u00e3os segue em baixa"},"content":{"rendered":"\n<p>A taxa de recusa familiar para doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os e tecidos em Minas Gerais permanece pr\u00f3xima dos 50%, e o n\u00famero de transplantes realizados (at\u00e9 outubro foram 1.310), quando comparado a 2019, continua trajet\u00f3ria de queda de mais de 30%, no contexto da pandemia de covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO cen\u00e1rio \u00e9 o mesmo. A recusa familiar aumentou muito com a pandemia, antes era de 30%. O acolhimento hospitalar para reduzir as negativas foi impactado pelos protocolos sanit\u00e1rios estabelecidos para fazer frente \u00e0 covid-19, e isso refletiu no comportamento das fam\u00edlias doadoras\u201d, explica o cirurgi\u00e3o e diretor do MG Transplantes, Omar Lopes Can\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Aprimoramento<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Outro fator, decorrente dos novos protocolos sanit\u00e1rios, e que teve impacto sobre o n\u00famero de transplantes realizados, foi a exclus\u00e3o de todos os prov\u00e1veis doadores que apresentavam algum sintoma gripal, de modo a diminuir o risco de transmiss\u00e3o da covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o diretor do MG Transplantes, para que o Brasil alcance resultados melhores \u00e9 necess\u00e1rio que, junto com o crescimento da ades\u00e3o familiar \u00e0s doa\u00e7\u00f5es, a identifica\u00e7\u00e3o do potencial doador seja aprimorada. Para isso, todos os munic\u00edpios deveriam ser capazes de realizar o protocolo de morte encef\u00e1lica, realidade que n\u00e3o \u00e9 vivenciada por diversas cidades brasileiras, devido \u00e0 falta de equipamentos e especialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, todos os hospitais tamb\u00e9m deveriam ser capazes de notificar o diagn\u00f3stico de morte encef\u00e1lica \u00e0s centrais de capta\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os, mas isso n\u00e3o ocorre. \u201cGrande parte dos hospitais ainda n\u00e3o notifica. De modo geral, a notifica\u00e7\u00e3o \u00e9 muito aqu\u00e9m do que deveria\u201d, frisa Lopes Can\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Reinser\u00e7\u00e3o social<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Em Minas, por exemplo, a notifica\u00e7\u00e3o \u00e9 de 30 por milh\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o. O ideal \u00e9 que fosse de, aproximadamente, 100 por milh\u00e3o. Do mesmo modo, o n\u00famero de doadores por milh\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m fica bastante distante do ideal. Na Espanha, pa\u00eds que, ao lado dos Estados Unidos, serviu de modelo para o sistema brasileiro de transplantes, h\u00e1 40 doadores por milh\u00e3o de habitantes, em Minas, esse n\u00famero, atualmente, \u00e9 de 10 doadores por milh\u00e3o. Antes da pandemia era de 14 por milh\u00e3o de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Omar Can\u00e7ado salienta que as doen\u00e7as que requerem a realiza\u00e7\u00e3o de transplantes s\u00e3o do tipo que limitam consideravelmente a vida das pessoas, quando n\u00e3o as matam. \u201cElas se encontram t\u00e3o enfermas, que n\u00e3o conseguem realizar atividades simples do dia a dia. A import\u00e2ncia da doa\u00e7\u00e3o e do transplante \u00e9 reinserir essas pessoas \u00e0 sociedade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Hist\u00f3ria singular<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Na contram\u00e3o do crescimento da recusa familiar, a hist\u00f3ria da musicista ucraniana Mariya Serebryakova, de 41 anos, n\u00e3o somente pode inspirar a ades\u00e3o \u00e0 doa\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m mostrar que a conscientiza\u00e7\u00e3o, a solidariedade e a empatia s\u00e3o bases para a mudan\u00e7a do cen\u00e1rio dos transplantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Masha (como era conhecida) estava no Brasil, desde 2013, na condi\u00e7\u00e3o de refugiada humanit\u00e1ria, devido \u00e0 guerra que j\u00e1 dura oito anos em sua cidade natal. Como uma das muitas consequ\u00eancias do conflito, ela perdeu sua nacionalidade ucraniana e n\u00e3o adquiriu outra.<\/p>\n\n\n\n<p>Violinista profissional, professora de violino, russo e coreano, assim como ciclista semiprofissional, capoeirista e vegana por compaix\u00e3o pelos animais, Serebryakova era, sobretudo, especialista em doar-se \u00e0s pessoas. Declarou-se doadora de \u00f3rg\u00e3os e tamb\u00e9m doava sangue periodicamente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Acidente<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>No auge da pandemia de covid-19, impedida de trabalhar devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es impostas pelos protocolos das autoridades sanit\u00e1rias, que suspenderam a realiza\u00e7\u00e3o de eventos, Masha dedicou-se, de forma ainda mais intensa, ao trabalho volunt\u00e1rio em asilos e hospitais oncol\u00f3gicos, que visitava para levar m\u00fasica e leveza. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m encontrava disposi\u00e7\u00e3o para percorrer, com sua bicicleta, os 16 quil\u00f4metros\u00a0que separam os bairros Santo Ant\u00f4nio, na regi\u00e3o Sul de Belo Horizonte, e Jardim Canad\u00e1, em Nova Lima, a fim de ajudar a preparar marmitas num projeto destinado a pessoas carentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Por ironia do destino, a mesma bicicleta que levava Masha a seus compromissos e lhe dava tanta alegria nas competi\u00e7\u00f5es de velocidade e treinos, a conduziu ao fim prematuro de sua vida, em uma colis\u00e3o com um \u00f4nibus. O impacto da batida causou o traumatismo raquimedular que encerrou a trajet\u00f3ria da quase brasileira Mariya Serebryakova (segundo os amigos, ela estava providenciando sua naturaliza\u00e7\u00e3o por se sentir brasileira), e deu lugar a uma tr\u00e1gica continuidade de suas a\u00e7\u00f5es de amor ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>Como estrangeira e sem parentes no Brasil, legalmente, ela n\u00e3o poderia ser submetida \u00e0 cirurgia para a doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os, apesar do desejo manifestado em vida tanto aos amigos brasileiros, como \u00e0 m\u00e3e idosa que vive em Donetsk, cidade ucraniana distante mais de 11 mil quil\u00f4metros da capital mineira.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Al\u00e9m das fronteiras<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Foi necess\u00e1ria uma complexa articula\u00e7\u00e3o internacional que envolveu o Consulado da Ucr\u00e2nia no Brasil, autoridades e institui\u00e7\u00f5es brasileiras e ucranianas, para que a m\u00e3e de Masha fosse informada do \u00f3bito da \u00fanica filha e constitu\u00edsse dois, dos muitos amigos de Mariya, o advogado Gabriel Guimar\u00e3es e o musicista Yan Latinoff Vasconcellos, como seus procuradores para autorizar a doa\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os da filha.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre o acidente e a declara\u00e7\u00e3o da morte encef\u00e1lica, passaram-se tr\u00eas dias at\u00e9 a retirada dos \u00f3rg\u00e3os. Seu gesto permitiu que pessoas que aguardam na fila de transplantes (atualmente s\u00e3o mais de 4,5 mil no estado) possam ter uma nova vida ao receber as c\u00f3rneas, rins, f\u00edgado e p\u00e2ncreas da altru\u00edsta Mariya Serebryakova. Como bem sintetizou Yan Vasconcellos, \u201ca doa\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os da Masha foi a \u00faltima etapa de uma vida de doa\u00e7\u00e3o ao outro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda este m\u00eas, parte de suas cinzas v\u00e3o nutrir as ra\u00edzes de uma \u00e1rvore que ser\u00e1 plantada pelos amigos em sua homenagem e outra parte ser\u00e1 enviada para sua m\u00e3e na Ucr\u00e2nia. \u201cSe as pessoas soubessem a diferen\u00e7a que a doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os faz na vida dos transplantados, se soubessem o qu\u00e3o s\u00e9rio \u00e9 o trabalho do MG Transplantes, certamente todos seriam doadores\u201d, finaliza Gabriel Guimar\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<br><em>Quer receber as not\u00edcias do <strong>Aconteceu no Vale<\/strong> em primeira m\u00e3o? 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