{"id":18234,"date":"2014-01-11T12:14:22","date_gmt":"2014-01-11T14:14:22","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=18234"},"modified":"2014-01-11T12:14:46","modified_gmt":"2014-01-11T14:14:46","slug":"ferida-aberta-com-deslizamento-de-terra-em-sardoa-que-matou-seis-ainda-nao-cicatrizou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=18234","title":{"rendered":"Ferida aberta com deslizamento de terra em Sardo\u00e1 que matou seis ainda n\u00e3o cicatrizou"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Sardo\u00e1 foi arrasada por temporal h\u00e1 20 dias. Al\u00e9m da tristeza pela morte de seis pessoas, maior drama est\u00e1 na zona rural, que sofre com perdas na lavoura e na cria\u00e7\u00e3o de animais<\/strong><\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/ferida_aberta_sardoa.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\n<strong><em>Terezinha mostra o lama\u00e7al que engoliu casa dos vizinhos e matou seis pessoas da mesma fam\u00edlia (Foto: T\u00falio Santos)<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Sardo\u00e1 \u2013 \u201cCruz! Amado! Pe\u00e7o a Deus que livre a gente do perigo.\u201d Com a m\u00e3o escondendo o sol e os p\u00e9s descal\u00e7os no barro, Terezinha Tomaz de Jesus, de 74 anos, mede 1,5 metro de altura e parece ainda menor diante do enorme barranco desmoronado. \u00c9 a primeira vez que ela caminha pelo lama\u00e7al que cobriu a casa da vizinha Concei\u00e7\u00e3o e tirou a vida de seis pessoas da mesma fam\u00edlia em 17 de dezembro. As cruzes com os nomes de cada um dos mortos foram fincadas no local, onde restos da constru\u00e7\u00e3o e pertences dos antigos moradores brotam no meio de uma imensid\u00e3o marrom.<\/p>\n<p>Vinte dias depois da trag\u00e9dia na comunidade rural de Malacacheta, em Sardo\u00e1, a 315 quil\u00f4metros de BH, no Vale do Rio Doce, a ferida aberta na terra impede que a vida siga seu curso normal. O local foi o mais atingido pelas chuvas de dezembro, que teve recorde de mortes em Minas e levou \u00e0 decreta\u00e7\u00e3o de estado de calamidade p\u00fablica. Os habitantes da \u00e1rea rural do munic\u00edpio correspondem a 64% do total de 5,5 mil e foram os mais atingidos, com queda de v\u00e1rias barreiras. \u201cOs vizinhos sumiram\u201d, reclama dona Terezinha, que tem vivido tempos de isolamento.<\/p>\n<p>Em Malacacheta, vivem nove fam\u00edlias e pelo menos duas est\u00e3o com as casas condenadas. A maior parte dos acessos do munic\u00edpio \u00e0 zona rural foi comprometida e estradas s\u00e3o abertas de maneira prec\u00e1ria. S\u00e3o como montes de terra solta cortados por um trator. \u201cA gente est\u00e1 pedindo uma m\u00e1quina para fazer a estrada direito\u201d, diz a lavradora, uma das primeiras a retornar para a comunidade, mesmo sem a avalia\u00e7\u00e3o de ge\u00f3logos sobre o risco de sua moradia. \u201cTenho cria\u00e7\u00e3o e, se n\u00e3o ficar aqui, ela vai morrer\u201d, diz, enquanto um cachorro passa carregando uma carca\u00e7a de um bicho encontrada no meio do barro.<\/p>\n<p>Assim como as estradas e a conten\u00e7\u00e3o de barreiras, a avalia\u00e7\u00e3o do risco das casas s\u00f3 ser\u00e1 feita a partir da libera\u00e7\u00e3o de recursos para a reconstru\u00e7\u00e3o pelo governo federal. Dinheiro insuficiente para trazer de volta \u00e0 vida a fam\u00edlia de Maria Ant\u00f4nia de Oliveira, de 72, e Jos\u00e9 Rodrigues de Souza, de 79. Al\u00e9m da casa, comprometida pelo temporal do dia 17, os dois perderam a filha mais velha e cinco netos.<\/p>\n<p><strong>SUPERA\u00c7\u00c3O <\/strong><\/p>\n<p>O sofrimento \u00e9 grande, mas, na casa alugada pela prefeitura numa comunidade vizinha, C\u00f3rrego Sardoazinho, os dois ensinam como enfrentar outra tempestade, aquela que arrasa os cora\u00e7\u00f5es. \u201cQuando vi aquele monte de terra cobrindo meus filhos, falei com meu Deus que vou ser uma m\u00e3e consolada. Tenho pouco estudo e muita f\u00e9\u201d, diz dona Maria, agarrada ao ter\u00e7o que estava rezando na hora da trag\u00e9dia. \u201cTenho certeza que meus filhos est\u00e3o em Tuas m\u00e3os, meu Deus\u201d, completa.<\/p>\n<p>Mesmo na trag\u00e9dia, a fam\u00edlia de olhar triste consegue encontrar motivo para sorrisos. \u00c9 quando o vira-latas Tot\u00f3 chega abanando o rabo. \u201cFoi ele quem achou meu sobrinho quase uma semana depois. Ele n\u00e3o saiu de l\u00e1 at\u00e9 achar o Leonardo\u201d, conta Maria Goreth de Souza, de 49. Filha de Maria e Jos\u00e9, ela perdeu o filho Vladmir.<\/p>\n<p>Vestidos com as roupas vindas de doa\u00e7\u00f5es, a fam\u00edlia ainda n\u00e3o sabe falar sobre o futuro, sem a horta, as planta\u00e7\u00f5es e a casa. \u201cS\u00f3 estamos nos alimentando com produtos de supermercado. Queria menos para trabalhar l\u00e1, porque tudo d\u00e1 naquela terra\u201d, conta dona Maria.<\/p>\n<p>O desafio da Prefeitura de Sardo\u00e1 \u00e9 reconstruir as \u00e1reas afetadas pela chuva e abrigar quem perdeu tudo. O secret\u00e1rio municipal da Fazenda, Gilson de Castro Santos, d\u00e1 a dimens\u00e3o do drama ainda sem solu\u00e7\u00e3o. \u201cEstamos com um problema social grande. A zona rural perdeu a produ\u00e7\u00e3o. N\u00e3o temos im\u00f3veis dispon\u00edveis para loca\u00e7\u00e3o para o pessoal que est\u00e1 com casa condenada\u201d, informa.<\/p>\n<p>Segundo o prefeito Cl\u00e9ber Pereira da Silva (PP), m\u00e1quinas trabalham na reabertura de estradas que ligam a sede aos 12 distritos do munic\u00edpio, onde o acesso ficou interrompido. Mais de 20 pontes foram danificadas e seis delas foram completamente destru\u00eddas. \u201cForam mais de 50 pontos de deslizamento de terra. As pessoas que vivem em povoados ficaram sem poder vir \u00e0 cidade. No per\u00edmetro urbano, muitas casas sofreram danos estruturais. Algumas foram totalmente destru\u00eddas enquanto outras foram condenadas\u201d, afirmou Cl\u00e9ber.<\/p>\n<p>Ao todo, 40 pessoas ficaram desalojadas e precisaram ir para pr\u00e9dios p\u00fablicos ou casas de parentes. \u201cEstamos abrigando moradores em casas por meio do aluguel social e fazendo um levantamento de quantas ainda est\u00e3o fora de suas casas\u201d, garantiu. (Colaborou Valquiria Lopes)<\/p>\n<p><strong>VIDAS PERDIDAS<\/strong><\/p>\n<p>A trag\u00e9dia em Sardo\u00e1 chegou logo cedo. Por volta das 7h da manh\u00e3 chovia muito quando, por volta das 7h da manh\u00e3, um barranco de cerca de 20 metros de altura, coberto de p\u00e9s de eucaliptos, desmoronou sobre uma casa na comunidade rural de Malacacheta, em Sardo\u00e1, matando todas as pessoas que estavam no im\u00f3vel. Morreram Maria Concei\u00e7\u00e3o de Souza, de 50 anos, o filho dela Wallace Catarino Costa Souza, de 9, al\u00e9m dos sobrinhos Vladmir Souza, de 22, Wanderson de Souza, de 10, Gabriela de Souza Batista, de 6, e Leonardo de Souza Batista, de 7. Leonardo s\u00f3 foi localizado nos destro\u00e7os uma semana depois do acidente.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Jornal Estado de Minas)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sardo\u00e1 foi arrasada por temporal h\u00e1 20 dias. 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