{"id":180102,"date":"2021-07-18T18:16:34","date_gmt":"2021-07-18T21:16:34","guid":{"rendered":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=180102"},"modified":"2021-07-18T18:19:09","modified_gmt":"2021-07-18T21:19:09","slug":"comecou-a-temporada-de-baleias-no-litoral-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=180102","title":{"rendered":"Come\u00e7ou a temporada de baleias no litoral brasileiro"},"content":{"rendered":"\n<p>Come\u00e7ou neste m\u00eas a temporada das baleias no litoral brasileiro, que se estender\u00e1 at\u00e9 novembro. A diretora do Projeto ProFranca, Karina Groch, informou que no caso das baleias Franca, a temporada come\u00e7ou um pouco mais cedo. As primeiras baleias dessa esp\u00e9cie foram registradas no dia 12 de junho. \u201cDesde ent\u00e3o, o n\u00famero vem aumentando\u201d, disse Karina.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"678\" height=\"406\" src=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/baleias_br_1.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"180103\" data-full-url=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/baleias_br_1.jpeg\" data-link=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?attachment_id=180103\" class=\"wp-image-180103\" srcset=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/baleias_br_1.jpeg 678w, https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/baleias_br_1-300x180.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Ag\u00eancia Petrobras<\/em><\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>Na sexta-feira (16), em sobrevoo na costa catarinense, os pesquisadores avistaram mais baleias na regi\u00e3o do que o m\u00e1ximo de ocorr\u00eancias registradas em setembro do ano passado. \u201cIsso j\u00e1 \u00e9 um indicativo de que a gente deve ter uma temporada com n\u00famero maior de baleias do que no ano passado\u201d, estimou a bi\u00f3loga.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro de 2020, no pico da temporada, foram observadas 42 baleias Franca na costa catarinense e ga\u00facha, sendo 33 em Santa Catarina. Este ano, nessa mesma \u00e1rea, j\u00e1 foram contabilizadas 36 baleias, com aux\u00edlio de drones. Segundo Karina Groch, essa esp\u00e9cie est\u00e1 crescendo a uma taxa de 4,8% ao ano.<\/p>\n\n\n\n<p>A baleia Franca \u00e9 uma esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o. Foi ca\u00e7ada durante quatro s\u00e9culos e come\u00e7ou recentemente a retornar \u00e0 costa do Brasil no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980. Em 2018, houve um pico de ocorr\u00eancias, com o recorde registrado de 273 baleias Franca na costa de Santa Catarina. Karina explicou que as flutua\u00e7\u00f5es est\u00e3o relacionadas ao ciclo reprodutivo da esp\u00e9cie, que ocorre a cada tr\u00eas anos, quando as f\u00eameas v\u00eam para o litoral brasileiro para ter os filhotes. A vinda ao pa\u00eds para o nascimento dos filhotes tem a ver tamb\u00e9m com a disponibilidade de alimentos na Ant\u00e1rtida. \u201cAnos que t\u00eam mais alimento, v\u00eam mais baleias para c\u00e1; anos que t\u00eam menos alimentos, v\u00eam menos baleias para c\u00e1, porque elas v\u00eam especificamente para o nascimento dos filhotes\u201d, explicou a diretora do ProFranca.<\/p>\n\n\n\n<p>As primeiras baleias Franca que chegaram nesta temporada foram duas f\u00eameas adultas gr\u00e1vidas, j\u00e1 catalogadas pelo programa. Poucos dias depois, uma delas foi avistada com filhote. \u201c\u00c9 mais uma evid\u00eancia de que elas chegam aqui gr\u00e1vidas e poucos dias depois o filhote nasce\u201d. A principal \u00e1rea reprodutiva da baleia Franca no Brasil \u00e9 o litoral centro-sul de Santa Catarina, onde existe uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o federal que protege a principal \u00e1rea de ocorr\u00eancia da esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Estimativa populacional<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"754\" height=\"503\" src=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/baleias_br_2.jpg\" alt=\"\" data-id=\"180104\" data-full-url=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/baleias_br_2.jpg\" data-link=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?attachment_id=180104\" class=\"wp-image-180104\" srcset=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/baleias_br_2.jpg 754w, https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/baleias_br_2-300x200.jpg 300w, https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/baleias_br_2-696x464.jpg 696w, https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/baleias_br_2-630x420.jpg 630w\" sizes=\"auto, (max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><em>Baleia Franca &#8211; Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Ag\u00eancia Petrobras<\/em><\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>O principal sobrevoo para foto identifica\u00e7\u00e3o, realiza\u00e7\u00e3o de censo para estimativas populacionais e acompanhamento do crescimento dos filhotes, est\u00e1 programado para setembro. Karina informou que outra linha de pesquisa, iniciada no ano passado, gra\u00e7as ao patroc\u00ednio da Petrobras, visa a coleta de pele para tentar identificar quais s\u00e3o as \u00e1reas de alimenta\u00e7\u00e3o das baleias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A diretora do ProFranca explicou que j\u00e1 existem evid\u00eancias hist\u00f3ricas, em fun\u00e7\u00e3o da ca\u00e7a, e recentes, a partir da foto identifica\u00e7\u00e3o de uma baleia e rastreamento por sat\u00e9lite de outra f\u00eamea, de que as baleias que v\u00eam para o Brasil provavelmente se alimentam no ver\u00e3o nas Ilhas Georgia do Sul. Existem, entretanto, outras \u00e1reas que o ProFranca deseja identificar. \u201c\u00c9 fundamental para a conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie que a gente tente descobrir quais s\u00e3o as outras \u00e1reas que elas ocupam\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A estimativa \u00e9 que, pelo menos, 550 baleias Franca f\u00eameas se reproduzem regularmente no Brasil. Devido ao ciclo reprodutivo trianual, n\u00e3o s\u00e3o as mesmas baleias que v\u00eam para a costa brasileira. Al\u00e9m disso, elas compartilham outras \u00e1reas de reprodu\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m v\u00e3o para a Argentina, onde cerca de 13% das baleias catalogadas no Brasil j\u00e1 estiveram pelo menos uma vez. A coleta de pele desses cet\u00e1ceos d\u00e1 aos pesquisadores indicativos de onde elas se alimentaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra pesquisa \u00e9 o monitoramento a partir de pontos fixos estrategicamente localizados em terra. Esse trabalho \u00e9 feito com aux\u00edlio de estagi\u00e1rios de oceanografia, biologia e \u00e1reas afins que participam de um processo seletivo. Os estudantes est\u00e3o recebendo treinamento para, a partir de 1\u00ba de agosto, serem distribu\u00eddos ao longo de 15 pontos fixos para realizar o monitoramento di\u00e1rio do comportamento e distribui\u00e7\u00e3o das baleias, complementando sua forma\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia \u00e9 proporcionar a estudantes que tenham viv\u00eancia dentro do ProFranca, que \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o de pesquisa, e tamb\u00e9m tenham a experi\u00eancia de pesquisar um mam\u00edfero marinho amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o e transmitir conhecimento para a comunidade local.<\/p>\n\n\n\n<p>Karina explicou que as grandes baleias que v\u00eam para o Brasil com maior frequ\u00eancia, especialmente a baleia Franca e a baleia Jubarte, s\u00e3o esp\u00e9cies migrat\u00f3rias entre \u00e1reas de alimenta\u00e7\u00e3o e \u00e1reas de reprodu\u00e7\u00e3o, que t\u00eam \u00e1guas mais quentes. \u201cDurante o ver\u00e3o, elas se alimentam em regi\u00f5es mais pr\u00f3ximas da Ant\u00e1rtida, no entorno das ilhas Georgia do Sul e em outras \u00e1reas que a gente pretende descobrir\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A diretora do ProFranca disse que essa migra\u00e7\u00e3o n\u00e3o acontece todos os anos, mas de acordo com o ciclo reprodutivo das f\u00eameas. H\u00e1 um per\u00edodo do ciclo de vida dessas baleias que os cientistas querem descobrir para ampliar as informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Baleias Jubarte<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"601\" height=\"450\" src=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/baleias_br_3.jpg\" alt=\"\" data-id=\"180105\" data-full-url=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/baleias_br_3.jpg\" data-link=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?attachment_id=180105\" class=\"wp-image-180105\" srcset=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/baleias_br_3.jpg 601w, https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/baleias_br_3-300x225.jpg 300w, https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/baleias_br_3-80x60.jpg 80w, https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/baleias_br_3-265x198.jpg 265w, https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/baleias_br_3-561x420.jpg 561w\" sizes=\"auto, (max-width: 601px) 100vw, 601px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><em>Baleia Jubarte &#8211; Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Ag\u00eancia Petrobras<\/em><\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>Foi iniciada tamb\u00e9m neste m\u00eas a 13\u00aa temporada de reprodu\u00e7\u00e3o das baleias Jubarte no Brasil, com a reocupa\u00e7\u00e3o de antigas \u00e1reas de reprodu\u00e7\u00e3o, com maior concentra\u00e7\u00e3o no banco de Abrolhos, no extremo sul da Bahia e norte do Esp\u00edrito Santo. \u201cSetenta por cento da popula\u00e7\u00e3o est\u00e3o nessa regi\u00e3o\u201d, disse Enrico Marcovaldi, coordenador do Projeto Baleia Jubarte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 crescimento, por\u00e9m, para outras \u00e1reas. At\u00e9 o ano passado, as baleias se espalhavam de S\u00e3o Paulo at\u00e9 o Rio Grande do Norte. Este ano, para surpresa dos pesquisadores, elas est\u00e3o aparecendo tamb\u00e9m em Santa Catarina e Rio de Janeiro. \u201cA gente vai acompanhar. Onde as baleias est\u00e3o, a gente est\u00e1 junto\u201d, assegurou Marcovaldi.<\/p>\n\n\n\n<p>No final da d\u00e9cada de 1990, durante a implanta\u00e7\u00e3o do Parque Marinho de Abrolhos, os pesquisadores descobriram uma pequena quantidade de baleias Jubarte remanescente de uma popula\u00e7\u00e3o que quase foi dizimada pela ca\u00e7a. \u201cFoi uma surpresa e uma alegria muito grandes\u201d, disse Marcovaldi.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A popula\u00e7\u00e3o, que era estimada entre mil e 1,5 mil esp\u00e9cies, na d\u00e9cada de 1990, subiu hoje para 20 mil baleias Jubarte. No ano passado, o projeto percorreu na regi\u00e3o de Abrolhos cerca de 798,8 milhas n\u00e1uticas durante 23 dias. Nesse per\u00edodo, foram registrados 171 grupos que somaram 433 baleias, das quais 76 eram filhotes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pesquisas<\/h2>\n\n\n\n<p>O Projeto Baleia Jubarte, tamb\u00e9m apoiado pela Petrobras, tem v\u00e1rias linhas de pesquisa. H\u00e1 coleta de dados e de material para subsidiar pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o. \u201cColher conhecimento para informar \u00e0 sociedade como um todo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na foto identifica\u00e7\u00e3o, identifica-se cada baleia pela parte central da nadadeira caudal, que apresenta um padr\u00e3o de pigmenta\u00e7\u00e3o que varia do branco at\u00e9 o preto total. \u201c\u00c9 como se fosse a impress\u00e3o digital do ser humano\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos \u00faltimos 30 anos, o banco de identifica\u00e7\u00e3o do projeto superou 6 mil baleias. Os pesquisadores coletam tamb\u00e9m pequenos peda\u00e7os de pele e gordura das baleias para ver material gen\u00e9tico, contaminantes, sexo das baleias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda o censo a\u00e9reo para estimativa populacional, que \u00e9 feito de tr\u00eas em tr\u00eas anos. Outra linha de pesquisa recente \u00e9 a fotogrametria, com ajuda de drones, para estimar a sa\u00fade das baleias e caracter\u00edsticas de cada local. Belas imagens s\u00e3o feitas durante as pesquisas para sensibilizar a sociedade para a conserva\u00e7\u00e3o desses cet\u00e1ceos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras a\u00e7\u00f5es importantes para a preserva\u00e7\u00e3o da baleia Jubarte \u00e9 o trabalho de turismo de observa\u00e7\u00e3o ao longo do litoral da Bahia e do Esp\u00edrito Santo, com v\u00e1rios parceiros capacitados e monitorados. \u201cAcreditamos que \u00e9 uma grande ferramenta para a conserva\u00e7\u00e3o, porque agrega valor econ\u00f4mico em cima da baleia. \u00c9 um gerador de emprego e renda, de sensibiliza\u00e7\u00e3o. Isso contrap\u00f5e qualquer amea\u00e7a que venha de ca\u00e7a. A gente prova que vale muito mais baleia viva do que morta\u201d, disse Enrico Marcovaldi.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A temporada de turismo de observa\u00e7\u00e3o de baleias Jubarte foi aberta agora em Porto Seguro.<\/p>\n\n\n\n<p>Para esta temporada, o Baleia Jubarte conta com a parceria da universidade australiana Griffith University para uma avalia\u00e7\u00e3o detalhada da nutri\u00e7\u00e3o das baleias. O objetivo \u00e9 identificar se as baleias est\u00e3o bem nutridas ou n\u00e3o e usar as baleias Jubarte como sentinelas para avaliar o impacto da mudan\u00e7a do clima sobre a Ant\u00e1rtica.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<br><em>Quer receber as not\u00edcias do <strong>Aconteceu no Vale<\/strong> em primeira m\u00e3o? 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