{"id":179732,"date":"2021-07-03T20:37:48","date_gmt":"2021-07-03T23:37:48","guid":{"rendered":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=179732"},"modified":"2021-07-03T20:40:48","modified_gmt":"2021-07-03T23:40:48","slug":"pesquisadores-descobrem-mutacao-em-tumor-usando-biopsia-liquida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=179732","title":{"rendered":"Pesquisadores descobrem muta\u00e7\u00e3o em tumor usando bi\u00f3psia l\u00edquida"},"content":{"rendered":"\n<p>Pesquisadores do Instituto Estadual do C\u00e9rebro, liderados pelos m\u00e9dicos Vivaldo Moura Neto e Veronica Aran, identificaram, pela primeira vez, uma nova muta\u00e7\u00e3o em um tumor cerebral, localizado na hip\u00f3fise, utilizando bi\u00f3psia l\u00edquida por PCR digital. Os resultados foram divulgados na revista internacional&nbsp;<em>Pituitary Journal<\/em>. O estudo descreve uma muta\u00e7\u00e3o na prote\u00edna conhecida como K-RAS em macroadenoma hipofis\u00e1rio, tipo de tumor cerebral tamb\u00e9m identificado como adenoma pituit\u00e1rio. O macroadenoma hipofis\u00e1rio pode acarretar sintomas como dores de cabe\u00e7a, perda parcial de vis\u00e3o e altera\u00e7\u00f5es em horm\u00f4nios. A hip\u00f3fise \u00e9 uma gl\u00e2ndula end\u00f3crina, de fun\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas, localizada na parte inferior do c\u00e9rebro.<\/p>\n\n\n\n<p>Moura Neto informou hoje (3\/7\/2021) \u00e0\u00a0Ag\u00eancia Brasil\u00a0que a bi\u00f3psia l\u00edquida \u00e9 um procedimento metodol\u00f3gico antigo, da d\u00e9cada de 1970. Nessa \u00e9poca, come\u00e7ou-se a fazer a bi\u00f3psia l\u00edquida porque era o exame de c\u00e2ncer de sangue. \u201cMais recentemente, eu diria h\u00e1 coisa de dez anos, come\u00e7ou-se a verificar que tumores s\u00f3lidos poderiam ter estudadas suas muta\u00e7\u00f5es tumorais no sangue do paciente. Quando a pessoa tem um tumor, as c\u00e9lulas desse tumor se desprendem da massa; o DNA se desprende da massa tumoral e cai na corrente circulat\u00f3ria, no chamado sangue perif\u00e9rico\u201d, explicou. Foi percebido ent\u00e3o que esses tumores podiam mostrar muta\u00e7\u00f5es e, mesmo o DNA normal.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do especialista, isso \u00e9 extremamente vantajoso porque se pode aplicar uma agulha para coleta de sangue e com esse exame pode ser verificado se h\u00e1 alguma muta\u00e7\u00e3o indicativa do c\u00e2ncer que o paciente est\u00e1 mostrando para o m\u00e9dico. \u201cPara fazer a bi\u00f3psia s\u00f3lida, de modo geral eu tenho que tomar um peda\u00e7o do tumor. Isso \u00e9 invasivo. Eu vou ter que invadir o indiv\u00edduo com um tumor no p\u00e2ncreas, nos rins, no c\u00e9rebro, no pulm\u00e3o. E com a bi\u00f3psia l\u00edquida, n\u00e3o. Eu vou colher o sangue do paciente e com pouqu\u00edssimo volume de sangue, eu posso ver esses genes de muta\u00e7\u00e3o que representam a forma\u00e7\u00e3o do tumor\u201d, disse Moura Neto. Essa \u00e9 a grande vantagem, segundo exp\u00f4s.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Hip\u00f3fise<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma vez colhido o sangue, \u00e9 feita uma an\u00e1lise de PCR digital, muito usado hoje para diagn\u00f3stico da covid-19. O equipamento, de alta resolu\u00e7\u00e3o, permite ver uma quantidade pequena de muta\u00e7\u00e3o, coisa que, \u00e0s vezes, o sequenciamento n\u00e3o permite ver. O pesquisador explicou que, normalmente, se a muta\u00e7\u00e3o for inferior a 10%, o sequenciamento cl\u00e1ssico tem dificuldade de ver. J\u00e1 a PCR digital permite ver. \u201cO nosso, por exemplo, era da ordem de 1%\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Moura Neto esclareceu que mesmo uma muta\u00e7\u00e3o t\u00e3o pequena \u00e9 importante para o tumor. \u201cEu n\u00e3o estou dizendo que ela \u00e9 a \u00fanica do tumor. Ele pode mostrar diferentes muta\u00e7\u00f5es que s\u00e3o t\u00edpicas de um caso de c\u00e2ncer. Essa foi a menor. A vantagem \u00e9 que ela jamais tinha sido descrita no caso da hip\u00f3fise. Ela foi encontrada j\u00e1 em outros tumores, de outros tecidos. Mas no caso da hip\u00f3fise, n\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Moura Neto afirmou que a grande import\u00e2ncia da descoberta para o Instituto do C\u00e9rebro \u00e9 que d\u00e1 aos especialistas a possibilidade de entender melhor esse tumor na hip\u00f3fise, que \u00e9 uma gl\u00e2ndula muito importante para o indiv\u00edduo, porque regula as fun\u00e7\u00f5es hormonais essenciais de crescimento, desenvolvimento, reprodu\u00e7\u00e3o, equil\u00edbrio do estresse e controle metab\u00f3lico. O procedimento permite tamb\u00e9m saber em que linha metab\u00f3lica da hip\u00f3fise essa muta\u00e7\u00e3o est\u00e1 interferindo. \u201cPosso ver ent\u00e3o que essa muta\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de prejudicar uma determinada s\u00e9rie de muta\u00e7\u00f5es Se eu conhe\u00e7o essa muta\u00e7\u00e3o, posso tentar encontrar uma droga, um f\u00e1rmaco, daqui a algum tempo, que seja capaz de bloquear essa muta\u00e7\u00e3o. \u00c9 um sinal importante para n\u00f3s\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O procedimento por PCR digital pode ajudar os m\u00e9dicos tamb\u00e9m a detectar que tipo de tumor cerebral a pessoa tem. O professor Vivaldo Moura Neto destacou a import\u00e2ncia da plataforma de bi\u00f3psia liquida do Instituto Estadual do C\u00e9rebro na identifica\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis biomarcadores tumorais em outros tumores cerebrais tais como Glioblastoma, Schwannoma, Meningioma, Ependinoma, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Outros c\u00e2nceres<\/h2>\n\n\n\n<p>O procedimento pode ser usado para avalia\u00e7\u00e3o de outros tipos de c\u00e2ncer e n\u00e3o somente os de c\u00e9rebro, admitiu Moura Neto. Disse que um colega m\u00e9dico especialista em p\u00e2ncreas est\u00e1 conversando com os pesquisadores do instituto, porque quer fazer esse exame no sangue de pacientes que ele tem encontrado com tumor no p\u00e2ncreas. \u201cE tumor de p\u00e2ncreas \u00e9 realmente fatal\u201d, assegurou Moura Neto.<\/p>\n\n\n\n<p>Revelou que, no momento, o que se faz no mundo \u00e9 \u201cdizer que o paciente tem o tumor xis que eu estou conseguindo verificar pela bi\u00f3psia l\u00edquida. Mas ela tem outras duas vantagens. A primeira \u00e9 que o m\u00e9dico pode preocupar-se em antever sinais de express\u00e3o do c\u00e2ncer. Faz uma bi\u00f3psia l\u00edquida para ver se o indiv\u00edduo j\u00e1 tem algum sinal. A tend\u00eancia \u00e9 que esse exame possa nos ajudar a chegar mais cedo ao c\u00e2ncer, antes que o tumor se torne t\u00e3o ruim\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda vantagem \u00e9 que a bi\u00f3psia l\u00edquida pode, periodicamente, colher sangue do indiv\u00edduo e ver se a muta\u00e7\u00e3o continua com a mesma taxa, se diminuiu ou desapareceu totalmente ap\u00f3s o tratamento cir\u00fargico ou quimioter\u00e1pico. \u201cEsse eu acho o lado mais bonito do problema. Acompanhar o paciente e saber se ele tem chance, com a cirurgia, de vencer o tumor que est\u00e1 ali. Porque nem sempre isso acontece. H\u00e1 tumores que voltam, que recidivam e, portanto, trazem problemas mais cedo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Projetos<\/h2>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores querem desenvolver no Instituto Estadual do C\u00e9rebro, no momento, outro projeto para analisar o sangue de pacientes com epilepsia e verificar se t\u00eam alguma altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica importante, que aparece no sangue. Outra coisa importante tanto para epilepsia como para os tumores ou para as doen\u00e7as em geral \u00e9 encontrar no sangue dos pacientes mol\u00e9culas que s\u00e3o indicativas de um quadro inflamat\u00f3rio ou anti-inflamat\u00f3rio, t\u00edpicos de determinadas doen\u00e7as. \u201cIsso eu posso ver na bi\u00f3psia l\u00edquida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com os pacientes que t\u00eam c\u00e2ncer no c\u00e9rebro, os m\u00e9dicos est\u00e3o \u201cvarrendo\u201d o sangue desses diferentes tumores para descobrir quais s\u00e3o as mol\u00e9culas inflamat\u00f3rias e anti-inflamat\u00f3rias presentes. \u201cQual \u00e9 o balan\u00e7o que eu tenho disso\u201d. Outra coisa interessante que os pesquisadores podem ver a partir do sangue por PCR Digital \u00e9 que a bi\u00f3psia l\u00edquida pode dar uma muta\u00e7\u00e3o, as mol\u00e9culas inflamat\u00f3rias e outra quest\u00e3o que, atualmente, \u00e9 muito relevante, que s\u00e3o as chamadas micro RNAS, que s\u00e3o \u201cos filhos do DNA\u201d. Moura Neto explicou que existem mol\u00e9culas de RNA que s\u00e3o muito pequenas. \u201c\u00c9 poss\u00edvel verificar se essas mol\u00e9culas est\u00e3o presentes no sangue circulante e algumas delas s\u00e3o indicativas de c\u00e2ncer, ou seja, acompanham um quadro de c\u00e2ncer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEnt\u00e3o, eu posso, com a bi\u00f3psia l\u00edquida e esse sistema que a gente usa de PCR encontrar alguns elementos importantes para um melhor diagn\u00f3stico do tumor, um seguimento do paciente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo envolveu as equipes de neuroendocrinologia da m\u00e9dica Monica Gadelha, a de neuropatologia com a especialista Leila Chimelli, lideradas pelo m\u00e9dico Paulo Niemeyer Filho. A pesquisa contou com financiamento da Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas Filho de Amparo \u00e0 Pesquisa do Rio de Janeiro e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<br><em>Quer receber as not\u00edcias do <strong>Aconteceu no Vale<\/strong> em primeira m\u00e3o? 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