{"id":179114,"date":"2021-06-07T20:34:52","date_gmt":"2021-06-07T23:34:52","guid":{"rendered":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=179114"},"modified":"2021-06-07T20:37:42","modified_gmt":"2021-06-07T23:37:42","slug":"mudanca-climatica-pode-gerar-mais-perdas-que-covid-19-diz-relatorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=179114","title":{"rendered":"Mudan\u00e7a clim\u00e1tica pode gerar mais perdas que Covid-19, diz relat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"\n<p>A\u00a0economia\u00a0dos pa\u00edses mais ricos vai\u00a0encolher duas vezes mais do que na crise da covid-19, se os governos n\u00e3o conseguirem lidar com o aumento das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. De acordo com um novo relat\u00f3rio, divulgado esta segunda-feira pela organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG) Oxfam,\u00a0as na\u00e7\u00f5es do G7 podem perder 8,5%\u00a0do seu Produto Interno Bruto (PIB) por ano at\u00e9 2050.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"678\" height=\"406\" src=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/fumaca_carro.jpg\" alt=\"\" data-id=\"179115\" data-full-url=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/fumaca_carro.jpg\" data-link=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?attachment_id=179115\" class=\"wp-image-179115\" srcset=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/fumaca_carro.jpg 678w, https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/fumaca_carro-300x180.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><em>Polui\u00e7\u00e3o &#8211; Foto: Arquivo\/Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>O custo anual para enfrentar os impactos da crise clim\u00e1tica vai superar o custo econ\u00f4mico da pandemia. Em 2050, as na\u00e7\u00f5es do G7 &#8211; o grupo dos pa\u00edses mais industrializados do mundo &#8211; podem perder em m\u00e9dia 8,5% do PIB&nbsp;a cada ano (o equivalente a US$ 4,8 trilh\u00f5es), ou seja, o dobro dos 4,2% atingidos pelas perdas econ\u00f4micas geradas pela covid-19, se as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas continuarem sem ser controladas ou revertidas.<\/p>\n\n\n\n<p>As conclus\u00f5es foram divulgadas nesta segunda-feira (7)&nbsp;em novo relat\u00f3rio da Oxfam, baseado na investiga\u00e7\u00e3o do Swiss Re Institute.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O mundo pode perder cerca de 10% do valor econ\u00f4mico total em meados do s\u00e9culo se as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas permanecerem na trajet\u00f3ria atualmente prevista e se o Acordo de Paris e as metas de emiss\u00f5es l\u00edquidas zero para 2050 n\u00e3o forem cumpridas&#8221;, alerta&nbsp;o relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os especialistas acrescentam&nbsp;que os pa\u00edses do G7 podem ver as suas economias encolherem duas vezes mais do que agora que enfrentam a pandemia, nos pr\u00f3ximos 30 anos, se a temperatura global subir 2,6\u00baC. Entre os motivos est\u00e3o as perdas causadas pelo calor e a sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es com as mudan\u00e7as extremas da temperatura, o aumento do n\u00edvel do mar, as secas e inunda\u00e7\u00f5es&nbsp;e a redu\u00e7\u00e3o de produtividade dos terrenos agr\u00edcolas, que podem impedir o crescimento econ\u00f4mico dessas na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A economia do Reino Unido, por exemplo, pode perder 6,5% ao ano at\u00e9 2050 com as pol\u00edticas e proje\u00e7\u00f5es atuais, em compara\u00e7\u00e3o com os 2,4% se as metas do acordo clim\u00e1tico de Paris fossem cumpridas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 pa\u00edses que ser\u00e3o ainda mais prejudicados, incluindo a \u00cdndia, cuja economia pode encolher cerca de 25% devido ao aumento de temperatura. Tamb\u00e9m a Austr\u00e1lia vai perder cerca de 12,5% da sua produ\u00e7\u00e3o e a Coreia do Sul arrisca-se a perder quase um d\u00e9cimo do seu potencial econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essa raz\u00e3o, a Oxfam apela ao G7 para que estabele\u00e7a novas metas clim\u00e1ticas na prepara\u00e7\u00e3o para a COP26. Os l\u00edderes dos pa\u00edses do G7 &#8211; Reino Unido, Estados Unidos (EUA), Jap\u00e3o, Canad\u00e1, Fran\u00e7a, Alemanha, It\u00e1lia &#8211; e a Uni\u00e3o Europeia (UE) v\u00e3o reunir-se, na Cornualha (Reino Unido), na pr\u00f3xima sexta-feira (11), para debater a economia global, as vacinas contra a covid-19, os impostos sobre as empresas e a crise clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Economias mais desenvolvidas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os dados do documento, relativamente \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o a &#8220;riscos clim\u00e1ticos severos resultantes das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas&#8221;, o sudeste da \u00c1sia e a Am\u00e9rica Latina provavelmente ser\u00e3o &#8220;os mais suscet\u00edveis a condi\u00e7\u00f5es de seca&#8221;. Por outro lado, muitos pa\u00edses no norte e no leste da Europa, devem sofrer mais impactos devido a chuvas intensas e inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice de Economia do Clima, apresentado no relat\u00f3rio, indica que &#8220;muitas economias avan\u00e7adas no Hemisf\u00e9rio Norte s\u00e3o menos vulner\u00e1veis \u200b\u200baos efeitos gerais das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, estando menos expostas aos riscos associados e com melhores recursos para lidar com isso&#8221;. Os EUA, o Canad\u00e1 e a Alemanha, por exemplo, est\u00e3o entre os dez pa\u00edses menos vulner\u00e1veis aos impactos da crise clim\u00e1tica, tanto em&nbsp;n\u00edvel ambiental e de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o quanto&nbsp;em&nbsp;n\u00edvel econ\u00f4mico. Portugal tamb\u00e9m aparece nos primeiros lugares como um dos pa\u00edses menos vulner\u00e1vel a impactos f\u00edsicos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essas descobertas, avisa a Oxfam, fazem sobressair a necessidade de as na\u00e7\u00f5es reduzirem as emiss\u00f5es de carbono mais rapidamente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A crise clim\u00e1tica est\u00e1 devastando&nbsp;vidas nos pa\u00edses mais pobres, mas as economias mais desenvolvidas do mundo n\u00e3o est\u00e3o imunes&#8221;, afirma&nbsp;no relat\u00f3rio o CEO da Oxfam GB, Danny Sriskandarajah.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O governo do Reino Unido tem uma oportunidade \u00fanica numa gera\u00e7\u00e3o de liderar o mundo em dire\u00e7\u00e3o a um planeta mais seguro e habit\u00e1vel para todos&#8221;, acrescentou.&nbsp;&#8220;Deve for\u00e7ar todos os tend\u00f5es diplom\u00e1ticos para garantir o resultado mais forte poss\u00edvel no G7 e na COP26&nbsp;e liderar pelo exemplo,&nbsp;transformando promessas em a\u00e7\u00f5es e revertendo decis\u00f5es autodestrutivas, como a proposta da mina de carv\u00e3o em Cumbria e cortes na ajuda internacional&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Jerome Haegeli, economista-chefe do grupo Swiss Re, considera que&nbsp;&#8220;as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o o risco n\u00famero um de longo prazo para a economia global, e ficar onde estamos n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o &#8211; precisamos de mais progresso por parte do G7&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa&nbsp;&#8220;n\u00e3o apenas obriga\u00e7\u00f5es de reduzir o CO2, mas tamb\u00e9m ajudar os pa\u00edses em desenvolvimento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Haegeli,&nbsp;tamb\u00e9m a distribui\u00e7\u00e3o de vacinas contra a covid-19 \u00e9 uma forma de ajudar os pa\u00edses em desenvolvimento, &#8220;j\u00e1 que as suas economias foram duramente atingidas pela pandemia e precisariam de ajuda para se recuperar num caminho verde, em vez de aumentar os combust\u00edveis f\u00f3sseis&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A Swiss Re concluiu que as pol\u00edticas e as atuais promessas dos governos para reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa ainda s\u00e3o inadequadas para cumprir as metas do acordo de Paris.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pa\u00edses em desenvolvimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antes da COP26, o Reino Unido pede&nbsp;a todos os pa\u00edses para apresentarem promessas mais duras sobre a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono, a fim de cumprir as metas de Paris e de limitar o aquecimento global abaixo de 2\u00baC.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esse limite est\u00e1 cada vez mais amea\u00e7ado, visto que as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa devem aumentar drasticamente este ano, para o segundo maior aumento j\u00e1 registrado, devido \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o da recess\u00e3o da covid-19 e ao aumento do uso de carv\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O risco clim\u00e1tico \u00e9 um risco sist\u00eamico, que pode ser gerido por meio&nbsp;de uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica global coordenada. Existe uma oportunidade \u00fanica de tornar as nossas economias mais verdes&#8221;, afirmam&nbsp;os especialistas no relat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo,&nbsp;a ajuda internacional tem sido o principal obst\u00e1culo para muitos, e tem sido descrita como um desastre diplom\u00e1tico j\u00e1 que&nbsp;o sucesso da COP26 depender\u00e1, em parte, de o&nbsp;Reino Unido conseguir persuadir outras na\u00e7\u00f5es ricas na c\u00fapula do G7 a apresentarem promessas muito maiores de assist\u00eancia financeira aos pa\u00edses em desenvolvimento, de forma a ajudar os pa\u00edses pobres a reduzir suas emiss\u00f5es e a lidar com os impactos da degrada\u00e7\u00e3o do clima.<\/p>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds mais afetado no G7 seria a It\u00e1lia, que deve perder 11,4% do PIB a cada ano.&nbsp;Mas os pa\u00edses em desenvolvimento seriam duramente atingidos, com a \u00cdndia sofrendo&nbsp;perdas de 27% no PIB e as Filipinas, 35%.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro Registro de Amea\u00e7as Ecol\u00f3gicas (ETR), do Instituto de Economia e Paz, alertou tamb\u00e9m que a crise clim\u00e1tica pode levar ao deslocamento&nbsp;de mais de 1,2 bilh\u00e3o de pessoas at\u00e9 2050, considerando as amea\u00e7as \u00e0 sua sobreviv\u00eancia como desastres naturais, escassez de alimentos e \u00e1gua, criando tend\u00eancias de migra\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o Banco Mundial revelou, recentemente, que haver\u00e1 entre 32 milh\u00f5es e 132 milh\u00f5es de pessoas a mais vivendo&nbsp;em condi\u00e7\u00f5es de pobreza extrema at\u00e9 2030, devido ao aquecimento global.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio da Oxfam reitera ainda que&nbsp;os governos do G7 n\u00e3o est\u00e3o cumprindo&nbsp;a promessa de contribuir com US$ 100 bilh\u00f5es&nbsp;para ajudar os pa\u00edses em desenvolvimento, estimando-se que tenha entregado at\u00e9 agora&nbsp;apenas US$ 10 bilh\u00f5es&nbsp;para projetos e iniciativas de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, apenas o Reino Unido e os EUA concordaram em aumentar o financiamento dos n\u00edveis atuais. A Fran\u00e7a, por sua vez, pretende manter os n\u00edveis atuais de financiamento clim\u00e1tico, e o Canad\u00e1, a Alemanha, o Jap\u00e3o e a It\u00e1lia ainda n\u00e3o confirmaram se pretendem manter ou aumentar os investimentos verdes nos pa\u00edses menos desenvolvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<br><em>Quer receber as not\u00edcias do <strong>Aconteceu no Vale<\/strong> em primeira m\u00e3o? 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