{"id":174163,"date":"2021-02-18T19:44:28","date_gmt":"2021-02-18T22:44:28","guid":{"rendered":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=174163"},"modified":"2021-02-18T19:44:44","modified_gmt":"2021-02-18T22:44:44","slug":"mineradora-vale-removera-mais-familias-por-causa-de-riscos-em-barragens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=174163","title":{"rendered":"Mineradora Vale remover\u00e1 mais fam\u00edlias por causa de riscos em barragens"},"content":{"rendered":"\n<p>A Vale vai remover, nos pr\u00f3ximos dias, mais fam\u00edlias do munic\u00edpio mineiro de Bar\u00e3o de Cocais que vivem nos arredores da Barragem Norte\/Laranjeiras. A mineradora informou hoje (18) que, apesar das condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a da estrutura permanecerem inalteradas, um novo estudo foi realizado e levou a uma altera\u00e7\u00e3o na abrang\u00eancia da zona de autossalvamento, isto \u00e9, toda a \u00e1rea que seria&nbsp;inundada em menos de 30 minutos no caso de um rompimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Este foi o segundo an\u00fancio de remo\u00e7\u00f5es em menos de uma semana. Na \u00faltima sexta-feira (12), fam\u00edlias de uma comunidade na \u00e1rea rural de Ouro Preto tamb\u00e9m foram informadas sobre a necessidade de evacua\u00e7\u00e3o pelo mesmo motivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nota, a Vale diz que prestar\u00e1 toda assist\u00eancia necess\u00e1ria \u00e0s fam\u00edlias at\u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o seja normalizada. &#8220;A Barragem Norte\/Laranjeiras j\u00e1 n\u00e3o recebe rejeitos e conta com a\u00e7\u00f5es de melhoria de seguran\u00e7a e condi\u00e7\u00f5es de estabilidade em curso. A companhia reitera que sua prioridade \u00e9 a seguran\u00e7a das pessoas e comunidades a jusante de suas opera\u00e7\u00f5es, assim como a seguran\u00e7a de todas as suas estruturas&#8221;, informa a Vale.<\/p>\n\n\n\n<p>A mineradora acrescenta que todo o processo respeitar\u00e1 os protocolos recomendados diante da pandemia de covid-19. O n\u00famero de fam\u00edlias a serem removidas n\u00e3o foi informado.<\/p>\n\n\n\n<p>A Barragem Norte\/Laranjeiras integra a Mina de Brucutu, localizada em S\u00e3o Gon\u00e7alo do Rio Abaixo (MG). A nova \u00e1rea inclu\u00edda na zona de autossalvamento, no entanto, fica em Bar\u00e3o de Cocais. Alguns moradores do munic\u00edpio\u00a0foram removidos\u00a0em novembro do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi\u00e3o, a Vale elevou a Barragem Norte\/Laranjeiras para o n\u00edvel de emerg\u00eancia 2, conforme a classifica\u00e7\u00e3o estabelecida pela Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM). A escala vai at\u00e9 3, quando o risco de rompimento passa a ser considerado iminente. Bar\u00e3o de Cocais \u00e9 sede de uma das quatro estruturas da Vale que est\u00e3o atualmente no n\u00edvel 3: a Barragem Sul Superior, da Mina de Gongo Soco, que j\u00e1 demandou a remo\u00e7\u00e3o de\u00a0mais de 400 pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>A nova zona de autossalvamento nos arredores da Barragem Norte\/Laranjeiras foi apresentada pela Vale \u00e0 Defesa Civil de Minas Gerais e ao Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais (MPMG). Segundo a mineradora, a estrutura n\u00e3o recebe mais rejeitos, e o novo estudo adotou uma abordagem mais conservadora conforme foi acordado com o governo do estado e o MPMG em um termo de compromisso que definiu novos par\u00e2metros para atualiza\u00e7\u00e3o das manchas de inunda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 similar \u00e0 da comunidade de Ant\u00f4nio Pereira, em Ouro Preto. Na \u00faltima semana, foi apresentado um estudo que ampliou a zona de autossalvamento da Barragem de Doutor, da Mina de Timbopeba, que tamb\u00e9m se encontra em n\u00edvel 2. Na \u00e1rea inclu\u00edda, h\u00e1 30 resid\u00eancias. De acordo com a Defesa Civil, o processo de remo\u00e7\u00e3o dessas fam\u00edlias ser\u00e1 gradual e dever\u00e1 ser conclu\u00eddo at\u00e9 23 de abril. Esta tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 a primeira evacua\u00e7\u00e3o realizada na comunidade de Ant\u00f4nio Pereira. Em setembro do ano passado, a Vale foi condenada pelo Tribunal de Justi\u00e7a de Minas Gerais (TJMG) a reparar integralmente todos os danos causados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o atingida. Para medidas de apoio \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, foram bloqueados R$ 100 milh\u00f5es das contas da mineradora.<\/p>\n\n\n\n<p>Ouro Preto tamb\u00e9m \u00e9 sede de estruturas da Vale com risco de rompimento, que, por isso, est\u00e3o paralisadas. Em dezembro do ano passado, o TJMG autorizou a mineradora a fazer manuten\u00e7\u00e3o, inspe\u00e7\u00e3o e monitoramento das barragens Forquilhas I, II e IV do Complexo Mina da F\u00e1brica. A Vale fez o pedido judicial argumentando que a situa\u00e7\u00e3o poderia ficar cr\u00edtica, com risco de efetivo rompimento, diante da proximidade do per\u00edodo chuvoso. De acordo com a mineradora, todas as suas barragens s\u00e3o monitoradas permanentemente com equipamentos modernos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos casos que demandam remo\u00e7\u00e3o, os alugu\u00e9is de novas casas s\u00e3o obrigatoriamente custeados pela respons\u00e1vel pela estrutura. Os im\u00f3veis devem ser aprovados pelos atingidos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Evacua\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>O cont\u00ednuo aumento das \u00e1reas evacuadas em decorr\u00eancia da atividade miner\u00e1ria \u00e9 um dos desobramentos de duas trag\u00e9dias ocorridas em Minas Gerais nos \u00faltimos anos. Em novembro de 2015, uma enorme devasta\u00e7\u00e3o na Bacia do Rio Doce e a morte de 19 pessoas foram consequ\u00eancia do rompimento de uma estrutura em Mariana mantida pela Samarco, uma&nbsp;<em>joint-venture<\/em>&nbsp;de Vale e da BHP Billiton. Em janeiro de 2019, outra barragem rompeu-se em Brumadinho, deixando 270 mortos. A respons\u00e1vel pela estrutura era a mineradora Vale.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a segunda trag\u00e9dia, houve um pente-fino nas estruturas de minera\u00e7\u00e3o, envolvendo desde vistorias da ANM at\u00e9 a\u00e7\u00f5es judiciais movidas pelo MPMG pedindo a paralisa\u00e7\u00e3o das atividades em determinadas minas. Como resultado, dezenas de barragens foram consideradas inseguras e ficaram impedidas de operar.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos casos considerados mais cr\u00edticos, a Justi\u00e7a ou a ANM exigiu a retirada da popula\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de risco. Al\u00e9m disso, o poder p\u00fablico determinou que todas as barragens que usam o m\u00e9todo de alteamento a montante, assim como as que se romperam em Mariana e Brumadinho, deveriam ser paralisadas e descaracterizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em comunicado divulgado no m\u00eas passado, a Vale informou j\u00e1 ter conclu\u00eddo a descaracteriza\u00e7\u00e3o de quatro barragens e atualizado o plano com base em novos estudos. &#8220;Ele [plano] considera atualmente 29 estruturas geot\u00e9cnicas, compreendendo 14 barragens, 13 diques e dois empilhamentos drenados&#8221;, registra o comunicado.<\/p>\n\n\n\n<p>A Vale n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica mineradora que precisou arcar com o processo de remo\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias. A ArcelorMittal, por exemplo, \u00e9 respons\u00e1vel pela barragem do complexo miner\u00e1rio Serra Azul, situada em Itatiaiu\u00e7u (MG). Mais de 200 moradores precisaram deixar suas casas ap\u00f3s o acionamento do n\u00edvel de emerg\u00eancia 2, no dia 8 de fevereiro de 2019. Na semana passada, quando a evacua\u00e7\u00e3o completou dois anos, os residentes na \u00e1rea fecharam uma rodovia estadual em protesto. Recentemente, eles apresentaram\u00a0uma proposta de matriz de danos\u00a0\u00e0 mineradora, ao MPF e ao MPMG, elaborada com o apoio da Associa\u00e7\u00e3o Estadual de Defesa Social e Ambiental (Aedas), entidade escolhida pelos pr\u00f3prios atingidos para prestar assessoria t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em dezembro, a ArcelorMittal confirmou que o documento foi recebido e estava em discuss\u00e3o. As negocia\u00e7\u00f5es prosseguem. &#8220;Est\u00e1 acordado que, at\u00e9 5 junho de 2021, seja assinado o termo de acordo complementar, sob coordena\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es de Justi\u00e7a, que dever\u00e1 contemplar todo o plano de repara\u00e7\u00e3o integral dos danos individuais sofridos&#8221;, diz a Aedas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<br><em>Quer receber as not\u00edcias do <strong>Aconteceu no Vale<\/strong> em primeira m\u00e3o? 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