{"id":172802,"date":"2021-01-25T09:18:25","date_gmt":"2021-01-25T12:18:25","guid":{"rendered":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=172802"},"modified":"2021-01-25T09:18:48","modified_gmt":"2021-01-25T12:18:48","slug":"super-ricos-vao-recuperar-perdas-em-tempo-recorde-diz-relatorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=172802","title":{"rendered":"Super-ricos v\u00e3o recuperar perdas em tempo recorde, diz relat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"\n<p>As mil pessoas mais ricas do mundo levar\u00e3o apenas nove meses para ver suas fortunas retornarem aos n\u00edveis pr\u00e9-pandemia, enquanto os mais pobres v\u00e3o levar 14 vezes mais, ou seja, mais&nbsp;de dez&nbsp;anos, para conseguir repor as perdas devido ao impacto econ\u00f4mico da doen\u00e7a. A conclus\u00e3o \u00e9 do relat\u00f3rio&nbsp;<em>O V\u00edrus da Desigualdade<\/em>, que ser\u00e1 lan\u00e7ado pela Oxfam nesta&nbsp;segunda-feira (25), na abertura do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial em Davos, na Su\u00ed\u00e7a.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1399599&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1399599&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Em fevereiro de 2020, foi identificado o valor da fortuna dos mais ricos, representando 100%. Em mar\u00e7o, essa riqueza caiu para 70,3%, voltando aos 100% em novembro. Como base de compara\u00e7\u00e3o sobre a velocidade dessa recupera\u00e7\u00e3o, os mais ricos do mundo levaram cinco anos para recuperar o que perderam durante a crise financeira de 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pandemia escancarou as desigualdades \u2013 no Brasil e no mundo. \u00c9 revoltante ver um pequeno grupo de privilegiados acumular tanto em meio a uma das piores crises globais j\u00e1 ocorridas na hist\u00f3ria\u201d, afirmou Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil. \u201cEnquanto os super-ricos lucram, os mais pobres perdem empregos e renda, ficando \u00e0 merc\u00ea da mis\u00e9ria e da fome.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio mostra&nbsp;que, em todo o mundo, os bilion\u00e1rios acumularam US$ 3,9 trilh\u00f5es entre&nbsp;18 de mar\u00e7o e&nbsp;31 de dezembro&nbsp;de 2020, sendo que sua riqueza total&nbsp;hoje&nbsp;\u00e9 de US$ 11,95 trilh\u00f5es, o equivalente ao que os governos do G20 gastaram para enfrentar a pandemia. Apenas os dez maiores bilion\u00e1rios acumularam US$ 540 bilh\u00f5es no per\u00edodo \u2013 o suficiente para pagar pela vacina contra a covid-19 para todo o mundo e garantir que ningu\u00e9m chegue \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de pobreza.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a pandemia deu in\u00edcio a uma crise em rela\u00e7\u00e3o aos empregos, que, segundo a Oxfam, \u00e9 a pior em mais de 90 anos. A Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) estima que cerca de meio bilh\u00e3o de pessoas est\u00e3o agora subempregadas ou sem emprego, enfrentando mis\u00e9ria e fome. \u201cQuando o coronav\u00edrus chegou, mais da metade dos trabalhadores e trabalhadoras dos pa\u00edses de&nbsp;baixa renda viviam na pobreza, e 75% dos trabalhadores e trabalhadoras do mundo n\u00e3o tinham&nbsp;acesso a prote\u00e7\u00f5es sociais como aux\u00edlio-doen\u00e7a ou seguro-desemprego\u201d, observa&nbsp;a entidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desses dados, o relat\u00f3rio revela que a pandemia de covid-19 tem o potencial de aumentar a desigualdade econ\u00f4mica em quase todos os pa\u00edses ao mesmo tempo, o que acontece pela primeira vez desde que as desigualdades come\u00e7aram a ser medidas h\u00e1 mais de 100 anos. Para a Oxfam, a sociedade, empresas, governos e institui\u00e7\u00f5es devem agir com base na urg\u00eancia de criar um mundo mais igualit\u00e1rio e sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA crise provocada pela pandemia exp\u00f4s nossa fragilidade coletiva e a incapacidade da nossa economia profundamente desigual trabalhar para todos. No entanto, tamb\u00e9m nos mostrou a grande import\u00e2ncia da a\u00e7\u00e3o governamental para proteger nossa sa\u00fade e meios de subsist\u00eancia. Pol\u00edticas transformadoras que pareciam impens\u00e1veis antes da crise, de repente se mostraram poss\u00edveis. N\u00e3o pode haver retorno para onde est\u00e1vamos antes da pandemia\u201d, diz o texto.<\/p>\n\n\n\n<p>Economias mais justas s\u00e3o a chave para uma recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica r\u00e1pida da pandemia, segundo avalia\u00e7\u00e3o da Oxfam. A exist\u00eancia de um imposto tempor\u00e1rio sobre os excessivos lucros obtidos pelas 32 corpora\u00e7\u00f5es globais que mais lucraram durante a pandemia poderia arrecadar US$ 104 bilh\u00f5es em 2020. O valor, conforme estima a Oxfam, seria o suficiente para providenciar aux\u00edlio-desemprego para todos os trabalhadores afetados durante a pandemia e para dar apoio financeiro a todas as crian\u00e7as e idosos em pa\u00edses de renda baixa ou m\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA desigualdade extrema n\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel, mas uma escolha pol\u00edtica. Os governos pelo mundo precisam utilizar este momento de grande sofrimento para construir economias mais justas,&nbsp;igualit\u00e1rias e inclusivas, que protejam o planeta e acabem com a pobreza. A nova fase&nbsp;p\u00f3s-pandemia n\u00e3o pode ser uma repeti\u00e7\u00e3o de tantos erros do passado, que nos legaram um mundo que beneficia poucos \u00e0s custas de milh\u00f5es\u201d, acrescentou&nbsp;Katia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica tem que incluir as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e n\u00e3o pode haver recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica sem responsabilidade social. A necessidade de repara\u00e7\u00e3o da desigualdade se d\u00e1 ainda diante de outro fator de alerta mostrado pelo documento: a inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio concluiu que o impacto da pandemia sobre empregos e meios de subsist\u00eancia fez, expandir de forma r\u00e1pida e significativa, a crise alimentar. O Programa Mundial de Alimentos das Na\u00e7\u00f5es Unidas (PMA) estimou que o n\u00famero de pessoas que passam fome aumentaria para 270 milh\u00f5es no fim&nbsp;de 2020 por causa da pandemia, um aumento de 82% em compara\u00e7\u00e3o a 2019. A Oxfam considerou&nbsp;que isso poderia significar entre 6 mil e 12 mil pessoas morrendo a cada dia de fome, associada \u00e0 crise at\u00e9 o fim&nbsp;de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEnquanto uma em cada dez pessoas vai para a cama com fome, as oito maiores empresas de alimentos e bebidas do mundo pagaram mais de US$ 18 bilh\u00f5es a seus acionistas entre janeiro e julho de 2020. Isso \u00e9 cinco vezes mais do que os valores arrecadados pela ONU, em novembro de 2020, com a chamada para doa\u00e7\u00f5es para a&nbsp;covid-19\u201d, diz o documento.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito ao g\u00eanero, as mulheres s\u00e3o as que mais sofrem neste contexto, conforme o documento. Elas s\u00e3o maioria nos empregos mais prec\u00e1rios, que foram os mais impactados pela pandemia. Em todo o mundo, 740 milh\u00f5es de mulheres trabalham na economia informal e, durante o primeiro m\u00eas da pandemia, sua renda caiu 60%, o equivalente a uma perda de mais de US$ 396 bilh\u00f5es, segundo dados apresentado pela Oxfam.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos Estados Unidos, 22 mil pessoas negras e hisp\u00e2nicas ainda estariam vivas, at\u00e9 dezembro do ano passado, se tivessem a mesma taxa de mortalidade por covid-19 que as pessoas brancas. O relat\u00f3rio diz ainda que, no Brasil, pessoas negras t\u00eam 40% mais chance de morrer de covid-19 do que pessoas brancas. Se as taxas de mortalidade da doen\u00e7a nos dois grupos fossem as mesmas at\u00e9 junho de 2020, a entidade estima que mais de 9.200 afrodescendentes estariam vivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo a Oxfam, as taxas de contamina\u00e7\u00e3o e mortes por covid-19 s\u00e3o maiores em \u00e1reas mais pobres de pa\u00edses como Fran\u00e7a, Espanha e \u00cdndia. Na Inglaterra, essas taxas s\u00e3o o dobro nas regi\u00f5es mais pobres em compara\u00e7\u00e3o com as mais ricas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-black-background-color has-text-color has-background\">Quer saber as not\u00edcias do <strong>Aconteceu no Vale<\/strong> em primeira m\u00e3o? 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