{"id":169845,"date":"2020-11-21T17:18:48","date_gmt":"2020-11-21T20:18:48","guid":{"rendered":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=169845"},"modified":"2020-11-21T17:19:03","modified_gmt":"2020-11-21T20:19:03","slug":"governo-de-minas-gerais-quer-mais-estudos-sobre-projeto-de-trem-bh-brumadinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=169845","title":{"rendered":"Governo de Minas Gerais quer mais estudos sobre projeto de trem BH-Brumadinho"},"content":{"rendered":"\n<p>O governo de Minas Gerais avalia que a constru\u00e7\u00e3o da&nbsp;linha f\u00e9rrea que ligaria Belo Horizonte ao Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), ainda carece de estudos mais aprofundados sobre a sustentabilidade econ\u00f4mica da opera\u00e7\u00e3o. Os custos da obra podem ser assumidos pela mineradora Vale, dentro do processo de repara\u00e7\u00e3o dos danos causados no rompimento da barragem ocorrido em 2019. O assunto foi discutido nesta semana em audi\u00eancia na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHoje, mais do que o investimento inicial, \u00e9 preciso que se tenha tamb\u00e9m uma engenharia financeira que permita ao projeto ficar de p\u00e9\u201d, disse o secret\u00e1rio adjunto de Planejamento e Gest\u00e3o de Minas Gerais, Luis Ot\u00e1vio Milagres de Assis. Tamb\u00e9m participaram da audi\u00eancia outros integrantes do governo estadual, deputados estaduais, diretores do&nbsp;Inhotim e representantes da comunidade e de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais.<\/p>\n\n\n\n<p>A barragem que se rompeu em Brumadinho em&nbsp;janeiro 2019&nbsp;liberou uma onda de aproximadamente 12 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de rejeitos, causando 270 mortes e devastando comunidades e meio ambiente de cidades da calha do Rio Paraopeba. Uma das frentes de repara\u00e7\u00e3o em discuss\u00e3o envolve a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da regi\u00e3o. O turismo \u00e9 visto como um dos caminhos, j\u00e1 que a cidade tem&nbsp;atrativos de ecoturismo, al\u00e9m de sediar o Instituto Inhotim, considerado o maior centro de arte ao ar livre da Am\u00e9rica Latina. Mas a constru\u00e7\u00e3o da linha f\u00e9rrea depende ainda de um acordo com a mineradora.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Vale, o assunto vem sendo discutido com os \u00f3rg\u00e3os competentes. &#8220;Por se tratar de tema sens\u00edvel a todos, os encontros ocorrem periodicamente e levam em conta um processo de escuta ativa, buscando formas de atender \u00e0s necessidades e demandas da popula\u00e7\u00e3o\u201d, diz em nota a mineradora.<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma \u00e1rea de 140 hectares, que re\u00fanem mais de 20 galerias com obras contempor\u00e2neas, o Inhotim abriu as portas em 2006 e anunciou, meses antes da trag\u00e9dia,&nbsp;ter&nbsp;atingido a marca de 3 milh\u00f5es de visitantes. Apesar de n\u00e3o&nbsp;ter&nbsp;sido diretamente atingido pela onda de lama, o espa\u00e7o precisou fechar por meses em 2019, enquanto a cidade buscava se recuperar dos primeiros impactos e, neste ano, novamente suspendeu as atividades por um per\u00edodo em decorr\u00eancia da pandemia de covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Inhotim&nbsp;est\u00e1 a cerca de 60 quil\u00f4metros do centro de Belo Horizonte. H\u00e1 apenas um \u00f4nibus executivo que sai \u00e0s 8h15 da rodovi\u00e1ria de Belo Horizonte e vai at\u00e9 o p\u00e1tio do centro art\u00edstico, retornando \u00e0s 16h30. O trajeto leva quase duas horas. Vans saindo da Savassi, na regi\u00e3o centro-sul da capital mineira, s\u00e3o um pouco mais r\u00e1pidas. O trem encurtaria o percurso e acredita-se que ele possa se tornar mais atraente ao turista, oferecendo um bilhete de custo mais baixo e gastando menos tempo at\u00e9 o destino.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das propostas da linha f\u00e9rrea \u00e9 defendida pela Associa\u00e7\u00e3o de Amigos do Bairro Belvedere e foi apresentada na Assembleia Legislativa. O projeto foi constru\u00eddo pelo escrit\u00f3rio Prosdocimi Arquitetura. Ele sugere que a esta\u00e7\u00e3o final em Belo Horizonte seja no bairro Belvedere e inclua um parque com \u00e1rea verde e equipamentos de lazer. &#8220;Teria um custo insignificante frente ao que a Vale causou a Brumadinho\u201d, afirma Cohen.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto prev\u00ea o reaproveitamento de uma ferrovia atualmente desativada, que corta a Serra do Curral e liga Brumadinho \u00e0 antiga Mina de \u00c1guas Claras, tamb\u00e9m pertencente \u00e0 Vale. Os trilhos abandonados estariam ainda em bom estado. Os defensores do projeto afirmam que ele seria viabilizado financeiramente, atendendo diariamente a popula\u00e7\u00e3o local. Isso porque o trem n\u00e3o seria exclusivamente tur\u00edstico e contribuiria para o deslocamento entre cidades da regi\u00e3o metropolitana, j\u00e1 que o seu tra\u00e7ado englobaria n\u00e3o apenas Brumadinho e Belo Horizonte, mas tamb\u00e9m territ\u00f3rios de Nova Lima, Ibirit\u00e9, Sarzedo e M\u00e1rio Campos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis\u00e3o de Ant\u00f4nio Grassi, diretor executivo do Instituto Inhotim, a linha f\u00e9rrea&nbsp;teria papel importante n\u00e3o apenas para o desenvolvimento de Brumadinho, mas de todo o estado. \u201cA pandemia evidenciou ainda mais a import\u00e2ncia da arte e da cultura para a sa\u00fade mental e para a economia, e o incentivo do Poder P\u00fablico \u00e9 importante\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tra\u00e7ado mais extenso<\/h2>\n\n\n\n<p>No final&nbsp;de outubro, um plano de a\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o da linha f\u00e9rrea foi aprovado&nbsp;no F\u00f3rum de Mobilidade e Conectividade Tur\u00edstica (Mob-Tur), inst\u00e2ncia do Minist\u00e9rio do Turismo dedicada a propor pol\u00edticas e estrat\u00e9gias para aperfei\u00e7oar as liga\u00e7\u00f5es que d\u00e3o acesso a destinos e atrativos tur\u00edsticos. A proposta analisada, constru\u00edda pela Associa\u00e7\u00e3o de Preserva\u00e7\u00e3o das Tradi\u00e7\u00f5es e do Patrim\u00f4nio Cultural de Santa B\u00e1rbara (Apito), existe h\u00e1 mais de dez&nbsp;anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela traz um tra\u00e7ado mais extenso do que o previsto no projeto apresentado pela Associa\u00e7\u00e3o de Amigos do Bairro Belvedere. A \u00faltima parada seria criada com a revitaliza\u00e7\u00e3o de uma antiga esta\u00e7\u00e3o, pr\u00f3xima ao Museu de Artes e Of\u00edcios (MAO), no centro de Belo Horizonte.<\/p>\n\n\n\n<p>O reaproveitamento dos trilhos abandonados na Serra do Curral tamb\u00e9m consta na proposta.&nbsp;No ano passado, o pr\u00f3prio Minist\u00e9rio do Turismo j\u00e1 havia obtido uma carta de anu\u00eancia da MRS Log\u00edstica, concession\u00e1ria respons\u00e1vel pela opera\u00e7\u00e3o do trecho ferrovi\u00e1rio. A empresa manifestou concord\u00e2ncia com a continuidade do projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio do Turismo, a proposta \u00e9 que a linha f\u00e9rrea tenha capacidade para transportar 1,4 mil pessoas por dia, em duas locomotivas com dez vag\u00f5es cada. O trajeto seria feito em cerca de uma hora. A pasta quer agora criar um grupo de trabalho com representantes do Minist\u00e9rio da Infraestrutura, do governo mineiro, da Vale, da Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).<\/p>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) tamb\u00e9m acompanha a situa\u00e7\u00e3o desde o primeiro momento. Em abril do ano passado, uma recomenda\u00e7\u00e3o foi destinada \u00e0 ANTT para que fossem agilizados os processos necess\u00e1rios para a libera\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o da linha f\u00e9rrea. Tamb\u00e9m foi sugerido que cess\u00f5es de bens m\u00f3veis fossem avaliadas pelo Dnit, \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela ger\u00eancia do patrim\u00f4nio ferrovi\u00e1rio herdado da antiga Rede Ferrovi\u00e1ria. De acordo com o MPF, h\u00e1 vag\u00f5es de passageiros estacionados no p\u00e1tio ferrovi\u00e1rio da cidade de Santos Dumont (MG) que podem ser usados no projeto, j\u00e1 que precisam&nbsp;ter&nbsp;alguma destina\u00e7\u00e3o para n\u00e3o se deteriorarem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Depend\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da linha f\u00e9rrea entre Belo Horizonte e Brumadinho \u00e9 discutida como uma poss\u00edvel medida compensat\u00f3ria que poder\u00e1 ajudar a contornar o impacto econ\u00f4mico causado pela interrup\u00e7\u00e3o definitiva da Mina de C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, que n\u00e3o voltar\u00e1 a operar. As prefeituras das cidades atingidas t\u00eam reivindicado, nas negocia\u00e7\u00f5es em torno da indeniza\u00e7\u00f5es, apoio da&nbsp;Vale e do estado para diminuir a depend\u00eancia da minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo desenvolvido na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e apresentado meses antes da trag\u00e9dia, mostrava&nbsp;que a minera\u00e7\u00e3o respondia por 35% da massa total de remunera\u00e7\u00f5es em Brumadinho. O cientista social Tadzio Coelho, respons\u00e1vel pela pesquisa, constatou que a atividade miner\u00e1ria contribuiu para que o Produto Interno Bruno (PIB)&nbsp;<em>per capita<\/em>&nbsp;de Brumadinho fosse, em 2016, o&nbsp;51\u00ba mais alto entre os 853 munic\u00edpios mineiros. Ele, no entanto, observa que essa depend\u00eancia tamb\u00e9m cobra um pre\u00e7o e re\u00fane dados que abrangem a dimens\u00e3o da desigualdade da riqueza proporcionada por essa op\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2016, 33,5% da popula\u00e7\u00e3o viviam em domic\u00edlios com rendimentos mensais de at\u00e9 meio sal\u00e1rio m\u00ednimo por pessoa, o que posicionava Brumadinho em 611\u00aa entre as\u00a0853 cidades do estado&#8221;, registra o estudo. O pesquisador acredita que uma das dificuldades da busca por alternativas econ\u00f4micas est\u00e1 ligada ao intenso direcionamento dos investimentos p\u00fablicos para a manuten\u00e7\u00e3o e incentivo da atividade principal. Ele defende que a constru\u00e7\u00e3o dessas alternativas se d\u00ea\u00a0a partir da cria\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o de canais de delibera\u00e7\u00e3o onde a popula\u00e7\u00e3o possa se manifestar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-vivid-cyan-blue-background-color has-text-color has-background\">Quer saber as not\u00edcias do <strong>Aconteceu no Vale<\/strong> em primeira m\u00e3o? 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