{"id":164675,"date":"2020-06-23T11:23:05","date_gmt":"2020-06-23T14:23:05","guid":{"rendered":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=164675"},"modified":"2020-06-23T11:23:26","modified_gmt":"2020-06-23T14:23:26","slug":"fossil-descoberto-por-pesquisadores-da-ufmg-ajuda-ciencia-a-entender-extincao-de-especies","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=164675","title":{"rendered":"F\u00f3ssil descoberto por pesquisadores da UFMG ajuda ci\u00eancia a entender extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies"},"content":{"rendered":"\n<p>Pesquisadores do Instituto de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) descobriram uma nova esp\u00e9cie f\u00f3ssil de um peixe-boi extinto, que vivia h\u00e1 cerca de 40 mil\u00a0ou 45 mil anos no Rio Madeira, localizado na Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. Estudos como esse s\u00e3o relevantes para que a ci\u00eancia entenda os fatores que resultaram, ao longo da hist\u00f3ria, na extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cimes. \u201cE, ao gerar esse tipo de conhecimento, entender os fatores que s\u00e3o decisivos para conservar o que hoje existe, em termos de vida, no planeta\u201d, disse \u00e0\u00a0Ag\u00eancia Brasil\u00a0o pesquisador Mario Cozzuol &#8212;\u00a0 um dos tr\u00eas autores do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o paleont\u00f3logo, encontrar coisas novas \u00e9 tarefa relativamente frequente. \u201cTodos os tr\u00eas autores do estudo [Fernando Perini e Ednair Nascimento, al\u00e9m de Cozzuol] j\u00e1 passamos por essa sensa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a de descobrimento de algo interessante. \u00c9 bem aquele clima do \u2018eureca\u2019 que vemos em filmes na televis\u00e3o. \u00c9 muito bom ter em m\u00e3os o resto de uma esp\u00e9cie que ningu\u00e9m conheceu, viu ou descobriu. \u00c9 a sensa\u00e7\u00e3o de ter uma novidade, e querer cont\u00e1-la ao mundo\u201d, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p>A descoberta, no entanto, \u00e9 apenas a primeira parte de trabalhos como o desenvolvido pelo Departamento de Zoologia da UFMG, que levou quase&nbsp;20 anos para ser conclu\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u201ceureca\u201d gritado pelo professor ocorreu logo no primeiro ano das an\u00e1lises, em meio \u00e0s compara\u00e7\u00f5es feitas com outros f\u00f3sseis. \u201cFoi ali que percebemos que t\u00ednhamos, em m\u00e3os, uma novidade que merecia ser descrita e publicada\u201d, disse ele. A publica\u00e7\u00e3o do estudo s\u00f3 aconteceu este ano, no Journal of Vertebrate Paleontology, da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"754\" height=\"424\" src=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/fossil_amazonia.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"164676\" data-full-url=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/fossil_amazonia.jpeg\" data-link=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?attachment_id=164676\" class=\"wp-image-164676\" srcset=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/fossil_amazonia.jpeg 754w, https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/fossil_amazonia-300x169.jpeg 300w, https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/fossil_amazonia-696x391.jpeg 696w, https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/fossil_amazonia-747x420.jpeg 747w\" sizes=\"auto, (max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><em>Ilustra\u00e7\u00e3o do extinto Trichechus hesperamazonicus (Iustra\u00e7\u00e3o de Marco Anacleto \/ Centro de Cole\u00e7\u00f5es Taxon\u00f4micas do ICB UFMG)<\/em><\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Trichechus hesperamazonicus<\/h2>\n\n\n\n<p>O nome cient\u00edfico dado \u00e0 esp\u00e9cie descoberta \u00e9 Trichechus hesperamazonicus \u2013 ou peixe-boi do oeste da Amaz\u00f4nia, que vivia no Rio Madeira h\u00e1 cerca de 45 mil anos, em uma \u00e9poca que o regime da \u00e1gua era diferente do atual. As chuvas eram concentradas em poucos meses do ano. Hoje, na Amaz\u00f4nia, a chuva perdura ao longo do ano todo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi ainda nas \u00e9pocas das glacia\u00e7\u00f5es, quando as geleiras avan\u00e7aram. A grande quantidade de \u00e1gua retida nos gelos diminuiu a quantidade de \u00e1gua circulando em rios e oceanos, tornando-os menores. Os ge\u00f3logos chamam esse per\u00edodo de pleniglacial m\u00e9dio, que ocorreu entre dois momentos de m\u00e1xima glacia\u00e7\u00e3o. Pode-se dizer que era um per\u00edodo quente e \u00famido para a \u00e9poca\u201d, explica o cientista.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a maior parte da \u00e1gua descongelada era concentrada em lagos, em vez de rios. \u201cEsses lagos desapareceram, dando lugar a rios de \u00e1guas mais caudalosas. Com isso, o animal n\u00e3o tinha mais o mesmo tipo de ambiente para viver. A situa\u00e7\u00e3o mudou, e ele foi extinto por n\u00e3o ter se adaptado \u00e0 mudan\u00e7a ambiental, ficando o atual peixe-boi amaz\u00f4nico como o \u00fanico remanescente do grupo\u201d, acrescenta Cozzuol. Segundo ele, at\u00e9 ent\u00e3o existiam esp\u00e9cies f\u00f3sseis da fam\u00edlia Trichechidae. O que n\u00e3o existia eram as do g\u00eanero Trichechus.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A pesquisa<\/h2>\n\n\n\n<p>Os tr\u00eas f\u00f3sseis analisados pelos pesquisadores foram obtidos por garimpeiro que remexiam o fundo do Rio Madeira, na busca por ouro. As pe\u00e7as foram doadas para a Universidade Federal de Rond\u00f4nia e para o Museu Estadual de Rond\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi por volta do ano 2000 que os pesquisadores identificaram, al\u00e9m das semelhan\u00e7as, diferen\u00e7as na compara\u00e7\u00e3o com outros esp\u00e9cimes de peixe-boi (entre f\u00f3sseis e remanescentes), o que, do ponto de vista cient\u00edfico, \u00e9 ainda mais interessante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPelas semelhan\u00e7as vimos que o animal pertence aos grupo dos peixes-bois. E entre as diferen\u00e7as, detalhes como posi\u00e7\u00e3o e tamanho dos dentes; e os espa\u00e7os entre os dentes e a parte superior da mand\u00edbula\u201d. \u201cFoi ali que vimos, pela primeira vez, relev\u00e2ncia em descrever e comparar o encontrado\u201d, disse o pesquisador, empolgado com as novas pesquisas que dever\u00e3o ser implementadas a partir de seu estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTodo bom trabalho de pesquisa termina mais com perguntas do que com respostas. Adicionamos uma esp\u00e9cie a mais no grupo. O desafio agora \u00e9 entender melhor como a evolu\u00e7\u00e3o de todo o grupo aconteceu. As perguntas ser\u00e3o pontas para que se fa\u00e7a mais pesquisas, para saber quantas esp\u00e9cies existem ou existiram; onde existiram; qual processo levou \u00e0 diversifica\u00e7\u00e3o; porque desapareceram algumas e apareceram outras esp\u00e9cies\u201d, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sobreviv\u00eancia da diversidade<\/h2>\n\n\n\n<p>Cozzuol explica que o processo de evolu\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia \u00e9 muito mais complexo do que se imagina. \u201cO que temos hoje, de grande diversidade, \u00e9 apenas a parte remanescente de algo muito maior que existia antes. Essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o extremamente importantes para sabermos o que fazer para conservar o que temos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele acrescenta que mudan\u00e7as clim\u00e1ticas bruscas, como ocorre atualmente com o aquecimento global, podem resultar na extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies incapazes de se adaptar ao novo cen\u00e1rio. \u201cAo estudar as esp\u00e9cies, tanto extintas como remanescentes, a ci\u00eancia aponta o que deve ser feito para a manuten\u00e7\u00e3o da vida, j\u00e1 que animais e plantas est\u00e3o integrados no mesmo sistema que estamos. Vivemos em um aqu\u00e1rio gigante, onde n\u00e3o h\u00e1 recursos ilimitados\u201d, argumentou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA extin\u00e7\u00e3o faz parte da natureza. Isso \u00e9 parte do processo natural. O que vemos \u00e9 que a possibilidade de extin\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda maior quando as mudan\u00e7as ambientais s\u00e3o r\u00e1pidas. Saber disso \u00e9 importante porque \u00e9 o que est\u00e1 acontecendo no caso do aquecimento global. Mudan\u00e7as desse tipo j\u00e1 aconteceram no passado, s\u00f3 que numa velocidade muito menor. O problema \u00e9 que, quanto mais r\u00e1pida \u00e9 a mudan\u00e7a, menor \u00e9 o tempo para os organismos se adaptarem. Portanto, maior \u00e9 o risco de adapta\u00e7\u00e3o. E isso \u00e9 preocupante\u201d, complementou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background has-very-light-gray-background-color\">Quer saber as not\u00edcias do <strong>Aconteceu no Vale<\/strong> em primeira m\u00e3o? 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