{"id":164116,"date":"2020-06-14T19:04:06","date_gmt":"2020-06-14T22:04:06","guid":{"rendered":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=164116"},"modified":"2020-06-15T00:00:55","modified_gmt":"2020-06-15T03:00:55","slug":"brasileira-recebe-premio-internacional-por-combate-ao-discurso-de-odio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=164116","title":{"rendered":"Brasileira recebe pr\u00eamio internacional por combate ao discurso de \u00f3dio"},"content":{"rendered":"\n<p>A jornalista Beatriz Buarque ficou surpresa ao receber a not\u00edcia de que a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG) Words Heal the World (Palavras Curam o Mundo) tinha sido escolhoida a Melhor Organiza\u00e7\u00e3o de Esfor\u00e7os pela Paz pelo F\u00f3rum Mundial da Paz de Luxemburgo. A ONG, criada por Beatriz em 2018 no Reino Unido, capacita jovens para desenvolver estrat\u00e9gias de desconstru\u00e7\u00e3o de discursos de \u00f3dio e extremismo no Brasil e no mundo.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1309503&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Natural de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Beatriz soube que a ONG tinha sido escolhida em dezembro de 2019, mas a divulga\u00e7\u00e3o oficial do nome dos vencedores foi feita s\u00f3 no final de maio.<\/p>\n\n\n\n<p>A ONG est\u00e1 registrada h\u00e1 dois anos no Reino Unido, onde Beatriz fez mestrado em rela\u00e7\u00f5es internacionais e agora faz o doutorado em pol\u00edtica. \u201cFoi uma surpresa maravilhosa, porque a gente tem produzido muito conte\u00fado para combater o \u00f3dio. E sem patroc\u00ednio. Ent\u00e3o, receber esse pr\u00eamio com t\u00e3o pouco tempo de exist\u00eancia e sem patroc\u00ednio realmente \u00e9 um sinal de que o trabalho que temos feito est\u00e1 gerando um impacto\u201d, disse a jornalista \u00e0\u00a0Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Por causa da pandemia do novo coronav\u00edrus, a cerim\u00f4nia de entrega do pr\u00eamio, que estava prevista para 27 de maio, foi adiada para 28 de maio de 2021, em Luxemburgo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Voluntariado<\/h2>\n\n\n\n<p>A ONG trabalha com um time de mais de 40 volunt\u00e1rios. \u201cO cora\u00e7\u00e3o do Words Heal s\u00e3o jovens estudantes, em sua maioria, de jornalismo. Temos tamb\u00e9m alguns alunos de letras,<em>&nbsp;design&nbsp;<\/em>gr\u00e1fico, mas a maioria s\u00e3o alunos de jornalismo do Brasil, da Argentina, do M\u00e9xico e do Reino Unido. Como sou formada em jornalismo, eu empodero esses alunos, eu os capacito a desconstruir essas mensagens de \u00f3dio\u201d, explicou Beatriz.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a jornalista, um dos grandes problemas encontrados no Brasil diz respeito a religi\u00f5es de matriz africana, que t\u00eam sido objeto de preconceito e ataques. \u201c\u00c9 um problema grav\u00edssimo, que tem no cerne o racismo\u201d. Beatriz destaca que \u00e9 preciso entender que extremismo n\u00e3o \u00e9 apenas de cunho ideologico, como fascismo ou nazismo, mas tamb\u00e9m quando uma pessoa estigmatiza outra por causa da cor ou adreligi\u00e3o, e a trata como se fosse inferior. &#8220;Isso tamb\u00e9m \u00e9 extremismo, porque voc\u00ea chega ao extremo, considerando o outro inferior, agredindo-o verbal ou fisicamente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desconstruindo mitos<\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisadora adiantou que a organiza\u00e7\u00e3o Palavras Curam o Mundo est\u00e1 produzindo um filme, intitulado&nbsp;<em>Santos Silenciados<\/em>. A obra, que est\u00e1 em fase de finaliza\u00e7\u00e3o, desconstr\u00f3i os mitos que est\u00e3o por tr\u00e1s dos preconceitos contra as religi\u00f5es de matriz africana, que muitos consideram demon\u00edacas ou que matam animais por maldade. \u201cDesde o colonialismo, as pessoas foram evoluindo com esses mitos e n\u00e3o foram informadas de que isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Ent\u00e3o, a gente precisa fazer um trabalho de educa\u00e7\u00e3o pela paz. E \u00e9 o que a gente faz\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O document\u00e1rio est\u00e1 sendo produzido em parceria com alunos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n\n\n\n<p>A ONG criada por Beatriz foi respons\u00e1vel o primeiro&nbsp;<em>Mapa do \u00d3dio<\/em>, divulgado no ano passado, com n\u00fameros de crimes motivados por preconceito racial, religioso, de g\u00eanero ou sexualidade no pa\u00eds. \u201cEu considero o&nbsp;<em>Mapa do \u00d3dio<\/em>&nbsp;um trabalho muito importante porque, no Brasil, a gente n\u00e3o tem um documento que mostre a quantidade de crimes oficiais e crimes de \u00f3dio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Beatriz, o crime de \u00f3dio \u00e9 um conceito ainda pouco falado no Brasil, e muitas delegacias registram intoler\u00e2ncia religiosa, por exemplo, como crime racial e n\u00e3o de \u00f3dio. Ela disse que o mapa exp\u00f4s esse problema e mostrou um n\u00famero gritante de crimes de \u00f3dio no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>A ONG j\u00e1 est\u00e1 elaborando a segunda edi\u00e7\u00e3o do documento, com base em dados oficiais coletados pelas secretarias de Seguran\u00e7a no ano passado, embora n\u00e3o tenha patroc\u00ednio para fazer uma vers\u00e3o impressa.<br><br>Beatriz enfatiza que n\u00e3o se pode combater uma coisa que n\u00e3o \u00e9 conhecida. \u201cA gente sabe que existe no pa\u00eds um problema grave com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 homofobia, sabe que as relig\u00f5es de matriz afro t\u00eam sido atacadas, mas n\u00e3o tem a dimens\u00e3o do problema\u201d. Por isso, ela considera o mapa fundamental para que os grupos que lutam pela liberdade civil, pela igualdade racial e de g\u00eanero, se apropriem desse documento e o usem como uma ferramenta para gerar mudan\u00e7as nas pol\u00edticas p\u00fablicas do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A\u00e7\u00e3o global<\/h2>\n\n\n\n<p>O trabalho de desconstru\u00e7\u00e3o dos discursos de \u00f3dio tem enfoque global, n\u00e3o \u00e9 feito somente no Brasil, ressalta Beatriz. \u201c\u00c9 um problema mundial, e a gente tem desenvolvido campanhas, estrat\u00e9gias de combate a diferentes tipos de extremismo no mundo..<\/p>\n\n\n\n<p>No filme&nbsp;<em>Behind the Scarf<\/em>&nbsp;(<em>Por tr\u00e1s do v\u00e9u<\/em>), por exemplo, a ONG desconstruiu a ideia de que a mulher mu\u00e7ulmana \u00e9 submissa, n\u00e3o tem voz e \u00e9 obrigada a usar v\u00e9u. Beatriz admite que, em alguns pa\u00edses, o v\u00e9u \u00e9 obrigat\u00f3rio e opressor, embora n\u00e3o seja uma realidade na maioria dos pa\u00edses mu\u00e7ulmanos. &#8220;Na grande maioria, as mulheres usam o v\u00e9u por op\u00e7\u00e3o. S\u00f3 que \u00e9 mais um mito que veio ao longo do tempo\u201d, diz a pesquisadora. Ela destaca outro mito, segundo o qual a religi\u00e3o mu\u00e7ulmana \u00e9 violenta e associada ao terrorismo e diz que, em entrevista com um mu\u00e7ulmano no Reino Unido &#8220;quebrou&#8221; essa cren\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Beatriz, que continua morando no Reino Unido, refor\u00e7a que as a\u00e7\u00f5es desenvolvidas por sua ONG no Brasil e em todo mundo t\u00eam foco em diferentes tipos de extremismo. Segundo a pesquisadora fluminese, existem muitas outras ONGs desenvolvendo conte\u00fado de combate ao \u00f3dio e ao extremismo na Europa e nos Estados Unidos, onde \u201cvem crescendo essa presen\u00e7a\u201d. No Brasil, por\u00e9m, isso \u00e9 incipiente, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a jornalista, no Brasil, a \u00fanica ONG que produz realmente conte\u00fado de combate ao discurso de \u00f3dio e ao extremismo \u00e9 a Words Heal the World. \u201cTem outras ONGs fazendo trabalho de promo;\u00e7\u00e3o da empatia, da paz, da igualdade social, da justi\u00e7a e do combate ao racismo. Tem tudo isso, mas s\u00f3 que a gente atua em um nicho espec\u00edfico do combate ao \u00f3dio e ao extremismo. Para o Words Heal the World, racismo, homofobia, xenofobia, intoler\u00e2ncia religiosa s\u00e3o extremismo. E \u00e9 importante usar essa palavra porque ela d\u00f3i no ouvido.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de haver jovens trabalhando na desconstru\u00e7\u00e3o dos discursos de \u00f3dio foi um diferencial que pesou para a premia\u00e7\u00e3o da ONG pelo F\u00f3rum Mundial da Paz de Luxemburgo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background has-very-light-gray-background-color\">Quer saber as not\u00edcias do <strong>Aconteceu no Vale<\/strong> em primeira m\u00e3o? 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