{"id":159131,"date":"2020-02-25T22:04:43","date_gmt":"2020-02-26T01:04:43","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=159131"},"modified":"2020-02-25T22:06:19","modified_gmt":"2020-02-26T01:06:19","slug":"estudos-mostram-caminhos-para-recuperar-solo-com-rejeitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=159131","title":{"rendered":"Estudos mostram caminhos para recuperar solo com rejeitos"},"content":{"rendered":"\n<p>Desde que a barragem da mineradora Samarco se rompeu em Mariana (MG) em novembro de 2015, equipes de pesquisadores da Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV) assumiram a tarefa de contribuir para apresentar solu\u00e7\u00f5es e caminhos poss\u00edveis para a repara\u00e7\u00e3o. Os resultados j\u00e1 apareceram com a retomada da produ\u00e7\u00e3o em propriedades agr\u00edcolas que foram afetadas pela lama e tamb\u00e9m com a recupera\u00e7\u00e3o vegetal em algumas \u00e1reas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o avan\u00e7o das pesquisas, elas atra\u00edram o interesse e a parceria da Funda\u00e7\u00e3o Renova, entidade criada conforme o Termo de Transa\u00e7\u00e3o e Ajustamento de Conduta (TTAC) firmado entre a Samarco, suas acionistas Vale e BHP Billitons, o governo federal e os governos de Minas Gerais e do Esp\u00edrito Santo. Cabe a ela administrar, com recursos das tr\u00eas mineradoras, todas as a\u00e7\u00f5es de repara\u00e7\u00e3o previstas. No \u00faltimos dias, a Funda\u00e7\u00e3o Renova vem divulgando alguns apontamentos dos pesquisadores.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os resultados dos experimentos que realizamos s\u00e3o muito promissores. Em tr\u00eas anos, praticamente dobrou o teor de carbono. Da mesma forma, o teor de f\u00f3sforo, que \u00e9 um nutriente muito importante para todas as plantas&#8221;, disse o pesquisador da UFV especialista em solos, Carlos Ernesto Schaefer.<\/p>\n\n\n\n<p>A ruptura da barragem liberou uma avalanche de 39 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de rejeito, que levou 19 pessoas \u00e0 morte e causou polui\u00e7\u00e3o, afetando dezenas de munic\u00edpios na Bacia do Rio Doce. A maior parte da lama se concentrou entre a estrutura e a Usina de Candonga, no munic\u00edpio de Santa Cruz do Escalvado (MG), que funcionou com uma esp\u00e9cie de barreira. Foi essa a \u00e1rea priorizada pelos pesquisadores em um primeiro momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma equipe coordenada por Schaefer fez uma coleta de solo em mais de 60 pontos nessa \u00e1rea para caracterizar a natureza do rejeito. &#8220;Fizemos um an\u00e1lise qu\u00edmica, f\u00edsica e mineral\u00f3gica completa. Verificamos que o rejeito da barragem n\u00e3o apresentava problemas qu\u00edmicos maiores para as plantas, exceto o fato de ser um sedimento muito pobre. Da\u00ed a necessidade da adi\u00e7\u00e3o de corretivos, eventualmente fertilizantes org\u00e2nicos e inorg\u00e2nicos. Mas n\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o para a vaca n\u00e3o estar se alimentando do pasto que est\u00e1 l\u00e1&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele explica ainda que, al\u00e9m do uso de aditivos, uma segunda estrat\u00e9gia foi cobrir o rejeito com topsoil de outras localidades. Dependendo da \u00e1rea, foram aplicadas camadas de 40 a 50 cent\u00edmetros. O topsoil \u00e9 uma camada superficial de solo rica em mat\u00e9ria org\u00e2nica e em microorganismos, onde a maior parte da atividade biol\u00f3gica ocorre.<\/p>\n\n\n\n<p>Manter o rejeito no meio ambiente em determinadas \u00e1reas, e n\u00e3o remov\u00ea-lo, foi uma das diretrizes definidas no\u00a0Plano de Manejo de Rejeitos\u00a0elaborado pela Funda\u00e7\u00e3o Renova em 2017. Schaefer foi um dos pesquisadores consultados para a defini\u00e7\u00e3o dessas diretrizes. \u201cN\u00f3s temos mostrado que essa camada de rejeitos n\u00e3o precisa ser removida. \u00c9 poss\u00edvel produzir sobre ela. O tratamento do rejeito \u00e9 o melhor caminho para o retorno produtivo r\u00e1pido dessas \u00e1reas, e isso j\u00e1 est\u00e1 acontecendo gra\u00e7as \u00e0s interven\u00e7\u00f5es que v\u00eam sendo feitas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3ximo desafio, segundo o pesquisador, \u00e9 avan\u00e7ar na pesquisa e ir al\u00e9m da Usina de Candonga. Ser\u00e3o avaliadas \u00e1reas em que n\u00e3o houve deposi\u00e7\u00e3o de rejeito, mas onde a lama passou, carregada pelo Rio Doce, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 foz.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"754\" height=\"503\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/recuperacao_mariana.jpg\" alt=\"\" data-id=\"159132\" data-full-url=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/recuperacao_mariana.jpg\" data-link=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?attachment_id=159132\" class=\"wp-image-159132\" srcset=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/recuperacao_mariana.jpg 754w, https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/recuperacao_mariana-300x200.jpg 300w, https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/recuperacao_mariana-696x464.jpg 696w, https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/recuperacao_mariana-630x420.jpg 630w\" sizes=\"auto, (max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><em>Agricultor mostra hortali\u00e7as cultivadas em sua propriedade &#8211; Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Outras pesquisas<\/h2>\n\n\n\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o de pesquisadores da Universidade Federal de Vi\u00e7osa se deu desde os primeiros dias ap\u00f3s a trag\u00e9dia. Meses depois,&nbsp;<a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2016-03\/pesquisas-sobre-recuperacao-do-rio-doce-vao-ter-r-67-milhoes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">um edital<\/a>&nbsp;da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) foi lan\u00e7ado para selecionar 29 projetos dedicados a estudar os efeitos do rompimento da barragem. Entre os contemplados, sete foram da UFV, somando cerca de R$ 985 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2018, um novo edital foi lan\u00e7ado pela Fapemig, em parceria com a Federa\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo (Fapes), para financiar 15 projetos. Foram aprovadas\u00a0quatro propostas\u00a0da UFV, que somaram R$ 1,2 milh\u00e3o. Os avan\u00e7os dos estudos geraram o interesse da Funda\u00e7\u00e3o Renova, que tamb\u00e9m contratou sete projetos com recursos que somam R$ 8 milh\u00f5es. \u201cCreio que, atualmente, na parte continental do local atingido, a UFV \u00e9 a universidade que mais tem contribu\u00eddo com t\u00e9cnicas e solu\u00e7\u00f5es para a recupera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas degradadas\u201d, afirmou o pesquisador Igor Assis em balan\u00e7o divulgado pela institui\u00e7\u00e3o em novembro do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos estudos desenvolvidos em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Renova \u00e9 liderado pela pesquisadora Maria Catarina Megumi Kasuya. Sua proposta \u00e9 inocular microrganismos que eram t\u00edpicos da regi\u00e3o para favorecer o crescimento de esp\u00e9cies vegetais nativas que foram suprimidas pela lama.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O que o pessoal conhece como micr\u00f3bio, a priori, todo mundo acha que \u00e9 s\u00f3 organismo ruim. Mas, na realidade, a grande maioria \u00e9 ben\u00e9fica. Ent\u00e3o, estamos tentando explorar o lado bom. Selecionamos microorganismo ben\u00e9ficos, multiplicamos e agora estamos tentando introduzi-los no processo de forma\u00e7\u00e3o de mudas. S\u00e3o mudas que j\u00e1 est\u00e3o sendo produzidas e a\u00ed n\u00f3s vamos introduzi-las na \u00e1rea onde tem rejeito e tamb\u00e9m em \u00e1reas pr\u00f3ximas, onde n\u00e3o tem rejeito&#8221;, explica Kasuya. Segundo ela, um dos benef\u00edcios que os microorganismos promovem \u00e9 a fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica do nitrog\u00eanio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Reflorestamento em Mariana e outras \u00e1reas<\/h2>\n\n\n\n<p>O TTAC que estabeleceu as medidas de repara\u00e7\u00e3o e a cria\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Renova fixou o compromisso de reflorestar n\u00e3o apenas&nbsp;a regi\u00e3o atingida, mas outros 40 mil hectares em car\u00e1ter compensat\u00f3rio. A defini\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas tamb\u00e9m contou com o apoio da UFV, bem como da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).<\/p>\n\n\n\n<p>Passados mais de quatro anos da trag\u00e9dia, os\u00a0trabalhos\u00a0ainda est\u00e3o no in\u00edcio. &#8220;Primeiro tivemos que discutir onde seriam aplicados nesses 40 mil hectares. Pedimos esse estudo que a UFV fez com a UFMG. Nos primeiros anos, n\u00f3s focamos nesses estudos de prioriza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas para fazer a restaura\u00e7\u00e3o florestal. E as atividades come\u00e7aram no meio do ano passado&#8221;, informa Lucas Scarascia, l\u00edder de Programas Socioambientais da Funda\u00e7\u00e3o Renova.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, somente em 2020 s\u00e3o previstos investimentos de R$ 225 milh\u00f5es no programa de usos sustent\u00e1vel da terra, que envolve, al\u00e9m da restaura\u00e7\u00e3o florestal, a recupera\u00e7\u00e3o de 5 mil nascentes, a assist\u00eancia aos animais, a retomada de atividades agropecu\u00e1rias e o fomento ao Cadastro Ambiental Rural (CAR). Scarascia afirma que entre as propriedades rurais atingidas, houve at\u00e9 o momento 80% de ades\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Os dados da Funda\u00e7\u00e3o Renova mostram que houve 1.135 atendimentos no \u00e2mbito do programa de melhoramento gen\u00e9tico de rebanho e que 1.026 insemina\u00e7\u00f5es artificiais foram realizadas. Al\u00e9m disso, 204\u00a0propriedades foram avaliadas\u00a0pela metodologia ISA. A partir dessa avalia\u00e7\u00e3o, a Funda\u00e7\u00e3o Renova faz uma proposta para recupera\u00e7\u00e3o e recomposi\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color\">Quer saber as not\u00edcias do <strong>Aconteceu no Vale<\/strong> em primeira m\u00e3o? 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