{"id":155804,"date":"2019-12-08T11:01:28","date_gmt":"2019-12-08T14:01:28","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=155804"},"modified":"2019-12-08T11:02:30","modified_gmt":"2019-12-08T14:02:30","slug":"barragens-em-risco-deixam-familias-desalojadas-por-tempo-indeterminado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=155804","title":{"rendered":"Barragens em risco deixam fam\u00edlias desalojadas por tempo indeterminado"},"content":{"rendered":"\n<p>Fam\u00edlias que viviam em \u00e1reas evacuadas devido ao risco de\u00a0ruptura de quatro barragens da Vale\u00a0ainda n\u00e3o t\u00eam prazo para retornarem a suas casas. Em alguns casos, pode levar anos. Segundo informou a mineradora, a reocupa\u00e7\u00e3o de algumas regi\u00f5es s\u00f3 dever\u00e1 ocorrer ap\u00f3s as estruturas, que se encontram no n\u00edvel de alerta 3, forem rebaixadas para n\u00edvel de alerta 1. Isso pode ocorrer durante a descaracteriza\u00e7\u00e3o da barragem, processo que levar\u00e1 entre tr\u00eas e cinco anos, dependendo de cada caso.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O objetivo da Vale \u00e9 que todas as barragens e diques com m\u00e9todo de alteamento a montante estejam descaracterizadas ou com fator de seguran\u00e7a adequado, em um prazo de pelo menos tr\u00eas anos, de forma a n\u00e3o oferecer nenhum risco \u00e0s pessoas e ao meio ambiente e atendendo aos requisitos legais. As comunidades localizadas na zona de autossalvamento permanecer\u00e3o evacuadas de suas casas enquanto o n\u00edvel de alerta da estrutura estiver em 2 ou 3&#8221;, informou a mineradora.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9todo de alteamento a montante \u00e9 o mesmo associado \u00e0s duas recentes trag\u00e9dias da minera\u00e7\u00e3o brasileira. Na ruptura de uma estrutura em Mariana (MG) pertencente \u00e0 Samarco,&nbsp;<em>joint-venture<\/em>&nbsp;da Vale e da BHP Billiton, 19 pessoas morreram em novembro de 2015. Em janeiro deste ano, um novo rompimento levou mais de 250 pessoas \u00e0 morte, dessa vez ocorrido em Brumadinho (MG) em uma mina da Vale.<\/p>\n\n\n\n<p>Quatro dias ap\u00f3s esse segundo epis\u00f3dio, a Vale prometeu\u00a0descaracterizar nove barragens\u00a0constru\u00eddas pelo m\u00e9todo de alteamento a montante, incluindo quatro que est\u00e3o no n\u00edvel de alerta 3. Mais cinco foram inclu\u00eddas no pacote e uma delas j\u00e1 teve sua\u00a0descaracteriza\u00e7\u00e3o conclu\u00edda\u00a0, isto \u00e9, foram feitas obras para garantir sua estabiliza\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00f5es para reincorporar a \u00e1rea ao relevo e ao meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>As quatro barragens que est\u00e3o no n\u00edvel de alerta 3 s\u00e3o: B3\/B4, no distrito de Macacos em Nova Lima (MG); Sul Superior, em Bar\u00e3o de Cocais (MG); e Forquilha I e Forquilha III, ambas emIOuro Preto (MG), pr\u00f3ximo ao limite com Itabirito (MG). O n\u00edvel 3 \u00e9 o alerta m\u00e1ximo, acionado quando h\u00e1 risco iminente de ruptura. Por esta raz\u00e3o,\u00a0foram evacuadas \u00e1reas situadas\u00a0na chamada zona de autossalvamento, que seriam alagadas em caso de ruptura.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conten\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Para proteger comunidades e minimizar o impacto ambiental em caso de rompimento, a Vale incluiu no processo de descaracteriza\u00e7\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o de estruturas de conten\u00e7\u00e3o. Elas teriam a fun\u00e7\u00e3o de reter os rejeitos que vazassem em uma eventual trag\u00e9dia. A maior delas \u00e9 um muro de concreto de 60 metros de altura por 350 metros de extens\u00e3o, que ficar\u00e1 a 11 quil\u00f4metros da jusante das barragens Forquilha I e Forquilha III.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A previs\u00e3o \u00e9 de que todas estas obras de conten\u00e7\u00e3o estejam conclu\u00eddas em 2020. Em negocia\u00e7\u00e3o com o Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais (MPMG), ficou acertado que uma auditoria externa contratada deve fiscalizar algumas das interven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente, a Vale promete ampliar o uso do processamento a seco. Trata-se de um processo que n\u00e3o envolve o uso de \u00e1gua e, portanto, n\u00e3o utiliza barragens. Em maio, um aporte R$11 bilh\u00f5es foi anunciado para os pr\u00f3ximos cinco anos. De acordo com a mineradora, cerca de 60% de sua produ\u00e7\u00e3o nacional atual recorre ao processamento a seco e a meta \u00e9 chegar a at\u00e9 70% em todo o pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Sistema Norte, situado no Par\u00e1, cerca de 80% das quase 200 milh\u00f5es de toneladas produzidas pela Vale em 2018 teria sido obtida por esse processo. Em Minas Gerais, no entanto, 32% da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 feita pelo processamento a seco.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Evacuados<\/h2>\n\n\n\n<p>Em setembro, a Vale informou que mais de 430 fam\u00edlias estavam morando em hot\u00e9is ou em casas alugadas pela mineradora. S\u00f3 em Brumadinho, eram 115. O n\u00famero \u00e9 maior ainda em Macacos, onde 125 fam\u00edlias est\u00e3o fora de suas casas, e em Bar\u00e3o de Cocais, que chega \u00e0 196. Al\u00e9m de assegurar moradia tempor\u00e1ria para os desalojados, a Vale \u00e9 respons\u00e1vel por manter benef\u00edcios, conforme acordos celebrado para cada localidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Bar\u00e3o de Cocais, por exemplo, o MPMG obteve em julho o compromisso da Vale de garantir pagamentos emergenciais \u00e0s pessoas retiradas de suas casas. O valor, a ser repassado mensalmente a um representante de cada fam\u00edlia, envolve um sal\u00e1rio m\u00ednimo por adulto, meio sal\u00e1rio m\u00ednimo por adolescente e um quarto de sal\u00e1rio m\u00ednimo por crian\u00e7a. Os repasses est\u00e3o assegurados inicialmente por um ano e n\u00e3o poder\u00e3o ser descontados de indeniza\u00e7\u00f5es individuais a serem futuramente calculadas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Voca\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas<\/h2>\n\n\n\n<p>A Vale tamb\u00e9m lan\u00e7ou o Plano de Desenvolvimento de Territ\u00f3rios Impactados que prev\u00ea a\u00e7\u00f5es integradas em Macacos, Bar\u00e3o de Cocais e Itabirito. Com investimento total de R$ 190 milh\u00f5es, ele \u00e9 voltado para promover bem-estar social e estimular as voca\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas de cada uma das localidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Os recursos ser\u00e3o direcionados para as \u00e1reas de turismo, infraestrutura, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, meio ambiente e capacita\u00e7\u00e3o profissional. Em Macacos, por exemplo, est\u00e1 prevista a capacita\u00e7\u00e3o de trabalhadores que atuam no turismo, a urbaniza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea central e a restaura\u00e7\u00e3o da Igreja de S\u00e3o Sebasti\u00e3o das \u00c1guas Claras, constru\u00edda em 1718.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em Bar\u00e3o de Cocais, o desassoreamento de cursos d\u2019\u00e1gua para minimizar o risco de enchentes na cidade e outras melhorias da infraestrutura urbana est\u00e3o entre os planos. Equipamentos p\u00fablicos tamb\u00e9m ser\u00e3o reformados e criados em Itabirito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Outras mineradoras<\/h2>\n\n\n\n<p>As evacua\u00e7\u00f5es v\u00eam ocorrendo desde a trag\u00e9dia de Brumadinho (MG), que resultou em mais de 250 mortes em janeiro desse ano. A medida foi adotada no entorno de barragens n\u00e3o apenas da Vale, mas tamb\u00e9m de outras mineradoras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em Itatiaiu\u00e7u (MG), a Arcelor Mittal realocou 185 moradores que viviam pr\u00f3ximos a uma barragem da Mina de Serra Azul. Desde fevereiro, as fam\u00edlias est\u00e3o residindo em im\u00f3veis alugados pela empresa e recebem mensalmente um aux\u00edlio emergencial, conforme previsto em um acordo negociado com os atingidos e com o MPMG. Segundo a Arcelor Mittal, a barragem est\u00e1 inativa desde 2012 e ter\u00e1 sua estrutura refor\u00e7ada para posterior descomissionamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Em agosto, a Emicon Minera\u00e7\u00e3o e Terraplanagem recebeu o prazo de 72 horas da Justi\u00e7a para evacuar uma regi\u00e3o rural em Brumadinho onde vivem nove fam\u00edlias. As casas onde elas moram poderiam ser atingidas caso se rompesse uma barragem sob responsabilidade da empresa. N\u00e3o h\u00e1 estudos recentes que assegurem a aus\u00eancia de riscos relacionados \u00e0 estrutura.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o foi cumprida. Ela estabeleceu que os custos da mudan\u00e7a e do aluguel de um novo im\u00f3vel para as fam\u00edlias s\u00e3o de responsabilidade da Emicon. A mineradora informou na ocasi\u00e3o que as medidas previstas na determina\u00e7\u00e3o judicial s\u00e3o preventivas enquanto estudos est\u00e3o sendo conclu\u00eddos. De acordo com ela, estavam em andamento trabalhos e estudos sobre a estabilidade das estruturas. Al\u00e9m disso, a Emicon avalia que a barragem n\u00e3o tem qualquer semelhan\u00e7a em tamanho, volume e potencial de dano com a que se rompeu em Brumadinho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color\"><strong>VER PRIMEIRO: <\/strong>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. Clique em curtir no endere\u00e7o <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/aconteceunovale\" target=\"_blank\">www.facebook.com\/aconteceunovale<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fam\u00edlias que viviam em \u00e1reas evacuadas devido ao risco de\u00a0ruptura de quatro barragens da Vale\u00a0ainda n\u00e3o t\u00eam prazo para retornarem a suas casas. Em alguns casos, pode levar anos. 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