{"id":154443,"date":"2019-11-08T11:23:05","date_gmt":"2019-11-08T14:23:05","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=154443"},"modified":"2019-11-08T11:25:07","modified_gmt":"2019-11-08T14:25:07","slug":"produtores-de-leite-afetados-na-tragedia-de-mariana-esperam-reparacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=154443","title":{"rendered":"Produtores de leite afetados na trag\u00e9dia de Mariana esperam repara\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Quatro anos ap\u00f3s o rompimento da barragem da Samarco, ocorrido em Mariana (MG), produtores rurais que trabalhavam com gado leiteiro na regi\u00e3o atingida n\u00e3o se sentem acolhidos pelo processo de repara\u00e7\u00e3o de danos. Eles reclamam, principalmente, do atraso nas indeniza\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m da falta de uma solu\u00e7\u00e3o para as suas propriedades. Todo este processo \u00e9 conduzido pela Funda\u00e7\u00e3o Renova. A entidade foi criada conforme acordo firmado em mar\u00e7o de 2016 entre a mineradora, suas acionistas Vale e BHP Billiton, o governo federal e os governos de Minas Gerais e do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os 39 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de rejeitos que se espalharam pelo meio ambiente causaram perdas para al\u00e9m dos limites das comunidades de Bento Rodrigues, Paracatu e Gesteira, munic\u00edpios que\u00a0est\u00e3o sendo reconstru\u00eddos\u00a0para abrigarem cerca de 400 fam\u00edlias que perderam suas casas. &#8220;Centenas de fazendas foram invadidas pela lama. Animais morreram. Foram destru\u00eddas estruturas como cercas, mata-burros, currais e casas&#8221;, lamenta Marino D&#8217;Angelo. No seu terreno, a lama levou a vida de cabras, porcos, galinhas. Sua \u00e1rea de pasto n\u00e3o foi atingida, mas bois morreram atolados quando tentaram se aproximar do rio para beber \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o leiteira \u00e9 a principal atividade agropecu\u00e1ria nas fazendas que ficam no trecho mais atingido, que vai de Mariana at\u00e9 a Usina de Candonga, no munic\u00edpio de Santa Cruz do Escalvado. Atualmente membro da comiss\u00e3o de atingidos da trag\u00e9dia, Marino \u00e9 ex-presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Leite de \u00c1guas Claras e Regi\u00e3o (Aplacar). Atrav\u00e9s da entidade, o produto dos associados \u00e9 distribu\u00eddo em diversos distritos das cidades de Mariana e Barra Longa. Gra\u00e7as \u00e0 Aplacar, eles conseguiam um pre\u00e7o mais competitivo do leite, o que beneficiava a todos, sobretudo os pequenos produtores.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a trag\u00e9dia, todo o leite extra\u00eddo foi perdido, j\u00e1 que n\u00e3o era poss\u00edvel esco\u00e1-lo com as estradas obstru\u00eddas. Os terrenos de aproximadamente metade dos associados foram invadidos pela lama. Com a queda na produ\u00e7\u00e3o, a sustentabilidade da entidade foi prejudicada. Para Marino, mesmo os associados que n\u00e3o tiveram o terreno invadido pela lama tamb\u00e9m devem ser reconhecidos como atingidos, pois o impacto na Aplacar afetou a todos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Toda a estrutura que montamos foi comprada em conjunto gra\u00e7as \u00e0 associa\u00e7\u00e3o. N\u00f3s chegamos a vender 10 mil litros por dia e um \u00fanico ponto de coleta, o que \u00e9 raro. Agora as pessoas perderam a capacidade de produ\u00e7\u00e3o. Muitos j\u00e1 desistiram da atividade. E alguns dos maiores produtores est\u00e3o deixando a Aplacar porque ela deixou de ser atraente. Acham melhor vender leite sozinhos. Sempre que sai um produtor, todos perdem&#8221;, explica. Marino foi presidente da Aplacar durante 12 anos. Ap\u00f3s a trag\u00e9dia, teve que deixar a fun\u00e7\u00e3o porque ficou inadimplente e a entidade precisou ser desvinculada de seu CPF para receber recursos destinados a um projeto selecionado em edital da Funda\u00e7\u00e3o Banco do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Foi como se eu tivesse perdido um filho, porque eu me dediquei muito \u00e0 associa\u00e7\u00e3o. E gra\u00e7as a ela, cheguei a produzir em torno de 800 litros de leite por dia. Tinha m\u00eas que minha receita era R$ 23 mil bruto. Agora tem m\u00eas que eu fecho no negativo. Eu precisava produzir no m\u00ednimo 400 litros por dia pra n\u00e3o fechar no vermelho e manter a estrutura que eu tinha. Mas n\u00e3o consigo. E o maior bem que n\u00f3s temos aqui na ro\u00e7a \u00e9 a palavra. Eu nunca fiquei inadimplente na vida. \u00c9 a primeira vez. Precisei vender minhas coisas. Eu tinha um gado bom e vendi novilhas para segurar meu nome, mas chegou um ponto que a renda n\u00e3o \u00e9 mais suficiente&#8221;, lamenta o produtor.<\/p>\n\n\n\n<p>Wilson dos Santos, de 78 anos, tamb\u00e9m era membro da Aplacar. Mais da metade da sua propriedade foi tomada pela lama. A casa onde morava n\u00e3o caiu, mas est\u00e1 interditada porque a estrutura foi afetada e as paredes est\u00e3o rachando. Sobreviveram em sua propriedade cerca de 30 cabe\u00e7as de gado, que foram levadas para uma fazenda da Funda\u00e7\u00e3o Renova, onde est\u00e3o reunidos animais de diversos atingidos. Sua filha, S\u00f4nia dos Santos, afirma que as vacas emagreceram.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Meu pai vivia do leite e agora s\u00f3 conta com o aux\u00edlio emergencial mensal que \u00e9 uma mixaria. Al\u00e9m disso, ele tamb\u00e9m plantava de tudo. N\u00e3o faltava nada pra gente. Arroz, feij\u00e3o, mandioca. Agora ele n\u00e3o mexe com mais nada&#8221;, lamenta. O aux\u00edlio mensal emergencial garantido pela Funda\u00e7\u00e3o Renova correspondente a um sal\u00e1rio m\u00ednimo, acrescido de 20% para cada dependente, al\u00e9m do valor de uma cesta b\u00e1sica. Ele \u00e9 pago aos atingidos que perderam sua renda profissional, mas n\u00e3o se confunde\u00a0com a indeniza\u00e7\u00e3o\u00a0que envolve uma outra negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 32 anos, S\u00f4nia j\u00e1 vivia no centro de Mariana quando ocorreu a trag\u00e9dia. No entanto, ela entende que deveria ter sido reconhecida pela Funda\u00e7\u00e3o Renova como atingida. &#8220;Eu n\u00e3o tive direito a receber nenhum aux\u00edlio. E l\u00e1 tamb\u00e9m era minha casa, onde eu cresci. Todo fim de semana estava l\u00e1. E tudo que meu pai plantava ele dava pros filhos. Era tudo do bom e do melhor e eu levava o que eu precisava. N\u00e3o comparava quase alimento nenhum em mercado. Agora preciso tirar do bolso&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O terreno de Wilson, segundo sua filha, n\u00e3o \u00e9 pass\u00edvel de recupera\u00e7\u00e3o e ele foi inclu\u00eddo no programa de reassentamento familiar, que pressup\u00f5e a aquisi\u00e7\u00e3o de outra propriedade. &#8220;N\u00f3s j\u00e1 achamos um terreno compat\u00edvel com o que t\u00ednhamos. L\u00e1 cabe as cria\u00e7\u00f5es do meu pai, d\u00e1 para ter a horta que ele tinha. Mas o processo n\u00e3o avan\u00e7a&#8221;, lamenta S\u00f4nia. Ela afirma que a Funda\u00e7\u00e3o Renova quer comprar uma propriedade com 50% do tamanho original, j\u00e1 metade do terreno pertenceria a uma tia, que tamb\u00e9m requereu indeniza\u00e7\u00e3o. &#8220;Mas quem produzia na terra era meu pai e ele n\u00e3o vai conseguir retomar a produ\u00e7\u00e3o em metade da \u00e1rea que possu\u00eda&#8221;, pondera.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/boi_bebendo_agua.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-154444\" width=\"676\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/boi_bebendo_agua.jpg 675w, https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/boi_bebendo_agua-300x200.jpg 300w, https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/boi_bebendo_agua-630x420.jpg 630w\" sizes=\"auto, (max-width: 676px) 100vw, 676px\" \/><figcaption><em>Imagem do Rio Gualaxo do Norte dois anos ap\u00f3s o rompimento da Barragem de Fund\u00e3o, da mineradora Samarco &#8211; Foto: Jos\u00e9 Cruz \/ Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Repara\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O processo de repara\u00e7\u00e3o das propriedades rurais conduzido pela Funda\u00e7\u00e3o Renova envolve, inicialmente, a elabora\u00e7\u00e3o um Plano de Adequa\u00e7\u00e3o Socioecon\u00f4mica e Ambiental das Propriedades Rurais (Pasea) para cada terreno. Ele elenca medidas a serem adotadas na propriedade. Marino, no entanto, afirma que n\u00e3o aderiu ao Pasea porque n\u00e3o concordou com condi\u00e7\u00f5es que foram exigidas. &#8220;A primeira coisa que tem que prevalecer \u00e9 a confian\u00e7a. Essa rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi constru\u00edda. A impress\u00e3o \u00e9 de que estamos sempre sendo enrolados&#8221;, avalia Marino.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Gabriel Kruschewsky, engenheiro florestal da Funda\u00e7\u00e3o Renova, 168 das 235 propriedades que a entidade mapeou como atingidas j\u00e1 aderiram ao Pasea na \u00edntegra. A\u00e7\u00f5es j\u00e1 estariam em curso desde 2017, com previs\u00e3o para serem conclu\u00eddas em 2021. Tamb\u00e9m \u00e9 garantida assist\u00eancia t\u00e9cnica at\u00e9 2023. Entretanto, segundo Kruschewsky, h\u00e1 produtores que exploravam \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental contra o programa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A ades\u00e3o \u00e9 volunt\u00e1ria. E para receber o Pasea como um todo, os produtores precisam aceitar a adequa\u00e7\u00e3o ambiental. Cerca de 40 produtores n\u00e3o aceitam as a\u00e7\u00f5es de adequa\u00e7\u00e3o ambiental e, assim, deixam de receber uma s\u00e9rie de medidas propostas no Pasea. Nessas propriedades, ser\u00e3o feitas apenas a\u00e7\u00f5es reparat\u00f3rias. Ou seja, recupera\u00e7\u00e3o da \u00e1rea que foi atingida pela lama e reconstru\u00e7\u00e3o de estruturas atingidas. Isso ser\u00e1 feito. \u00c9 nossa obriga\u00e7\u00e3o. Mas as melhorias que poderiam ter a partir do Pasea, deixam de receber&#8221;, disse o engenheiro florestal.<\/p>\n\n\n\n<p>Kruschewsky conta que o trabalho com os produtores de leite se d\u00e1 em tr\u00eas eixos. O primeiro \u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o das pastagens, que inclui as \u00e1reas atingidas pela lama e tamb\u00e9m outras que j\u00e1 estavam degradadas em decorr\u00eancia de um manejo inadequado no processo de produ\u00e7\u00e3o. &#8220;Outro eixo \u00e9 a infraestrutura, melhorando currais, fornecendo tanque de leite. Um produtor que fazia a ordenha na m\u00e3o pode passar a fazer a ordenha mec\u00e2nica. S\u00e3o melhorias que podem ocorrer se o Pasea indicar que elas s\u00e3o importantes para a retomada da produ\u00e7\u00e3o. E o terceiro eixo \u00e9 o melhoramento gen\u00e9tico do rebanho, a partir de t\u00e9cnicas de insemina\u00e7\u00e3o artificial. Ent\u00e3o a expectativa \u00e9 de que n\u00e3o apenas recupere, mas aumente a produ\u00e7\u00e3o leiteira na bacia&#8221;, acrescenta Kruschewsky.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Unidades demonstrativas<\/h2>\n\n\n\n<p>Nesse\u00a0processo de repara\u00e7\u00e3o, est\u00e3o sendo criadas unidades demonstrativas em algumas propriedades. Elas funcionar\u00e3o como modelo de repara\u00e7\u00e3o, a serem apresentados a outros atingidos. Para Marino, o que est\u00e1 sendo feito nestas propriedades \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c0s vezes, parece que s\u00e3o espa\u00e7os preparados pela Funda\u00e7\u00e3o Renova para propaganda. Divulgam um trabalho que n\u00e3o existe na maior parte das propriedades&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo quem aderiu aos programas da Funda\u00e7\u00e3o Renova tem ci\u00eancia de que h\u00e1 resist\u00eancias de outros produtores. &#8220;Muitas pessoas plantam pr\u00f3ximo \u00e0s nascentes e \u00e0s margens do rio porque s\u00e3o \u00e1reas mais f\u00e9rteis. O plano da Funda\u00e7\u00e3o Renova prev\u00ea a preserva\u00e7\u00e3o e recomposi\u00e7\u00e3o florestal dessas \u00e1reas. Aqui fizeram cercamento das nascentes. No meu caso, j\u00e1 era algo nos meus planos, ent\u00e3o houve um encontro de ideias. Mas ficou condicionado a um trabalho para melhorar a fertilidade de outras \u00e1reas&#8221;, disse Jos\u00e9 Maur\u00edcio Pereira da Silva, dono de uma fazenda de 126 hectares no munic\u00edpio de Rio Doce.<\/p>\n\n\n\n<p>Atingidos que precisaram deixar suas casas, como Marino e Wilson, foram realocados em im\u00f3veis alugados pela Funda\u00e7\u00e3o Renova e n\u00e3o sabem dizer at\u00e9 quando viver\u00e3o nessa situa\u00e7\u00e3o. De acordo com Marino, a destrui\u00e7\u00e3o da propriedade \u00e9 apenas um dos problemas causados pela lama. &#8220;Ela leva tamb\u00e9m a simplicidade do povo. As pessoas come\u00e7am a julgar umas \u00e0s outras. Aqui a gente tirava leite de manh\u00e3 e de tarde ia fazer outras coisas. Agora tem um monte problemas para resolver e reuni\u00f5es que n\u00e3o terminam. At\u00e9 hoje n\u00e3o recebi uma proposta de indeniza\u00e7\u00e3o. Meu modo de vida foi destru\u00eddo. Precisei arrendar terras para continuar trabalhando e s\u00f3 depois de um ano consegui ser reembolsado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O produtor conta que depois da trag\u00e9dia passou a tomar antidepressivos e rem\u00e9dio para controle de press\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A Funda\u00e7\u00e3o Renova diz que o rejeito n\u00e3o \u00e9 t\u00f3xico. Mas a gente fica inseguro porque tem estudos independentes que dizem que tem contamina\u00e7\u00e3o por metais. A pesca e consumo do peixe est\u00e3o proibidos. Ser\u00e1 que \u00e9 confi\u00e1vel produzir alimento nessa terra, ser\u00e1 que a vaca pode comer capim dessa terra, beber \u00e1gua do rio? Ent\u00e3o \u00e9 uma incerteza muito grande. Voc\u00ea respira e n\u00e3o sabe se o oxig\u00eanio te faz bem ou mal, porque est\u00e1 misturado com a poeira da lama que secou&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color\"><strong>VER PRIMEIRO: <\/strong>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. Clique em curtir no endere\u00e7o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/aconteceunovale\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.facebook.com\/aconteceunovale<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quatro anos ap\u00f3s o rompimento da barragem da Samarco, ocorrido em Mariana (MG), produtores rurais que trabalhavam com gado leiteiro na regi\u00e3o atingida n\u00e3o se sentem acolhidos pelo processo de repara\u00e7\u00e3o de danos. Eles reclamam, principalmente, do atraso nas indeniza\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m da falta de uma solu\u00e7\u00e3o para as suas propriedades. 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