{"id":154433,"date":"2019-11-07T22:42:41","date_gmt":"2019-11-08T01:42:41","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=154433"},"modified":"2019-11-07T22:44:59","modified_gmt":"2019-11-08T01:44:59","slug":"reflorestamento-na-bacia-do-rio-doce-usa-mudas-de-pequenos-produtores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=154433","title":{"rendered":"Reflorestamento na Bacia do Rio Doce usa mudas de pequenos produtores"},"content":{"rendered":"\n<p>Recuperar 5 mil nascentes e 40 mil hectares de \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o ambiental na bacia do Rio Doce foi um dos compromissos assumidos pela Samarco e por suas acionistas Vale e BHP Billiton, em acordo firmado em mar\u00e7o de 2016 entre o governo federal e os de Minas Gerais e do Esp\u00edrito Santo. A medida, de car\u00e1ter&nbsp;compensat\u00f3rio, visa a restaurar a mata nativa al\u00e9m da \u00e1rea que foi degradada ap\u00f3s o rompimento da barragem da mineradora em Mariana (MG). Passados quatros anos da trag\u00e9dia, esse trabalho \u00e9 refor\u00e7ado por fam\u00edlias de trabalhadores rurais.<\/p>\n\n\n\n<p>O acordo entre as mineradoras e os governos tamb\u00e9m levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Renova para gerir todas as medidas reparat\u00f3rias e compensat\u00f3rias dos danos causados. A entidade firmou com o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) um conv\u00eanio para produzir, este ano, 150 mil mudas. As fam\u00edlias tamb\u00e9m participam do plantio, que foi planejado para o in\u00edcio do per\u00edodo chuvoso e teve in\u00edcio na \u00faltima semana. A meta \u00e9 recuperar 180 hectares mas, como o trabalho vem sendo bem avaliado, j\u00e1 se estuda uma expans\u00e3o para 340 hectares, com a demanda por mais mudas e a consolida\u00e7\u00e3o da parceria.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;S\u00e3o 11 esp\u00e9cies, entre elas pau d\u2019alho, farinha seca, angico vermelho, trema micrantha, gurindiba, goiaba e ara\u00e7\u00e1, todas nativas de Mata Atl\u00e2ntica Elas s\u00e3o divididas em duas fun\u00e7\u00f5es ecossist\u00eamicas: as de recobrimento para crescer r\u00e1pido em solos pobres e formar copas para combater o capim, que \u00e9 uma esp\u00e9cie ex\u00f3tica e invasora, e as esp\u00e9cies de diversidade, que v\u00e3o durar mais tempo, chegando a 100, 200 ou mais anos e garantindo a perpetua\u00e7\u00e3o da floresta&#8221;, explica Leandro Abrah\u00e3o, engenheiro florestal da Funda\u00e7\u00e3o Renova. Ele elogia a capacidade de organiza\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias e a agilidade do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>As mudas s\u00e3o produzidas no assentamento Liberdade, no munic\u00edpio de Periquito (MG). Vivem no local 33 fam\u00edlias assentadas pelo Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) e mais seis que aguardam a conclus\u00e3o de seus processos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Renova fortalece o desejo do MST de produzir e, ao mesmo tempo, proteger a natureza. Produzir \u00e1gua e comida de forma sustent\u00e1vel. Aqui na bacia do Rio Doce, s\u00e3o 200 anos de degrada\u00e7\u00e3o ambiental causada por um processo equivocado de explora\u00e7\u00e3o, usando de forma predat\u00f3ria \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o, e a situa\u00e7\u00e3o se agravou com o rompimento da barragem&#8221;, afirma Agnaldo Batista, coordenador do setor de produ\u00e7\u00e3o do movimento em Minas.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles buscam entidades e empresas que t\u00eam passivo ambiental ou iniciativas de recupera\u00e7\u00e3o ambiental e que possam se interessar em firmar conv\u00eanio. &#8220;Temos um potencial grande. Atualmente possu\u00edmos em torno de 700 mil mudas nos seis viveiros espalhados pelo estado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo \u00e9 o conv\u00eanio com a Companhia Energ\u00e9tica de Minas Gerais (Cemig) para reduzir o passivo ambiental acumulado pela estatal mineira. Ser\u00e3o reflorestadas \u00e1reas em diferentes regi\u00f5es do estado, somando 116 hectares. Parcerias tamb\u00e9m s\u00e3o firmadas para o desenvolvimento dos viveiros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/mudas_renova_2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-154434\" width=\"661\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/mudas_renova_2.jpg 675w, https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/mudas_renova_2-300x200.jpg 300w, https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/mudas_renova_2-630x420.jpg 630w\" sizes=\"auto, (max-width: 661px) 100vw, 661px\" \/><figcaption><em>Mudas s\u00e3o produzidas no assentamento Liberdade, em Periquito &#8211; Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sementes<\/h2>\n\n\n\n<p>Dos 40 mil hectares a serem recuperados pela Funda\u00e7\u00e3o Renova, 30 mil ser\u00e3o por regenera\u00e7\u00e3o natural e outros 10 mil de plantio direto. O acordo de 2016 fixou um prazo de 10 anos para cumprimento dessas metas e a estimativa \u00e9 de um investimento aproximado de R$ 1,1 bilh\u00e3o. Um estudo com os viveiros da regi\u00e3o revelou alguns desafios para a conclus\u00e3o dessa tarefa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A aquisi\u00e7\u00e3o de sementes \u00e9 feita com poucos fornecedores. Ent\u00e3o, h\u00e1 pouca variabilidade gen\u00e9tica e isso \u00e9 um grande problema para a restaura\u00e7\u00e3o. Por isso, estamos criando a rede de sementes e mudas da bacia do Rio Doce. Vislumbramos um horizonte de 500 coletores de semente espalhados na bacia&#8221;, diz Leandro Abrah\u00e3o. Essa rede dever\u00e1 ser respons\u00e1vel pelo abastecimento de pelo menos 50% da demanda da Funda\u00e7\u00e3o Renova, incentivado o desenvolvimento da cadeia produtiva, ampliando esse mercado na regi\u00e3o e gerando emprego. A expectativa \u00e9 de que, somente em 2019, sejam incubadas cerca de 3,5 tonoeladas de sementes.<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro, o programa de reflorestamento deu in\u00edcio \u00e0 fase de plantio. As variadas frentes que comp\u00f5em essa primeira fase somam 800 hectares em \u00e1reas dos munic\u00edpios de Governador Valadares, Coimbra, Periquito e Galileia, no estado de Minas Gerais, al\u00e9m de Colatina, Maril\u00e2ndia e Pancas, no Esp\u00edrito Santo. Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV) atuam como parceiros, ajudando na defini\u00e7\u00e3o de \u00e1reas priorit\u00e1rias e testando t\u00e9cnicas que permitam resultados melhores.<\/p>\n\n\n\n<p>Um relat\u00f3rio da consultoria Ramboll, divulgado nesta semana, registra que, at\u00e9 julho deste ano, das florestas e \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o permanente atingidas pelos rejeitos, foram reflorestadas 79 dos 664 hectares. De acordo com a consultoria, isso significa que apenas 12% da meta foi atingida, passados 91% do prazo estipulado para a medida. O reflorestamento dessa \u00e1rea deveria ser conclu\u00eddo em mar\u00e7o de 2020. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel concluir que a restaura\u00e7\u00e3o florestal est\u00e1 apenas come\u00e7ando, e h\u00e1 grande chance de que o compromisso n\u00e3o seja cumprido no prazo&#8221;, diz a Ramboll.<\/p>\n\n\n\n<p>A Ramboll \u00e9 uma das empresas que foram contratadas conforme acordo firmado em janeiro de 2017 entre o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) e as mineradoras, no qual ficou definida que per\u00edcias especializadas avaliariam os impactos da trag\u00e9dia e o andamento das a\u00e7\u00f5es de repara\u00e7\u00e3o. A consultoria tamb\u00e9m avaliou a qualidade da restaura\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o \u00faltimo per\u00edodo chuvoso de 2019 e constatou que a mortalidade das mudas foi de 50%. &#8220;A Funda\u00e7\u00e3o Renova n\u00e3o executou a reposi\u00e7\u00e3o das mudas mortas. Verificou-se que foram plantadas mudas de esp\u00e9cies de \u00e1rvores ex\u00f3ticas em locais onde s\u00f3 deveriam haver esp\u00e9cies nativas&#8221;, acrescenta a consultoria.<\/p>\n\n\n\n<p>O reflorestamento tamb\u00e9m ser\u00e1 desenvolvido a partir do m\u00e9todo de Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais (PSA). A iniciativa, recomendada pela Ag\u00eancia Nacional da \u00c1guas (ANA), envolve a remunera\u00e7\u00e3o dos produtores rurais que adotem medidas por cinco anos para proteger \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o ambiental e nascentes existentes em sua propriedade. A expectativa \u00e9 que o PSA permita recuperar mil hectares degradados e 500 nascentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Em julho deste ano, um primeiro edital lan\u00e7ado pela Funda\u00e7\u00e3o Renova contemplou todos os 270 propriet\u00e1rios que se candidataram. Al\u00e9m de proteger mananciais em seus terrenos, eles precisar\u00e3o realizar o plantio de esp\u00e9cies florestais nativas e implementar projetos de conserva\u00e7\u00e3o do solo e \u00e1gua em \u00e1reas produtivas. Os recursos devem ser pagos a partir deste m\u00eas. Ser\u00e3o repassados anualmente R$ 252 por hectare. Isso significa que um produtor que disponibilize, por exemplo, quatro hectares receber\u00e1 R$ 1.008 anualmente, ao longo de cinco anos. Um segundo edital est\u00e1 aberto desde o dia&nbsp;5 de agosto&nbsp;e se encerra em 1\u00ba de dezembro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das a\u00e7\u00f5es de reflorestamento, est\u00e1 previsto um aporte de R$ 63 milh\u00f5es para melhorias no Parque Estadual do Rio Doce. Criado em 1944 como a primeira unidade de conserva\u00e7\u00e3o vinculada ao estado de Minas Gerais, ele \u00e9\u00a0hoje\u00a0o maior maci\u00e7o florestal cont\u00ednuo de Mata Atl\u00e2ntica do pa\u00eds. Trata-se de outra a\u00e7\u00e3o compensat\u00f3ria prevista no acordo entre as mineradoras e o Poder P\u00fablico. Os recursos ser\u00e3o voltados para realizar diagn\u00f3stico estrutural, georreferenciamento, revis\u00e3o do plano de manejo, pesquisas sobre biodiversidade, entre outras medidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color\"><strong>VER PRIMEIRO: <\/strong>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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