{"id":150011,"date":"2019-07-30T23:40:10","date_gmt":"2019-07-31T01:40:10","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=150011"},"modified":"2019-07-30T23:40:10","modified_gmt":"2019-07-31T01:40:10","slug":"onu-avalia-sistema-dos-apanhadores-de-sempre-vivas-no-vale-do-jequitinhonha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=150011","title":{"rendered":"ONU avalia sistema dos apanhadores de sempre-vivas no Vale do Jequitinhonha"},"content":{"rendered":"<p>Comunidades tradicionais de apanhadores de flores sempre-vivas, esp\u00e9cie nativa da Serra do Espinha\u00e7o, no Vale do Jequitinhonha, est\u00e3o perto de conseguir o reconhecimento como Sistema Agr\u00edcola Tradicional de Import\u00e2ncia Mundial (Sipam). O selo \u00e9 concedido pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), por meio de sua Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO). A ag\u00eancia lidera os esfor\u00e7os internacionais para erradica\u00e7\u00e3o da fome e da inseguran\u00e7a alimentar e d\u00e1 especial aten\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento das \u00e1reas rurais, onde vivem 70% das popula\u00e7\u00f5es de baixa renda no mundo e que ainda passam fome.<br \/>\n<center><br \/>\n<!-- Erro, o An\u00fancio n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel neste momento devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es de agendamento\/geolocaliza\u00e7\u00e3o! --><br \/>\n<\/br><br \/>\n<\/center><br \/>\nOs grupos tradicionais preservam t\u00e9cnicas seculares de manejo da terra e desenvolvem em seu territ\u00f3rio uma rela\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel com a natureza. O reconhecimento da FAO ser\u00e1 uma valiosa conquista para as comunidades P\u00e9 de Serra, Lavras, Macacos, Vargem do Inha\u00ed, Mata dos Crioulos e Raiz, as tr\u00eas \u00faltimas quilombolas, localizadas nos munic\u00edpios de Buen\u00f3polis, Diamantina e Presidente Kubitschek.<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de um reconhecimento de extrema import\u00e2ncia n\u00e3o apenas para Minas Gerais, mas para o Brasil. No mundo, somente 57 sistemas conquistaram este selo at\u00e9 hoje. Desse total, apenas tr\u00eas na Am\u00e9rica Latina\u201d, explica M\u00e1rcia Bonetti, coordenadora t\u00e9cnica estadual da Emater-MG, institui\u00e7\u00e3o vinculada \u00e0 Secretaria de Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Seapa).<\/p>\n<p>Um comit\u00ea cient\u00edfico da FAO esteve na regi\u00e3o 28 e 29\/7 para avaliar a pertin\u00eancia da candidatura ao selo, o envolvimento dos governos local, estadual e federal, da Comiss\u00e3o em Defesa dos Direitos das Comunidades Extrativistas (Codecex) que representa os apanhadores e das universidades. O representante da FAO no Brasil, Rafael Zavala, ressalt a import\u00e2ncia de todas as inst\u00e2ncias trabalharem juntas no processo de certifica\u00e7\u00e3o. \u201cO desafio \u00e9 fazer funcionar este mosaico institucional. \u00c9 uma grandiosa oportunidade para criarmos um exemplo do Sipam a ser seguido no Brasil e at\u00e9 na Am\u00e9rica Latina\u201d, observa.<\/p>\n<p>Essa tamb\u00e9m \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o do coordenador do grupo de pesquisadores do Sipam, Mauro Agnoletti, que refor\u00e7a a import\u00e2ncia dessa sinergia. \u201cEstou bastante impressionado com a participa\u00e7\u00e3o das autoridades p\u00fablicas em todos os n\u00edveis. O importante agora \u00e9 comunicar ao mundo o que vimos aqui. Precisamos convencer pessoas como eu a vir e se apaixonar pelo lugar. Toda essa produ\u00e7\u00e3o tradicional raramente tem acesso ao grande mercado\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Para conquistar o selo, as comunidades ainda precisam vencer algumas etapas. A primeira ocorreu no ano passado, quando formalizaram sua candidatura com a entrega de um dossi\u00ea \u00e0 FAO Brasil. A solenidade foi durante o I Festival dos Apanhadores e Apanhadoras de Flores Sempre-Vivas, realizado em junho de 2018, em Diamantina. A candidatura recebeu o apoio de pesquisadores, acad\u00eamicos e membros de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos que ajudaram a construir o documento. A avalia\u00e7\u00e3o final acontecer\u00e1 em mais um encontro, ainda este ano, em Roma, capital italiana.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/sempre_viva_avaliacao.jpg\" alt=\"\" \/><em>Avalia\u00e7\u00e3o final acontecer\u00e1 ainda em 2019 &#8211; Foto: M\u00f4nica Salom\u00e3o\/Seapa<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Visita<\/strong><\/p>\n<p>No primeiro dia dos trabalhos, uma comitiva, composta pelo avaliador e por representantes do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento, da FAO Brasil, da Codecex, da Emater-MG, do Instituto Estadual do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico (Iepha-MG), da Seapa, e a pesquisadora da USP Fernanda Monteiro, percorreu a comunidade Mata dos Crioulos para conhecer as particularidades deste sistema agr\u00edcola tradicional. A pesquisadora mineira ficou otimista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 impress\u00e3o causada nos avaliadores. \u201cFoi poss\u00edvel conhecer, entre outras coisas, a bel\u00edssima cultura alimentar que o pessoal dessa regi\u00e3o possui. Acredito que os avaliadores puderam compreender a grandiosidade do sistema\u201d, ressalta Fernanda.<\/p>\n<p>\u00c0 noite, o grupo foi recebido pelos prefeitos, pelo secret\u00e1rio de Estado de Cultura e Turismo (Secult), Marcelo Matte, e pela secret\u00e1ria de Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Seapa), Ana Valentini, para um jantar preparado com produtos locais pela chef Tanea Rom\u00e3o, em parceria com cozinheiras das comunidades. Marcelo Matte deixou clara a inten\u00e7\u00e3o da Secult em apoiar essa atividade econ\u00f4mica exclusivamente mineira e tradicional. \u201cVamos trabalhar em pol\u00edticas p\u00fablicas capazes de garantir a dignidade dessas comunidades. O programa da FAO refor\u00e7a a import\u00e2ncia que esses grupos t\u00eam para Minas e para o mundo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria de Agricultura, Ana Valentini, tamb\u00e9m fez quest\u00e3o de destacar a import\u00e2ncia de se trazer o selo para o Brasil. \u201cEle vai chamar a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de envolvimento de todos na preserva\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do sistema dessas comunidades, dessa cultura riqu\u00edssima, que vem de muitas gera\u00e7\u00f5es\u201d, sinaliza.<\/p>\n<p>De acordo com a presidente do Iepha-MG, Michele Arroyo, o sistema agr\u00edcola tradicional tamb\u00e9m tem relev\u00e2ncia como patrim\u00f4nio cultural. \u201cTemos muito a aprender com as comunidades para conseguir contar e registrar esses saberes e patrim\u00f4nio cultural como um processo din\u00e2mico, que no caso se chama \u2018Plano de Salvaguarda\u2019\u201d, comenta.<\/p>\n<p>No segundo dia de miss\u00e3o em Diamantina, o governador Romeu Zema confirmou o interesse do Estado em apoiar a candidatura ao selo. \u201cA iniciativa \u00e9 totalmente procedente, importante e relevante. N\u00f3s queremos ser o promotor do desenvolvimento e de melhorias para quem quer trabalhar\u201d.<\/p>\n<p><strong>O sistema<\/strong><\/p>\n<p>Os apanhadores de flores sempre-vivas habitam a por\u00e7\u00e3o meridional da Serra do Espinha\u00e7o, em Minas Gerais. Al\u00e9m da coleta das flores, as comunidades realizam outras atividades produtivas que garantem a complementa\u00e7\u00e3o de renda e seguran\u00e7a econ\u00f4mica e alimentar, como ro\u00e7as, cria\u00e7\u00e3o de animais e coleta de produtos do agroextrativismo, a exemplo de frutos e plantas medicinais.<\/p>\n<p>O grupo integra uma categoria de comunidade tradicional, certificada pela Comiss\u00e3o Estadual dos Povos e Comunidades Tradicionais (CEPCT-MG) e amparada pela Pol\u00edtica Estadual para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel dos Povos e Comunidades Tradicionais de Minas Gerais.<\/p>\n<p>As caracter\u00edsticas do Sistema Agr\u00edcola Tradicional dos Apanhadores de Flores Sempre-Vivas que possibilitaram a candidatura ao programa da FAO s\u00e3o a utiliza\u00e7\u00e3o combinada de diferentes altitudes, que v\u00e3o de 600 a 1.400 metros de altitude; elevada biodiversidade; conhecimentos tradicionais sobre o uso das \u00e1reas, gerando distintos agroambientes que resultam em paisagens manejadas; abund\u00e2ncia h\u00eddrica; reserva de biodiversidade nativa; biodiversidade agr\u00edcola; e riqueza cultural.<\/p>\n<p><em>(Fonte: Ag\u00eancia Minas)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunidades tradicionais de apanhadores de flores sempre-vivas, esp\u00e9cie nativa da Serra do Espinha\u00e7o, no Vale do Jequitinhonha, est\u00e3o perto de conseguir o reconhecimento como Sistema Agr\u00edcola Tradicional de Import\u00e2ncia Mundial (Sipam). 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