{"id":149495,"date":"2019-07-07T10:56:39","date_gmt":"2019-07-07T12:56:39","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=149495"},"modified":"2019-07-07T10:56:39","modified_gmt":"2019-07-07T12:56:39","slug":"projeto-ajuda-mulheres-de-brumadinho-a-lidar-com-o-luto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=149495","title":{"rendered":"Projeto ajuda mulheres de Brumadinho a lidar com o luto"},"content":{"rendered":"<p>Ela despontou em meio ao caos, \u00e0 morte, ao flagelo. Singela, com p\u00e9talas que pareciam lutar para se levantar diante da lama, virou s\u00edmbolo da resist\u00eancia e da retomada da vida de um grupo de cerca de 30 mulheres de Brumadinho. A flor amarela, imortalizada em uma foto que circulou pelo estado de Minas Gerais ap\u00f3s a enxurrada de lama que deixou 240 mortos e mais de 60 desaparecidos no dia 25 de janeiro, deu vida a um projeto, o Flor Amarela, que leva ajuda, conforto e abra\u00e7o a mulheres que perderam parentes, amigos, conhecidos. Como a flor, elas precisam de for\u00e7a para se levantar e seguir reconstruindo os caminhos em meio ao que sobrou ap\u00f3s a devasta\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<center><br \/>\n<!-- Erro, o An\u00fancio n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel neste momento devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es de agendamento\/geolocaliza\u00e7\u00e3o! --><br \/>\n<\/br><br \/>\n<\/center><br \/>\nPara o grupo, o Flor Amarela tornou-se um s\u00edmbolo da for\u00e7a e resili\u00eancia que deve seguir inspirando as mulheres atingidas pelo desastre ambiental. \u00c9 o que conta a jornalista Patr\u00edcia Giudice, uma das cinco idealizadoras do grupo. \u201cAquela lista de \u00f3bitos foi se formando, e a gente percebeu que a maioria eram homens em idade produtiva. E a gente come\u00e7ou a enxergar o cen\u00e1rio de quem ficava. Mulheres, m\u00e3es e esposas que ficariam naquela cidade, e foi ent\u00e3o que voltamos o olhar para elas.\u201d<\/p>\n<p>Denise Cristina Rodrigues de Moraes, advogada, m\u00e3e e esposa, nasceu em Brumadinho e passou parte da inf\u00e2ncia na Ferteco, empresa de minera\u00e7\u00e3o que foi incorporada pela Vale. Ela morou na vila dos funcion\u00e1rios, e a casa era pr\u00f3xima \u00e0 barragem destru\u00edda pela lama. \u201cMeu pai pescava l\u00e1. Sempre frequentei o C\u00f3rrego do Feij\u00e3o e morei em uma fazenda pr\u00f3xima do vilarejo. Foi devastador o que aconteceu. Perdi um primo e v\u00e1rios amigos.\u201d Quando resolveu participar do projeto, Denise viu uma oportunidade de conviver com pessoas que tinham uma hist\u00f3ria parecida com a sua.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi simples. Mesmo tendo contato com parte das mulheres desde a inf\u00e2ncia, a situa\u00e7\u00e3o deixou todos muito introspectivos, como explica. \u201cHouve uma \u2018chuva\u2019 de oportunistas, e a falta de informa\u00e7\u00e3o sobre os procedimentos a serem tomados fez com que muitas pessoas fossem lesadas. O Flor vai para seu quarto encontro. Aos poucos, as flores, essas mulheres queridas, v\u00e3o se abrindo nas conversas, nas din\u00e2micas e no cafezinho, ao final. \u00c9 um momento que sempre come\u00e7a um pouco tenso e vai se iluminando. \u00c9 muito gratificante receber os agradecimentos e ver os rostos menos tensos e com um pontinho de brilho l\u00e1 no fundo\u201d, diz Denise.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/flor_amarela_brumadinho.jpg\" alt=\"\" \/><em>Flor Amarela Brumadinho ajuda mulheres a lidar com o luto &#8211; Rodrigo Clemente de Morais Silva<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Acolhimento<\/strong><\/p>\n<p>O projeto \u00e9 pautado pela simplicidade e oferece \u00e0s mulheres de Brumadinho momentos de escuta, solidariedade, empatia. \u201cAjud\u00e1-las a pensar em uma vis\u00e3o de futuro sem cair na depress\u00e3o, que \u00e9 um quadro bem comum depois de uma trag\u00e9dia\u201d, explica a jornalista. \u201cAcreditamos que o melhor esfor\u00e7o de recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 aquele que envolve a pr\u00f3pria comunidade. Por isso, respeitar o momento de luto das pessoas \u00e9 igualmente importante quanto o que desejamos construir com nossas mulheres\u201d, diz a p\u00e1gina do projeto no Instagram.<\/p>\n<p>O tempo corre de maneira diferente nos encontros do grupo: respeita-se o tempo do luto. \u201cNo projeto, entendemos que houve um empoderamento for\u00e7ado das mulheres ap\u00f3s o rompimento. Queremos humanizar o processo, oferecendo acolhimento, promovendo a uni\u00e3o com outras mulheres em situa\u00e7\u00f5es semelhantes, al\u00e9m de fomentar a cria\u00e7\u00e3o coletiva de uma vis\u00e3o de futuro para elas\u201d, diz a banc\u00e1ria Melissa Fayad Milken, outra idealizadora do Flor Amarela.<\/p>\n<p>Ela estava no Museu Inhotim, localizado em Brumadinho, no dia da enxurrada de lama, e diz que n\u00e3o conseguiu entender de imediato a amplitude do desastre. \u201cAos poucos, percebi que os danos causados eram irrepar\u00e1veis e impactariam permanentemente na vida de toda a comunidade. Meus amigos perderam familiares e pessoas queridas. Tentei entrar em contato com alguns amigos de Brumadinho para saber como poderia ajudar a comunidade e, em uma dessas conversas, decidimos trabalhar no projeto que recebeu o nome de Flor Amarela.\u201d<\/p>\n<p><strong>Escrita terap\u00eautica<\/strong><\/p>\n<p>No \u00faltimo encontro, chamaram a jornalista Ana Holanda, que trabalha com escrita criativa e afetuosa, para ajud\u00e1-las a transformar a dor em palavras. A jornalista ouviu das v\u00edtimas que o lugar onde passaram a inf\u00e2ncia n\u00e3o existia mais, que parte das recorda\u00e7\u00f5es foi embora. \u201cA lama levou muita coisa, mas levou principalmente meu primo. Meu marido morreu naquele dia. E hoje eu odeio Brumadinho\u201d, disseram algumas das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Para Ana, no luto, o texto, o papel, as palavras, podem ajudam as mulheres a dar vaz\u00e3o ao que est\u00e3o sentindo. \u201c\u00c9 um processo de organiza\u00e7\u00e3o interna. Eu falo com os meus amigos do texto em camadas, que \u00e9 quando a gente sai da superf\u00edcie e entra no profundo (&#8230;). Eu n\u00e3o tinha certeza se isso ia ajudar, de alguma forma, essas mulheres, mas o que eu vi \u00e9 que ajuda e muito.\u201d<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo encontro do Flor Amarela est\u00e1 previsto para o fim deste m\u00eas. Quem quiser auxiliar ou fazer parte do projeto pode entrar em contato com o grupo pelas redes sociais @floramarelabrumadinho ou pelo e-mail contato@projetofloramarela.com.br.  <\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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