{"id":147960,"date":"2019-04-28T11:34:18","date_gmt":"2019-04-28T13:34:18","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=147960"},"modified":"2019-04-28T11:34:18","modified_gmt":"2019-04-28T13:34:18","slug":"agrotoxicos-encurtam-vida-e-mudam-comportamento-das-abelhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=147960","title":{"rendered":"Agrot\u00f3xicos encurtam vida e mudam comportamento das abelhas"},"content":{"rendered":"<p>Nova pesquisa sobre efeito dos agrot\u00f3xicos em abelhas mostrou que um tipo de inseticida, mesmo quando usado em doses n\u00e3o letais, encurtou o tempo de vida dos insetos em at\u00e9 50%. Os pesquisadores observaram ainda que uma subst\u00e2ncia fungicida considerada inofensiva para abelhas mudou o comportamento das oper\u00e1rias, deixando-as let\u00e1rgicas, o que pode comprometer o funcionamento de toda a col\u00f4nia.<br \/>\n<center><br \/>\n<!-- Erro, o An\u00fancio n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel neste momento devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es de agendamento\/geolocaliza\u00e7\u00e3o! --><br \/>\n<\/br><br \/>\n<\/center><br \/>\nO estudo, apoiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp), investiga o fato, j\u00e1 conhecido, de que diversas esp\u00e9cies de abelhas est\u00e3o desaparecendo no mundo todo. No Brasil, o fen\u00f4meno tem sido observado pelo menos desde 2005 e est\u00e1 diretamente ligado ao uso de agrot\u00f3xicos, diz o professor Osmar Malaspina, pesquisador do Centro de Estudos de Insetos Sociais do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade Estadual de S\u00e3o Paulo (Unesp).<\/p>\n<p>Segundo Malaspina, que participou da pesquisa, na maior parte dos casos, as colmeias desaparecem de 24 a 48 horas, o que \u00e9 um indicativo de contamina\u00e7\u00e3o por inseticida. \u201cN\u00e3o existe nenhuma doen\u00e7a capaz de matar uma colmeia inteira em 24 horas. S\u00f3 inseticidas podem provocar isso\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cFizemos um levantamento no estado de S\u00e3o Paulo nos \u00faltimos tr\u00eas anos, mandamos fazer an\u00e1lises dos produtos e das abelhas mortas para ver se tinha res\u00edduo desses produtos e comprovamos que, nesses casos de mortalidade em massa, a grande maioria foi provocada por inseticidas\u201d, informou o professor.<\/p>\n<p>Os ingredientes ativos investigados na nova pesquisa foram a clotianidina, inseticida usado para controle de pragas nas culturas de algod\u00e3o, feij\u00e3o, milho e soja, e o fungicida piraclostrobina, aplicado nas folhas da maioria das culturas de gr\u00e3os, frutas, legumes e vegetais.<\/p>\n<p>Os testes de toxicidade de agrot\u00f3xicos foram realizados em concentra\u00e7\u00f5es realistas, como as encontradas residualmente no p\u00f3len das flores. Os pesquisadores disseram que os agrot\u00f3xicos em grandes concentra\u00e7\u00f5es dizimariam colmeias quase imediatamente, mas ressaltaram que o objetivo do estudo \u00e9 descobrir a a\u00e7\u00e3o residual dos agrot\u00f3xicos sobre as abelhas, mesmo em concentra\u00e7\u00f5es muito baixas e teoricamente n\u00e3o letais.<\/p>\n<p><strong>Resultados<\/strong><\/p>\n<p>No caso das larvas de abelhas alimentadas com dieta contaminada pelo inseticida clotianidina em baix\u00edssima concentra\u00e7\u00e3o, os insetos apresentaram tempo de vida drasticamente menor, de at\u00e9 50%. J\u00e1 entre as larvas alimentadas com a dieta contaminada pelo fungicida piraclostrobina, quando adultas, as oper\u00e1rias sofreram mudan\u00e7a em seu comportamento, tornando-se mais lentas.<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea colocou uma dose baixa desse fungicida e ele teoricamente \u00e9 inofensivo, a abelha vai ingerir aquela dose, mas n\u00e3o vai morrer, como morreria se fosse o inseticida. Mas isso n\u00e3o significa que n\u00e3o esteja prejudicando a col\u00f4nia, isso j\u00e1 \u00e9 suficiente para mudar o comportamento dela\u201d, disse o pesquisador.<\/p>\n<p>As oper\u00e1rias jovens fazem inspe\u00e7\u00f5es di\u00e1rias na colmeia, o que faz com que percorram certa dist\u00e2ncia e se movimentem bastante dentro da col\u00f4nia. Nos testes, verificou-se que, no caso das abelhas contaminadas tanto pelo fungicida sozinho ou associado ao inseticida, a dist\u00e2ncia percorrida e a velocidade foram muito menores.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o a abelha, por exemplo, se perde no campo, n\u00e3o acha mais o caminho da col\u00f4nia, e a velocidade que ela voa e a dist\u00e2ncia s\u00e3o muito menores. Ela n\u00e3o vai coletar alimento direito, vai se perder e, ap\u00f3s um per\u00edodo, a col\u00f4nia acaba sofrendo um colapso e morrendo. Eles [fungicidas] foram feitos para matar fungos, mas acabam matando as abelhas tamb\u00e9m\u201d, lamentou Malaspina.<\/p>\n<p>Os efeitos do fungicida pode ser, segundo os pesquisadores, um dos fatores que contribuem para a extin\u00e7\u00e3o em massa de abelhas.<\/p>\n<p><strong>Impactos econ\u00f4micos<\/strong><\/p>\n<p>No Rio Grande do Sul, entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019, foi registrada a perda de cerca de 5 mil colmeias, o que equivale a 400 milh\u00f5es de abelhas. H\u00e1 um impacto econ\u00f4mico previsto, porque, al\u00e9m de afetar a produ\u00e7\u00e3o de mel, grande parte da agricultura depende do trabalho de poliniza\u00e7\u00e3o realizado pelas abelhas. A dificuldade na poliniza\u00e7\u00e3o de diversas culturas traz perdas n\u00e3o s\u00f3 para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos e commodities, mas para a biodiversidade.<\/p>\n<p>O professor ressalta que algumas culturas que s\u00e3o afetadas de forma dr\u00e1stica pela falta de poliniza\u00e7\u00e3o das abelhas. \u201cTem culturas que s\u00e3o extremamente dependentes das abelhas, como o mel\u00e3o e a ma\u00e7\u00e3. Se voc\u00ea n\u00e3o tem abelha, n\u00e3o tem mel\u00e3o, nem ma\u00e7\u00e3. Outras culturas, como a laranja, s\u00e3o parcialmente dependentes. Se tiver abelha, aumenta a produ\u00e7\u00e3o de laranja em at\u00e9 40%, s\u00e3o valores extraordin\u00e1rios.\u201d<\/p>\n<p>\u201cNa cultura de soja, voc\u00ea aumenta at\u00e9 10% [a produ\u00e7\u00e3o]. Imagina o tamanho desse pa\u00eds, a quantidade de soja que \u00e9 produzida no Brasil. Voc\u00ea aumenta a produ\u00e7\u00e3o em at\u00e9 10% sem desmatar um hectare de terra, simplesmente com uso dos servi\u00e7os ambientas prestados pelas abelhas\u201d, estimou Malaspina.<\/p>\n<p>Ele destaca que, no Brasil, as monoculturas de soja, milho e cana dependem do uso intensivo de inseticidas. A contamina\u00e7\u00e3o das col\u00f4nias de abelhas ocorre quando, por exemplo, os agricultores n\u00e3o respeitam uma margem de seguran\u00e7a m\u00ednima \u2013 s\u00e3o recomendados 250 metros \u2013 na aplica\u00e7\u00e3o de defensivos agr\u00edcolas entre as lavouras e as \u00e1reas florestais que as margeiam. explica. \u201cTem gente que aplica produtos qu\u00edmicos at\u00e9 o limite da floresta.\u201d<\/p>\n<p><strong>Apicultura amea\u00e7ada<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos, o apicultor Aldo Machado dos Santos, chegou a perder 500 colmeias, de um total de 3 mil, por uso indevido de inseticidas em uma planta\u00e7\u00e3o de soja vizinha. Segundo o produtor, o inseticida que deveria ser usado apenas nas sementes, acabou contaminando as flores no campo e, consequentemente, contaminaram as abelhas. \u201cNa \u00e9poca, eu recebi um laudo que mostrava um preju\u00edzo de R$ 810 por colmeia. Foi uma perda total de mais de R$ 400 mil.\u201d<\/p>\n<p>Filho de pequeno produtor de fumo, Aldo foi para a regi\u00e3o do Pampa no Rio Grande do Sul para investir na apicultura. \u201cQuando eu vi a quantidade de veneno que tinha no fumo e que estavam desaparecendo as abelhas na regi\u00e3o, n\u00e3o encontrava mais um fio de mel puro naquela \u00e9poca, eu comecei a criar abelha.\u201d<\/p>\n<p>\u201cSa\u00ed da regi\u00e3o onde eu estava trabalhando, porque l\u00e1 tinha muito veneno, e vim para uma regi\u00e3o considerada pobre, mas muito rica em pasto ap\u00edcola [flora visitada pelas abelhas]. At\u00e9 hoje consigo sobreviver tranquilo da apicultura\u201d, disse Aldo, que tem uma produ\u00e7\u00e3o 150 toneladas de mel por ano.<\/p>\n<p>Apesar da fuga da produ\u00e7\u00e3o de fumo, a monocultura da soja chegou bem perto do apicultor. \u201cHoje a soja se tornou aqui uma monocultura, \u00e9 muito forte, \u00e9 a principal atividade econ\u00f4mica da regi\u00e3o. Em segundo lugar, vem o arroz. A soja vem com uma carga de veneno muito grande porque ela tem muitas pragas que atacam a soja. E essas pragas a maioria s\u00e3o insetos. E, contra insetos, tem que usar inseticida. Abelha \u00e9 inseto, ent\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o combina\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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