{"id":14779,"date":"2013-12-07T11:42:01","date_gmt":"2013-12-07T13:42:01","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=14779"},"modified":"2013-12-07T11:42:01","modified_gmt":"2013-12-07T13:42:01","slug":"universitario-de-francisco-badaro-relata-terror-vivido-em-cativeiro-durante-seis-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=14779","title":{"rendered":"Universit\u00e1rio de Francisco Badar\u00f3 relata terror vivido em cativeiro durante seis dias"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Estudante conta que era obrigado a tomar tranquilizante, comia restos e pensava que seria morto<\/strong><\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/pedro_lucas_martins.jpg\" width=\"620\" height=\"340\" border=\"0\" \/><br \/>\n<em>&#8220;Mantive a calma, mas pensava que n\u00e3o seria salvo. Fiquei sempre rezando&#8221;, Pedro Lucas Martins Ramalho, estudante sequestrado<\/em><\/p>\n<p>\u201cAinda sinto um pouco de medo, mas j\u00e1 estou muito aliviado. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de ter nascido de novo.\u201d As palavras do estudante do 9\u00ba per\u00edodo de engenharia civil Pedro Lucas Martins Ramalho, de 23 anos, revelam o horror de quem passou seis dias ref\u00e9m de dois sequestradores. Libertado na madrugada de quinta-feira por policiais da 1\u00aa Delegacia de Repress\u00e3o a Organiza\u00e7\u00e3o Criminosas (Deroc), vinculada \u00e0 Divis\u00e3o Especializada de Opera\u00e7\u00f5es Especiais (Deoesp), ele contou que pensou que seria morto e que lutou para manter a consci\u00eancia durante o tempo em que foi mantido sob efeito de tranquilizantes.<\/p>\n<p>Pedro Lucas foi abordado nas depend\u00eancias da faculdade Newton Paiva, no Bairro Buritis, Oeste da capital, e transportado no pr\u00f3prio carro at\u00e9 que foi transferido para o carro que teria sido usado por Juliano de Oliveira Souza, 27 anos, e Igor Miron da Costa, 20, dupla acusada pela pol\u00edcia de ser a respons\u00e1vel pelo crime. \u201cEm um certo momento, largaram meu carro e come\u00e7aram a me dopar\u201d, relembra o jovem, que era obrigado a tomar gotas de um potente ansiol\u00edtico, que o mantinha sonolento e sob controle. <\/p>\n<p>O estudante conta que, a partir do momento em que foi rendido, se esfor\u00e7ou ao m\u00e1ximo para manter a consci\u00eancia, mas tinha s\u00e9rias dificuldades, em raz\u00e3o do poder do rem\u00e9dio. Normalmente administrada sob prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica de 12 em 12 horas, a droga era dada ao rapaz em intervalos de at\u00e9 cinco horas. \u201cEm momento nenhum tentei reagir. Mantive a calma, mas pensava que n\u00e3o seria salvo. Fiquei sempre rezando e pedindo mentalmente que meus amigos e familiares rezassem tamb\u00e9m\u201d, desabafa Pedro.<\/p>\n<p>A pol\u00edcia sustenta que a trama foi arquitetada por Juliano, que chegou a ir at\u00e9 Francisco Badar\u00f3, no Norte de Minas, terra natal da fam\u00edlia de Pedro, para acompanhar festas onde o jovem estaria e conseguir mais informa\u00e7\u00f5es. \u201cEu me lembro de ter visto ele e a namorada duas vezes\u201d, diz o futuro engenheiro. Segundo a pol\u00edcia, a namorada de Juliano na \u00e9poca \u00e9 irm\u00e3 de uma mulher que conhecia Pedro, o que pode ter sido decisivo na escolha do rapaz como alvo dos sequestradores. As duas ser\u00e3o ouvidas no inqu\u00e9rito.<\/p>\n<p>Segundo Pedro, em 29 de novembro, dia do sequestro, a primeira liga\u00e7\u00e3o para a fam\u00edlia foi feita para sua m\u00e3e, que mora em Francisco Badar\u00f3. Ela ficou desesperada e precisou de atendimento m\u00e9dico. A v\u00edtima tamb\u00e9m conversou por telefone com o pai, que fazia anivers\u00e1rio no dia do sequestro, e foi quem mais o orientou no sentido de manter a calma. Esse telefonema foi feito de uma regi\u00e3o de mata nas proximidades de Juatuba e Mateus Leme, cidade da Grande BH, com pedido de R$ 300 mil de resgate. De l\u00e1, Pedro foi levado para o cativeiro no Bairro Cai\u00e7ara, Noroeste de BH, em uma su\u00edte de um apartamento na Rua Boreal. \u201cEu me alimentava com o resto da comida deles. Quando me davam suco, comecei a perceber que ficava cada vez mais dopado\u201d, diz. O jovem resolveu, ent\u00e3o, pedir que lhe dessem um isot\u00f4nico. Algumas garrafas foram entregues a ele lacradas, mas outras j\u00e1 estavam abertas. <\/p>\n<p>Pedro conta que, no cativeiro,  ficava amarrado e vendado quando estava em contato com os sequestradores. Por\u00e9m, havia momentos em que ficava livre, como quando ia ao banheiro ou para comer. Em uma dessas situa\u00e7\u00f5es ele relata que pensou em fugir. \u201cEnquanto um deles tomava banho, a chave ficou na porta, mas eu n\u00e3o sabia o que se passava na casa e n\u00e3o imaginava quem estava do lado de fora, mesmo sabendo que havia outras pessoas\u201d, afirma o estudante. Quando os policiais estouraram o cativeiro, ele chegou a pensar no pior. \u201cPensei que eram os bandidos voltando para me matar. Quando falaram que era a pol\u00edcia e disseram meu nome, senti muita emo\u00e7\u00e3o e fiquei aliviado.\u201d<\/p>\n<p><strong>Dois detidos s\u00e3o inocentados pela pol\u00edcia<\/strong><\/p>\n<p>Depois de prender Lenia Gon\u00e7alves Silva e Leandro dos Santos Carvalho como suspeitos de participar do sequestro do estudante Pedro Lucas, a Pol\u00edcia Civil descartou ontem a participa\u00e7\u00e3o dos dois no crime. Segundo os investigadores, eles estavam no im\u00f3vel em que o universit\u00e1rio foi encontrado, mas, depois de ouvidos por v\u00e1rias horas no Deoesp, o envolvimento da dupla foi descartado. \u201cO im\u00f3vel, na verdade, funcionava de forma semelhante a uma rep\u00fablica. Tr\u00eas pessoas alugavam quartos independentes e o propriet\u00e1rio confirmou a loca\u00e7\u00e3o dessa maneira. N\u00e3o foi verificada nenhuma participa\u00e7\u00e3o desses dois e, por isso, eles foram liberados\u201d, afirma o delegado Wanderson Gomes, chefe do Deoesp. Eles n\u00e3o t\u00eam nenhum hist\u00f3rico de envolvimento com atividades criminosas.<\/p>\n<p>Os investigadores que trabalharam no caso explicaram que Juliano de Oliveira Souza e Igor Miron da Costa se movimentavam apenas de madrugada, para chamar menos a aten\u00e7\u00e3o dos outros dois moradores do local, que tamb\u00e9m n\u00e3o tinham rela\u00e7\u00e3o entre si. Juliano, que alugava um dos quartos, usado como cativeiro, e \u00e9 apontado pelos investigadores como o arquiteto do plano, tem passagens na pol\u00edcia por estelionato, amea\u00e7a, agress\u00e3o e amea\u00e7a. Igor \u00e9 morador da Vila Ventosa, no Bairro Jardim Am\u00e9rica, Oeste de BH, e responde em liberdade a um processo por roubo na Regi\u00e3o do Barreiro. <\/p>\n<p>De acordo com a investiga\u00e7\u00e3o, a televis\u00e3o no quarto onde Pedro estava era mantida sempre com alto volume, para disfar\u00e7ar a presen\u00e7a da v\u00edtima. O c\u00f4modo tamb\u00e9m era o mais pr\u00f3ximo da entrada da garagem, o que contribuiu com a movimenta\u00e7\u00e3o do ref\u00e9m sem despertar suspeitas. A pr\u00f3pria v\u00edtima relatou que n\u00e3o teve nenhum contato com os outros moradores, tratados como suspeitos e depois liberados pela pol\u00edcia. <\/p>\n<p>Os investigadores chegaram at\u00e9 os criminosos gra\u00e7as a uma das liga\u00e7\u00f5es feitas pelos sequestradores de um dos celulares de Pedro. Um rastreamento apontou que o telefonema foi feito nas proximidades de alguns condom\u00ednios fechados em Nova Lima, na Grande BH. Chegando ao local, a pol\u00edcia encontrou um vigilante, que relatou ter desconfiado de pessoas que estavam em um Celta vermelho e anotou a placa. Repassada aos agentes, a identifica\u00e7\u00e3o ajudou a descobrir o carro e a cercar os bandidos na BR-381, em Betim, tamb\u00e9m na Grande BH. Al\u00e9m de responder pelo sequestro, a dupla presa em flagrante pode  ser indiciada tamb\u00e9m por roubo, j\u00e1 que pertences de Pedro sumiram. \u201cProvavelmente venderam para bancar as despesas com o sequestro\u201d, diz o delegado Wanderson Gomes.<\/p>\n<p>LEIA MAIS [+]<\/p>\n<p>&#8211; <a href=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=14555\">Sequestrador de estudante de Francisco Badar\u00f3 j\u00e1 conhecia a v\u00edtima<\/a><\/p>\n<p>&#8211; <a href=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=14436\">Filho de comerciante em Francisco Badar\u00f3 \u00e9 libertado ap\u00f3s 6 dias sequestrado<\/a><\/p>\n<p>Via EM<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudante conta que era obrigado a tomar tranquilizante, comia restos e pensava que seria morto &#8220;Mantive a calma, mas pensava que n\u00e3o seria salvo. Fiquei sempre rezando&#8221;, Pedro Lucas Martins Ramalho, estudante sequestrado \u201cAinda sinto um pouco de medo, mas j\u00e1 estou muito aliviado. 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