{"id":146004,"date":"2019-03-23T21:02:38","date_gmt":"2019-03-23T23:02:38","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=146004"},"modified":"2019-03-23T21:02:38","modified_gmt":"2019-03-23T23:02:38","slug":"mulheres-assinam-72-dos-artigos-cientificos-publicados-pelo-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=146004","title":{"rendered":"Mulheres assinam 72% dos artigos cient\u00edficos publicados pelo Brasil"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil \u00e9 o pa\u00eds \u00edbero-americano com a maior porcentagem de artigos cient\u00edficos assinados por mulheres seja como autora principal ou como co-autora, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Ibero-americanos (OEI). Entre 2014 e 2017, o Brasil publicou cerca de 53,3 mil artigos, dos quais 72% s\u00e3o assinados por pesquisadoras mulheres.<br \/>\n<center><br \/>\n<!-- Erro, o An\u00fancio n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel neste momento devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es de agendamento\/geolocaliza\u00e7\u00e3o! --><br \/>\n<\/br><br \/>\n<\/center><br \/>\nAtr\u00e1s do Brasil, aparecem a Argentina, Guatemala e Portugal com participa\u00e7\u00e3o de mulheres em 67%, 66% e 64% dos artigos publicados, respectivamente. No extremo oposto est\u00e3o El Salvador, Nicar\u00e1gua e Chile, com mulheres participando em menos de 48% dos artigos publicados por cada pa\u00eds.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desses pa\u00edses, a OEI analisou a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, Costa Rica, Cuba, Rep\u00fablica Dominicana, Equador, Espanha, Honduras, M\u00e9xico, Panam\u00e1, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Os dados fazem parte do estudo As desigualdades de g\u00eanero na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ibero-americana, do Observat\u00f3rio Ibero-americano de Ci\u00eancia, Tecnologia e Sociedade (OCTS), institui\u00e7\u00e3o da OEI.<\/p>\n<p>A pesquisa analisou os artigos publicados na chamada Web of Science, em portugu\u00eas, web da ci\u00eancia, que \u00e9 um banco de dados que re\u00fane mais de 20 mil peri\u00f3dicos internacionais.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil est\u00e1 melhor do que o restante dos pa\u00edses. Acho que \u00e9 algo que n\u00e3o podemos nos dar por satisfeitos porque temos desafios, mas indica que o Brasil caminha na dire\u00e7\u00e3o positiva de mais oportunidades, de igualdade de g\u00eanero entre homens e mulheres\u201d, diz o diretor da OEI no Brasil, Raphael Callou.<\/p>\n<p><strong>Menos pesquisadoras publicam<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de assinar a maior parte dos artigos, quando levado em conta o n\u00famero de mulheres pesquisadoras que publicaram no per\u00edodo analisado, ele \u00e9 menor que o dos homens. No Brasil, elas representam 49% dos autores, de acordo com os dados de 2017. A porcentagem se manteve praticamente constante em rela\u00e7\u00e3o a 2014, quando elas eram 50%.<\/p>\n<p>Com base nos n\u00fameros de 2017, o Paraguai ocupa o topo do ranking, com 60% das autoras mulheres. Na outra ponta, est\u00e1 o Chile, com 37%.<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as aparecem tamb\u00e9m entre \u00e1reas de pesquisa. No Brasil, entre as \u00e1reas analisadas, medicina \u00e9 a que conta com a maior parte das autoras mulheres, elas s\u00e3o 56% entre aqueles que publicaram entre 2014 e 2017. As engenharias est\u00e3o na base, com a menor representatividade, 32%.<\/p>\n<p>Essa realidade faz parte do cotidiano da professora da Faculdade de Engenharia El\u00e9trica e de Computa\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Maria Cristina Tavares. \u201cNas salas de aula, as meninas s\u00e3o cerca de 5% dos estudantes. No departamento temos em torno de 90 professores e somos cinco professoras\u201d, diz. \u201cQuando voc\u00ea vai a congressos, s\u00e3o pouqu\u00edssimas engenheiras. Voc\u00ea v\u00ea s\u00f3 ternos. Se voc\u00ea tem 100 trabalhos sendo expostos, tem geralmente tr\u00eas ou quatro pesquisadoras\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Maria Cristina comemora a posi\u00e7\u00e3o de destaque das mulheres no n\u00famero de assinaturas de publica\u00e7\u00f5es: \u201cPublica\u00e7\u00f5es hoje em dia s\u00e3o tudo no mundo acad\u00eamico. As pr\u00f3prias  universidades prezam por expor o resultado das pesquisa. Para eu conseguir mais bolsas para os meus estudantes, preciso estar com um bom n\u00edvel de publica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o \u00e9 n\u00famero pelo n\u00famero, \u00e9 n\u00famero que significa que meu trabalho est\u00e1 sendo bom\u201d, diz.  <\/p>\n<p>A professora faz, no entanto, uma ressalva sobre a baixa presen\u00e7a de pesquisadoras na \u00e1rea que atua: \u201cO pa\u00eds perde quando n\u00e3o trabalha essa diversidade e todos esses olhares\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/mulheres_pesquisa.jpg\" alt=\"\" \/><em>Nas salas de aula, as meninas s\u00e3o cerca de 5% dos estudantes, disse a professora Maria Cristina Tavares &#8211; Foto: Divulga\u00e7\u00e3o Unicamp<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Maioria entre estudantes, minoria entre professores<\/strong><\/p>\n<p>\u201cPublicar sempre foi dif\u00edcil, sempre \u00e9 um processo. H\u00e1 casos cl\u00e1ssicos, bem ic\u00f4nicos de como esse estere\u00f3tipo de g\u00eanero est\u00e1 arraigado. Quando se l\u00ea um artigo de autor chin\u00eas, polon\u00eas ucraniano, que tem um nome diferente, dificilmente vem imagem de que seja uma mulher, porque na nossa cabe\u00e7a, a gente entende que esse lugares dif\u00edceis s\u00e3o ocupados por homens\u201d, diz a bi\u00f3loga da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) B\u00e1rbara Paes.<\/p>\n<p>Apaixonada por ci\u00eancia, a pesquisadora integra a equipe do Drag\u00f5es de Garagem,  criado para divulgar, de forma simples e atrativa, descobertas cient\u00edficas e questionamentos sobre o fazer ci\u00eancia no pa\u00eds. \u201cExiste uma resist\u00eancia da pr\u00f3pria academia de reconhecer que existe um problema\u201d, diz. <\/p>\n<p>De acordo com o Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior de 2016, \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do levantamento, as mulheres representam 57,2% dos estudantes matriculados em cursos de gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Elas s\u00e3o tamb\u00e9m maioria entre bolsistas da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes), autarquia vinculada ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), representam 60% do total de benefici\u00e1rios na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e nos programas de forma\u00e7\u00e3o de professores.<\/p>\n<p>Entre os professores contratados, no entanto, o cen\u00e1rio muda, os homens s\u00e3o maioria. Dos 384.094 docentes da educa\u00e7\u00e3o superior em exerc\u00edcio, 45,5% s\u00e3o mulheres.  <\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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