{"id":143759,"date":"2019-02-05T20:34:18","date_gmt":"2019-02-05T22:34:18","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=143759"},"modified":"2019-02-05T20:37:16","modified_gmt":"2019-02-05T22:37:16","slug":"fiocruz-alerta-para-agravamento-de-doencas-cronicas-apos-tragedia-em-brumadinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=143759","title":{"rendered":"Fiocruz alerta para agravamento de doen\u00e7as cr\u00f4nicas ap\u00f3s trag\u00e9dia em Brumadinho"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertaram hoje (5) para a possibilidade de agravamento de doen\u00e7as cr\u00f4nicas na popula\u00e7\u00e3o de Brumadinho e dos arredores, sobretudo em locais isolados e sem acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade, em decorr\u00eancia do rompimento da barragem da Vale na Mina C\u00f3rrego do Feij\u00e3o. A institui\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, vinculada ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, elaborou um mapa das comunidades cujo acesso pode estar dificultado em decorr\u00eancia de bloqueios causados pela lama que vazou ap\u00f3s a trag\u00e9dia.<br \/>\n<center><br \/>\n<!-- Erro, o An\u00fancio n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel neste momento devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es de agendamento\/geolocaliza\u00e7\u00e3o! --><br \/>\n<\/br><br \/>\n<\/center><br \/>\nO levantamento revela que cerca de 1.090 domic\u00edlios, abrangendo uma popula\u00e7\u00e3o de 3.485 pessoas, podem ser afetados pela falta de acesso ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), com dificuldade para obter medicamentos e com o sistema de abastecimento de \u00e1gua obstru\u00eddo, entre outros problemas. &#8220;Sabemos que o SUS est\u00e1 fazendo esfor\u00e7os, mas infelizmente a demanda dentro da \u00e1rea que foi soterrada \u00e9 t\u00e3o grande que algumas pessoas podem ser esquecidas&#8221;, diz Christovam Barcellos, pesquisador do Observat\u00f3rio de Clima e Sa\u00fade da Fiocruz.<\/p>\n<p>Segundo ele, a situa\u00e7\u00e3o pode levar \u00e0 desassist\u00eancia de pessoas que dependam de hemodi\u00e1lise ou que tenham doen\u00e7as cr\u00f4nicas como hipertens\u00e3o e diabetes. &#8220;Elas precisam ter cuidado especial, porque o quadro pode se agravar, inclusive com o impacto psicol\u00f3gico do desastre&#8221;, alerta.<\/p>\n<p>Dados apresentados pela Fiocruz sobre outra trag\u00e9dia de grandes propor\u00e7\u00f5es, ocorrida em novembro de 2015 na cidade de Mariana (MG), a partir do rompimento da barragem da mineradora Samarco, mostram, curiosamente, uma queda acentuada do n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es ap\u00f3s o epis\u00f3dio. &#8220;Isso revela o colapso do sistema de sa\u00fade. Muitas vezes, as interna\u00e7\u00f5es ocorrem por encaminhamento da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Isso deixa de funcionar, ap\u00f3s as trag\u00e9dias, para atender as emerg\u00eancias. At\u00e9 a  interna\u00e7\u00e3o por gravidez, por exemplo, deixa de ocorrer. Algumas pessoas v\u00e3o ter parto domiciliar improvisado&#8221;, diz Barcellos.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos n\u00fameros divulgados pela Defesa Civil de Minas Gerais aponta para 142 mortos e 194 pessoas desaparecidas. O pesquisador Diego Xavier, que tamb\u00e9m atua no Observat\u00f3rio de Clima e Sa\u00fade da Fiocruz, acredita que profissionais de sa\u00fade est\u00e3o lidando com perdas. &#8220;Mesmo se nenhum agente de sa\u00fade estiver entre as v\u00edtimas, muitos deles tiveram um amigo ou um parente atingido, e que pode ter vindo a \u00f3bito. Ent\u00e3o, \u00e9 dif\u00edcil esperar que essas pessoas consigam manter normalmente suas rotinas de acompanhamento de hipertensos, de gr\u00e1vidas, de diab\u00e9ticos, de pacientes renais. \u00c9 impens\u00e1vel que as visitas domiciliares n\u00e3o sofram interrup\u00e7\u00f5es&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, diante da situa\u00e7\u00e3o, cabe aos governos e gestores criarem planos capazes de driblar as dificuldades. Eles defendem tamb\u00e9m que seja cobrado da mineradora Vale uma projeto de repara\u00e7\u00e3o que leve em conta melhoras estruturais. Segundo Barcellos, houve sistemas de saneamento danificados pela for\u00e7a da lama, mas em alguns locais eles eram inexistentes. &#8220;As medidas n\u00e3o podem ser para retomar as condi\u00e7\u00f5es anteriores. \u00c9 para melhorar as condi\u00e7\u00f5es anteriores. O sistema de saneamento dever\u00e1 ser constru\u00eddo onde n\u00e3o houver&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Doen\u00e7as infecciosas<\/strong><\/p>\n<p>Outra recomenda\u00e7\u00e3o mais imediata dos pesquisadores diz respeito \u00e0 necessidade de controle de vetores de doen\u00e7as infecciosas. Isso porque o impacto da lama sobre o bioma traz altera\u00e7\u00f5es na biodiversidade local. Um impacto sobre predadores poderia favorecer a prolifera\u00e7\u00e3o de caramujos, transmissores da esquistossomose, e de mosquitos que transmitem, por exemplo, a dengue, a chikungunya e a febre amarela. A preocupa\u00e7\u00e3o aumenta porque os agentes de sa\u00fade que atuavam no combate a endemias tamb\u00e9m podem ter deixado de cumprir suas fun\u00e7\u00f5es para atender \u00e0s emerg\u00eancias.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma \u00e1rea de transmiss\u00e3o de esquistossomose, todo o vale do Rio Paraopeba&#8221;, alerta Barcellos. Segundo o pesquisador, h\u00e1 tamb\u00e9m risco de que as pessoas, com receio de se contaminarem, passem a armazenar \u00e1gua de forma incorreta, facilitando a reprodu\u00e7\u00e3o do mosquito Aedes Aegypti. O inseto transmite doen\u00e7as como a dengue, a zika e a chikungunya. <\/p>\n<p>No caso da febre amarela, Barcellos recomenda, como medida preventiva, uma campanha para assegurar a vacina\u00e7\u00e3o de toda a popula\u00e7\u00e3o local. Os surtos da doen\u00e7a ocorridos recentemente no Brasil recentemente n\u00e3o envolvem o Aedes Aegypti. Eles t\u00eam sido provocados pela transmiss\u00e3o silvestre, que ocorre atrav\u00e9s da picada dos mosquitos Sabethes e Haemagogus. Pouco mais de um ano ap\u00f3s a trag\u00e9dia de Mariana, especialistas que investigavam o surto de febre amarela em Minas Gerais consideravam improv\u00e1vel uma rela\u00e7\u00e3o direta entre os dois epis\u00f3dios, mas relacionaram a prolifera\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a com a constante degrada\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p><strong>Poeira<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1, ainda, preocupa\u00e7\u00e3o com novas ocorr\u00eancias de leptospirose, doen\u00e7a t\u00edpica de situa\u00e7\u00f5es de enchentes e inunda\u00e7\u00f5es, e de doen\u00e7as respirat\u00f3rias. &#8220;Nesse momento, eu n\u00e3o sei se \u00e9 melhor chover ou n\u00e3o, porque toda vez que chove a lama \u00e9 removida e jogada para o rio. Mas do contr\u00e1rio, a lama seca e come\u00e7a a poeira a se difundir por toda a regi\u00e3o&#8221;, diz Barcellos.<\/p>\n<p>Para avaliar as condi\u00e7\u00f5es da \u00e1gua do Rio Paraopeba, o governo de Minas Gerais coletou amostras em 10 pontos e deve divulgar os resultados em 15 dias. O pesquisador Carlos Machado, do Centro de Pesquisas e Estudos sobre Desastres (Cepedes) da Fiocruz, lembra que al\u00e9m das subst\u00e2ncias presentes no rejeito, a for\u00e7a da lama pode revolver contaminantes que estavam depositados no fundo do rio.<\/p>\n<p>Ele lembra que alum\u00ednio, ars\u00eanio, cadmio, chumbo, cobre, cromo, ferro, mangan\u00eas, merc\u00fario e n\u00edquel podem ser nocivos \u00e0 sa\u00fade e que a concentra\u00e7\u00e3o de metais pode variar de um ponto para outro. &#8220;N\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea a contamina\u00e7\u00e3o. Isso pode variar muito e exige um monitoramento que n\u00e3o \u00e9 trivial, \u00e9 complexo e deve ser feito ao longo dos anos&#8221;, diz. Machado defende que a constru\u00e7\u00e3o de novas barragens seja suspensa. &#8220;At\u00e9 que tenhamos uma legisla\u00e7\u00e3o decente, digna, que corresponda aos anseios da sociedade brasileira, nenhuma deveria ser constru\u00edda. Isso a gente chama de preven\u00e7\u00e3o de riscos futuros.&#8221;<\/p>\n<p><strong><\/p>\n<h4>Leia mais<\/h4>\n<p><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong><span style=\"color: #0000ff;\"><a href=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?tag=tragedia-em-brumadinho\" target=\"_blank\"><span style=\"color: #0000ff; text-decoration: underline;\">&#8211; COBERTURA COMPLETA DA TRAG\u00c9DIA EM BRUMADINHO<\/span><\/a><\/span><\/strong><\/span><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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