{"id":139838,"date":"2018-11-27T20:52:03","date_gmt":"2018-11-27T22:52:03","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=139838"},"modified":"2018-11-27T20:52:03","modified_gmt":"2018-11-27T22:52:03","slug":"qualquer-um-pode-ser-alvo-do-trafico-de-pessoas-diz-especialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=139838","title":{"rendered":"Qualquer um pode ser alvo do tr\u00e1fico de pessoas, diz especialista"},"content":{"rendered":"<p>O tr\u00e1fico de pessoas \u00e9 um delito relacionado a ambi\u00e7\u00f5es e desejos o que torna qualquer pessoa um alvo f\u00e1cil para criminosos. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 da coordenadora do N\u00facleo de Enfrentamento ao Tr\u00e1fico de Pessoas (NETP) do Cear\u00e1, Livia Xerez Azevedo, que trabalha h\u00e1 sete anos na fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um crime que vitima homens, mulheres, crian\u00e7as, profissionais do sexo que querem ganhar em d\u00f3lar e euro e tamb\u00e9m aquela pessoa que sonha em fazer um interc\u00e2mbio pra estudar outro idioma. Todos n\u00f3s podemos ser v\u00edtimas do tr\u00e1fico de pessoas. Todos n\u00f3s temos sonhos e necessidades&#8221;, defende.<\/p>\n<p>Presente na 4\u00aa Reuni\u00e3o da Comiss\u00e3o de Trabalho em Mat\u00e9ria de Tr\u00e1fico de Seres Humanos, que re\u00fane, em Bras\u00edlia, pa\u00edses-membros da Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP) at\u00e9 a pr\u00f3xima quinta-feira (29), Livia explica que as v\u00edtimas, quando identificadas, t\u00eam dificuldade de se reconhecer como tal, por ter, em primeiro lugar, de assumir que foram ludibriadas.<\/p>\n<p>&#8220;Nesse momento do retorno, principalmente no tr\u00e1fico internacional, s\u00e3o muitas as mulheres e os homens que chegam com seus sonhos destro\u00e7ados completamente. Existe uma expectativa de que, com essa viagem para o exterior, vai conseguir juntar dinheiro para mandar para a m\u00e3e, que vai conseguir aprender outros idiomas, andar de avi\u00e3o, conhecer o mar, e, quando essas pessoas voltam, elas voltam com um sentimento de fracasso, de vergonha. Sentem que voltaram com uma m\u00e3o na frente e outra atr\u00e1s. [A v\u00edtima] Fez uma festa para as amigas, para a m\u00e3e, para o vizinho, de que ia reconstruir sua vida e fracassou, foi enganada&#8221;, destaca a coordenadora.<\/p>\n<p>Em alguns casos, conta ela, a nega\u00e7\u00e3o da v\u00edtima pode lev\u00e1-la a repetir a experi\u00eancia de abuso. &#8220;Elas acham que foi uma grande oportunidade. Elas est\u00e3o t\u00e3o vulner\u00e1veis que elas acreditam que foi uma grande oportunidade de viver melhor que, com elas, infelizmente n\u00e3o deu certo, mas que, com outras pessoas, poderia ter dado, e que elas v\u00e3o tentar novamente. Ent\u00e3o, s\u00e3o confus\u00f5es de sentimentos que desafiam as equipes de atendimento a esse acolhimento humanizado.&#8221;<\/p>\n<p>Para a coordenadora, os membros das equipes de resgate devem evitar julgar as pessoas que se encontram nessa situa\u00e7\u00e3o. &#8220;Existe ainda um preconceito em atender a essas v\u00edtimas. Elas s\u00e3o, muitas vezes, recha\u00e7adas, por seus sonhos. E entendemos que essa articula\u00e7\u00e3o [de sensibilizar os atendentes] \u00e9 importante. Por que, afinal, o que \u00e9 o tr\u00e1fico de pessoas? Muitas vezes, elas [as v\u00edtimas] se aventuram nessas falsas promessas porque n\u00e3o tiveram seu direito \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 assist\u00eancia social, conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria na sua terra natal&#8221;, diz.<\/p>\n<p><strong>Unificar dados<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a coordenadora-geral de enfrentamento ao tr\u00e1fico de pessoas, Renata Braz, um dos desafios da \u00e1rea \u00e9 unificar as informa\u00e7\u00f5es relativas a esse tipo de crime, inclusive para tocar adiante pol\u00edticas p\u00fablicas na \u00e1rea. &#8220;Esses n\u00fameros est\u00e3o fragmentados. Temos os da Pol\u00edcia Federal, os do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social, [do Minist\u00e9rio] da Sa\u00fade, da Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal, Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, mas eles n\u00e3o conversam entre si. E esse \u00e9 o nosso maior desafio agora, para a pr\u00f3xima gest\u00e3o. Como padronizar esses n\u00fameros, porque sem dados n\u00e3o existe pol\u00edtica p\u00fablica. A gente n\u00e3o consegue desenhar a pol\u00edtica p\u00fablica, n\u00e3o consegue focalizar as a\u00e7\u00f5es, n\u00e3o consegue ver o retrato da realidade&#8221;, pondera.<\/p>\n<p>Uma das \u00fanicas plataformas hoje existentes \u00e9 a Base Colaborativa de Dados sobre Tr\u00e1fico de Pessoas (CTDC), mantida pela Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para as Migra\u00e7\u00f5es (OIM), ag\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). L\u00e1 est\u00e3o relacionados 91.416 ocorr\u00eancias, que, reportadas desde 2002, colocam na rota de explora\u00e7\u00e3o 172 pa\u00edses. As v\u00edtimas, segundo os registros, eram de 169 nacionalidades diferentes, o que refor\u00e7a a ideia de que o crime \u00e9 um problema de car\u00e1ter global.<\/p>\n<p>O registro de tr\u00e1fico de pessoas tem aumento no mundo desde 2014. Naquele ano, 5.489 v\u00edtimas foram auxiliadas, n\u00famero que saltou para 10.819, em 2015. No ano seguinte, o total de v\u00edtimas chegou a 24.246, passando para 15.944 em 2017. At\u00e9 agosto deste ano, 2.186 foram confirmadas.<\/p>\n<p>A plataforma mostra ainda que a maioria das v\u00edtimas \u00e9 do g\u00eanero feminino (71%), solteira (46,4%) e portadora de um diploma de n\u00edvel t\u00e9cnico (24%). Avaliando a faixa et\u00e1ria das v\u00edtimas, constata-se uma maior incid\u00eancia entre dois grupos: pessoas com idade entre 9 e 17 anos (18%) e entre 30 e 38 anos (18%).<\/p>\n<p>Geralmente, o recrutador, isto \u00e9, a pessoa que apresenta a proposta \u00e0 v\u00edtima e a subjuga, \u00e9 algu\u00e9m que n\u00e3o pertence ao c\u00edrculo familiar ou social da v\u00edtima.<\/p>\n<p><strong>Rede brasileira de atendimento<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, a rede de atendimento a v\u00edtimas desse tipo de crime \u00e9 composta por n\u00facleos de enfrentamento ao tr\u00e1fico de pessoas, voltados \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o, em \u00e2mbito estadual, de a\u00e7\u00f5es nacionais, e postos avan\u00e7ados de atendimento humanizado ao migrante, que \u00e9 onde as v\u00edtimas s\u00e3o recepcionadas.<\/p>\n<p>De acordo com Renata Braz, os 17 n\u00facleos e 13 postos n\u00e3o est\u00e3o distribu\u00eddos de forma satisfat\u00f3ria nem equilibrada pelo pa\u00eds, o que causa a desprote\u00e7\u00e3o de certas regi\u00f5es, incluindo algumas que fazem fronteira com Bol\u00edvia e Paraguai.<\/p>\n<p>&#8220;A gente tem, por exemplo, no Mato Grosso uma atua\u00e7\u00e3o muito forte de um comit\u00ea estadual. Ent\u00e3o, a gente vai se adaptando \u00e0 realidade de cada estado. Porque a gente tamb\u00e9m tem uma outra quest\u00e3o, que \u00e9 muito importante colocar: n\u00f3s somos um pa\u00eds federativo. Ent\u00e3o, estados e Uni\u00e3o s\u00e3o aut\u00f4nomos entre si. A gente n\u00e3o tem uma hierarquia com os estados. Exige uma coopera\u00e7\u00e3o, uma articula\u00e7\u00e3o. Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Os estados de Roraima, Rond\u00f4nia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Sergipe, Tocantins, Piau\u00ed, Rio Grande do Norte e Para\u00edba n\u00e3o contam, atualmente, nem com um n\u00facleo nem com um posto avan\u00e7ado de atendimento.<\/p>\n<p>Para auxiliar os profissionais de sa\u00fade a identificar e socorrer as v\u00edtimas de tr\u00e1fico de pessoas, a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para Migra\u00e7\u00f5es (OIM) mant\u00e9m em seu site um guia espec\u00edfico para profissionais de sa\u00fade e um Manual de Assist\u00eancia Direta para v\u00edtimas do tr\u00e1fico de pessoas.<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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