{"id":139375,"date":"2018-11-21T16:51:13","date_gmt":"2018-11-21T18:51:13","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=139375"},"modified":"2018-11-21T16:51:13","modified_gmt":"2018-11-21T18:51:13","slug":"noiva-do-cordeiro-abre-as-portas-para-festival-gastronomico-inedito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=139375","title":{"rendered":"Noiva do Cordeiro abre as portas para festival gastron\u00f4mico in\u00e9dito"},"content":{"rendered":"<p>Nem bem o sol nasceu e o cheirinho de quitanda j\u00e1 invade a cozinha. Biscoito de polvilho, bolo e broa assados na hora. Queijinho fresco, acompanha o caf\u00e9 forte para dar refor\u00e7o em mais um dia de lida no campo. Homens e mulheres pegam suas luvas, m\u00e1scaras, baldes e banquinhos de madeira e seguem cantando para a planta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa seria mais uma manh\u00e3 na peculiar comunidade Noiva do Cordeiro, na regi\u00e3o de Belo Vale, munic\u00edpio do Territ\u00f3rio Metropolitano. N\u00e3o fosse o aumento da demanda pela pimenta biquinho. O ingrediente, que faz parte da hist\u00f3ria do povoado e garante parte do sustento dos cerca de 300 moradores, ser\u00e1 tamb\u00e9m a estrela em muitas das receitas do primeiro Festival Gastron\u00f4mico Noiva do Cordeiro.<\/p>\n<p>\u201cA gente nunca pensou que nossa comidinha fosse para um festival\u201d, comenta orgulhosa a cozinheira Odete Fernandes, umas das respons\u00e1veis pela alimenta\u00e7\u00e3o de toda a comunidade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/noiva_cordeiro_1.jpg\" alt=\"\" \/><em>Evento acontecer\u00e1 nos dias 24 e 25 de novembro (Gil Leonardi\/Imprensa MG)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>O evento acontecer\u00e1 nos dias 24 e 25 de novembro, na fazenda distante cerca de 100 km de Belo Horizonte. E foi definido coletivamente pelos moradores, como a maioria das decis\u00f5es tomadas por l\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s funcionamos como uma grande fam\u00edlia. Na conversa, a gente escolhe o que come, a hora que come, com o que se trabalha e como se faz, entende? A liberdade para ser o que cada um quer \u00e9 a d\u00e1diva desse para\u00edso. E a maioria achou a ideia do festival muito boa para nosso desenvolvimento. Ent\u00e3o, estamos juntos nessa\u201d comenta Rosalee Fernandes, uma das filhas da matriarca, dona Delina Fernandes. <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/noiva_cordeiro_2.jpg\" alt=\"\" \/><em>Cr\u00e9dito: Gil Leonardi\/Imprensa MG<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Apoiado pelo Governo do Estado de Minas Gerais por meio de uma rede de colaboradores e financiadores, coordenados pela Secretaria de Estado de Turismo (Setur-MG), a estrat\u00e9gia faz parte do Projeto Minas Mostra Minas, que prev\u00ea a\u00e7\u00f5es individualizadas para grupos com potencial de turismo cultural a ser aperfei\u00e7oado. T\u00e9cnicos da Setur fazem um levantamento das necessidades de cada localidade e criam solu\u00e7\u00f5es espec\u00edficas.<\/p>\n<p>\u201cA tradi\u00e7\u00e3o culin\u00e1ria da Noiva do Cordeiro, por exemplo, era enorme, mas n\u00e3o havia dinheiro nem metodologia para fazer um festival gastron\u00f4mico. Visitantes n\u00e3o pagavam pela hospedagem e nem a alimenta\u00e7\u00e3o. Ajudamos a elaborar a proposta e conseguimos os R$ 38 mil do edital da Companhia Energ\u00e9tica de Minas Gerais (Cemig). Fizemos oficinas de qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica em turismo, empreendedorismo, log\u00edstica de eventos e engajamos chefes de cozinha que auxiliaram voluntariamente na elabora\u00e7\u00e3o dos pratos\u201d explica Nath\u00e1lia Farah Laranjo, assessora de Gastronomia da Setur-MG.<\/p>\n<p>Ainda segundo Nath\u00e1lia, a expectativa \u00e9 que o festival atraia mil pessoas. Haver\u00e1 ainda shows para mostrar os talentos art\u00edsticos dos moradores, como o coral, al\u00e9m de Keila Gaga, a cover da Lady Gaga, e os sertanejos M\u00e1rcia e Maciel.<\/p>\n<p>Confira, a seguir, a apresenta\u00e7\u00e3o deles:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FWiqmdsEYCg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>A comunidade est\u00e1 animad\u00edssima com o desafio de criar novos sabores. Os pratos ser\u00e3o desde aqueles do dia a dia, como a galinhada e o umbigo de banana com pimenta biquinho, at\u00e9 os elaborados especialmente para a festa.<\/p>\n<p>\u201cA ideia foi valorizar a pimenta biquinho que tempera a comida e as rela\u00e7\u00f5es na fazenda. O resultado foi uma mistura surpreendente de sensa\u00e7\u00f5es\u201d, revela a curadora gastron\u00f4mica volunt\u00e1ria no projeto, Juliana Starling.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia vai al\u00e9m da proposta comercial, como conta a moradora M\u00e1rcia Fernandes. \u201cA riqueza daqui \u00e9 nosso modo de viver que aparece no jeito que a gente cozinha e recebe os visitantes. O que estamos aprendendo agora \u00e9 transformar nossa cultura em renda, sem deixar de lado nosso jeitinho, n\u00e9?\u201d.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria e tradi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O jeitinho a que se refere M\u00e1rcia \u00e9 o modo de vida comunit\u00e1rio e isolado estabelecido h\u00e1 mais de um s\u00e9culo. A Noiva do Cordeiro surgiu no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1890, quando Maria Senhorinha recusou um casamento arranjado e fugiu com Chico Fernandez, de Ro\u00e7as Novas, outro vilarejo da regi\u00e3o. A uni\u00e3o deles repercutiu mal. Eles foram excomungados pela Igreja, e isso os for\u00e7ou a viver isolados. Assim constru\u00edram o casar\u00e3o Noiva do Cordeiro.<\/p>\n<p>Muitas pessoas come\u00e7aram a procurar o local por curiosidade ou quando tinha desentendimentos sociais. Com a chegada desses novos integrantes e o crescimento da fam\u00edlia, os trabalhos dom\u00e9sticos e agr\u00edcolas foram distribu\u00eddos segundo o interesse e a aptid\u00e3o. Com a conviv\u00eancia, foram estabelecidas normas de conduta que t\u00eam como base o respeito \u00e0 opini\u00e3o do outro e o di\u00e1logo.<\/p>\n<p>Hoje, pelo menos tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es convivem nos cerca de 40 hectares (equivalente a 40 campos de futebol). H\u00e1 uma casa sede, onde moram 123 pessoas. E outras cerca de 180 vivem nas 80 casas espalhadas pela propriedade.<\/p>\n<p>A maioria dos homens trabalha nas cidades de Belo Vale e Belo Horizonte. As mulheres e jovens, cuidam da horta e das cria\u00e7\u00f5es de animais de ondem vem parte da alimenta\u00e7\u00e3o. O restante da comida \u00e9 comprado por quem estiver com menos tarefa na semana. As seis refei\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas coletivamente e quase sempre na mesma hora.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/noiva_cordeiro_3.jpg\" alt=\"\" \/><em>Cr\u00e9dito: Gil Leonardi\/Imprensa MG<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Uma parte das pessoas limpa a casa. Quem prefere cuida das cerca de 30 crian\u00e7as. H\u00e1 uma escola instalada desde 2006 dentro da fazenda que conta com o reconhecimento do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) para funcionar. Os professores s\u00e3o os moradores habilitados para dar aulas de educa\u00e7\u00e3o infantil e fundamental.  Quem escolhe estudar al\u00e9m do b\u00e1sico frequenta as escolas regionais.<\/p>\n<p>Os mais velhos monitoram o plantio, a colheita e a separa\u00e7\u00e3o da pimenta executados pelos mais jovens, servindo de importante momento de transfer\u00eancia de saber.  \u201cQuando estou colhendo troco experi\u00eancia com quem viveu mais que eu. Com a pimenta t\u00f4 vivendo\u201d, revela sabiamente Josiele Fernandes, 31 anos.<\/p>\n<p>Assista ao v\u00eddeo, na sequ\u00eancia, para conhecer um pouco mais da import\u00e2ncia das pimentas na vida dos moradores e no festival:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/za_jDb_0OuE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>A biquinho \u00e9 vendida in natura e ainda na forma de molhos. O condimento era plantado para consumo. Presente em pratos pitorescos como o umbigo de banana, virou prefer\u00eancia na comunidade. E tamb\u00e9m dos visitantes. \u201cA ideia do neg\u00f3cio veio quando a gente via a cara boa do turista comendo a biquinho nas nossas comidas\u201d, conta Pedro Fernandes.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda dentro da fazenda uma confec\u00e7\u00e3o que faz produtos para animais contratada por um empres\u00e1rio do mercado pet. Artes\u00e3s produzem tapetes e colchas a serem vendidos nos arredores.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/noiva_cordeiro_4.jpg\" alt=\"\" \/><em>Cr\u00e9dito: Gil Leonardi\/Imprensa MG<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>As atividades podem ser trocadas segundo necessidade ou mudan\u00e7a de interesse, desde que haja pessoal para fazer de tudo. A renda \u00e9 repartida igualmente entre os trabalhadores de cada grupo. E todos dividem os custos de alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e1gua, luz, impostos e demais gastos.<\/p>\n<p>A arte \u00e9 tamb\u00e9m importante meio de express\u00e3o na Noiva do Cordeiro. Durante a semana moradores participam de corais, teatro e aulas de m\u00fasica. Aos s\u00e1bados h\u00e1 a tarde da viola.<\/p>\n<p>Alexander Dias, de 22 anos, conta que o momento \u00e9 tamb\u00e9m de troca afetiva. \u201c\u00c9 nessa hora que a gente pede desculpas, agradece e at\u00e9 faz homenagens. Uma vez fizemos um casamento surpresa para os noivos, que j\u00e1 moravam juntos e sonhavam com uma cerim\u00f4nia para celebrar o amor\u201d conta o jovem, que confessa ter dificuldades de sair da comunidade.<\/p>\n<p>Para Paulo Almada J\u00fanior, secret\u00e1rio de Estado de Turismo, investir no potencial de grupos como o da Noiva do Cordeiro \u00e9 fundamental para refor\u00e7ar o turismo sustent\u00e1vel e cultural: &#8220;A Noiva do Cordeiro n\u00e3o s\u00f3 ultrapassa diversidade do turismo como incrementa as a\u00e7\u00f5es em comunidades agr\u00edcolas tornando-as mais independentes e mais fortes&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Mais velha do grupo e respons\u00e1vel por todos na fazenda, a matricarca Dona Delina Fernandes tem 74 anos e \u00e9 neta da Maria Senhorinha. Ela nunca morou al\u00e9m dos limites da fazenda. E diz que aprendeu muito com os mais de 50 anos de isolamento total. \u201cFicar muito tempo apartado ensinou a viver bem e junto aqui na comunidade. E abrir as porteiras faz parte dessa etapa nova do aprendizado, verdade?<\/p>\n<p><strong>Veja a programa\u00e7\u00e3o completa: <\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/agenciaminas.mg.gov.br\/ckeditor_assets\/pictures\/4954\/content_programacao_noivas.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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