{"id":139337,"date":"2018-11-21T10:03:17","date_gmt":"2018-11-21T12:03:17","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=139337"},"modified":"2018-11-21T10:03:17","modified_gmt":"2018-11-21T12:03:17","slug":"educacao-e-trabalho-restauram-vidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=139337","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o e trabalho restauram vidas"},"content":{"rendered":"<p>Prestes a se formar como instrumentadora cir\u00fargica, Priscila, de 34 anos, \u00e9 casada e tem duas filhas, Carine, de 16, e Adriele de 18. J\u00e1 Bruno tem 39 anos e possui uma firma de pintura de paredes com o filho, de 20 anos. Ambos s\u00e3o egressos do sistema prisional: cometeram crimes, foram condenados e come\u00e7aram a cumprir suas penas em pres\u00eddios convencionais. At\u00e9 que um dia eles foram transferidos para uma unidade da Associa\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o e Assist\u00eancia aos Condenados (Apac).<\/p>\n<p>Em semin\u00e1rio sobre os desafios e perspectivas do sistema prisional brasileiro, realizado semana passada, no Tribunal de Justi\u00e7a de Minas Gerais (TJMG), eles relataram como o estudo e a forma\u00e7\u00e3o profissional, ao lado de outros fundamentos da metodologia apaqueana, resgataram sua autoestima e transformaram suas vidas. Nas Apacs, em um ambiente de muita disciplina, eles n\u00e3o s\u00f3 terminaram de pagar suas d\u00edvidas com a sociedade, mas tamb\u00e9m puderam sair de l\u00e1 com uma bagagem que lhes possibilitou uma vida melhor, longe das drogas e do crime.<\/p>\n<p>\u201cEu tinha 14 anos quando comecei a namorar um rapaz que me levou a frequentar lugares onde conheci as drogas. Resultado: passei 10 anos usando coca\u00edna\u201d. Revela Priscila, que, por causa de seu envolvimento com t\u00f3xicos e, consequentemente, com o mundo do tr\u00e1fico, chegou a ser condenada a 4 anos e 4 meses de pris\u00e3o, cumpridos inicialmente no sistema convencional. \u201cEmbora tenha me relacionado com essas pessoas, eu nunca fui traficante, mas usu\u00e1ria\u201d, esclarece.<\/p>\n<p>O pouco tempo em uma penitenci\u00e1ria resultou em muito sofrimento para Priscila. \u201cFui tratada de forma desumana, cheguei a perder minha identidade como pessoa\u201d, diz. Por\u00e9m, como h\u00e1 males que v\u00eam para o bem, uma briga com outra detenta, que queria obriga-la participar de um motim, e da qual saiu ferida, resultou em sua transfer\u00eancia para a Apac de Ita\u00fana.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/egressos_1.jpg\" alt=\"\" \/><em>Durante seu tempo na Apac, Priscila terminou o ensino m\u00e9dio e fez um curso de corte e costura &#8211; Foto: Robert Leal\/Tribunal de Justi\u00e7a de Minas Gerais<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Autoconhecimento<\/strong><\/p>\n<p>\u201c\u00c0quela altura n\u00e3o sabia quem eu era e n\u00e3o reconhecia meu valor. No centro de recupera\u00e7\u00e3o, aos poucos fui me conhecendo, sabendo da import\u00e2ncia de se ter um nome, de saber quem a gente \u00e9\u201d, diz a ex-recuperanda. Para ela, a Apac foi uma m\u00e3e, por\u00e9m daquelas rigorosas, que imp\u00f5em limites. \u201cAt\u00e9 que enfim achei um lugar que est\u00e1 me ensinando a ter princ\u00edpios\u201d, comemorou, ao deixar pela primeira vez o estabelecimento em uma sa\u00edda tempor\u00e1ria e ap\u00f3s v\u00e1rias recomenda\u00e7\u00f5es para que ficasse longe das drogas.<\/p>\n<p>Durante seu tempo na Apac, ela terminou o ensino m\u00e9dio e fez um curso de corte e costura. \u201cQuando estava no regime semiaberto, sa\u00eda todos os dias para estudar e at\u00e9 comecei a fazer uma faculdade de enfermagem. Hoje, estou quase me formando em instrumenta\u00e7\u00e3o cir\u00fargica\u201d, diz orgulhosa. Ela disse que levou para a sua casa os valores aprendidos na Apac e que acredita no poder da metodologia na recupera\u00e7\u00e3o de presidi\u00e1rios. \u201cO ser humano precisa ser valorizado\u201d, conclui.<\/p>\n<p><strong>Pris\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAos 18 anos cometi um latroc\u00ednio&#8230; meus pais s\u00f3 se deram conta do que acontecia  comigo depois que eu j\u00e1 estava preso\u201d, diz Bruno, condenado a mais de 22 anos de pris\u00e3o por esse crime. Fruto de uma fam\u00edlia desestruturada, cujos pais estavam envolvidos com o tr\u00e1fico de drogas, Bruno, na \u00e9poca dos acontecimentos, j\u00e1 tinha um filho, cujo crescimento infelizmente ele n\u00e3o p\u00f4de acompanhar de perto.<\/p>\n<p>No tempo em que passou na penitenci\u00e1ria, viveu um cotidiano de viol\u00eancia e chegou a participar de cinco rebeli\u00f5es. Um dia, j\u00e1 sem esperan\u00e7a de que sua vida pudesse melhorar, Bruno foi procurado por Valdeci, diretor da Fraternidade Brasileira de Assist\u00eancia aos Condenados (Fbac), mantenedora das Apacs, que lhe falou da possibilidade de transfer\u00eancia para um centro de reintegra\u00e7\u00e3o social da associa\u00e7\u00e3o. Tal visita havia sido motivada pelo pedido aflito de um pai, preocupado com o destino do filho.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, o pai de Bruno cumpria pena na Apac e intercedeu junto a Valdeci, para que seu filho pudesse receber um tratamento digno, assim como ele estava tendo. Logo que chegou ao centro de recupera\u00e7\u00e3o e deparou com um jardim, uma quadra e alguns recuperandos tocando viol\u00e3o, Bruno percebeu que estava em um lugar completamente distinto daquele de onde vinha. \u201cL\u00e1 fui tratado como um ser humano, fiz cursos, aprimorei a arte do desenho, da qual j\u00e1 gostava bastante\u201d, diz.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/egressos_2.jpg\" alt=\"\" \/><em>Hoje, Bruno \u00e9 artista pl\u00e1stico e empres\u00e1rio, e emprega outros egressos do sistema prisional &#8211; Foto: Robert Leal\/Tribunal de Justi\u00e7a de Minas Gerais<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Disciplina<\/strong><\/p>\n<p>Por\u00e9m, como nem tudo s\u00e3o flores, houve um \u201cprobleminha\u201d com a disciplina. Rebelde e com s\u00e9rias dificuldades para adequar-se a hor\u00e1rios e tarefas, Bruno, por v\u00e1rias vezes, negou-se a participar de atividades religiosas e a cumprir uma s\u00e9rie de exig\u00eancias impostas aos recuperandos. Um dia, foi seriamente advertido: \u201cOu voc\u00ea se enquadra nas propostas da associa\u00e7\u00e3o, ou volta para o sistema prisional\u201d. A rebeldia acabou naquele exato momento.<\/p>\n<p>Hoje, Bruno \u00e9 artista pl\u00e1stico e empres\u00e1rio, e emprega outros egressos do sistema prisional. Ele pretende expandir seus neg\u00f3cios e cada vez mais possibilitar trabalho para aqueles que tamb\u00e9m necessitam de mais uma chance na vida. Priscila e Bruno s\u00e3o exemplos de que o tratamento humanizado, nas penas privativas de liberdade, pode gerar resultados mais positivos do que a puni\u00e7\u00e3o severa em si. Enquanto o \u00edndice de reincid\u00eancia nas Apacs \u00e9 de cerca de 15%, nos pres\u00eddios comuns supera os 70%.<\/p>\n<p><strong>Apac<\/strong><\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o e Assist\u00eancia aos Condenados (Apac) foi criada em 1974, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP), pelo advogado e jornalista Mario Ottoboni. Atualmente, em Minas Gerais, existem 39 Apacs em 35 comarcas do estado. O TJMG apoia a expans\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o da metodologia e a dissemina\u00e7\u00e3o dos centros de reintegra\u00e7\u00e3o social, por meio do programa Novos Rumos na Execu\u00e7\u00e3o Penal.<\/p>\n<p>A metodologia apaqueana \u00e9 baseada no respeito, na ordem, no trabalho e no envolvimento da fam\u00edlia do recuperando, que est\u00e1 sempre por perto. Uma das principais diferen\u00e7as entre os centros de reintegra\u00e7\u00e3o social e o sistema prisional comum \u00e9 que, na Apac, os pr\u00f3prios presos, denominados recuperandos, s\u00e3o correspons\u00e1veis por sua recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Apac objetiva a reinser\u00e7\u00e3o social do preso, a prote\u00e7\u00e3o da sociedade, o apoio \u00e0s v\u00edtimas e a promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a restaurativa. Para o alcance desses objetivos, aplica-se uma terap\u00eautica penal pr\u00f3pria, constitu\u00edda por 12 elementos fundamentais: trabalho, fam\u00edlia, participa\u00e7\u00e3o da comunidade, espiritualidade, m\u00e9rito, assist\u00eancias jur\u00eddica e \u00e0 sa\u00fade, ajuda m\u00fatua entre os recuperandos, valoriza\u00e7\u00e3o humana, voluntariado, Centro de Reintegra\u00e7\u00e3o Social e jornada de liberta\u00e7\u00e3o com Cristo. <\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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