{"id":138454,"date":"2018-11-08T22:56:05","date_gmt":"2018-11-09T00:56:05","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=138454"},"modified":"2018-11-08T22:56:05","modified_gmt":"2018-11-09T00:56:05","slug":"estudo-desmonta-teoria-de-migracao-para-america","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=138454","title":{"rendered":"Estudo desmonta teoria de migra\u00e7\u00e3o para Am\u00e9rica"},"content":{"rendered":"<p>A teoria de que o povoamento das Am\u00e9ricas teria se dado por duas levas migrat\u00f3rias vindas do nordeste da \u00c1sia \u2013 com popula\u00e7\u00e3o de tra\u00e7os africanos e australianos \u2013 e outra de amer\u00edndios semelhantes aos ind\u00edgenas atuais acaba de ser desmontada.<\/p>\n<p>Um estudo feito a partir de DNA f\u00f3ssil, com amostras dos mais antigos esqueletos encontrados no continente, confirmou a exist\u00eancia de um \u00fanico grupo populacional ancestral de todas as etnias da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Com isso, o rosto com tra\u00e7os marcadamente africanos de Luzia \u2013 como foi batizado o cr\u00e2nio da jovem paleoamericana descoberto na d\u00e9cada de 1970 \u2013 foi redesenhado. Esta \u00e9 a nova face de Luzia.<\/p>\n<p>O trabalho foi desenvolvido por 72 pesquisadores de oito pa\u00edses, pertencentes a institui\u00e7\u00f5es como a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Harvard University, nos Estados Unidos, e Instituto Max Planck, na Alemanha.<\/p>\n<p>Os dados arqueogen\u00e9ticos \u2013 que mesclam conhecimentos de arqueologia e gen\u00e9tica \u2013 mostram que todas as popula\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica descendem de uma \u00fanica popula\u00e7\u00e3o que chegou ao Novo Mundo pelo estreito de Bering h\u00e1 cerca de 20 mil anos.<\/p>\n<p>Pelo DNA, \u00e9 poss\u00edvel confirmar a afinidade dessa corrente migrat\u00f3ria com os povos da Sib\u00e9ria e do norte da China. Os resultados da pesquisa foram publicados hoje (8) da revista cient\u00edfica Cell.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/rosto_luzia.jpg\" alt=\"\" \/><em>Novo rosto de Luzia  (Divulga\u00e7\u00e3o\/Fapesp\/Direitos Reservados)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Reconstru\u00e7\u00e3o facial<\/strong><\/p>\n<p>A primeira reconstru\u00e7\u00e3o facial de Luzia, uma mulher que viveu em Lagoa Santa (MG) h\u00e1 12.500 anos, foi feita na d\u00e9cada de 1990 pelo especialista brit\u00e2nico Richard Neave.<\/p>\n<p>As formas tiveram como base a teoria do professor Walter Neves, da USP, segundo o qual o povo de Luzia, que se refere ao conjunto f\u00f3ssil encontrado em Minas Gerais no s\u00e9culo 19, teria chegado \u00e0 Am\u00e9rica antes dos ancestrais dos povos ind\u00edgenas atuais.<\/p>\n<p>A primeira leva, portanto, teria caracter\u00edsticas africanas ou dos abor\u00edgenes australianos. A teoria usava como base de compara\u00e7\u00e3o a morfologia craniana que indicava que esse povo era muito diferente dos nativos atuais.<\/p>\n<p>O arque\u00f3logo Andr\u00e9 Menezes Strauss, do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP, que coordenou a parte brasileira do estudo, explica que a contribui\u00e7\u00e3o de Neves permitiu saber que havia diferen\u00e7as entre os habitantes ancestrais e os ind\u00edgenas recentes, mas os estudos gen\u00e9ticos \u2013 com as tecnologias atuais \u2013 desmontam a tese dele de que essa diferen\u00e7a se deu no processo migrat\u00f3rio entre continentes.<\/p>\n<p>\u201cEssa conex\u00e3o com essa popula\u00e7\u00e3o anterior da \u00c1frica n\u00e3o existiu. A diferen\u00e7a entre Lagoa Santa e os nativos atuais tem origem dentro da pr\u00f3pria Am\u00e9rica\u201d, disse.<\/p>\n<p>O novo rosto de Luzia foi feito por Caroline Wilkinson, da Liverpool John Moores University, na Inglaterra, especialista em reconstru\u00e7\u00e3o forense e disc\u00edpula de Neave.<\/p>\n<p>Os descendentes da corrente migrat\u00f3ria ancestral que chegou pela Am\u00e9rica do Norte se diversificaram em duas linhagens h\u00e1 cerca de 16 mil anos.<\/p>\n<p>Os integrantes de uma das linhagens cruzaram o istmo (pequena por\u00e7\u00e3o de terra) do Panam\u00e1 e povoaram a Am\u00e9rica do Sul em tr\u00eas levas consecutivas e distintas.<\/p>\n<p>A primeira leva ocorreu entre 15 mil e 11 mil anos atr\u00e1s, e a segunda se deu h\u00e1, no m\u00e1ximo, 9 mil anos. O estudo aponta a presen\u00e7a de DNA f\u00f3ssil das duas migra\u00e7\u00f5es em todo o continente sul-americano. A terceira leva \u00e9 mais recente \u2013 cerca de 4,2 mil anos \u2013 e se fixou de forma concentrada nos Andes centrais.<\/p>\n<p>Os dados gen\u00e9ticos mostram que o povo de Luzia tem forte conex\u00e3o com a cultura Cl\u00f3vis, uma linhagem de humanos que fez o trajeto norte-sul h\u00e1 cerca de 16 mil anos.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabia at\u00e9 ent\u00e3o que esse grupo havia migrado para o sul. Essa popula\u00e7\u00e3o, no entanto, n\u00e3o perdurou por muito tempo.<\/p>\n<p>\u201cA partir de cerca de 9 mil anos atr\u00e1s ela desaparece, sendo substitu\u00edda pelos ancestrais diretos dos grupos ind\u00edgenas que habitavam o Brasil durante o per\u00edodo colonial\u201d, indica o estudo. N\u00e3o s\u00e3o conhecidos os motivos que levaram ao desaparecimento dos grupos Cl\u00f3vis.<\/p>\n<p><strong>Contribui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Strauss explica que a nova t\u00e9cnica de arqueogen\u00e9tica traz informa\u00e7\u00f5es que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o eram acess\u00edveis aos arque\u00f3logos.<\/p>\n<p>\u201cEla abre um mundo de possibilidades anal\u00edticas, n\u00e3o s\u00f3 de rela\u00e7\u00f5es de ancestralidade, miscigena\u00e7\u00e3o, determina\u00e7\u00e3o de sexo, estabelecer rela\u00e7\u00f5es de parentesco, investigar o fen\u00f3tipo, investigar doen\u00e7as, investigar o metagenoma, \u00e9 uma infinidade de tipos de estudo e informa\u00e7\u00f5es que a gente passa a poder tirar\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Ele explica que esses avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos se deram aproximadamente nos \u00faltimos dez anos, especialmente pela atua\u00e7\u00e3o do Instituto Max Planck, e est\u00e3o revolucionando os estudos arqueol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>No caso dos f\u00f3sseis de Lagoa Santa, uma das dificuldades foi a extra\u00e7\u00e3o do DNA, tendo em vista o clima tropical que deteriora mais rapidamente o material gen\u00e9tico.<\/p>\n<p>\u201cEm 2012, come\u00e7amos as primeiras tentativas, ainda um pouco t\u00edmidas. No come\u00e7o n\u00e3o estava dando certo, ent\u00e3o levou pelo menos dois anos para a gente aprender como era um protocolo de extra\u00e7\u00e3o de DNA que funcionasse para Lagoa Santa\u201d, relatou.<\/p>\n<p>O instituto alem\u00e3o, no entanto, j\u00e1 tinha conseguido extrair DNA neandertal em 2010. Dos 49 indiv\u00edduos pesquisados, sete esqueletos com idade entre 10,1 mil e 9,1 mil anos s\u00e3o provenientes de Lapa do Santo, abrigo rochoso em Lagoa Santa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Brasil, foram utilizados f\u00f3sseis da Argentina, Belize, Chile e Peru, totalizando 15 s\u00edtios arqueol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Strauss destaca que os pr\u00f3ximos passos da pesquisa envolvem o aumento da amostragem de DNA para entender com mais detalhes o processo de ocupa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>\u201cEncontrar outras popula\u00e7\u00f5es, outros s\u00edtios arqueol\u00f3gicos e esqueletos, que a gente possa extrair o material gen\u00e9tico para entender quando exatamente que essa popula\u00e7\u00e3o chega, qual a rela\u00e7\u00e3o deles com outras popula\u00e7\u00f5es\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Um laborat\u00f3rio de arqueogen\u00e9tica deve ser montado no Brasil, na USP, em 2019. \u201cA gente espera virar um centro que atraia os colegas latino-americanos para realizar as an\u00e1lises aqui, sempre em colabora\u00e7\u00e3o com os colegas da Europa e dos Estados Unidos\u201d, disse o arque\u00f3logo.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e2nio de Luzia<\/strong><\/p>\n<p>Quase uma centena de cr\u00e2nios escavados por Neves e Strauss nos \u00faltimos 15 anos se encontram atualmente na USP.<\/p>\n<p>Muitas das campanhas de escava\u00e7\u00e3o tiveram financiamento da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp).<\/p>\n<p>Outros f\u00f3sseis est\u00e3o guardados na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Minas Gerais.<\/p>\n<p>De acordo com a funda\u00e7\u00e3o, no entanto, a grande maioria desse acervo arqueol\u00f3gico estava depositada no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, o qual foi consumido por um inc\u00eandio no dia 2 de setembro deste ano.<\/p>\n<p>O cr\u00e2nio de Luzia estava exposto no museu carioca ao lado do busto com suas fei\u00e7\u00f5es feito por Neave. A representa\u00e7\u00e3o do rosto original perdeu-se no fogo, mas h\u00e1 c\u00f3pias. Felizmente, fragmentos do cr\u00e2nio foram encontrados nos escombros.<\/p>\n<p>Trata-se de um dos mais antigos f\u00f3sseis j\u00e1 encontrados no continente americano. \u201c\u00c9 natural que se estenda o que foi observado para os 12 esqueletos analisados agora, o que \u00e9 bastante. Praticamente todos eles apontam na mesma dire\u00e7\u00e3o, a gente assume que a Luzia tamb\u00e9m seja. Claro, n\u00e3o tem como ter certeza sem analisar o f\u00f3ssil\u201d, explicou Strauss.<\/p>\n<p>Ele informou que deve ser extra\u00eddo DNA dos fragmentos do cr\u00e2nio de Luzia, recuperados do inc\u00eandio, a partir da libera\u00e7\u00e3o do material pela curadoria do Museu Nacional.<\/p>\n<p>\u201cO material foi exposto a temperaturas alt\u00edssimas e se tem uma coisa que o DNA n\u00e3o gosta \u00e9 de calor, porque ele fragmenta o material. Temos que manter as expectativas em n\u00edveis comedidos\u201d, finalizou.<\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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