{"id":13793,"date":"2013-11-27T15:50:27","date_gmt":"2013-11-27T17:50:27","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=13793"},"modified":"2013-11-27T15:50:27","modified_gmt":"2013-11-27T17:50:27","slug":"conceicao-do-mato-dentro-obras-de-mineroduto-devastam-a-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=13793","title":{"rendered":"CONCEI\u00c7\u00c3O DO MATO DENTRO: Obras de mineroduto devastam a cidade"},"content":{"rendered":"<p>Concei\u00e7\u00e3o do Mato Dentro, a 167 quil\u00f4metros de Belo Horizonte, n\u00e3o \u00e9 mais a mesma desde o in\u00edcio da implanta\u00e7\u00e3o do mineroduto que, de 2008 para c\u00e1, levou 8 mil funcion\u00e1rios para a regi\u00e3o. A instala\u00e7\u00e3o do empreendimento aumentou a oferta de emprego para moradores, mas outros benef\u00edcios para a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o aconteceram.<\/p>\n<p>Agora, a um m\u00eas do come\u00e7o da retirada dos trabalhadores da cidade, processo que deve durar at\u00e9 setembro de 2014, os 18 mil moradores enumeram os problemas que ter\u00e3o que enfrentar por causa da presen\u00e7a das empreiteiras.<\/p>\n<p>A lista \u00e9 extensa: ruas esburacadas e sem pavimenta\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, \u00e1reas invadidas, tr\u00e2nsito sem sinaliza\u00e7\u00e3o e aterro controlado transformado em lix\u00e3o a c\u00e9u aberto.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/mineroduto_conceicao_md.jpg\" width=\"714\" height=\"476\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p><strong>Expulsos de casa<\/strong><\/p>\n<p>A consequ\u00eancia mais vis\u00edvel \u2013 e sem previs\u00e3o de solu\u00e7\u00e3o \u2013 foi a invas\u00e3o de terrenos p\u00fablicos por moradores que n\u00e3o conseguiram mais pagar aluguel. Uma loca\u00e7\u00e3o por R$ 300 mensais subiu para at\u00e9 R$ 3 mil.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual (MPE) estima que 200 casas e pequenos pr\u00e9dios na \u00e1rea urbana viraram rep\u00fablicas para trabalhadores diretos e indiretos da Anglo American, respons\u00e1vel pelo mineroduto.<\/p>\n<p>\u201cA implanta\u00e7\u00e3o de alojamentos para pe\u00f5es na cidade n\u00e3o estava no licenciamento. Sem essa previs\u00e3o, n\u00e3o houve medida mitigadora dos impactos\u201d, diz o secret\u00e1rio municipal de Planejamento e Desenvolvimento Econ\u00f4mico, Ricardo Guerra.<\/p>\n<p>S\u00f3 agora, quase seis anos ap\u00f3s o in\u00edcio da instala\u00e7\u00e3o do empreendimento, a prefeitura corre atr\u00e1s do preju\u00edzo. \u201cPedimos o n\u00famero exato de funcion\u00e1rios e moradias usadas. Vamos cobrar a fatura\u201d, afirma o secret\u00e1rio municipal de Meio Ambiente, Sandro Lage.<\/p>\n<p>A Anglo admite que mant\u00e9m trabalhadores em rep\u00fablicas, mas n\u00e3o reconhece os locais como alojamentos. H\u00e1 15 dias, por\u00e9m, uma equipe do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho flagrou 172 oper\u00e1rios abrigados em \u201ccondi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas ao trabalho escravo\u201d em um im\u00f3vel na \u00e1rea urbana.<\/p>\n<p><strong>Improviso<\/strong><\/p>\n<p>Os moradores que ocuparam \u00e1reas invadidas vivem em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, sem \u00e1gua, luz e coleta de esgoto. \u00c9 o caso do vigia Jos\u00e9 Ant\u00f4nio de Souza, de 24 anos, h\u00e1 tr\u00eas no loteamento irregular Vila S\u00e3o Francisco. \u201cN\u00e3o consegui pagar R$ 500 em um barrac\u00e3o de dois c\u00f4modos\u201d.<\/p>\n<p>Ponto tur\u00edstico da cidade, o Parque Sal\u00e3o de Pedras teve 600 ocupa\u00e7\u00f5es irregulares em tr\u00eas meses. \u201cEm 20 anos, foram no m\u00e1ximo cem\u201d, diz Sandro. A demarca\u00e7\u00e3o de 80% dos \u201clotes\u201d j\u00e1 foi removida, mas o MPE cobra da prefeitura a preserva\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Quem ainda vive de aluguel luta para bancar a despesa. H\u00e1 quatro anos, a gar\u00e7onete Marinete Oliveira, de 27, pagava R$ 80 por uma casa na Vila Caetano. Hoje desembolsa R$ 200, mas o dono do im\u00f3vel quer R$ 600. \u201cSe aumentar, terei que voltar para a ro\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>O problema est\u00e1 longe de ser resolvido. A prefeitura pretende construir um loteamento para essas fam\u00edlias, mas precisa de R$ 22 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma cidade de \u2018papel\u2019. Para tudo h\u00e1 diagn\u00f3stico e projeto, mas nada sai do papel. Se saiu, o resultado ainda \u00e9 muito incipiente\u201d, diz o promotor Marcelo Mata Machado.<\/p>\n<p>Superpopula\u00e7\u00e3o faz pilha de lixo crescer e \u2018condena\u2019 aterro<\/p>\n<p>Os moradores de Concei\u00e7\u00e3o do Mato Dentro ter\u00e3o que conviver por pelo menos mais um ano com um problema que, pela legisla\u00e7\u00e3o federal, deveria ser extinto em agosto de 2014: o lix\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde a chegada dos trabalhadores na regi\u00e3o, aumentou muito o volume de res\u00edduos produzidos e levados para o aterro controlado, \u00e0s margens da MG-010. H\u00e1 ind\u00edcios de contamina\u00e7\u00e3o do len\u00e7ol fre\u00e1tico.<\/p>\n<p>O lix\u00e3o fica em um terreno com uma guarita sem vigia ou controle de entrada e sa\u00edda de ve\u00edculos.<\/p>\n<p>\u201cEm 2011, notificamos os respons\u00e1veis pelo projeto (do mineroduto) Minas-Rio, pedindo que cessassem o despejo de res\u00edduos. Para o tamanho da nossa popula\u00e7\u00e3o, dever\u00edamos aterrar o lixo duas vezes por semana, o que n\u00e3o fazemos mais\u201d, admite o secret\u00e1rio de Meio Ambiente da cidade, Sandro Lage.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o d\u00e1 esperan\u00e7as de que a quest\u00e3o ser\u00e1 solucionada por agora. \u00d3rg\u00e3os fiscalizadores aplicaram pelo menos tr\u00eas multas, de R$ 50 mil cada uma, \u00e0 administra\u00e7\u00e3o municipal.<\/p>\n<p>\u201cA previs\u00e3o para 2015 \u00e9 a de cria\u00e7\u00e3o de um aterro sanit\u00e1rio, mas ate l\u00e1 o plano \u00e9 fazer com que o lix\u00e3o volte a ser um aterro controlado\u201d, diz.<\/p>\n<p>Na \u00faltima quinta-feira, a reportagem flagrou o dep\u00f3sito irregular de materiais hospitalares na \u00e1rea, sem aterramento.<\/p>\n<p>Questionada, a prefeitura disse que dentro de um m\u00eas uma empresa dar\u00e1 in\u00edcio \u00e0 coleta de dejetos domiciliares e especiais.<\/p>\n<p><strong>Sustento<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto isso n\u00e3o acontece, o risco continua para quem tira do lix\u00e3o recursos para a sobreviv\u00eancia. O catador Agnaldo Alves da Cruz, de 40 anos, e a mulher buscam diariamente no entulho material para vender. Os dois torcem para que o lix\u00e3o continue aberto. \u201cSe acabar, s\u00f3 Deus para nos ajudar\u201d, diz Cruz.<\/p>\n<p>Diante da indefini\u00e7\u00e3o quanto ao lix\u00e3o, Concei\u00e7\u00e3o do Mato Dentro se prepara para implantar o aterro sanit\u00e1rio por meio de um cons\u00f3rcio com as cidades de Alvorada de Minas e Dom Joaquim. Na \u00faltima segunda-feira, representantes dos munic\u00edpios elegeram a mesa gestora do grupo.<\/p>\n<p><strong>Falta de vagas em creche afasta mulheres do mercado de trabalho<\/strong><\/p>\n<p>Se por um lado os homens conseguiram emprego nas obras do mineroduto, mulheres que precisam trabalhar n\u00e3o t\u00eam com quem deixar os filhos. As duas creches p\u00fablicas de Concei\u00e7\u00e3o do Mato Dentro t\u00eam capacidade para 90 crian\u00e7as. O Conselho Tutelar afirma que o d\u00e9ficit chega a 200 vagas.<\/p>\n<p>Uma escola infantil est\u00e1 sendo constru\u00edda no bairro Barro Vermelho desde 2011. A previs\u00e3o era a de que a obra terminasse em julho deste ano, mas a edifica\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 sendo erguida.<\/p>\n<p>O prefeito Reinaldo C\u00e9sar de Lima Guimar\u00e3es diz que o atraso na constru\u00e7\u00e3o \u00e9 um \u201cproblema que adv\u00e9m da administra\u00e7\u00e3o passada\u201d.<\/p>\n<p>O gestor afirma que o im\u00f3vel ser\u00e1 conclu\u00eddo no pr\u00f3ximo m\u00eas. Em nota, garantiu que mais duas creches ser\u00e3o abertas em 2014.<\/p>\n<p>O Conselho Tutelar busca uma solu\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida. Por isso, enviou formul\u00e1rios aos pais de crian\u00e7as matriculadas em creches.<\/p>\n<p><strong>Cobertor curto<\/strong><\/p>\n<p>\u201cSe houver alguma m\u00e3e que n\u00e3o trabalha, vamos pedir a retirada do filho para ceder lugar para quem realmente precisa\u201d, alerta a presidente da entidade, Jamile Daniel.<\/p>\n<p>A lavradora Gracielma de F\u00e1tima Silva, de 31 anos, est\u00e1 na torcida. M\u00e3e de nove filhos com idades entre 11 meses e 17 anos, ela tentou matricular as duas crian\u00e7as mais novas, sem sucesso.<\/p>\n<p>Sem ter com quem deixar os pequenos, a fam\u00edlia se sustenta com R$ 700 por m\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cSe eu pudesse trabalhar, a renda iria dobrar. Antes do mineroduto, comprava p\u00e3o a R$ 0,25. Agora, \u00e9 R$ 0,50. N\u00e3o tenho \u00e1gua tratada, e a mineral \u00e9 muito cara: at\u00e9 R$ 2,50 a garrafa. Se eu estiver empregada, a vida ficar\u00e1 menos dif\u00edcil para n\u00f3s\u2019\u201d, diz, esperan\u00e7osa. <\/p>\n<p>Com HD<\/p>\n<p><em>&#8220;\u00c9 permitida a reprodu\u00e7\u00e3o deste material, desde que citada a fonte: Portal Aconteceu no Vale (<a href=\"http:\/\/www.aconteceunovale.com.br\">www.aconteceunovale.com.br<\/a>)&#8221;<\/em><strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Concei\u00e7\u00e3o do Mato Dentro, a 167 quil\u00f4metros de Belo Horizonte, n\u00e3o \u00e9 mais a mesma desde o in\u00edcio da implanta\u00e7\u00e3o do mineroduto que, de 2008 para c\u00e1, levou 8 mil funcion\u00e1rios para a regi\u00e3o. A instala\u00e7\u00e3o do empreendimento aumentou a oferta de emprego para moradores, mas outros benef\u00edcios para a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o aconteceram. 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