{"id":13523,"date":"2013-11-23T13:22:20","date_gmt":"2013-11-23T15:22:20","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=13523"},"modified":"2013-11-23T13:22:20","modified_gmt":"2013-11-23T15:22:20","slug":"conheca-toni-rodrigues-o-maior-produtor-de-cachaca-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=13523","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a Toni Rodrigues, o maior produtor de cacha\u00e7a do mundo"},"content":{"rendered":"<p>Localizada no norte de Minas Gerais e com uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de 40 mil habitantes, Salinas conta com mais de 60 marcas artesanais que produzem aproximadamente 5 milh\u00f5es de litros da bebida por ano. A cidade abriga anualmente um Festival Mundial da Cacha\u00e7a e \u00e9 sede de um enorme museu da bebida.<\/p>\n<p>A cacha\u00e7a, contudo, n\u00e3o est\u00e1 em alta entre os moradores. &#8220;O povo aqui \u00e9 tranquilo, s\u00f3 bebe socialmente.&#8221; Quem explica \u00e9 Antonio Rodrigues, 64, consumidor de nove doses di\u00e1rias da bebida. &#8220;S\u00e3o tr\u00eas doses pela manh\u00e3, tr\u00eas pela tarde e tr\u00eas pela noite&#8221;, explica &#8220;o maior produtor artesanal de Salinas, do Brasil e do mundo&#8221; ou o &#8220;grande rei da cacha\u00e7a&#8221;, como diz ser conhecido.<\/p>\n<p><strong>Antonio Rodrigues, o rei da cacha\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/wDEmeeo3tDg\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>O reinado de Toni, como de fato \u00e9 conhecido, impressiona. Dono das marcas Seleta, Saliboa e Boazinha, ele come\u00e7ou a trabalhar no ramo aos 27 anos, por influ\u00eancia do sogro, dono de uma f\u00e1brica da bebida. A produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria s\u00f3 come\u00e7ou em sua fazenda depois de dez anos. O motivo para entrar no ramo era simples: &#8220;Eu sempre gostei de ganhar dinheiro&#8221;.<\/p>\n<p>Hoje, Toni produz cerca de 1,3 milh\u00e3o de litros por ano e exporta para pa\u00edses como EUA e China. Mas o que realmente chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 sua figura.<\/p>\n<p>Toni recebeu a reportagem vestido de branco da cabe\u00e7a (chap\u00e9u) aos p\u00e9s (sapatos). &#8220;Quando estou de branco, a alma fica limpa e o esp\u00edrito aberto&#8221;, diz. &#8220;Por isso, gosto de usar branco \u00e0s segundas, quartas e sextas-feiras, come\u00e7o, meio e fim da semana&#8221;, explica o cachaceiro, que encontrou a reportagem em uma ter\u00e7a-feira.<\/p>\n<p>Sua marca registrada \u00e9 uma longa barba branca, que acaba de completar 15 anos de idade. A grande e grisalha cabeleira, que a acompanha invariavelmente, escorre por debaixo de algum dos chap\u00e9us que comp\u00f5em sua vasta cole\u00e7\u00e3o. Toni tem tr\u00eas guarda-roupas e tr\u00eas sapateiras. &#8220;Uso uma roupa por no m\u00e1ximo tr\u00eas horas e tomo de seis a oito banhos por dia&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Por baixo do chap\u00e9u Marcatto, de R$ 77 &#8211;ele n\u00e3o tira as etiquetas das roupas&#8211;, Toni leva um galho de arruda atr\u00e1s da orelha. Orgulhoso propriet\u00e1rio de 500 p\u00e9s da planta, garante que n\u00e3o usa a erva para espantar o mau-olhado. &#8220;Eu finjo ser supersticioso&#8221;, conta. &#8220;Fa\u00e7o isso para chamar a aten\u00e7\u00e3o.&#8221; Mas n\u00e3o gosta de maldizer a sorte. &#8220;\u00c9 melhor ter sorte que ser filho de pai rico&#8221;, diz. &#8220;E eu tenho.&#8221;<\/p>\n<p>Toni n\u00e3o gosta de dirigir -conseguiu atolar o carro e estourar um encanamento subterr\u00e2neo em sua fazenda nos poucos minutos em que levou a reportagem para um passeio. Seu meio de locomo\u00e7\u00e3o favorito \u00e9 a mula. Sempre que pode, ele lan\u00e7a a sela em uma de suas 36, de prefer\u00eancia na que \u00e9 seu xod\u00f3, Pirra\u00e7a. Mas tem algumas de nomes mais sugestivos, como Sua M\u00e3e e Seu Cuzinho.<\/p>\n<p>Fascinado por animais, ele diz ter adestrado pessoalmente todas as mulas e os 84 cachorros que moram em suas duas fazendas.<\/p>\n<p>Em sua casa na cidade, conta com a companhia de uma simp\u00e1tica cabra, de nome Arapuca, e o visitante ainda pode tomar um susto com Catarina, uma jiboia de seis metros que rasteja placidamente pelos aposentos. A cabra e a cobra, garante Toni, s\u00e3o amigas.<\/p>\n<p><strong>FAVOR N\u00c3O BATER NO PORT\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Surpreendentemente simples para o dono de uma empresa que fatura &#8220;bem mais de 10 milh\u00f5es por ano&#8221; (a pol\u00edtica da companhia \u00e9 n\u00e3o divulgar n\u00fameros), a casa de Toni n\u00e3o recebe estranhos de portas abertas.<\/p>\n<p>Em cima de um muro amarelo, uma cole\u00e7\u00e3o de carrancas sugere uma recep\u00e7\u00e3o pouco calorosa. Na porta, um aviso afixado passa o recado mais diretamente: &#8220;Patroc\u00ednio j\u00e1 era, doa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m. Favor n\u00e3o bater no port\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Dentro do im\u00f3vel, fotos ampliadas dos seus seis filhos e cinco netos dividem as paredes com frases de autoajuda e piadas, impressas em folhas de papel sulfite e coladas com fita adesiva.<\/p>\n<p>&#8220;Pai alho, m\u00e3e cebola, o filho n\u00e3o tem como cheirar bem&#8221;, prega uma. &#8220;Cacha\u00e7a s\u00f3 faz duas coisas com seu cora\u00e7\u00e3o partido: ou arrega\u00e7a estra\u00e7alhando tudo de vez, ou remenda&#8221;, diz outra, para deleite do mineiro banguela, que ri alto, exibindo um buraco recente (fruto de um acidente gastron\u00f4mico que lhe vitimou um piv\u00f4) e 25 dentes de ouro. &#8220;Tenho uma boca rica&#8221;, brinca.<\/p>\n<p>E, se depender dele, ela tem tudo para ficar mais rica ainda. &#8220;N\u00e3o ganhei dinheiro o suficiente&#8221;, resmunga o cachaceiro. &#8220;Mas estou mexendo com um segundo neg\u00f3cio muito promissor, que \u00e9 uma lavra de pedras preciosas, de turmalina rosa&#8221;, conta.<\/p>\n<p>&#8220;Dentro de cinco anos, vou ganhar R$ 500 bilh\u00f5es&#8221;, prospecta, muito otimista (o quilate da pedra, em sua variedade mais valiosa, vale R$ 617. Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, o pre\u00e7o do quilate de esmeralda mais valioso \u00e9 20 vezes maior).<\/p>\n<p>E mant\u00e9m a humildade para ajudar o rep\u00f3rter. &#8220;S\u00e3o 16 n\u00fameros, se voc\u00ea precisar escrever depois.&#8221; Embora prestativo, o mineiro embaralha as contas, talvez inebriado pelo efeito da cacha\u00e7a com Gatorade que beberica ao longo da entrevista. Quinhentos bilh\u00f5es se escrevem com 12 n\u00fameros (14, se contar os dois zeros depois da v\u00edrgula).<\/p>\n<p>Esse detalhe n\u00e3o incomoda o empreendedor, que possui quest\u00f5es mais prementes a tratar. Toni tem planos para sua empresa at\u00e9 2048, ano em que completar\u00e1 seu centen\u00e1rio. At\u00e9 l\u00e1, pretende formar um sucessor. &#8220;Quem sabe algum neto ou bisneto.&#8221;<\/p>\n<p>Gastar toda a bolada que sonha ganhar com a turmalina rosa n\u00e3o ser\u00e1 problema. &#8220;Vou ficar s\u00f3 com 1% e doarei 99%, o que d\u00e1 R$ 495 bilh\u00f5es, para 13.500 pessoas que eu escolherei&#8221;, diz. \u00c9 bom correr. Voc\u00ea s\u00f3 tem mais 36 anos para cair nas gra\u00e7as de Toni Rodrigues.<\/p>\n<p>Fonte: FOLHA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Localizada no norte de Minas Gerais e com uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de 40 mil habitantes, Salinas conta com mais de 60 marcas artesanais que produzem aproximadamente 5 milh\u00f5es de litros da bebida por ano. A cidade abriga anualmente um Festival Mundial da Cacha\u00e7a e \u00e9 sede de um enorme museu da bebida. 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