{"id":13473,"date":"2013-11-22T04:11:48","date_gmt":"2013-11-22T04:11:48","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=13473"},"modified":"2013-11-22T04:11:48","modified_gmt":"2013-11-22T04:11:48","slug":"chapada-do-norte-sobe-a-renda-na-cidade-dos-negros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=13473","title":{"rendered":"CHAPADA DO NORTE: Sobe a renda na cidade dos negros"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Em Chapada do Norte, no Jequitinhonha, onde negros e pardos s\u00e3o 91,1% da popula\u00e7\u00e3o, a renda dos artes\u00e3os quadruplicou<\/strong><\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/chapada_do_norte.jpg\" width=\"620\" height=\"412\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>Euclides da Cunha (BA) e Chapada do Norte (MG) \u2013 A vida de Z\u00e9 do Ponto, apelido do artes\u00e3o Jos\u00e9 Sebasti\u00e3o Vaz, de 64 anos, mudou bastante em dois anos. \u201cE como mudou para melhor!\u201d, conta esse senhor, cujo apelido veio da \u00e9poca em que vendia cafezinho num ponto de \u00f4nibus em Chapada do Norte, no Vale do Jequitinhonha, a 430 quil\u00f4metros de Belo Horizonte. Em 2012, sua renda m\u00e9dia girava em torno de R$ 500 mensais. Atualmente, ele leva para casa cerca de R$ 2 mil. O salto no faturamento lhe permitiu financiar uma moto zero quil\u00f4metro (R$ 7,4 mil) e comprar, \u00e0 vista, uma televis\u00e3o de tela plana (R$ 1,1 mil) e uma geladeira nova (R$ 1,2 mil). \u201cAdquiri tamb\u00e9m um lote na cidade (R$ 12 mil)\u201d. A melhoria de vida de Z\u00e9 do Ponto retrata o aumento da participa\u00e7\u00e3o dos afrodescendentes no mercado de trabalho, na renda m\u00e9dia brasileira, na educa\u00e7\u00e3o e em outras \u00e1reas que s\u00e3o o foco da s\u00e9rie \u201cA real aboli\u00e7\u00e3o\u201d, publicada desde ontem pelo Estado de Minas.<\/p>\n<p>Chapada do Norte lidera o ranking de cidades mineiras com o maior percentual de popula\u00e7\u00e3o negra. L\u00e1, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), 91,1% dos pouco mais de 15 mil habitantes s\u00e3o pardos ou pretos. O lugarejo come\u00e7ou a surgir no s\u00e9culo 18, em decorr\u00eancia da descoberta de ouro no Rio Capivari. Com a escassez do metal na regi\u00e3o e a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, muitos escravos permaneceram no ent\u00e3o povoado. Para se ter ideia, Chapada do Norte \u00e9 tamb\u00e9m a cidade mineira com o maior n\u00famero de comunidades quilombolas: 14 grupos.<\/p>\n<p>Muitos dos moradores da regi\u00e3o s\u00e3o artes\u00e3os, como Z\u00e9 do Ponto. A vida dele e de outras 24 pessoas come\u00e7ou a mudar, h\u00e1 alguns anos, quando se uniram e fundaram a associa\u00e7\u00e3o Arca. Com a ajuda de alguns parceiros, como o Sebrae, participaram de cursos para melhorar a produ\u00e7\u00e3o de bancos feitos de madeira e couro. \u201cAprendemos a calcular o custo e o lucro, recebemos ensinamentos de como negociar com fornecedores e compradores e participamos de cursos para aproveitar melhor a madeira e o couro.\u201d<\/p>\n<p>O grande diferencial do grupo foi come\u00e7ar a participar de feiras em Belo Horizonte e outras pra\u00e7as. Resultado: representantes de redes varejistas de m\u00e9dio e grande portes conheceram os bancos e fecharam contratos com os artes\u00e3os. Agora, eles vendem para empresas como o Dep\u00f3sito Santa F\u00e9, com quatro endere\u00e7os em S\u00e3o Paulo, e o Balaio Artesanato, com sede no Rio de Janeiro. Nos pr\u00f3ximos dias, devem fechar contrato com a Tok &#038; Stok, presente em v\u00e1rios estados brasileiros. <\/p>\n<p>\u201cEles encomendaram 300 bancos por m\u00eas\u201d, conta, com orgulho, Z\u00e9 do Ponto, para, em seguida, pensar alto: \u201cMinha renda m\u00e9dia, que em um ano passou de R$ 500 para R$ 2 mil, deve melhorar ainda mais\u201d. V\u00e1rios estudos, ali\u00e1s, mostram que a renda m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o negra aumenta num ritmo mais acelerado do que a da branca. Um dos mais recentes, elaborado pelo Laborat\u00f3rio de An\u00e1lises Econ\u00f4micas, Hist\u00f3ricas, Sociais e Estat\u00edsticas das Rela\u00e7\u00f5es Raciais (Laeser), um instituto ligado \u00e0 Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apurou que de julho de 2012 a igual m\u00eas deste ano o rendimento da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa (PEA) branca subiu 0,2%, e a da negra, 5,2%. <\/p>\n<p>DESVALORIZA\u00c7\u00c3O Apesar disso, os pardos e pretos ainda recebem um valor m\u00e9dio absoluto menor do que o dos brancos. Veja: a alta de 0,2% elevou a cifra dos brancos para R$ R$ 2.268,01. J\u00e1 o crescimento de 5,2% dos negros fez com que seu rendimento m\u00e9dio atingisse R$ 1.345,69. Esses valores levam em conta tanto o rendimento de empreendedores quanto o de empregados. Levando-se em conta apenas o grupo de empreendedores de micro e pequenas empresas, o Sebrae apurou que de 2001 a 2011 o rendimento m\u00e9dio dos afrodescendentes donos do pr\u00f3prio neg\u00f3cio subiu 70%, de R$ 612 para<br \/>\nR$ 1.039. <\/p>\n<p>Entre os brancos, o percentual foi menor, de 37%, mas o valor absoluto foi maior, de R$ 1.477 para R$ 2.019. \u00c9 bom frisar que o estudo do Sebrae tem como ano base 2011. O do Laeser, 2013. O gerente da unidade de Gest\u00e3o Estrat\u00e9gica do Sebrae Nacional, Pio Crotizo, avalia que disparidade entre o sal\u00e1rio m\u00e9dio de negros e brancos ainda \u00e9 uma consequ\u00eancia hist\u00f3rica da desigualdade racial no pa\u00eds. Ele argumenta, no entanto, que essa diferen\u00e7a caiu significativamente na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>\u201cEssa diferen\u00e7a do rendimento vem diminuindo. Trata-se de um processo hist\u00f3rico. N\u00e3o \u00e9 uma mudan\u00e7a que ocorre rapidamente. Embora a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja de igualdade, a evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 enorme. Al\u00e9m disso, \u00e9 importante destacar que o pa\u00eds cria condi\u00e7\u00f5es para que eles (os afrodescendentes) sejam donos do pr\u00f3prio neg\u00f3cio\u201d, completa Pio. Ainda assim, h\u00e1 empreendedores que nem sequer conseguem metade da quantia estimada pelo Sebrae ou pelo Laeser. <\/p>\n<p>\u00c9 o caso de outro Jos\u00e9, o Z\u00e9 Paix\u00e3o, de Euclides da Cunha, no sert\u00e3o da Bahia, regi\u00e3o marcada por extensas faixas de terra com mandacarus. Na cidade que homenageia o autor do cl\u00e1ssico Os sert\u00f5es, Jos\u00e9 da Paix\u00e3o, de 50, garimpa clientes com uma pesada caixa de papel\u00e3o nos ombros. \u201cS\u00e3o CDs e DVDs. As vendas est\u00e3o fracas, porque a concorr\u00eancia \u00e9 grande\u201d, disse ele enquanto tentava uma carona para a vizinha Monte Santo, onde conversaria com um rapaz que o convidou para se mudar para S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cEstou seriamente pensando em ir-me embora. L\u00e1 no sul, acredito, vou ter melhor condi\u00e7\u00e3o de vencer na vida. Sou desquitado e tenho uma filha de um ano. Minha menina, embora eu seja negro, \u00e9 branquinha, branquinha. Puxou a m\u00e3e, sabe? Terei de lev\u00e1-la comigo, porque minha ex-esposa se juntou com um cabra e ele a mandou escolher: ele ou a menina. Ela escolheu o rapaz. Para a menina n\u00e3o ficar jogada por aqui, vou carreg\u00e1-la comigo\u201d. <\/p>\n<p>Fonte: Estado de Minas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Chapada do Norte, no Jequitinhonha, onde negros e pardos s\u00e3o 91,1% da popula\u00e7\u00e3o, a renda dos artes\u00e3os quadruplicou Euclides da Cunha (BA) e Chapada do Norte (MG) \u2013 A vida de Z\u00e9 do Ponto, apelido do artes\u00e3o Jos\u00e9 Sebasti\u00e3o Vaz, de 64 anos, mudou bastante em dois anos. \u201cE como mudou para melhor!\u201d, conta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13474,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"amp_status":"","footnotes":""},"categories":[120],"tags":[481,780],"class_list":["post-13473","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-jequi","tag-chapada-do-norte","tag-consciencia-negra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13473","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=13473"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13473\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/13474"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=13473"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=13473"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=13473"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}