{"id":133465,"date":"2018-07-06T00:20:16","date_gmt":"2018-07-06T02:20:16","guid":{"rendered":"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=133465"},"modified":"2018-07-06T00:20:16","modified_gmt":"2018-07-06T02:20:16","slug":"auditores-resgatam-19-trabalhadores-em-fazenda-de-cafe-em-minas-gerais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/?p=133465","title":{"rendered":"Auditores resgatam 19 trabalhadores em fazenda de caf\u00e9 em Minas Gerais"},"content":{"rendered":"<p>Uma a\u00e7\u00e3o fiscal realizada por auditores da Secretaria de Inspe\u00e7\u00e3o do Trabalho (SIT) do Minist\u00e9rio do Trabalho em Minas Gerais resgatou 19 trabalhadores laborando em situa\u00e7\u00e3o degradante em colheita de caf\u00e9 numa propriedade rural no munic\u00edpio de C\u00f3rrego Danta, Centro-oeste mineiro, na regi\u00e3o do Alto S\u00e3o Francisco. Entre os trabalhadores resgatados havia um menor, de 17 anos, que participava da colheita juntamente com os pais. Ao todo foram lavrados 25 autos infra\u00e7\u00e3o. A a\u00e7\u00e3o no local foi inciada em 11 de junho, mas seu encerramento, incluindo a lavratura dos autos e o t\u00e9rmino do prazo para indeniza\u00e7\u00f5es e recolhimentos de encargos, ocorreu nesta primeira semana de julho. O relat\u00f3rio final ser\u00e1 finalizado na pr\u00f3xima semana. <\/p>\n<p>A equipe de fiscaliza\u00e7\u00e3o recebeu informa\u00e7\u00e3o de que trabalhadores oriundos da Bahia estavam vivendo em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias em um fazenda da regi\u00e3o, participando da colheita de caf\u00e9. Um primeiro grupo, com 20 pessoas, saiu da Bahia no dia 22 de maio, em \u00f4nibus fretado por \u201cgatos\u201d que prometeram restituir aos trabalhadores os R$ 200 gastos com a viagem. O segundo grupo saiu no dia 28 de maio, nas mesmas condi\u00e7\u00f5es do anterior, todos sem a contrata\u00e7\u00e3o formal, sem assinatura de carteira de trabalho e sem informa\u00e7\u00f5es sobre remunera\u00e7\u00e3o ou prazo de contrata\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Nas frentes de trabalho, num cafezal cultivado em terreno acidentado, n\u00e3o havia instala\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria, o que obrigava os trabalhadores a utilizarem o mato para suas necessidades fisiol\u00f3gicas. A \u00e1gua que bebiam era oriunda de uma nascente pr\u00f3xima e comiam no ch\u00e3o. Os alimentos eram preparados pelos pr\u00f3prios trabalhadores, em marmitas que ficavam dependuradas por horas, em mochilas, nos p\u00e9s de caf\u00e9, sujeitas a ataques de animais e \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o havia controle de jornada, apenas um controle da produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria do trabalhador, feito por um empregado fixo da fazenda e anotado de forma prec\u00e1ria, para uso nos c\u00e1lculos dos acertos ao final da semana\u201d, explica o coordenador da a\u00e7\u00e3o, o auditor-fiscal do Trabalho Marcelo Campos. <\/p>\n<p>Os Equipamentos de Prote\u00e7\u00e3o Individual (EPIs) fornecidos pelos propriet\u00e1rios da fazenda restringiam-se a \u00f3culos, bon\u00e9 e perneiras. As botas e luvas foram trazidas na bagagem desde a Bahia ou compradas no \u00fanico estabelecimento comercial a que os trabalhadores tinham acesso, distante cerca de 20 km da fazenda. O empregador, inclusive, combinou cr\u00e9dito para as compras de alimentos e artigos de higiene, que seriam pagas no fim da colheita pelos adquirentes, no estabelecimento. Em poucos dias de estadia, alguns trabalhadores j\u00e1 tinham d\u00e9bitos superiores a R$ 600 reais. No total, a d\u00edvida do grupo j\u00e1 ultrapassava R$ 7 mil. <\/p>\n<p>Nos alojamentos, pr\u00f3ximos \u00e0 frente de trabalho, n\u00e3o havia camas para todos nem roupas de cama, travesseiros ou mantas t\u00e9rmicas, numa regi\u00e3o onde as temperaturas chegam, nessa \u00e9poca do ano, a 13 graus. Na cozinha havia um fogareiro improvisado, em raz\u00e3o da insufici\u00eancia de fog\u00f5es para o preparo das refei\u00e7\u00f5es, e os mantimentos ficavam sobre prateleiras ou no ch\u00e3o, sem prote\u00e7\u00e3o contra insetos e roedores. <\/p>\n<p>A auditoria notificou o propriet\u00e1rio da fazenda a providenciar as rescis\u00f5es contratuais, que totalizam mais de R$ 70 mil em pagamentos aos trabalhadores, e o dep\u00f3sito de quase R$ 8 mil, valor referente ao FGTS n\u00e3o recolhido. Al\u00e9m disso, o dono da fazenda teve de garantir o retorno dos trabalhadores aos seus locais de origem. <\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o fiscal contou com participa\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho e com a Pol\u00edcia Federal. <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/aconteceunovale.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/situacao_cafe_mg.jpg\" alt=\"\" \/><em>Local onde os trabalhadores armazenavam alimentos (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/em><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>VER PRIMEIRO<\/strong><\/p>\n<p>Receba as not\u00edcias do Aconteceu no Vale em primeira m\u00e3o. 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